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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Menir dos Saragonheiros, a concelho de Nisa

 
O dólmen e menhir de Saragonheiros são dois monumentos que fazem parte de um grupo maior de monumentos funerários megalíticos, localizado entre Nisa e Alpalhão, no distrito de Portalegre…
E falando do menir, assim mes compadres e minhas comadres, menir tem uma forma fálica da seção subquadrangular, com uma grande fractura no sentido longitudinal.
Estes monumentos, vos direi assim, a poderem ser visitados em 4 km ao norte de Alpalhão, a oeste da estrada de Nisa…


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Topónimo de Alpalhão, a um Espírito de Deus

 
"Do estudo - Temas Etimológicos - inserto no Boletim de 1976 do C.D.C.R., do já consagrado Toponimista António Augusto Batalha Gouveia, vamos transcrever o que escreveu a respeito de Alpalhão.
"Se o topónimo ALPALHÃO mantém intactos raízes primitivas e tudo parece indicar que sim, então posso adiantar que o mesmo procede das vozes anteriores AR-BAR-UM modificar nas variantes diacrónicas AL-BAl UM, AL-BAL-OL e AL-PAL-ON.
Vou seguidamente examinar cada um dos morfemas inclusos na locução ARBARUN.
A voz AR que por vir do abrandamento de vibrantes se sonorizou, AL, denominava, num remoto estado linguístico, o ESPÍRITO ou a ALMA.
O morfema BAR remonta à voz semítica BA, cuja a aspiração vocálica foi com o advento da escrita notada pelo signo correspondente ao nosso H e daí a grafia BAH.
Este BAH sofreu diversas mutações fonéticas decorrentes da referida aspiração surgindo assim os cognatas BAR, BAL, etc.
Na sua passagem para o indo-europeu a labial sonora B permutou com a surda P, originando deste modo os cognatos PAH (em que o "h" tem aqui o valor fonético notado pelo "êta" (grego) PAR, PAL, etc....
O BAH semítico denominava simultâneamente o PAI divino e o MAR. O vocábulo árabe para "mar" apresenta, no nosso alfabeto, a grafia BAHR.
Caso particularmente interessante é o dos vocábulos portugueses "mar" e "mãe" provirem da mesma raiz indo-europeia MAH significativa de "Grande".
Quer isto dizer que a grafia actual "Pai" com "i" carece de apoio etimológico, porquanto este nome evoluiu paralelamente à voz "MÃE".
Foto: bloggerdalucelinha.blogspot.com 
O morfena Turano indo-europeu UN, que representava a voz original "U" significativa de "Primogénito divino", "Filho de Deus" e "Homem" sofreu várias fonatações fonéticas filhas do génio próprio de cada idioma, passando a soar OM em sânscrito e On nas línguas germânicas. Do OM em sânscrito derivaram os gregos a palavra "OMOS" (o mesmo), espécie que os latinos importaram para com ele denominarem a nossa e (Homo, port. Homem).
Os vedas conservaram a voz Un, como se pode verificar no livro 10-129 do Rig-Veda que verto para português:
"No princípio não existia o ser nem o não ser;
Não havia espaço nem firmamento.
Qual era o seu conteúdo? Onde estava e quem o guardava?
O que era a água profunda, a água sem fundo?
NEM a morte nem a não morte existiam nesses tempos;
Nem sinal distinguia a noite do dia.Encerrado no vazio, o "UN" respirava mutuamente; As trevas envolviam as trevas".
Sendo o BAR o "Pai" ou o "MAR" e UN o primogénito divino gerado pelo "mesmo" resultou daqui a arcaica concepção religiosa, e ainda vigente, de que Deus e o Homem, o Pai e o Filho, eram duas naturezas numa só e que ligados pelo Espírito consubstanciavam as três essências divinas, isto é, tornaram-se ao mesmo tempo no Deus Uno e Trino.
Quando a crença nas divindades marinhas cedeu perante o panteão celeste, a direcção UN confundiu-se com a voz AN, outro cognato de "ESPIRÍTIO" que passou a apelidar o Deus do Céu assírio-babiliónico.
Os gregos formaram a palavra "homem" prospondo a voz AN a raíz asiânica THUR (um dos cognatos do nome "DEUS" : DIUR, DIUSS, DEUS) que corrompida por metátese se transformou em THROS e daí a dupla direcção ANTHROS e ANDROS (Espírito de Deus).
Foto: edeilzainacio.blogspot.com
A voz cognata de ANTHROS, ANTHOS, que primitivamente tinha o mesmo significado, foi empregado pelos gregos para denominar a "FLORA"entrando o onomástico lusitano sob as formas equivalentes ANDO e ENDO.
Esta última foi anteposta ao tema latino Bélico ou Vélico (guerreiro) passando a apelidar o deus lusitano Endobélico ou Endovélico (Espírito de Deus guerreiro) corresponde ao Ares Grego, ao Marte romano e ao português S. Jorge.
Endobélico ou Endovélico era, entre nós, um deus tópico, isto é, o seu culto circunscrevia-se a uma área geográfica que tinha ALPALHÃO no seu aro. Situava-se o seu santuário no Monte de S: Miguel da Mota, perto de Alandroal.
Este último topónimo é revelador do "ubi" de Endobélico, dado que Alandroal decompõe-se nas vozes AL-ANDRO-AL, sendo este o sufixo designativo de "Terra " "Campo" "Área" "Recinto", etc., logo Alandroal encerra a significação primitiva de "Terra de Espírito de Deus Guerreiro", Endovélico, tal como Jeová era o "Senhor do Exército Lusitano".
Resumindo tudo quanto venho de dizer, temos que o toponómio ALPALHÃO procede de voz anterior, a qual corresponde a significação etimológica do "ESPIRITO DO PAI E FILHO DIVINO", ou o que é o mesmo "ESPÍRITO DE DEUS".
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Nisa e suas Freguesias Rurais
 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, a Anta de Alpalhão, a uma porta da vida no tempo

