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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Bom Dia Alentejo, Chafariz do Salvador, Serpa, o Maço o Cinzel e a Pedra

 

Chafariz do salvador, assim chamado, compadres e minhas comadres, assim chamado, por se situar no largo da igreja de S. Salvador, da freguesia com mesmo nome.
Tinha assim Serpa, vários destes verdadeiros monumentos em pedra, e o mais trabalhado era o do Largo do Corro e que era provido de quatro torneiras, uma em cada um dos seus quatro lados, e que podemos considerar uma homenagem aos mestres canteiros…
Fonte: Edgar Moreno, o blogue, serpaminhaterra.blogspot.pt
 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Serpa, Topónimo de Serpa, a Chebria

 

Da Tradição – Notas Históricas acerca de Serpa, do Conde de Ficalho (1900):
É Sheberina ou Cheberina identifica-se satisfatoriamente com Serpa. A tomada de Serpa, segundo os documentos cristãos, concorda plenamente com a Chebrina, segundo os árabes; e os dois nomes não são tão diversos como à primeira vista poderia parecer.
A palavra Serpa, adoptada pelo árabes dava naturalmente Cherba: primeiro porque o “s” inicial é frequentes vezes representada pelo “chin”, como em “Chantarem” Santarém, em “Chant-iacub” de Sant’Iago; segundo, porque o “p” medial falta no alfabeto árabe e é substituído pelo “b”. De Cherba teríamos Chebra por uma simples transposição de consoantes, habitual entre os mouros pouco letrados …
Nos tempos antigos, a palavra tomava muitas vezes entre cristãos a forma Serpia, que encontramos, por exemplo na inscrição do Marmeral do princípio do século XVL e em vários documentos anteriores; e esta forma daria em árabe – Chebria…
Mes compadres e minhas comadres, no presente, é apenas Indicado as semelhanças, deixando aos arabistas, pois que certamente, o cuidado de resolverem cientificamente este ponto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Serpa, o Castelo de Serpa, a um pouco da história dele


Não é fácil, segundo os entendidos, concluir-se quando terá sido construído o primeiro Castelo de Serpa. A povoação, segundo se crê pelas descobertas arqueológicas que se tem vido a fazer, remonta a muitíssimos anos antes da conquista do Castelo pelos Portugueses.
De formato quadrilátero o Castelo Velho, situa-se do lado nordeste, junto à primeira cintura de muralhas. A Torre de Menagem é o seu ponto mais alto, logo seguido da Torre do Relógio, que em tempos foi parte do Castelo.
O dado histórico que conhecemos acerca da “Vila” de Serpa tem início na sua primeira conquista aos Mouros, por D. Afonso Henriques, em 1158 com a ajuda dos Cruzados.
Várias vezes perdida para os Mouros e outras tantas conquistadas, passa para a Coroa Portuguesa em 1232, no Reinado de D. Sancho II que concedeu o senhorio de Serpa a D. Fernando, seu irmão que nela viveu e que veio a ser conhecido pelo Infante de Serpa.
Após algumas atitudes contra a igreja D. Fernando foi excomungado pelo Papa Gregório IX.
Após o casamento de D. Fernando com Dª. Sancha Fernandez de Lara, filha de um Conde de Castela, ali ficou por aquelas terras, (Castela) nada se sabendo mais, acerca da sua vida.
Mais tarde com a suposta morte de D. Fernando passa a Vila de Serpa, para a posse da Coroa Portuguesa.
Até ao Séc. XIII, nas várias disputas havidas com Castela perdeu Portugal, as terras de aquém Guadiana, incluindo Serpa.
Em Maio de 1253, Afonso X de Castela inclui Serpa no dote de sua filha Beatriz , por ocasião do casamento desta, com Afonso III de Portugal, com a cláusula de que a posse definitiva só teria lugar quando o primeiro filho do casal completasse 7 anos.
 

Cláusula que não cumpriu. (!)
Foi já no reinado de D. Diniz, em 6 Setembro de 1295, que foi acordada a entrega definitiva da Vila e seu Termo ao Rei de Portugal.
Serpa, foi sempre um ponto de cobiça dos nossos vizinhos, Castelhanos, mais tarde Espanhóis,* tanto pela sua situação geográfica como por ser uma referência na Organização Militar do país. Não obstante as constantes razias que as terras deste Concelho sofreram ao longo da sua História, quer nas investidas da moirama, quer no período da Restauração, ou ainda, durante as invasões francesas, aquela que se tornou mais brutal, foi a perpetrada pelo Duque de Ossuna, durante a guerra de sucessão espanhola (1702/1712).
Durante o conflito, mais propriamente em 26 de Maio de 1707, o Duque de Ossuna assaltou e tomou pela força, após meses de resistência dos Portugueses, o castelo da Vila de Serpa.
Um ano depois em 1708, quis a sorte que as tropas espanholas fossem obrigadas a retirar-se desta vila, contudo, não o fizeram sem causarem nas suas muralhas enormes danos. Testemunhos?
Os grandes torreões rochosos, mesmo à entrada do Castelo que ainda subsistem, sendo um testemunho maior dos factos que então ocorreram.  Também uma das portas da muralha, a Porta de Sevilha foi destruída pelo Duque se Ossuna, na sua retirada da praça de Serpa, estas mantiveram-se até 1780, altura em que ruíram, parte dos torreões que a defendiam, até que, em 1871, caindo novo fragmento, foi deliberado apear o que restava da antiga muralha por se considerar um perigo para a saúde pública. Frente à Porta de Sevilha e na direcção da Rua da Fonte do Ortezim, a antigamente denominada de Rua Larga, tomou para si a designação de Rua das Portas de Sevilha, perpetuando assim a porta desaparecida.
 
