Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido. Pois nada está oculto, senão para ser divulgado; e nada está mantido em secreto, senão para ser trazido à luz…
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quinta-feira, 17 de março de 2016
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Bom Dia Alentejo, Nisa, Menhir do Patalou, o compadre que lá se levantou
Um menir - compadres e minhas
comadres - com quatro metros de comprimento e um peso a rondar as sete
toneladas ele foi reerguido na zona de Nisa, no Alto Alentejo, por uma equipa
de arqueólogos e poderá ser visitado a partir de domingo.
O
Menhir do Patalou, que se encontrava tombado, foi objecto de estudo e
reabilitação por parte de uma equipa de arqueologia da Universidade de Évora,
no âmbito de um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Nisa, no
distrito de Portalegre.
De acordo com os resultados dos
trabalhos arqueológicos realizados em Julho deste ano, este menir foi erguido
em meados do quinto milénio antes de Cristo, tendo sido talhado, transportado e
erecto pelas primeiras comunidades neolíticas, no contexto de ancestrais cultos
à fertilidade.
"Este é o segundo menir a ser
tratado em toda a Europa ocidental e que vem provar que os menires são muito
mais antigos do que o resto do megalitismo, sobretudo o funerário",
explicou na quarta-feira Jorge Oliveira, professor de arqueologia, da
Universidade de Évora. O Menhir do Patalou está situado junto a uma estrada que
liga Nisa à albufeira de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no
distrito de Portalegre.
De acordo com o mesmo arqueólogo, o
menir, que se encontrava tombado e intacto quando iniciaram os trabalhos,
"é um dos mais volumosos" menires explicitamente fálicos da Península
Ibérica, sendo, por isso, considerada uma peça "interessante".
Por forma a preservar integralmente
a sua fossa de implantação e o sobreiro que junto se encontra, o Menhir do
Patalou foi reerguido seis metros para norte, ficando assinalado com um marco
de granito o local original da sua implantação.
"Este trabalho foi um sucesso do ponto de vista científico e vai ser um sucesso do ponto de vista da paisagem e do turismo arqueológico, porque é uma peça notável", disse. Existem naquela região alentejana vários menires e Jorge Oliveira acredita que poderá ser criado, no futuro, "um roteiro de visita" a estes monumentos.
"Este trabalho foi um sucesso do ponto de vista científico e vai ser um sucesso do ponto de vista da paisagem e do turismo arqueológico, porque é uma peça notável", disse. Existem naquela região alentejana vários menires e Jorge Oliveira acredita que poderá ser criado, no futuro, "um roteiro de visita" a estes monumentos.
Os trabalhos arqueológicos que
permitiram a reabilitação do Menhir do Patalou estão inseridos num projeto de
investigação denominado "Meganisa", aprovado pela Direção-Geral do
Património Cultural.
Ao longo de quatro anos, a
Universidade de Évora tem ainda como missão desenvolver naquele concelho
alentejano outras ações de valorização e divulgação de monumentos megalíticos.
Na agenda estão trabalhos de estudo e valorização no Menhir e Dólmenes dos Sarangonheiros e nos monumentos megalíticos de São Gens e Senhora da Redonda, sendo para os arqueólogos um conjunto de espaços que oferecem "um singular roteiro" megalítico para a região.
Na agenda estão trabalhos de estudo e valorização no Menhir e Dólmenes dos Sarangonheiros e nos monumentos megalíticos de São Gens e Senhora da Redonda, sendo para os arqueólogos um conjunto de espaços que oferecem "um singular roteiro" megalítico para a região.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Bom Dia Alentejo, Blocos Pedunculados de Arez-Alpalhão - Nisa, a Zona é rica, a natureza diz que é artista
Os
blocos pedunculados são como enormes cogumelos de granito que crescem aqui e
além na Superfície de Aplanação do Alto Alentejo. A sua origem ocorreu em duas
etapas: uma primeira que se dá após a exposição à superfície de uma porção
granítica, resulta de uma mais rápida alteração química da rocha ao nível do
solo, onde as águas subterrâneas se acumulam e enriquecem em ácidos orgânicos e
uma segunda etapa desenvolvida durante um período de chuvas mais intensas em
que os solos sofrem erosão acelerada, expondo o pedúnculo que une o todo
coerente ao seu substrato granítico...
