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terça-feira, 28 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, Cabeço de Vide, O Cruzeiro de Castelo de Vide, Espírito Santo a diz presente que na terra da Fronteira


O cruzeiro de Cabeço de Vide, ou do Espírito Santo, ergue-se diante do pequeno templo da mesma invocação, que também deu nome ao largo onde se situa.
Uma obra do séc. XVI, e como relata Luís Keil é composta por "uma coluna simples de mármore, assente sobre quatro degraus de forma rectangular, com capitel sobre o qual está uma cruz de braços largos, com a imagem de Cristo de um lado, e do outro, Nossa Senhora da Piedade, sobrepondo-a a pomba simbólica do Espírito Santo".

O cruzeiro assenta num soco de três degraus quadrados, de arestas boleadas e é composto por coluna da ordem toscana: base moldurada, coluna de fuste cilíndrico liso, e capitel formado por coxim simples e ábaco quadrado.
No caso presente, o coxim é decorado com estrias ou caneluras. Sobre o capitel destaca-se a cruz, pateada, de perfil achatado e braços largos. Na frente e no verso do braço inferior estão figurações de Cristo e da Pietá, sendo ambas encimadas por uma pomba, representação do Espírito Santo, rematando o braço superior da cruz.

Apesar do carácter renascentista do conjunto, patente na utilização de uma ordem romana, as esculturas são consideravelmente arcaizantes, submetendo a composição a regras medievais (como se pode ver na Pietá, onde a Virgem é maior que Cristo).
Note-se ainda o tratamento pouco fluido dos panejamentos, o talhe mais superficial, recordando o trabalho na madeira, e o carácter monolítico das figuras, denotando obra de factura regional e menos sofisticada, embora plena de sentimento.
Fonte: Direção-Geral do Património Cultural

segunda-feira, 9 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Cabeço de Vide, Topónimo de Cabeço de Vide, o Cabeço da Vida

 
Foi vila e sede de um concelho, extinto em 24 de Outubro de 1855.
Segundo a tradição, a primeira fundação da localidade foi no sítio de Pombal. Aí, escreve António Novais (1635), “havia uma povoação onde, por uma ocasião de uma batalha, ficaram por enterrar muitos mortos do que resultou uma peste; alguns feridos subiram ao cabeço do outeiro e assim que respiraram os ares puros logo cobraram a saúde, vendo isto, os que ficaram em baixo foram subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali por diante Cabeço da Vida.

Mas o autor da “Relação do Bispado de Elvas” diz também: “No alto havia um zambujeiro, com uma parreira que trepava por ele e com suas vides e rama faziam grande sombra onde se acolhiam enfermos e convalescentes.
Despovoada o sítio do Pombal e edificando a vila nesse lugar, lhe chamam Cabeço da Vida e pelo tempo em diante Cabeço da Vide”.
Temos assim duas versões que acabarão por determinar o topónimo actual.
No século XVI, ou talvez depois, foi desenhado o brasão da vila, com uma videira envolvendo o castelo.
Polémica à parte, que as há, prevaleceu a “Vide” que havia no alto do cabeço.
 Fonte: Do Dicionário Enciclopédico das Freguesias, pág. 677, 4º Vol., Vários, 1998.