 
O Castelo de Serpa foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 30 de Janeiro de 1954.(* abro aqui um parêntesis para recordar que o país nosso vizinho só passou a designar-se por Espanha, após a unificação dos vários reinos que a compõem a saber: Astúrias, Leão, Castela, Galiza, Navarra e Aragão é portanto como país bem mais recente que Portugal)
As Muralhas de Serpa sofreram ao longo dos tempos atentados de destruição como pode ser confirmado em documentos existentes no Tombo da Câmara, como nos diz João Cabral, no seu livro “Arquivos de Serpa” e que cito: «Por proposta do vereador José Ricardo Cortez de Lobão foi pedida, superiormente, em 7 de Fevereiro de 1863, a demolição das muralhas que em grande parte ameaçam ruína» mais adiante refere ainda: «Também o Dr. António Joaquim Bentes, em 23 de Janeiro de 1864, na qualidade de presidente do Município, propôs e foi aprovado que "se peça ao Governador de Sua Majestade e concessão do forte denominado Castelo Velho e bem assim para poder destruir as muralhas que circundam parte da vila por se considerarem contrárias à saúde pública”» e ainda «Precisamente um ano depois o presidente lê dois requerimentos pedindo as mesmas demolições, o que se repetiu em Julho de 1877».
Numa outra página do mesmo livro afirma ainda João Cabral: «Em 1 de Fevereiro de 1917 foi deliberado demolir a parte da muralha, que estava em ruínas, à Porta de Moura». Sabe-se ainda que em meados do séc. passado foram as muralhas levadas a hasta pública para arrematação e posterior demolição, o que felizmente não se concretizou por falta de licitadores. Já nas últimas décadas do séc. xx sofreram as muralhas (ou parte delas) os trabalhos de restauro que se impunha, devolvendo aos vindouros a possibilidade de apreciar a sua beleza e magnitude.
 
Fonte: serpenses.blogspot.pt/2013/08/nao-e-facil-segundo-os-entendidos.HTML

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Vila Verde de Ficalho, a Lenda da cobra encantada da horta de cima, a Echidna no Alentejo andava

 
«Quando era ainda muito novo, ouvia falar nesta cobra encantada, havendo então pessoas que afirmavam terem-na visto numa manhã de S. João e que apresentava uma trança de cabelo como a de uma mulher.
Seria uma das mouras encantadas que a crendice popular criava e que continuava a aguardar o momento de ser quebrado o seu encanto?
Procurei indagar o que constava, mais circunstanciadamente, sobre esta cobra encantada e recordo-me de que muita gente se impressionava ao passar, depois de anoitecer, pelo sítio onde se dizia que ela costumava aparecer na manhã do dia de S. João, até ao meio dia.
Em 1939 uma mulher humilde deu-me a informação de que a sua tia Domingas Roupa, nascida em Ficalho no ano de 1939, lhe tinha dito que, ao deixar-se dormir de noite, sonhava que via uma grande cobra que lhe pedia para a deixar lamber os santos olhos e que, depois, lhe indicaria onde estava escondida uma grande fortuna, na Horta de Cima, ao pé da nascente de água que lá existe.
Este tesouro, segundo a descrição do sonho, encontrava-se dentro de um caixão cintado com ferro, contendo também duas jarras verdes. Para desencantar tudo isto era preciso ir lá à uma hora da noite, levando na sua companhia duas Marias virgens, mas nunca teve ânimo para se dirigir àquele local à hora atrás indicada.
A minha informadora disse-me mais que a sonhadora chegou a andar um pouco transtornada do sentido e que só deixou de sonhar com a cobra encantada a poder de rezas e de promessas que se fizeram.» 
Fonte: António Ferreira Lopes, Contos e Lendas Populares e de Transmissão Oral na Serra da Adiça, in: Arquivo de Beja, vol. XIV, serie III, Câmara Municipal de Beja, p.65, 2000.

Bom Dia Alentejo!