Fonte:
http://www.naturtejo.com/conteudo.php?opt=o-que-visitar&id=75
Bom Dia Alentejo!
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Bom Dia Alentejo, a terra de Nisa, a Lenda da Moira Parturiente de Nisa, a deusa Fortuna um dia disse e abalou
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Havia uma mulher em Nisa que era parteira, e foi-lhe bater à porta, fora de
horas, um homem. Ela levantou-se e veio à rua, onde estava o mesmo indivíduo à
espera, o qual era desconhecido dela. Acompanhou o homem para fora da vila e ia
muito assustada, porém não dizia nada. Chegaram a um sítio, onde estava um
penedo com uma abertura à maneira de uma janela. Ele disse para a mulher:
— Entre.
A parteira entrou e viu uma mulher, que estava muito aflita, para ter uma criança. A parteira arranjou a mulher e arranjou a criança e depois perguntou se queriam que ela fizesse alguma coisa. Ela disse que não e pegou numa pá de carvão e encheu-lhe a abada. Foi acompanhá-la até à porta. A mulher, como não fez caso do carvão, foi deixando este pelo caminho a pouco e pouco, ficando-lhe no avental apenas, por acaso, uns três ou quatro bagos.
Despediu-se do homem e foi-se deitar. Ao despir-se, aqueles bagos caíram no chão, sem ela dar por isso. De manhã, quando se levantou, viu que os carvões se tinham transformado em peças de ouro. Ficou muito desgostosa de não ter trazido tudo, e voltou fora a ver se achava mais peças. Porém, não achou nada.
— Entre.
A parteira entrou e viu uma mulher, que estava muito aflita, para ter uma criança. A parteira arranjou a mulher e arranjou a criança e depois perguntou se queriam que ela fizesse alguma coisa. Ela disse que não e pegou numa pá de carvão e encheu-lhe a abada. Foi acompanhá-la até à porta. A mulher, como não fez caso do carvão, foi deixando este pelo caminho a pouco e pouco, ficando-lhe no avental apenas, por acaso, uns três ou quatro bagos.
Despediu-se do homem e foi-se deitar. Ao despir-se, aqueles bagos caíram no chão, sem ela dar por isso. De manhã, quando se levantou, viu que os carvões se tinham transformado em peças de ouro. Ficou muito desgostosa de não ter trazido tudo, e voltou fora a ver se achava mais peças. Porém, não achou nada.
O homem era um moiro e a mulher que estava de parto era moira.
Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da
universidade, 1966, p. 744-745
Foto: http://obviousmag.org/archives/uploads/2009/09120403_obvious.pt_rochedo.jpgBom Dia Alentejo!
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terça-feira, 29 de abril de 2014
Bom Dia Alentejo, Nisa, a Lenda da Faiopa, a água a levou

Defrontavam-se nas duas margens do Tejo — reza a tradição — dois castelos, ali postos para domínio e guarda de terras, cujos senhores militavam em campos adversos: um, defensor do Evangelho; o outro, sectário do Corão. Visigodos e mouros digladiavam-se então em pugnas ferocíssimas, alongando-se por contínuas algaras e fossados e deixando à guarda dos seus castelos inacessíveis a fragilidade das mulheres e a inocência das crianças.
Ora sucedeu que D. Urraca — esposa de certo fidalgo cristão — enquanto este acutilava agarenos, se esqueceu, no seu castelo das Portas de Ródão, do que devia à honra de quem tão denodadamente combatia. E, perdidamente, tresloucadamente, precipitou-se nos braços de um nobre da mais alta linhagem mourisca, que trocara os rigores da guerra pelas blandícias da infiel. E diz a lenda que o buraco da Faiopa era o extremo da passagem subterrânea utilizada pela dama cristã, quando saía do castelo para, de barco, ir em demanda do mouro que a perdera.
Viveram longo tempo em descuidosa e absorvente paixão. Mas, certo dia, o marido atraiçoado aparece inesperadamente e, em vez das dúlcidas alegrias do lar, a que lhe davam direito seus feitos de estrénuo batalhador, esperam-no a infâmia e a desonra. A adúltera sofreu então o justo castigo da infidelidade: Foi no mesmo pego — sobre cujas águas ela diariamente passava a caminho do castelo fronteiro — que o marido ultrajado a precipitou, depois de lhe atar ao pescoço pesada pedra de moinho.
