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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Montargil, Topónimo de Montargil, a terra dos três forais


Sobre a origem do nome Montargil existem várias versões todas elas credíveis:
 
a)      Montargis, pelo facto do Alentejo ter sido povoado pelos nossos primeiros reis, que para o efeito deram muitas terras aos cruzados que passavam pelo nosso país. Existindo em França uma cidade chamada Montargis, e sendo alguns desses Cruzados naturais desta região francesa é de presumir que um desses aventureiros fosse de Montargis e por ser senhor desta povoação ou simplesmente morador dela, impusesse o nome a esta vila. Esta versão é credível, uma vez que nas proximidades desta vila, em Montalvo do sor estabeleceu-se uma colónia de francos.
b)      Monte Argila , visto a constituição geológica do terreno em que assenta ser de barro.
c)      Monte Argel, significando Monte do Infeliz, porque Argel significava infeliz. (pouco provável)

Hipótese A
O nome de Montargil conduz a fundação da vila não ao tempo de D. Dinis, mas ao tempo de D. Sancho I I. Este rei faz a doação de Montalvo do Sor aos francos, anterior à fundação enquanto localidade ( 1223 -1245). Esta doação surge na sequência da preciosa ajuda que os cruzados de Montargis haviam dado na reconquista cristã. O objectivo da doação, a julgar pelas outras feitas seria não só recompensar os cruzados como manté-los nas terras doadas defendendo esta terra de possíveis ataques mouros, que nesta época eram uma constante.
 
Entrando no domínio da especulação, podemos mesmo admitir que a terra doada por D. Sancho II aos francos iria da zona de Montalvo do Sor até à região mais tarde denominada de Montargil. Sendo esta última a zona mais elevada, era sem dúvida o local indicado para erguer uma castela, local que já tinha sido utilizado por povos anteriores.
Hipótese B
Algo que nos possa intrigar é o facto de desde o século XV o Montargil aparece sempre referido não como Montarguis, mas monte arguil, o que nos leva a aceitar a versão de monte argila.
Montargil viu-lhe ser concedidos três forais: o primeiro em 1277 por D. Dinis, o segundo em 1372 por D. Fernando e o terceiro, já por um rei da segunda dinastia, D. Manuel I em 1518.
Montargil foi sede de concelho, daí terem-lhe sido outorgadas três forais. Esta posição de sede manteve-se até 1836. Nesta data, Montargil sofreu mudanças administrativas. Deixou de pertencer ao Ribatejo, onde pertencia desde a sua fundação. Desmembrada da província ribatejana foi integrada no concelho de Avis, a partir desta data perdeu o estatuto de concelho e passou a freguesia, o qual mantém até hoje. Só mais tarde em 1871 passou a fazer parte do concelho de Ponte de Sor.
Fonte: Pedro Cerîaco, "ebimontargil.drealentejo.pt"

domingo, 31 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, Avis, os Paços Medievais de Avis


O edifício dos antigos Passos do Concelho da Vila de Avis, situado junto à Igreja Matriz ele foi referenciado nessa função desde a Idade Média, correspondendo provavelmente à primitiva Sala de Audiência aí instituída.
As funções de Câmara serão aí desempenhadas não só durante toda a Idade Média, mas igualmente durante o século XVI e início do seguinte, altura em que há ainda referências à sua utilização, apenas sendo substituída quando da construção dos novos Paços do Concelho, datados de 1674.
Depois disso, compadres e minhas comadres, a sua história é obscura, tendo sido muito modificada em diversos momentos, particularmente no século XIX, altura em que – tudo indica – terá sido construída a abóboda que cobre o piso térreo do edifício, dividindo a construção em altura.
Esta abóboda assenta, de ambos os lados da sala principal, em três arcos em tijolo encostados ao dorso interior das paredes.
A descoberta do conjunto de cinco pares de janelas ogivais – um dos quais de arco trilobado – revela que o espaço interior seria decerto unificado (em altura), já que a abóboda veio entaipar essas janelas – viradas a norte, para o vale, sintoma de que estariam já desfuncionalizadas na altura.

A entrada actual do edifício faz-se por uma porta incaracterística a ocidente, já que o lado oposto recebeu uma escada que conduz ao piso superior, feito de novo no século passado, porta para a qual não haveria espaço em mais nenhuma face do edifício, “apertado” entre a Igreja (que se alargou na época moderna, estreitando a rua que a separa da câmara) e o casario circundante, ainda implantado segundo o modelo do urbanismo medieval da Vila (de “bastide”, como era comum então nas fundações das ordens militares religiosas)…
Situado próximo da igreja matriz, este edifício assim compadres e minhas comadres, ele foi a primitiva Sala de Audiência de Avis e acolheu também, na Idade Média, assim os Paços do Concelho.
Fonte: Jorge Rodrigues, Os Paços Medievais de Avis, http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3219.pdf

terça-feira, 21 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, Topónimo de Avis, Avis, a rainha já andava pelos céus

 
O topónimo não foi tirado da designação posterior da Ordem de Calatrava, fundada pelos monges de Cister, mas, pelo contrário, a referida Ordem é que tomou o nome de AVIS por lhe ter sido doado este lugar por D. Afonso II, em 1211 notando-se que o respectivo castelo foi construído no tempo deste mesmo rei, sendo-lhe posterior a fundação da vila.
(Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – (1944) – Pág. 274).
 
