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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Bom Dia Alentejo, Montargil, Cruzeiro, Cruzeiro de Montargil

 
O Cruzeiro de Montargil, compadres e minhas comadres, situado na lateral da Igreja Matriz, ele apresenta dois degraus de pedra de forma quadrada e assim uma coluna com uma esfera de pedra.
Foi construído em granito para comemorar o ano santo de 1950. E que mais informação não lhe apanhou...
Coordenadas GPS: N 39 04.705' W 008 10.108'
Fonte: visitarportugal.pt

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Montargil, Topónimo de Montargil, a terra dos três forais


Sobre a origem do nome Montargil existem várias versões todas elas credíveis:
 
a)      Montargis, pelo facto do Alentejo ter sido povoado pelos nossos primeiros reis, que para o efeito deram muitas terras aos cruzados que passavam pelo nosso país. Existindo em França uma cidade chamada Montargis, e sendo alguns desses Cruzados naturais desta região francesa é de presumir que um desses aventureiros fosse de Montargis e por ser senhor desta povoação ou simplesmente morador dela, impusesse o nome a esta vila. Esta versão é credível, uma vez que nas proximidades desta vila, em Montalvo do sor estabeleceu-se uma colónia de francos.
b)      Monte Argila , visto a constituição geológica do terreno em que assenta ser de barro.
c)      Monte Argel, significando Monte do Infeliz, porque Argel significava infeliz. (pouco provável)

Hipótese A
O nome de Montargil conduz a fundação da vila não ao tempo de D. Dinis, mas ao tempo de D. Sancho I I. Este rei faz a doação de Montalvo do Sor aos francos, anterior à fundação enquanto localidade ( 1223 -1245). Esta doação surge na sequência da preciosa ajuda que os cruzados de Montargis haviam dado na reconquista cristã. O objectivo da doação, a julgar pelas outras feitas seria não só recompensar os cruzados como manté-los nas terras doadas defendendo esta terra de possíveis ataques mouros, que nesta época eram uma constante.
 
Entrando no domínio da especulação, podemos mesmo admitir que a terra doada por D. Sancho II aos francos iria da zona de Montalvo do Sor até à região mais tarde denominada de Montargil. Sendo esta última a zona mais elevada, era sem dúvida o local indicado para erguer uma castela, local que já tinha sido utilizado por povos anteriores.
Hipótese B
Algo que nos possa intrigar é o facto de desde o século XV o Montargil aparece sempre referido não como Montarguis, mas monte arguil, o que nos leva a aceitar a versão de monte argila.
Montargil viu-lhe ser concedidos três forais: o primeiro em 1277 por D. Dinis, o segundo em 1372 por D. Fernando e o terceiro, já por um rei da segunda dinastia, D. Manuel I em 1518.
Montargil foi sede de concelho, daí terem-lhe sido outorgadas três forais. Esta posição de sede manteve-se até 1836. Nesta data, Montargil sofreu mudanças administrativas. Deixou de pertencer ao Ribatejo, onde pertencia desde a sua fundação. Desmembrada da província ribatejana foi integrada no concelho de Avis, a partir desta data perdeu o estatuto de concelho e passou a freguesia, o qual mantém até hoje. Só mais tarde em 1871 passou a fazer parte do concelho de Ponte de Sor.
Fonte: Pedro Cerîaco, "ebimontargil.drealentejo.pt"

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Ribeira do Sor, a ria da vida, a Terra Alentejana no norte


Junto desta freguesia - estamos a falar da terra do Monte da Pedra no Crato - corre huma ribeira, que devide com o seu curso o lemite desta do lemite da freguezia da Comenda termo da villa de Belver deste Grão Priorado do Cratto servindo de metta a ambas as freguezias; esta ribeira chama se Sor; tem seu principio em o lemite de hum povo, que se chama Alagoa, que he do termo, e bispado da cidade de Portalegre.
Não principia caudalozo, nem corre todo o anno; porque ate esta freguezia não corre de Verão, porem desta freguezia para baixo corre todo o anno.

