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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, a Chança, Forca da Chança, o Outeiro da Forca

 
Na antiga vila da Chancelaria, actual Chança, existia uma forca no denominado Outeiro da Forca.
Situa-se este outeiro – mes compadres e minhas comadres – a cerca de 500 metros para SW do centro da povoação, sobranceiro ao velho caminho que ligava a Chancelaria ao sul.
No local onde se levantaria a forca, que seria de madeira, ergue-se hoje uma torre de alta tensão. No local denota-se uma irregular zona aplanada que serviria de esplanada da forca.
- Assim pois se dirá a vossemecês, mes compadres e minhas comadres – este outeiro é bem visível do centro urbano.
O local, - para não ficar a faltar nada a vossemecês – possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X – 0602561; Y – 4344934.
Fonte: Jorge de Oliveira, Ana Cristina Tomás, as forcas do Distrito de Portalegre, 140 anos após a abolição da pena de morte

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, a Chança, Alter do Chão, Ponte dos Mendes, divindade mitológica patronímico lá ficou

 
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão
Ponte dos Mendes mês compadres e minhas comadres, ergue-se ela sobre a Ribeira de Alfeijó, na Herdade da Ferraria, aldeia de Chança, terras de Alter do Chão. Embora – pois assim mês compadres - esteja localizada na região que, segundo uma lenda local, teria sido visitada pelo Imperador Adriano durante a sua estadia na Lusitânia (razão pela qual a via que conduz à vizinha ponte romana de Vila Formosa se designa Via Adriana), e sendo possível que as suas fundações datem do período romano, o aparelho arquitectónico visível parece indicar que esta pequena ponte data com mais probabilidade da época medieval.
Ponte dos Mendes trata-se de uma ponte integralmente construída em aparelho de xisto, de dois arcos redondos, com um talha-mar central encimado por um pequeno vão igualmente rematado em arco redondo.
O tabuleiro – pois assim compadres - é estreito. Possui ele, guardas baixas com frestas dispostas ao nível do solo.
A Ponte dos Mendes faz assim parte do projecto Via Hadriana, que agrega diversos núcleos integrados num circuito turístico entre a cidade romana de Abelterium (Alter do Chão) e a ponte romana de Vila Formosa, indo até à villa romana da Quinta do Pião.
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, a terra na pura Seda ou a Chança da terra na Formosa

 
Olhando assim para ela, se pode ver seis arcos de volta redonda, iguais entre si e compostos, nas frentes, por trinta e três aduelas e traspassando os tímpanos desses arcos.
Há cinco olhais em forma de pórtico, com os pés direitos de silharia e o arco a de meio ponto, constituído por três aduelas verdadeiras e silhar horizontal de cada lado, com o topo do vivo já perfilhado em curva.
Na base, de cada pegão em redor dele quase junto à água, há uma faixa saliente, constituída ela por duas fortes molduras (filete e talão), faixa que representa o papel de imposta relativamente a cada arco.
Como a ponte é rigorosamente horizontal, logo por cima do fecho de cada arcada, corre a todo o comprimento, do lado jusante, uma cornija, uma cornija muito robusta, duma composição igual à faixa dos pegões.
Nesta ponte, nesta grandiosa ponte aqui neste Alentejo do norte, os cortamares são agudos e assim baixos; uma fiada apenas acima da faixa da imposta.
As guardas, estas, as da ponte, de uma enorme robustez e amplidão, podendo andar-se sobre elas, e assentando elas sobre a cornija ou friso; do lado do montante esse friso, porém, não é contínuo como o de jusante, mas interrompido com inteira regularidade por gárgulas salientes; de modo que a um silhar da cornija se segue uma gárgula: logo o outro silhar e outra gárgula.
 

