Foto:
DanielTeix, panoramio.com/photo/59207747
Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido. Pois nada está oculto, senão para ser divulgado; e nada está mantido em secreto, senão para ser trazido à luz…
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terça-feira, 21 de junho de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Bom Dia Alentejo, Alqueva, Barragem do Alqueva, a noite é deveras muito estrelada
As estrelas não brilham da mesma forma para todos!
Há um “cantinho” no Alentejo onde as noites são particularmente mais
estreladas.
Este canto do Alentejo, do qual fazem parte os Municípios de
Portel, Reguengos de Monsaraz, Alandroal, Mourão, Moura e Barrancos criaram, em
conjunto, a Reserva Dark Sky Alqueva.
A Reserva Dark Sky Alqueva, uma área de cerca de três mil quilómetros
quadrados, foi reconhecida como a primeira Reserva do Mundo a obter a Certificação
“Starlight Tourism Destination” atribuída pela Unesco e pela Organização
Mundial do Turismo.
Nesta zona do Alentejo há um céu nocturno com características únicas, livre
de poluição luminosa.
Fonte: descobriralentejo.pt
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Bom Dia Alentejo, os moinhos da Barca, as terras de Moura, moinhos aparecem e depois vão embora
Foto:
cm-moura.PT
A construção das barragens de Alqueva e do Pedrógão trouxeram benefícios,
mas também a perda de alguns dos locais mais emblemáticos nesta grandiosa terra.
Os moinhos da Barca, e não só, eram sítio de preferência para muitos
mourenses para passar uma boa tarde de verão, podendo dar uns mergulhos e
refrescar na água do Guadiana.
Por altura do enchimento das barragens, estes, bem como outros moinhos da
zona, ficaram totalmente submersos pela água. Mas eis que agora os moinhos da
Barca ficaram novamente à superfície.
O motivo, segundo informação da EDIA, está relacionado com as obras na
segunda central hidroeléctrica em Alqueva, que tornaram necessário baixar o
caudal do rio. Para quem se lembra, esta é uma boa altura para aproveitar para
recordar os moinhos da Barca, ou mostrá-los a quem não conhece, pelo menos
durante este mês de Fevereiro, tempo previsto para o rio continuar tão em
baixo.
Fonte:
Rádio Planície
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Bom Dia Alentejo, o cemitério alentejano, costumes deixados pelos árabes, a carne não quer ficar mesmo no chão
Wadi-al-Salaam
- Iraque
Wadi-al-Salaam
- Iraque
Monastir
- Tunísia
Lápide
- Amareleja
Campas
antigas - Amareleja
Lápide - Amareleja
Novas campas - Amareleja
Caminho
principal - Amareleja
Lápide
antiga - Granja
Wadi-al-Salaam,
que significa Vale da Paz, é um cemitério islâmico localizado em Najaf (Iraque)
e é considerado o maior cemitério do mundo.
Na margem esquerda do Guadiana, Granja e Amareleja são pequenas vilas alentejanas onde os idosos não querem ser sepultados debaixo da terra. São costumes deixados pelos árabes.
A quase ausência de símbolos religiosos, o uso dos azulejos e as campas “em altura” fora do chão, distinguem este ritual fúnebre alentejano de outras zonas de Portugal.
Como dizia Brito Camacho, “pelos seus usos e costumes o Alentejo não é uma região, é um país".
Na margem esquerda do Guadiana, Granja e Amareleja são pequenas vilas alentejanas onde os idosos não querem ser sepultados debaixo da terra. São costumes deixados pelos árabes.
A quase ausência de símbolos religiosos, o uso dos azulejos e as campas “em altura” fora do chão, distinguem este ritual fúnebre alentejano de outras zonas de Portugal.
Como dizia Brito Camacho, “pelos seus usos e costumes o Alentejo não é uma região, é um país".
Fonte:
Imenso Sul, “imenso-sul-alentejo.blogspot.pt”
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Bom Dia Alentejo, a Sobral da Adiça, Topónimo de Sobral da Adiça, o ouro que estava na serra
O topónimo de Sobral
da Adiça que mes compadres e minhas comadres, no concelho de Moura, ele deveu-se
a uma grande mina de ouro que houve na Serra da Adiça, da qual ainda se podem
observar evidentes provas das suas galerias subterrâneas.