E nos torvelinhos do pego de D. Urraca — nome por que ainda hoje é conhecido — lá se afundou para sempre a desvairada.
A sua alma por ali anda penando, entre as fragas e ruídos do cachão, em lamentos de dor e gritos de desespero, que se perdem na solidão daquelas quebradas e penedias.
Fonte: José Francisco Figueiredo, Monografia de Nisa,
Câmara Municipal de Nisa, 1989 , p. 287-288
Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjpKd8P4k46qwK22Bc3LOp_-MthyphenhyphenMXYTbKFD2A5ZtdMSM-SOMJoIedjTO4jK6SCBPC04H-UTB32OJ8viVTKIUAlNEi__vSIeHy52ynYZT0_S6Ni57sSA6m1BbqAbFfRcB9Cjrp9dIxEEWrJ/s1600/dulce.jpg
Bom Dia Alentejo!
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sábado, 8 de fevereiro de 2014
Bom Bia Alentejo, Nisa, Topónimo de Nisa, Mulher, a menina continua bonita
O nome desta
conhecida vila alentejana aparece muitas vezes escrito erradamente, isto é, com
um “z” em vez de “s”. Tal grafia não deve ser adoptada, pois na origem do
vocábulo não há nada que o justifique.
NISA veio de Nissa e,
quer seja o nome da referida vila do distrito de Portalegre, quer designe
várias antigas cidades gregas, quer seja mitónimo, quer seja antropónimo
feminino, que também pode ser, deve sempre ser escrito com “s”, única forma
aceitável à luz da etimologia e por isso mesmo recomendada pela nossa
ortografia oficial.
Vem a propósito dizer
que também existe a forma niza, com “z”, mas esta é um nome comum, que se
designa determinada peça de vestuário. Tem origem turca e não se relaciona com
NISA, nome próprio. (…).
Ocorre-nos referir
aqui a uma nota encontrada posteriormente e na qual se afirma que o topónimo
NISA proveio da forma feminina Nisus, que por sua vez é a latinização do grego
Nésos, nome de um rei de Mégara.
Página 64 do
“Cadastro da População do Reino”, de 1527, lê-se Vjla de Nisa, o que constitui
mais um indício de que é errada a grafia do vocábulo com “z”.
(Dos
Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II (1944) – Págs. 176-177 e
343).
Este nome, na origem,
é como tantos outros, nome de pessoa; no nosso caso, nome de mulher, feminino
de Nisus, que se lê numa inscrição de Faro, publicada no Corpus, II, 5144.
Nisus é latinização do grego Nisos, que foi por acaso o nome de um rei de
Mégara.
A-par-de NISA que é
pressuposta forma latinizada, temos Nise numa inscrição de Beja, publicada na
mesma colecção, II, 5186(=59). Não se admire o leitor alto-alentejano de lhe
dar como estirpe de NISA uma grega.
Com a conquista da
romana da Lusitânia vieram para cá muitos gregos, uns como profissionais, por
exemplo do sacerdócio pagão, e da Medicina.
Possuo coleccionados
dezenas de nomes gregos. Até se dá a notável coincidência de serem do sul, de
Portugal as lápides em que figuram Nisus e Nise (=NISA), e de ser também
meridional a vila de NISA.
Pois que há vários
testemunhos de influência romana no concelho de NISA (lápides com inscrições,
etc.), pode entender-se que houve em uma nesga do território, nisorto, ou na
época romana uma villa rústica (“quinta”), ou lá na época portuguesa, ou pouco
antes, um monte (em sentido alentejano), pertença, em qualquer dos casos, de
uma mulher chamada NISA.
Este monte ou esta
villa rústica prosperou e tornou-se a NISA moderna, ou se não foi bem assim,
propagou-se o nome, por qualquer circunstância, ao referido território.
(Da
Revista Lusitana, Vol. XXXV – Pág. 312, do estudo Matéria Filológica –
Etimologia de NISA – por José Leite de Vasconcelos. Este artigo foi
primeiramente publicado no semanário estremocense Brados do Alentejo, N.º 333
de Janeiro de 1937).
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