Não, não é um quilómetro. Embora ela possa parecer ter um quilómetro, não é assim um quilómetro que ela tem. O seu comprimento, a distância entre as duas margens deste tabuleiro, o intervalo é de 116,56m.
A altura, a sua elevação, da aresta das guardas à superfície da água, a medida é 8,40m; a largura da ponte, tomada nas abóbadas, 6,71; diâmetro de um arco, 8,95; altura das aduelas dos arcos, 1,00; menor espessura destas, 0,45; largura das guardas, 1,05; altura das guardas sobre o pavimento, 1,35.
Os cunhais, num dos cunhais que fecham o arco principal, existe esculpida uma meia-lua, possivelmente referente a um dos lugares, por onde, esta via militar romana passava, possivelmente vos direi amigos meus, Abelterium ou Aritium Praetorium.
Situada e se estendendo sobre a ribeira de Seda amigos meus, a 12 quilómetros da mui bonita a doce vila de Alter, na estrada que vai desta vila a Chança e a terras de Ponte de Sor, ela está ela, majestosa, que é ponte, é a ponte de Vila Formosa.
Foi lá assim que é muita longe, no tempo dos compadres romanos, os compadres que vinham construindo uma via militar que vinha de Lisboa, ao chegarem a estas melosas terras, lá certamente aguentaram os cavalos, lá coçaram na cabeça sua, que certamente lá decidiram, vamos agora fazer uma, uma ponte para toda a eternidade. A fizeram…
Depois, sentindo a obra que é obra perfeita, compadres eles lá seguiram, eles lá partiram. Partiram para terras de Espanha, para as terras de Mérida, eles lá passaram a ribeira de Seda, eles cá deixaram Ponte de Vila Formosa.
Fonte: De Páginas Arqueológicas, Félix Alves Pereira, Vol. VII, 1912.
Bom Dia Alentejo!
 
 
 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Chança, Lenda da Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, o Verbo lá venceu o Caos

Era uma noite escura de Inverno. A ribeira levava uma grande cheia, a água era turva e arrastava no seu caudal troncos de freixos e faias arrancadas das margens, lá de cima, donde ela nascia.
Não se via vivalma naqueles cabeços. Tudo deserto, tudo triste e monótono, e a água continuava a cair, engrossando mais a torrente da ribeira, que rugia lá em baixo, como se ainda não estivesse satisfeita.
Aquele inverso destruíra tudo. Não havia naqueles arredores, a mínima pastagem e os pegureiros tinham de imigrar para as bandas de Espanha, onde o Inverno não fora tão rigoroso. De manha cedo, ainda o Sol não raiava no horizonte, um pobre pastor, com o gado a cair de fome, encontrava-se na margem esquerda da ribeira e, para lhe dar de comer, tinha de atravessá-la. Mas como, se a ribeira ia cheia, e meter-se à água era uma loucura, uma verdadeira temeridade?
Um trovão enorme ecoou, cortando o silêncio daquela noite tenebrosa e, ao pé do zagal, apareceu o Diabo, que, conhecendo a sua aflição, o veio tentar.


Construiria uma ponte, disse-lhe ele, desde o pôr-do-sol até à meia-noite, isto é, até que o galo cantasse três vezes, com a condição de o pastor lhe dar a alma. E apresentou-lhe um papel, onde os dois assinaram com o sangue de cada um.
No outro dia, logo que o Sol se pôs, veio o Diabo, com toda a sua gente, construir a ponte, não faltando assim ao que prometera.
O pastor, porém, pensando bem, arrependeu-se de entregar a alma ao deus malvado dos infernos e começou a chorar, lamentando a sua triste sorte. E assim foi encontrar Nossa Senhora que, condoída dele, lhe disse:
- Quando faltar colocar a última pedra na ponte, atiras este ovo fora, para o pé do Diabo.
Dizendo isto desapareceu numa nuvem de fogo para nunca mais ninguém a ver.
Começaram todos a trabalhar. Quando cantou o galo pedrês o Diabo disse a sua gente “Venham pedras a duas e três”; mais adiante, quando a ponte já estava a meio, cantou o galo branco, o que fez dizer ao Diabo “Desse ainda me não espanto”.
O pastor, sempre alerta, quando notou que faltava colocar a última pedra, atirou o ovo, que Nossa Senhora lhe dera, pela ponte fora e dele nasceu um galo preto, que anunciou ter dado a meia-noite, com o seu canto. O Diabo ao ouvi-lo disse “Com este não me meto” e fugiu não querendo saber do contrato que fizera.
Para testemunhar isto, - José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II, Coimbra, por ordem da Universidade, 1966, p. 789, ele ainda regista – diz o povo, lá se encontra ainda a pedra, ao pé das guardas, dizendo-se que cai todas as vezes que a colocam no seu lugar.
 