É muito provável que os primeiros exploradores
desta mina fossem os Fenícios, depois os Romanos e que por fim os Árabes. Não
consta ter havido trabalhos de mineralização desde o tempo dos Godos.
Foto: http://aloprando.com
Foto: http://aloprando.com
Através de diversos documentos
relativos a esta terra, Sobral era chamada de S. Pedro da Adiça. Que depois de
uma profanação, a profanação da igreja de S. Pedro que ficava fora da aldeia,
dá-se a mobilidade da sede da igreja para uma zona possivelmente rodeada por
grandes sobreiros e também a orientação de culto passou a ser dirigida a Nossa
Senhora do Ó.
Foto: www.zjmineracao.com.br
A deserção de
moradores destes montes para o local de Sobral da Adiça, minhas comadres e mes compadres,
deveu-se certamente às inúmeras incursões dos castelhanos e a uma fertilidade
das terras do actual aglomerado populacional.
E lá está ela. Dizem
que está maravilhosa, esta menina…
domingo, 14 de junho de 2015
Bom Dia Alentejo, Atalaia, Atalaia Gorda, Moura
Foto: http://www.casaldequarta.blogspot.pt/
No cimo do monte
denominado da Atalaia Gorda, que se levanta a 8,5 km, a sudeste da confluência
da ribeira do Ardila com o Guadiana, e a 4,5 km a sul da vila de Moura, existem
os vestígios de uma grande torre de alvenaria, que servia de atalaia à vila de
Moura, pelas bandas do sul, nas direcções de Brinches, Pias e Sobral da Adiça.
Fonte: Monumentos Militares do Concelho de Moura - 2004 - João da Mouca
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Bom Dia Alentejo, Moura, A Lenda da Moura de Salúpia, a toponómio de Moura
A Lua elevava-se das bandas
do Levante, pondo um orvalho de prata nas campinas frescas e perfumadas que
circundavam a pequena povoação de Arucci-a-Nova.
Numa ponta da vila árabe emergia, com soberana altivez, a formosa torre circular, em cujo minarete flutuava o pavilhão sagrado de Islam.
Numa ponta da vila árabe emergia, com soberana altivez, a formosa torre circular, em cujo minarete flutuava o pavilhão sagrado de Islam.
Sobre as
ruínas da antiga fortaleza mourisca que as hostes cristãs de Afonso Henriques
haviam feito arrasar, após um combate heróico com os sarracenos, o chefe árabe
Buaçou, companheiro de armas de Miramolim Abinussuf, — o agareno audaz e feliz,
que aos cristãos tomara parte das suas conquistas em terras alentejanas, no
reinado de D. Sancho I, — mandara construir e fortificar poderosamente o novo
castelo e cedera-o como dote a sua filha Salúquia, que aí governava como
«alcaidessa».
Salúquia era uma moura formosa, sonhadora e supersticiosa como
uma boa crente do Alcorão.
Fátima e Zuleima, as dilectas companheiras, olhavam com fraternal ternura o perfil esbelto de Salúquia, a querida princesa — irmã, pródiga de sinceridade e de carinhos para com todos, que jamais sentiram a altivez sobranceira da senhora a recordar-lhes a humilhante condição de escravos.
Fátima e Zuleima, as dilectas companheiras, olhavam com fraternal ternura o perfil esbelto de Salúquia, a querida princesa — irmã, pródiga de sinceridade e de carinhos para com todos, que jamais sentiram a altivez sobranceira da senhora a recordar-lhes a humilhante condição de escravos.
Por isso Salúquia
era adorada na sua pequena corte. Todas as tardes, mal o sol se escondia para
as bandas do mar, a bela moura e a sua comitiva subiam ao minarete, e ali,
então, estendendo a vista até ao círculo escuro do horizonte de serranias,
passavam largo tempo desfiando lendas de guerra e de amor até à hora solene da
oração a Allah, que os lábios murmuravam numa prece de fé vinda do íntimo, com
tal elevação e misticismo, como se fora a própria alma a evolar-se da súplica
religiosa.
Cortando o silêncio, Fátima, a moura dos olhos azuis, disse:
«Salúquia, quando o luar tiver beijado as ondas do mar e o sol abrir de novo as portas do Oriente, o teu noivo estará entre nós...