 
Foto: Quico Photography, http://www.panoramio.com/photo/94106750
Esta anta de Alpalhão, mes compadres e minhas comadres, é uma das esculturas que se criaram na vila de Alpalhão, em uma das suas bienal. Vos direi eu, ela representa uma homenagem ao granito, a esta terra de Alpalhão e suas gentes que o trabalham.
Com este monumento se fez uma homenagem a todos aqueles que dedicaram e dedicam à pedra grande parte da sua vida. Mas também se homenageia a matéria, garante de sustento de tantas famílias da região.
A Anta de Alpalhão, representa por si só a força do homem, a sua fé, a necessidade de perdurar a sua história no tempo. Erigi-la foi reverendar todos aqueles que fizeram da pedra um marco para a eternidade. Desde a pré-história aos nossos tempos.
É uma obra do escultor António Redondo e situa-se ela, perto da Igreja do Calvário...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Coreto de Alpalhão, porta de ditosa vila que aberta de par em par

 

Foto: Largo do Coreto, https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiklMxdDNEcJO-kI59HKBe1_NJpO-ZJzQQZwY3Qbwr7GpB_TTDUwkFTpFzfK32K3QhMNPBbQHD9nITfkkLA3gORZI5zVlKtj6T-5vnbXanSgsCxhGBLAy1xJgqZdMuJkWdjQDpdcPaBRjeK/s1600/CIMG6110.JPG
No período inicial do Estado Novo - minhas comadres e que mes compadres - foi erguido em Alpalhão, este coreto de planta hexagonal com 3m de lado e a de 1,70m do solo, em pleno Largo Dr. António Alves da Costa, junto à Casa do Povo, sem qualquer herborização próximo, o que o torna perfeitamente visível.
Passemos então à sua construção: alvenaria de pedra e cal, pavimento de argamassa de cimento e cobertura de chapa ondulada, com estrutura em ferro e cimalha da cobertura em chapa.
Não tem acesso próprio, é electrificado e está em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.
 
 
 

 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Cruzeiro de Alpalhão, a uma porta aberta a de uma vida

 
 
 
 
