Mostrando postagens com marcador Concelho de Alter do Chão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Concelho de Alter do Chão. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de abril de 2016

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Coudelaria, a Coudelaria de Alter do Chão

 
 
 
 
 
 
 


 





A Coudelaria de Alter é criada em 1748, no âmbito de uma nova política coudélica, iniciada em 1708, pelo Rei D. João V, consequência da moda europeia.
Dominando a política coudélica, estava a profunda convicção de que a identidade nacional e a caracterização plástica e artística da Picaria Real teria de assentar na produção nacional de cavalos de sela, de Alta Escola.
A Coudelaria de Alter será instalada na Coutada do Arneiro, propriedade da Casa de Bragança, sendo a mais antiga e notável Coudelaria Portuguesa e, no mundo, a que mais tempo leva de funcionamento ininterruptamente no assento originário.
É ao Rei D. José I que, quase inteiramente, cabe o mérito da instalação e estruturação da Coudelaria de Alter.
O núcleo inicial da manada foi inteiramente constituído por éguas, na sua maioria, propositadamente adquiridas em Espanha.
No processo de alargamento da área de pastoreio foi organizado, no final de 1757, o potril da Azambuja para funcionar como estrutura complementar da Coudelaria de Alter, para recria dos poldros após a desmama.
Entre 1770 e 1800 a Picaria Real atingiu o máximo esplendor, para o que também foi decisivo o ensino do, Estribeiro-Mor, D. Pedro de Meneses, 4º Marquês de Marialva. É também reflexo desse período a edição, em 1790, de “A Luz da liberal e nobre arte da cavalaria” da autoria de Manoel Carlos de Andrade, Picador da Picaria Real.
Em 1787 a Rainha D. Maria I decidiu a criação de um novo picadeiro, mais consentâneo com a dama da Picaria Real iniciando-se de imediato a sua construção. O novo picadeiro, em estilo Neoclássico, foi inaugurado em 1793, e podemos vê-lo visitando o Museu Nacional dos Coches.
Não é só no picadeiro que os Alter Real brilham. Brilham também no Terreiro do Paço na estátua que Machado de Castro esculpiu, em 1775, para glória do Rei D. José I, montado num Alter-Real, o Gentil e no fausto dos cortejos de Gala, espelho do poder e grandeza da Corte e do País.
No decorrer do século XIX, a instabilidade da vida nacional, reflecte-se na vida administrativa e técnica da Coudelaria de Alter.
De 1842 a 1910 a Coudelaria passa por grandes dificuldades e sobressaltos, foi o tempo dos cruzamentos. Nesta altura o que se pretende é completamente diferente: num primeiro tempo pretende-se a produção de cavalos de tiro e num segundo a produção de cavalos de corrida provocando a secundarização do Alter Real.
Constatados os maus resultados da introdução de sangue de tiro e de sangue árabe na manada de alter, a partir de 1876 voltaram a ser utilizados reprodutores Alter Real.
Proclamada a República e arrestados os bens da coroa, a Coudelaria foi transferida, em Março de 1911, para o Ministério da Guerra, através da Comissão Técnica de Remonta. A Coudelaria passa assim a Coudelaria Militar.
O objectivo da Coudelaria Militar de Alter do Chão tinha claras intenções de fomento.
Mas foi feita uma forte persistência nos cruzamentos absorvendo o Alter Real e produzindo cavalos de desporto.
Em 1939, face à crescente mecanização das forças armadas são extintos os serviços de fomento hípico do Ministério da Guerra.
Em 1942 a Coudelaria Militar de Alter do Chão foi extinta e as propriedades e a manada foram integradas no Ministério da Economia.
Em seu lugar surgiu a Coudelaria de Alter sob jurisdição da Direcção Geral dos Serviços Pecuários.
O objectivo foi desde logo definido, sendo ele a recuperação do Alter Real, na altura quase em extinção. O trabalho para o alcance deste objectivo inicia-se logo em 1942 a partir de 11 éguas e 3 garanhões. As éguas, as únicas Alter Real puras recebidas da Coudelaria Militar e os três reprodutores, “Regedor” e “Vigilante” (Reprodutores adquiridos em leilão em 1938 pelo Dr. Ruy D’Andrade que agora os cede ao estado) e “Marialva II” (da Coudelaria do Dr. Fontes Pereira de Melo, na qual sempre imperou sangue Alter Real). Foi com base nestes três reprodutores que ate 1979 se conseguiu obter a recuperação do Alter Real.
A partir de 1980 desenvolve-se um trabalho constante de especialização do Cavalo Alter Real em Alta Escola mais afincadamente procurada e plenamente atingida a partir do lançamento, em 1989, da Escola Portuguesa de Arte Equestre, numa sequência do que foi a Picaria Real.
Em 1996 são tomadas medidas de intensificação da actividade da Coudelaria de Alter através do Programa de Desenvolvimento Integrado, que vigorou até 2006.
Em 2007 a Coudelaria de Alter é integrada na Fundação Alter Real, mantendo a sua missão de fundo, criação e valorização do cavalo Lusitano Alter Real.
A 2 de Agosto de 2013, a Coudelaria de Alter passa a ser gerida pela Companhia das Lezírias, SA, tendo-lhe sido atribuída através de delegação de competências de serviço público, a preservação do património genético animal da raça lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real.
Fonte: Coudelaria de Alter. Um Outro Olhar sobre o Passado, de Manuel Homem Themudo

Foto: Duarte Fernandes Pinto, o blogue  “portugalfotografiaaerea.blogspot.pt”
 
 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Bom Dia Alentejo, o Lago, Alter do Chão, a antiga piscína onde a malta nadava