— Que Allah o permita, Fátima!
— E porque estás tão triste? — perguntou Zuleima.
— Por muito o amar! — replicou Salúquia. E por muito temer! — acrescentou numa acentuação de vaga e sombria tristeza.
— Allah protege-o, e os cristãos estão muito longe! — exclamou Fátima, numa afirmação cheia de confiança.
E Zuleima, a linda morena, filha de Granada, estendendo os braços na direcção do Oriente, procurou indicar um ponto vago e impreciso.
— É por ali o caminho… conheço-o bem. Por ele me trouxe teu pai, como cativa.
Salúquia elevou-se e, com ansiedade, fitou o olhar no sítio que Zuleima queria determinar, e dos seus olhos negros parecia sair uma cintilação de esperança, que a crença misteriosa de um estranho fatalismo não conseguiu amortecer nos primeiros instantes.
Cortando o silêncio, Fátima, a moura dos olhos azuis, disse:
«Salúquia, quando o luar tiver beijado as ondas do mar e o sol abrir de novo as portas do Oriente, o teu noivo estará entre nós...
— Que Allah o permita, Fátima!
— E porque estás tão triste? — perguntou Zuleima.
— Por muito o amar! — replicou Salúquia. E por muito temer! — acrescentou numa acentuação de vaga e sombria tristeza.
— Allah protege-o, e os cristãos estão muito longe! — exclamou Fátima, numa afirmação cheia de confiança.
E Zuleima, a linda morena, filha de Granada, estendendo os braços na direcção do Oriente, procurou indicar um ponto vago e impreciso.
— É por ali o caminho… conheço-o bem. Por ele me trouxe teu pai, como cativa.
Salúquia elevou-se e, com ansiedade, fitou o olhar no sítio que Zuleima queria determinar, e dos seus olhos negros parecia sair uma cintilação de esperança, que a crença misteriosa de um estranho fatalismo não conseguiu amortecer nos primeiros instantes.
No entanto, Salúquia pensava por vezes que
era infantil e injustificado aquele receio pela sorte do seu noivo, o príncipe mouro
Bráfama, alcaide e senhor do castelo de Arucci-Vetus (hoje a vila espanhola de
Aroche).
Bráfama enamorara-se perdidamente da filha de Buaçou e obtivera a permissão para os esponsais.
Salúquia correspondia-lhe com paixão cheia de fidelidade, e uma aurora de amor, que despertava nas duas almas, crescia em apoteose de intenso desejo e suprema dedicação. Era esta a sua última noite de virgem. A madrugada, que dentro de algumas horas iria despontar, traria envolta numa poeira de oiro, a finura adorada de Bráfama, o prometido esposo, o estremecido ídolo da sua imensa religião de mulher enamorada a florir na primavera dos vinte anos.
A brisa nocturna vinha rescendendo ao perfume suave das laranjeiras toucadas de branco e dos roseirais em flor, como num delicioso consórcio aromático, que tornava a atmosfera tépida e lânguida daquela noite de estio num devaneio sensual, que embalava o coração e embriagava os sentidos.
Bráfama enamorara-se perdidamente da filha de Buaçou e obtivera a permissão para os esponsais.
Salúquia correspondia-lhe com paixão cheia de fidelidade, e uma aurora de amor, que despertava nas duas almas, crescia em apoteose de intenso desejo e suprema dedicação. Era esta a sua última noite de virgem. A madrugada, que dentro de algumas horas iria despontar, traria envolta numa poeira de oiro, a finura adorada de Bráfama, o prometido esposo, o estremecido ídolo da sua imensa religião de mulher enamorada a florir na primavera dos vinte anos.
A brisa nocturna vinha rescendendo ao perfume suave das laranjeiras toucadas de branco e dos roseirais em flor, como num delicioso consórcio aromático, que tornava a atmosfera tépida e lânguida daquela noite de estio num devaneio sensual, que embalava o coração e embriagava os sentidos.
Salúquia, de
olhos semi-cerrados, abandonava-se à lúbrica visão que o seu candente amor formava
de estranhas e caprichosas alucinações. Parecia que a figura musculosa e
varonil de Bráfama a estreitava docemente junto ao peito, encantando-a numa
música de promessas venturosas, que a alma ingénua acolhia alvoroçada e
receosa, Este prazer íntimo, que ela gozava em silêncio, era dum perturbador
enervamento, calmo e absorvente.