Esta vila cabeça de comarca, e da Ordem Militar de São Bento instituída por El-Rei D. Afonso Henriques estando em Coimbra pelos anos de 1162. Seu primeiro seminário fez em Coimbra; daqui passaram para Évora com a invocação de S. Miguel, cujo antiquíssimo tempo ainda hoje permanece dentro do castelo daquela cidade.
De Évora – amigos meus do mundo – se mudaram os cavaleiros para um lugar alto fronteiro dos mouros, o que (segundo Fr. Bernardo de Brito, livro V da Crónica de Cister pág. 317) foi chamado AVIS, porque indo os descobridores buscando sítio para fazerem a fortaleza, acharam ali postas duas águias em uma azinheira, e como os antigos tinham estas aves favoráveis em seus augúrios, determinaram lançar os fundamentos junto do lugar donde se achavam, e daqui, se tomou o nome de AVIS que em latim quer dizer Ave, e a trazerem os cavaleiros desta ordem em seus selos, e pendões por divisa. Era a forma do seu hábito um escapulário curto com capelo de cor preta.
(Do Dicionário Geográfico, do padre Luís Cardoso – tomo I – (1747) – Pág. 649).
 
 
Foi D. Fernando Rodrigues Monteiro e outro cavaleiro que buscando por ordem de D. Afonso II em 1214 segundo uns e em 1243, segundo outros, um lugar próprio para edificarem povoação, onde devia ter a sua sede a ordem de S. Bento, escolheram este sítio em frente de Vaiamonte e diz-se que lhe deram o nome de AVIS, porque o primeiro facto que lhe chamou a atenção foi verem de voar de uma azinheira, colocada no ponto mais alto do lugar escolhido, duas águias que ali tinham seu ninho, o que para eles foi de bom agouro.
Quando se edificou o convento, lançando-se-lhe a primeira pedra em 1223, também se construiu o castelo e foi este o começo da vila.
(Do semanário estremocense Brados do Alentejo, de 1932).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Avis, Apodo de Avis, terra do sapateiro e que do carpinteiro, o carpinteiro que foi juiz

 
FRACA JUSTIÇA DE AVIS – a propósito deste apodo, - mês compadres e que minhas comadres – contam – campónios em ditosa terra alentejana - a seguinte historieta: Há muito tempo, ouve em Avis dois operários, um carpinteiro e um sapateiro, amigos inseparáveis, muito bons homenzinhos.
O sapateiro – sabeis assim amigos meus do mundo – era quase analfabeto e o carpinteiro tinha umas luzes. – Assim, que eu estou a dizer a vossemecês – por ocasião de dificuldades em arranjar Presidente da Câmara, foi nomeado para tal cargo o amigo carpinteiro precisamente quando o juiz, que numa altura havia em Avis, estava de licença e era o Presidente da Câmara que por lei o devia substituir.
Entre os casos que o nosso amigo carpinteiro teve de julgar, sucedeu ser um do amigo sapateiro e teve de condená-lo em boa pena. Ao fazê-lo, tomou o pau inerente do cargo que desempenhava e perguntou sobranceiramente:
“O réu tem alguma coisa a alegar em sua defesa?” – Este respondeu-lhe – “Esteve V. Exa., senhor Doutor Juiz, tanto tempo “aplainar” a sua consciência para dizer tal sentença!”
Antigamente – compadres meus e minhas comadres – para aquém do Tejo, a região estava dividida em quatro circunscrições judiciais, sendo a de S. Bento de Avis, uma das maiores, que ia desde Coruche até Elvas. Por essa razão, muitas vezes os casos eram julgados muito à priori acarretando com isso muitos erros judiciários, razão por que empregam a frase Fraca JUSTIÇA DE… conforme a circunscrição a que pertenciam.
Esta informação – assim continua amigos meus do mundo, o compadre Alexandre de Carvalho Costa, aqui das terras de Alagoa no norte alentejano – foi-me amavelmente prestada pelo meu amigo António Fialho Sequeira Bugalho, residente na freguesia do Ervedal, concelho de Avis, aqui há uns bons trinta anos, deixando aqui publicamente, os meus sinceros agradecimentos.
- Assim e depois para terminar mes compadres e que minhas compadres, o referido -, também apodam-se os de Avis de CÃES e costumam proferir – AVIS É TERRA QUE DEUS NÃO QUIS – e eu como o ele o digo – isto apenas por causa da rima e não por outra coisa – estou certo disso.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

sábado, 28 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Avis, Peça de Ourivesaria, Herdade do Castelo, Bembelide, o ouro está na Lisboa

 
 
Peça de ourivesaria, datada da Idade do Bronze Médio, encontra-se na exposição permanente do Museu nacional de Arqueologia, sala “Tesouros da Arqueologia Portuguesa”.
Adquirida por J. L. Vasconcelos em 1913, ao achador, Estevão Marques, que a encontrou casualmente, no decurso dos trabalhos agrícolas na Herdade do Castelo, debaixo de um sobreiro.
“não apareceram ao pé nem cacos, nem ossos, nem pedras de sepultura, nem mais nada… que paguei a sessenta centavos cada grama; suateram-me vinte e três escudos (conta redonda). Adquiri-as em Avis em Abril de 1913, por intermédio do meu amigo L. Antonio Oaes. Comprei-os directamente ao achador” (J. L. Vasconcelos)
Este conjunto de três espirais não possuía qualquer contexto arqueológico, uma vez que não foi encontrado nenhum espólio associado. Poderá tratar-se de um pequeno tesouro.