Foto: http://fotos.sapo.pt/odiana/fotos/?uid=z1zOsVijPVuqwJLdcfqr#grande
Entrão em esta ribeira outras mais pequenas, que de Inverno lhe communicão muita agoa; dos quais a primeira, que entra na ditta ribeira de Sor, se chama a ribeira do Caldeireiro, e outros lhe chamão a ribeira da Granja, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado o Aguilhão, que he do termo da villa de Gaffete deste mesmo Priorado.
A segunda ribeira, que entra na ditta ribeira de Sor, he a que chamão a ribeyra do Monte da Pedra, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado a Bica, he lemite desta freguezia.
A terceira ribeira que entra na mesma ribeira de Sor he a que se chama a ribeira dos Valles, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Sourinho, que he lemite desta freguezia; a quarta ribeira, que entra na mesma ribeira de Sor he a que se chama a ribeira de Sam Payo, outros lhe chamão a ribeira de Sipilheira, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Forneco, que tãobem he lemite desta freguezia.
Esta ribeira de Sor não he navegavel pelas muitas pedras, e safras que tem em todo este lemite nem embarcação alguma pode andar nesta ribeira em todo este lemite, posto que em alguñs tempos pela muita agoa que leva não dá passagem a niguem.
He de curso muito arrebatado em todo o lemite desta freguezia.
Esta ribeira chamada Sor corre do nascente para o poente; e todas as ribeiras declaradas no interrogatorio terceiro, que sam as que se metem na ribeira de Sor, correm do sul para o norte.
Em esta ribeira de Sor não se fazem pescarias, so sim se se [sic] fazem por divertimento; porem não tem tempo certo, mas o mais comum he de Verão por cauza das agoas serem de Inverno muito frias, e arrebatadas.
 
Nesta ribeira de Sor em todo este lemite, pesca livremente quem quer.
No limite desta freguezia do Monte da Pedra poucas margeñs desta ribeira de Sor se cultivam; porque he tão fragozo, que em poucas partes se descobre terra para esse effeito, porem se em alguma se descobre terra, e he capaz, cultiva se; e tem esta ribeira de Sor bastante arvoredo que dá fruto, como he = azinho, carvalho, e soro; e silvestre tem pouco.
Esta ribeira de Sor desde honde principia ate Curuche chama se Sor, e de Curuche ate Benevente chama se a ribeira de Curuche, outros chamam lhe Sorraya, e outros lhe darão diversos nomes, mas ao prezente so destes me consta.
Esta ribeira de Sor morre em o rio Tejo em a villa de Benevente.
Sendo esta ribeira de Sor no seu curso tão arrebatada, e principalmente em o lemite desta freguezia; se encontra em ella muita cachoeyra; porem a mayor he a de que se faz mensão no interrogatorio quinto da noticia desta terra, pelo que he impossivel fazer se navegavel, ahinda em tempo de abundancia de agoa.
Não consta que esta ribeira de Sor tenha mais que duas pontes, huma em a villa de Tholoza, e he de cantaria, e a outra em o lemite desta freguezia no sitio chamado o Sourinho, a qual está demolida, e so agora existem os dois arcos principais della, e eles testeficão a grandeza, e eminencia da ponte, a qual tãobem era de cantaria, porque os dois arcos que ahinda hoje existem, conservão os seus fexos ahinda direitos, e ahinda hoje, quando a ribeira leva muita agoa, passa gente por ella a pe enxuto.
Esta ribeira de Sor não tem no lemite deste Monte da Pedra mais que tão somente hum moinho. Não ha noticia alguma que nas aréas desta ribeira de Sor se tira se em algum tempo ouro, nem ha memoria de tal coiza, e muito menos ha noticia, que no prezente tempo se tire ouro em suas aréas.
A ribeira de Sor desde honde principia, que na aldeya da Alagoa, como ja se dice no primeiro interrogatorio, ate honde acaba que he na villa de Benevente, como ja se dice no interrogatorio decimo terceiro, tem tem [sic] de distancia vinte legoas \segundo se diz\ e os povos por honde passa sam os seguintes = principia em Alagoa, e passa por entre os termos das villas de Alpalhão, e Gaffete, e dahi vem passar junto da villa de Tholoza, e vem passar junto desta freguezia, corre junto do Monte do Sume; como se dice no interrogatorio quinto, da noticia desta terra, corre junto da Torre das Vargeñs, que he coutada do Marques de Fronteira, e vai correr junto da villa da Ponte de Sor, e dahi vai correndo ate chegar a Montrangil juncto [sic] de quem corre, e vai correr tãobem junto de Curuche, e finalmente passa á villa de Benevente ahonde, se diz, morre no rio Tejo.
Monte da Pedra de Oitubro seis de 1759.
O reyttor cura Frey Manoel Dias Laberão de Almeyda.
Fonte: ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 201, pp. 1507 a 116]


Bom Dia Alentejo!