Bom Dia Alentejo!

domingo, 22 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Chança, a Igreja Matriz, as terras de Alter do Chão com um abraço aberto

 
Um templo modificado por várias vezes. Só a torre sineira conserva a traça primitiva, típica do final do século XVI, com cunhais de cantaria rematados por pirâmides e cúpula afunilada, sobreposta por um catavento de ferro forjado.
Nas paredes exteriores da igreja, conservam-se ainda, embora deterioradas, algumas cruzes da Via Sacra, em azulejo do século XVII.
Na capela-mor estão quatro painéis, do século XVI, muito repintados e sem valor artístico. No corpo da igreja, encontra-se a sepultura de Manuel Pires Rebelo, capitão-mor da Vila, falecido em 1744.
Fonte: Luis Keil, Inventário Artistico de Portugal, 1943
 
Dicionário Enciclopédico das Freguesias também lá diz, “1872, o edifício derruiu por completo, vindo a ser restaurado em 1879. Durante esse espaço de tempo, serviu de igreja matriz a antiga e desaparecida capela do Mártir”.
 
Bom Dia Alentejo!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Barragem da Lameira, terra de Alter do Chão, Cunheira a Chança a Aldeia da Mata, a terra de azul ao mar

 
A herdade da Lameira uma herdade com mil hectares. Ela situada nas terras de Alter do Chão. Uns anos atrás, - este espaço a seguir vos dará conta -, nesta herdade da Lameira foi construída uma grande barragem. Como uma coisa nunca vem só, melhor dizendo tudo está relacionado com tudo, um hotel rural que o nome não me é permitido dizer, aqui nesta herdade Lameira assentou arraiais e, com uma oferta de lazer e turística muito boa, com a pura excelência da qualidade ele por aqui ficou, vos direi amigos meus do mundo, por esta Herdade da Lameira…


“A barragem da Lameira foi mandada construir pelo Senhor Dr. Jorge de Bastos no ano de 1961. O paredão foi construído em 28 dias e 28 noites, sem haver um dia de descanso.
Máquinas para a construção:
1 Camioneta com um depósito de água.
1 Tractor normal
1 Pé de carneiro
3 Motos Cecrepa
3 Catapiller
Havia quinze motoristas para se revezarem nas máquinas.
Já no ano de 1963 houve na Lameira tanques de arroz da água da Barragem.
O descarregador e outras obras que a barragem tem não entram no tempo dos 28 dias, assim como os muitos dias que levou a cobrir de cascalho a parte de dentro do paredão; essas pedras foram apanhadas das muitas que há espalhadas pela herdade, por mulheres da nossa terra e das povoações vizinhas.
Constou-se na altura, que foi avaliada em mil e quinhentos contos a construção da barragem, e que a comparticipação do Estado foi de mil e duzentos contos, mas a empreitada, incluindo as valas de rega, foram tomadas por novecentos contos.
Dos trezentos contos que restaram, chegou para mandar construir o açude na ribeira e os respectivos canos e ainda saiu deste dinheiro dez contos que o Senhor Jorge Bastos ofereceu ao Senhor Dr. Agostinho Marques Grácio para mandar construir o chafariz que está no Curral da Lameira, pertencendo hoje ao Senhor Francisco Caldeira Amieiro. No chafariz só se gastou seis contos.
Este chafariz fazia muito jeito aos trabalhadores do Senhor Dr. Jorge, foi a razão por que fez essa oferta".
Fonte: “A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000


Bom Dia Alentejo!

sábado, 7 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Chancelaria, a Chança, a Memória Paroquial