 
Foto: Facebook, Maria João Baltazar
Este Lago, foi um espaço onde os compadres de Alter do Chão, lá passavam o Verão, lá compadres e minhas comadres, lá aprenderam a nadar.
No tocante a nadar, pois sabeis, dando o seguimento, era um bocado complicado. Quem não sabia nadar, se vos dirá a vossemecês, não havia problemas. Levavam o compadre lá para dentro, para o meio, e o compadre ou os compadres, lá se tinham que desenrascar, quase a afogar…
Em 1982, compadres e minhas compadres, este Lago ainda existia. Não se sabe se no presente ele ainda existe, ou se já foi assim na água abaixo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, a que uma procissão, o Sol e que a chuva mata a rude seca


Foto: Dani, http://castelocernado.blogspot.pt
Quando não chove, o povo vai à capela de Santa Joana Domingas, na Quinta do Pião (herdade), ao pé de Alter do Chão, e volta a imagem com o rosto para a parede. Se a chuva demora a vir, levam a santinha em procissão até à igreja de Alter, onde fica até vir chuva.
Quando querem que a chuva pare, - quando ela é demais - levam a imagem para a capela Alter Pedroso; depois volta para a sua capela.
Fonte: José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, pág. 177, Vol. VII

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, a Chança, Forca da Chança, o Outeiro da Forca

 
Na antiga vila da Chancelaria, actual Chança, existia uma forca no denominado Outeiro da Forca.
Situa-se este outeiro – mes compadres e minhas comadres – a cerca de 500 metros para SW do centro da povoação, sobranceiro ao velho caminho que ligava a Chancelaria ao sul.
No local onde se levantaria a forca, que seria de madeira, ergue-se hoje uma torre de alta tensão. No local denota-se uma irregular zona aplanada que serviria de esplanada da forca.
- Assim pois se dirá a vossemecês, mes compadres e minhas comadres – este outeiro é bem visível do centro urbano.
O local, - para não ficar a faltar nada a vossemecês – possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X – 0602561; Y – 4344934.
Fonte: Jorge de Oliveira, Ana Cristina Tomás, as forcas do Distrito de Portalegre, 140 anos após a abolição da pena de morte

sábado, 28 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Topónimo de Alter do Chão, a uma bandeja lhe vai

 
A respeito desta vila e sede de concelho do distrito de Portalegre, em Abril de 1935 apareceram anónimas as seguintes referências:
“E assim surgiu das ruínas da velha Abeltéria a vila de ALTER DO CHÃO, cujo nome dizem ser corrupção da antiga cidade romana. Porém, como desta surgiram duas vilas – ALTER DO CHÃO e Alter Pedroso – é mais provável que o nome ALTER venha do adjectivo alter, que significa um de dois ou uma de duas partes, pois que ALTER DO CHÃO é uma das duas partes da cidade Abeltéria, sendo a outra parte Alter Pedroso, hoje pequena povoação, anexa a ALTER DO CHÃO, donde dista três quilómetros.
DO CHÃO é a tradução portuguesa da palavra latina planus, porque desde remota data se chamou ALTER PLANUS a esta parte mais plana da velha cidade, em oposição à outra parte, que, por ser mais alta e pedregosa, se chamou Alter Petrosus, Alter Pedroso”.


A segunda parte destas referências foi criteriosamente contestada pelo Dr. Artur Bivar, que se manifestou:
“Esta etimologia (a que faz filiar o topónimo Alter no adjectivo latino alter) não tem probabilidade nenhuma. Históricamente, não, porque, se a cidade esteve em ruínas desde a destruição no tempo do imperador Adriano até D. Afonso II a mandar reedificar e povoar, ficando então as duas povoações, era latim de mais aquele incorrupto Alter no século XIII.
Nesse tempo, já o alter latino nos tinha dado foneticamente o nosso outro, como em francês autre e em italiano altro. E só ali é que teria ficado fixo, tal qual era em latim, só com a deslocação do acento para a última sílaba?
Além disso, se no século XIII a primeira sílaba de alter ainda não estivesse alterada, estava-o seguramente a segunda, na linguagem comum, porque outro saiu de alter pelo acusativo alterum e, com a deslocação do acento suposta, teria dado Altero e não Altér. E com quem concordaria, in mente aquele adjectivo alter? Com vila? Então deveria ser áltera ou altera. Com oppidum? Então devia ser áltero ou altéro”.
Efectivamente e perante tão sensatos e fundamentados embargos, tal suposto étimo tem de ser abandonado.
ALTER proveio, sim, do locativo Abelterii, cidade, através de formas intermediárias e pré-históricas Avelterii e Aelter, como mostrou Leite de Vasconcelos.
          Fonte: Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – 1944 – Págs. 253-254.
 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, terras de Alter do Chão, Fonte no Olímpio Barreto Murta, a igreja de Sant`Ana a dizer que o céu é o limite

 
Fonte no Largo Doutor Olímpio Barreto Murta em Alter do Chão.
Fonte neobarroca e revivalista. Tem pináculo gigante ao centro e quatro peixes, apresentando elementos decorativos de estilo barroco.
Via, Maria Lourdes Ribeiro.
E construída no século XIX- mês compadres e que minhas comadres -, uma fonte neo-barroca se vos dirá.
Ela que possui pois assim um tanque octogonal, e que ao centro - compadres e minhas comadres - do tanque, um pináculo gigante com quatro peixes, a encimar as bicas que malta minha.
E no mesmo largo se dirá a vossemecês, encontra-se a igreja de Sant’Ana. Séc. XVII, assim ela datando. Possui assim painéis de azulejos de muito boa qualidade, a representar cenas da vida da Virgem. De muito boa qualidade pois que se dirá a vossemecês, sofreu ela poucas alterações e mantém as características da sua época de construção.
Fonte e Foto: www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx?wp=GC17TVQ