Bom Dia Alentejo!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Os Ratinhos, a Beira no Alentejo, o Desemprego e a Casa do Povo

 
  O trabalho era sobretudo sazonal, mas uma lavoura ocupava grande número de trabalhadores fixos, desde ao feitor ao abegão e sobretudo os mais variados ganadeiros, pois o gado, era uma parte importante da actividade e tinha de ser tratado durante todo o ano.
As mulheres realizavam também alguns trabalhos específicos, como as mondas (apanhar as ervas daninhas no meio das searas), a apanha da bolota e as caianças das casas.
Nos períodos de maior trabalho, como as ceifas em Junho e Julho, a apanha da azeitona em Novembro e Dezembro ou a limpeza das árvores para lenha em Janeiro, era frequente a contratação de ranchos de trabalhadores do norte, pois a mão-de-obra existente não era existente.
Picão dedica um capítulo inteiro, com a habitual descrição pitoresca, aos ratinhos, os “milhares de homens e rapazes que de propósito, vêm das Beiras (…) ceifar às terras alentejanas (…) como vantajoso que é para lavradores e serviçais. Ai das colheitas do Alentejo, se lhes faltassem os ceifeiros beirões…”
Picão – mas Picão continua – “Os ratinhos também eram contratados pelos seareiros e pelos rendeiros, não só pelos grandes proprietários…”.
O aumento demográfico que se verificou no início deste século (em Avis, a população aumentou 76,1% entre 1890 e 1940), não foi acompanhado pelo aumento do trabalho das lavouras: pelo contrário, a introdução de alguma modernização das alfaias agrícolas, como foi o caso duma debulhadora comprada nos anos 20 por Asdrúbal Braga, um lavrador de Avis, provocou a diminuição de mão-de-obra.
Esta máquina, no entanto, foi a única no concelho e era alugada aos restantes lavradores; só nos anos 60 se assistiu à introdução das ceifeiras-debulhadoras. Apesar destas alterações, os lavradores continuavam a contratar a mão-de-obra exterior, mais barata que a local. Assim, começa a assistir-se a crises de desemprego sazonais, um fenómeno que preocupou as autoridades do Estado Novo.
 
 

Cutileiro. Cutileiro, op. Cit., p. 89 “As necessidades de mão-de-obra decorrentes da exploração agrícola extensiva vieram aumentar a desigualdade resultante da distribuição da terra, dando origem a prolongados lapsos de tempo durante o ano agrícola durante os quais os trabalhadores rurais não eram necessários nas herdades. A partilha dos baldios em 1874 e o substancial aumento da população a partir dos fins do séc. XIX transformaram estas fases de desemprego periódico num grave problema social. A estes períodos deu-se o nome de crises de trabalho”.
No que diz respeito a Avis e ao distrito em que este concelho se integra, esta preocupação manifestou-se nos pedidos repetidos por obras públicas em períodos de crise. A grande preocupação das autoridades do Estado Novo com estas crises de desemprego sazonais, que ocorriam sobretudo no fim de verão, era a agitação social que a falta de trabalho podia provocar.
A solução de realizar obras públicas pelos vistos não tinha tanto a ver com o desejo de modernizar a religião, criando infra-estruturas. Isto vinha como acréscimo, mas o motivo principal era empregar os trabalhadores para evitar os “verdadeiros cadinhos de ódio de classes e luta social”, pois, como disse o Governador Civil de Évora, “a fome (era o) principal agente subversivo da classe rural”.
Quanto ao papel dos lavradores nesta questão, nota-se por parte do Governador Civil uma certa responsabilização por esta situação, uma vez que a contratação dos ranchos de trabalhadores fora do distrito agravava as crises de desemprego.
Uma das respostas do Estado Novo a este problema no sector agrícola foi estabelecer o novo Estatuto do Trabalho Nacional, instituído em 1933, o qual determina que as caixas ou instituições de previdência sejam organizadas por iniciativa dos organismos corporativos. As instituições criadas para esse fim foram as Casas do Povo, com a acção a nível das freguesias e auxiliadas na sua acção social pelos Grémios da Lavoura de cada concelho.

Fonte: Maria Antónia F. Pires de Almeida, Família e Poder no Alentejo, Elites de Avis – 1886 – 1941, 1997
Foto: http://www.prof2000.pt/users/avcultur/luisjordao/almanaque/Numero09/Imagens/MonteAlentejano01.jpg

Bom Dia Alentejo!