Vossa Magestade me manda fazer hũ extracto de tudo o que se conthem nesta Villa da Chancelaria.
Primeiramente está edificada esta Villa com a Provincia do Alemtejo, pertence ao Bispado de Portalegre Comarca de Villa Viçoza, he da Serenissima Caza de Bargança, tem cento e dezanove vezinhos, e trezentas e vinte e oito pessoas adultas, e quarenta e nove menores.
Está a ditta Villa situada em hũ piqueno monte, e della se descobrem as povoaçoens seguintes: a cidade de Portalegre, que dista da dita Villa sinco legoas, a Villa do Cratto distante da mesma Villa duas legoas; Aldeia da Matta em o termo da Villa do Cratto, distante desta Villa hũa legoa; a Villa de Alter do Chão em distancia de duas legoas; a Villa de Alter Pedrozo em distancia de duas legoas e meya; a Villa de Cabeço de Vide em distancia de tres legoas.
Tem esta Villa termo proprio, e dentro delle está hũa Aldea a que chamam Cunheira esta tem trinta sette vezinhos, e noventa e oito pessoas de ambos os sacramentos, e trinta e sette de hũ só sacramento. A Matrix desta Villa fica em hũa ponta da mesma Villa, e tem a si anexas a a Aldea de Cunheira asima declarada, e a Igreja do julgado de Margem, distante desta Villa três legoas.
O Orago desta Matrix he Sancto Estevão, tem quatro altares: a saber o altar major aonde está o Sanctissimo Sacramento; o altar de Nossa Senhora do Rozario, o altar de Sancta Martha, e o altar da[s] Almas; A ditta Matrix he de abobeda, e tem só hũa nave, e tem tres Irmandades a saber a primeira do Sanctissimo Sacramento, a segunda de Nossa Senhora do Rozario; e terçeira das Almas do Purgatorio.
O Parocho desta Igreja he Prior e da Aprezentação de Vossa Magestade como admenistrador da pessoa e bens da Serenissima Princeza a Senhora Dona Maria Duqueza de Bargança, tem de renda este Priorado depois de pagar as pensoens settenta e dous mil reis.
Tem hum Cura em a mesma Matrix e outro em a Igreja de Margem que ambos são de aprezentação do Prior e cada hum dos// Dos dittos curas tem dous moyos de trigo, pagos pelo Prior e pelas Religiozas do Convento das Chagas de Villa Viçoza interessados nos dizimos desta Villa.
 

Tem Irmandade de Mizericordia, mas não tem Igreja propria nem renda alguma; Tem hũa Ermida a que chamam do Martir São Sebastião que he filial da Igreja Matrix desta Villa aonde está por favor a Caza ou Irmandade da Mizericordia, e a ditta Ermida fica em hũa ponta da Villa; Tem mais outra Ermida em o termo, distante meja legoa da invocação de Sancta Luzia, cuja Igreja está aruinada, âqual Ermida vaj alguma gente de romagem em dia de Sancta Luzia a treze de Dezembro; em cujo dia se fas também feira em o mesmo sitio junto â mesma Ermida aqual feira he de hum só dia, e captiva.
Os fructos que recolhem os moradores desta Villa em mais abundancia he senteyo, que apenas chegua para o comum sustento do povo; sendo a cauza de não colher mais fruttos o ser a mayor parte do termo desta Villa, terra de charrua e infrutifera; Tem esta Villa dous Juizes Ordinarios, e Camara pautada por Vossa Magestade sem sujeição a outra terra; Não consta que della tenhão sahido homens alguns insignes em letras, vertudes ou armas; Não tem correyo proprio, e se serve do correyo de Alter do Chão distante desta Villa duas legoas; Dista esta Villa da cidade Capital do Bispado que he Portalegre sinco legoas, e da cidade de Lisboa, Capital do Reino vinte e seis legoas.
O julgado de Margem comprehende trinta vezinhos, e noventa e seis pessoas adultas, e vinte menores; tem hũa so Igreja como ja disse sogeita a esta Matrix desta Villa o seu orago he Sam Bartholomeu; Tem o dito Julgado duas ribeiras que nascem ao Norte e finalizão ao Sul com a ribeira do Sor. E as ditas ribeiras se chamão Ribeiras de Margem, tem agoa corrente todo o anno com sinco moinhos e dous lagares de azeite; as margens das dittas ribeiras se semeão todos os annos de milho e feijoens.
Vendo estes os fruttos que recolhem os moradores do ditto//Ditto Julgado, e uzão livremente os dittos moradores das agoas das dittas ribeiras.
He o que posso dizer a Vossa Magestade desta Villa da Chancellaria, e da sua Parochial e anexas, sobre os items que comprehende a ordem de Vossa Magestade que Deos Guarde, Chancellaria em os 3 de Abril de 1758.
O Prior da Villa de Chancellaria Rodrigo Roberto Aranha
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 10, nº 291, pp. 2007 a 2010]

Bom Dia Alentejo!