 
Foto e Texto: http://www.patrimoniocultural.pt/
Em Alpalhão ergue-se uma pequena capela quinhentista, da invocação do Calvário, junto à qual se levanta o cruzeiro classificado. Na verdade, o cruzeiro faz parte de um interessante conjunto de elementos evocativos do sacrifício de Cristo; para além da invocação da capelinha, temos a sua planta circular (rotunda) simbolizando o Santo Sepulcro, e ainda um "passo" da cruz representado no adro murado, também circular.
O cruzeiro, datando igualmente de Quinhentos, mas muito possivelmente anterior à construção do templo, é constituído por uma coluna oitavada lisa, assente em três degraus quadrangulares, sustentando uma plataforma de planta octogonal onde se levanta a cruz.
Esta é uma cruz latina, composta por dois troncos octogonais, exibindo a figura do Crucificado numa das faces, e uma representação de São João Evangelista amparando a Virgem na outra face. As figuras são de bom talhe, com delicados panejamentos, de pregas naturalistas, cuidados detalhes e considerável precisão anatómica.
A cabeça de Cristo, sobrepujada por filactera com a inscrição INRI no topo da cruz, inclina-se para a direita, cingida pela coroa de espinhos, e os seus pés assenta numa pequena peanha.
O grupo constituído pela Virgem e São João Evangelista é tradicional na representação do Calvário, recordando o momento em que o discípulo tomou a Maria como sua própria mãe.
Como último apontamento, note-se que os degraus da base da coluna foram reconstruídos em meados do século XX, na sequência das obras aí efectuadas pela Junta de Freguesia de Alpalhão, quando o bloco de granito original foi demolido…

terça-feira, 17 de junho de 2014

Bom Alentejo, a terra de Alpalhão, uma Memória a paroquial em terra a sua

 
Fica esta Villa na provincia de Alemtejo, bispado, e comarca de Portalegre, he de El Rey nosso senhor; ahinda que tem algumas terras da comenda, como Montalvão; Niza; que se chamão terras do mestrado; e da comenda desta, que he da Ordem de Christo, he o seu comendador o Excelentissimo Duque de Lafõens: tem quatrocentos e vinte fogos, e mil e quatrocentas pessoas, sugeitas á huma so freguezia de Nossa Senhora da Graça, igreja aprezentada por El Rey na Meza da Conciencia por concurso, com vigario, que tem dous moyos de trigo, e meyo, vinte oito mil reis, cincoenta e dous almudes de vinho, e o pe de altar trinta mil reis: tem coadjuntor, com dous moyos de trigo, seis mil
reis, vinte e cinco almudes de vinho: thezoureyro, com hum moyo e quinze alqueires de trigo, tres arrobas de cera lavrada, cinco mil reis; oitó alqueires de azeyte: esta igreja tem seis altares, da Senhora da Graça que he o orago, da Senhora da Purificação, do Menino Deos, da Senhora do Rozario, da capela do Arcediago, e das Almas: tem quatro irmandades, a que chamão confrarias, a das Almas, a do Rosario, a das a das Chagas, e da Senhora da Purificação. Está esta Villa situada em hum campo, mais ahinda que plano, tem sua altura, donde se avista Montalvão distante duas legoas, Niza outras duas, Castelo Branco oito, Vila Velha quatro, e Arês duas, Castelo de Vide duas: o seu termo
tem por todas as partes meya legoa, muito fecundo de senteyo, feyjão e milho meudo, e algum trigo: há nella Mizericordia com provedor, e irmãos, e hospital, erecta pella devoção e doaçans dos devotos, que farão e fazem de renda regularmente cem mil reis, e cento e trinta mil reis: tem capitão mayor, dous capitaens da ordenança, hum de auxiliares, e hum sargento mor: fora da Villa tem hua ermida de S. Antonio, outra de S. Sebastiam, e do Calvario; e outra, meya legoa distante, de Nossa Senhora da Redonda imagem muito milagroza, e de grande veneração, não so para os desta Villa, mas tambem para as circumvizinhas, ahonde vem com muitas romarias de Veram, e os da
 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGuD-5ugFY07gXFN9AYF7b4Pnv31jPqQ7pTKBiwVGkyNVKiUlCmYtTEVjWMU1G-qmf3KoDIb8q_16myaxTeutvmo5A7wtyNoagf6ElHw6HRMbxY067sHqEBkBroCvxAgR7RNmb-D_sJ6J_/s400/Nova+imagem.bmp
nobreza com provizão de El Rey para fazeremos [sic] gastos à custa dos bens do concelho: dentro, tem duas ermidas, a de S. Pedro, e da Santa Caza da Mizericordia: tem dous juízes ordinarios, escrivam da camera, escrivão dos orphãos, escrivão do judicial e notas alcayde: a Mizericordia governa-se pello compromisso de Lisboa: tem esta Villa finalmente seu sinal de muralha, que he ao redor huma parede mais larga arruinada, e quazi posta no alicerce, e hum castelo no meyo com huma das quatro faces, arruinada pellos castelhanos em Mayo de mil e settecentos e quatro, este pello terremoto foi so o que padeceo nesta Villa perder huma pequena parte la do alto da mesma face offendida; que as outras tres se conservão inteiras. Dista de Portalegre quatro legoas, de Lisboa trinta e duas.
Ha mais huma ribeyra, que, por fazer ao rio Sor, lhe deu a sua origem; que he
junto a Aldea da Lagoa, termo de Portalegre3, ahonde de huns regatos se forma, e na distancia de duas legoas á esta Villa por cujo termo passa, faz seis moinhos, que moem nos annos bem regulados, de Outubro athe Mayo.
Pella pequenhez deste termo alcançarão os moradores desta Villa provizoens dos senhores reys passados para serem os pastos comuns, e poderem entrar com os seus gados no termo da Villa de Niza.
Ha mais outra ribejra ou riozinho chamado Figueyrô, de tão excelentes bordalos, que entrando hum homem desta villa, em huma igreja da cidade de Coimbra, a tempo, que se faziam exorcismos a hum energumeno (pessoa, que nunca veyo á esta terra, nem o conhecia) disse o Diabo = oh homem de Alpalham! bons bordalos de Figueyrô! oh oh!
=. E por não acabar com o Diabo, guarde Deos a quem me manda fazer este papel.
Alpalhão, de Abril 4 de 1758.
O vigario Fr. Manuel Alvarez da Sylva
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 3, nº 16, pp. 141 a 144]



Bom Dia Alentejo!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Blocos Pedunculados de Arez-Alpalhão - Nisa, a Zona é rica, a natureza diz que é artista


Os blocos pedunculados são como enormes cogumelos de granito que crescem aqui e além na Superfície de Aplanação do Alto Alentejo. A sua origem ocorreu em duas etapas: uma primeira que se dá após a exposição à superfície de uma porção granítica, resulta de uma mais rápida alteração química da rocha ao nível do solo, onde as águas subterrâneas se acumulam e enriquecem em ácidos orgânicos e uma segunda etapa desenvolvida durante um período de chuvas mais intensas em que os solos sofrem erosão acelerada, expondo o pedúnculo que une o todo coerente ao seu substrato granítico...

Fonte: http://www.naturtejo.com/conteudo.php?opt=o-que-visitar&id=75

Bom Dia Alentejo!

 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, que lá na Nossa Senhora da Redonda, Segunda-feira da Pascuela, Povo come o borrego no campo

 

É tradição ir "comer o borrego" ou "comer o chibo" ao campo em segunda-feira de Pascuela e assistir á romaria de Nª. Sr.ª. da Redonda
Há em Alpalhão quem se chame Maria da Redonda, o que revela a importância da Senhora da Redonda para a comunidade.
É revelador e é bonito, daí que se espere sempre uma grande festa pela Senhora da Redonda, a coisa de uns três quilómetros da vila.
Ali encontrámos, cedo ainda, famílias a almoçar, porque a missa é cedo.
As mesas estão postas e há mesas de pedra para acolher as famílias em toda a Tapada da Senhora da Redonda que circunda a zona da capela. Capela bonita, por sinal, com azulejos na capela-mor e tecto a merecer a atenção.
Boa a intenção de forrar de azulejos a meia altura toda nave mas o resultado é mais do que duvidoso.
A imagem da Senhora da Redonda causa admiração por duas razões. Primeiro porque se esperaria uma imagem maior e depois ouve-se sempre dizer "tão pequenina e tão bonita". A segunda razão que causa admiração só aos forasteiros menos conhecedores de Alpalhão prende-se com a quantidade de ouro que a imagem apresenta.
Ora se estamos em Alpalhão e se Nossa Senhora é feminina só podia ter ouro, muito ouro.
Hoje é muito menor o número de famílias que fazem questão de ir comer à Senhora da Redonda, se bem que ninguém falte durante a tarde à festa.
Mas há ainda muitas famílias que fazem questão de manter a tradição, e como há um amplo leque geracional nessas mesmas famílias, convencemo-nos que a tradição ainda está para durar.
É também da tradição convidar para comer quem chega, de modo que se for sem merenda não deve ter problema.
Nota: Para evitar a acção de ladrões e outros meliantes todos os objectos de valor foram retirados da igreja e guardados em local seguro, apenas regressando a igreja no dia da romaria.
Fonte: Jornal Fonte Nova, Portalegre
 

Bom Dia Alentejo!