Apenas, de espaço a espaço, rápidos clarões de
sinistra superstição fulguravam, como centelhas dum rubro e sangrento colorido
num céu tranquilo de serena esperança. Nesses momentos, o coração
apertava-se-lhe numa contracção de dor, o rosto afogueava-se-lhe num rubro de
ansiedade, e esta impressão torturante, duma amargura horrível, vinha a
cristalizar-se nalgumas lágrimas, que tombaram dos olhos formosíssimos numa
cintilação brilhante.
Fátima, confrangida do sofrimento injustificado de Salúquia, e para a distrair daqueles temores vagos, principiou uma narrativa de aventuras, uma das muitas fantasias infantis que a sua alma em criança recolhera como herança lendária da velha escrava Zara, que havia anos Allah chamara a si, talvez para ouvir os contos lindos da velha moura.
Dez léguas separavam Arucci-Vetus, a terra do noivo de Salúquia, da povoação onde esta governava como «alcaidessa», distância que se percorria no espaço duma noite, de mais a mais quando o acicate do desejo havia de esporear o cavalo de Bráfama, numa galopada alegre para a felicidade.
Ao cair da tarde, Bráfama e os seus deixaram Arucci-Vetus e puseram-se a caminho, numa caravana resplandecente de luxo e venturosa galhardia. Era uma cavalgada brilhante, em que os raios do sol, na agonia daquela tarde, punham fulgurações de luz sangrenta no reflexo rútilo das pedrarias dos turbantes dos cavaleiros e dos arreios riquíssimos dos corcéis.
Bráfama, à frente, o manto de puríssima alvura sobre o arcaboiço forte e esbelto, levava frequentes vezes a mão sobre os olhos, procurando ver através dos raios do sol que se escondia na direcção do mar a torre amada de Salúquia, quando alguma elevação de terreno mais favorável, lhe permitisse divisar a sombra minúscula do castelo, que a alma há muito entrevia antes que os olhos pudessem enxergar. Mas as sombras da noite vieram envolvê-los e, enquanto o globo rubro se escondia sob o dorso das serranias do Ocidente, a lua vinha saudá-los, trazendo-lhes na sua luz as preces e os desejos que Salúquia e as suas damas lhe confiavam, para os deixar cair, como amorosa mensageira, sobre Bráfama e os cavaleiros da comitiva nupcial.
A noite ia avançando, e a caravana, a quem a fadiga de um rápido trotar foi amortecendo lentamente o ardor festivo, caminhava silenciosamente, quebrando o eco solitário dos vales com o ruído estrepitoso de um tropel apressado, cortado de vez em quando pelo relinchar alegre dos cavalos, nos quais a espuma do cansaço punha manchas alvas sobre a cor negra do pêlo aveludado.
Das bandas do Levante elevava-se já uma aragem ligeira e fria: as estrelas iam esmaecendo no fulgor, e a porteira do Oriente surgia em toda a lucilante beleza, deixando atrás de si um rasto pálido que gradualmente ia enrubescendo e começando a tansformar em cristais doirados as pequenas gotas de orvalho que refrescavam a terra adormecida. Apenas uma légua separava Bráfama de Salúquia.
O cortejo mourisco caminhava agora num vale lindíssimo que despertava risonho e florido aos beijos do sol nascente. Umas colinas impediam ainda a visão querida do castelo da noiva.
Renascera o entusiasmo e a alegria, e a caravana galopava cheia de prazer, colhendo flores das árvores que orlavam o caminho, para as levar, como saudações frescas e coloridas, à corte Salúquia. De súbito, os cavalos deram sinais de inquietação e receio. Relinchavam fortemente e mostravam-se agitados. Bráfarna estacou e a comitiva fez alto. Entreolharam-se todos, surpresos e indecisos. Numa voz rouca de terror, um velho árabe, que seguia ao lado de Bráfama, gritou — além…, e apontava com a mão trémula, uma nuvem de poeira que avançava em turbilhão, deixando entrever armas, que reluziam ao sol, e pavilhões brancos com a cruz da Fé.
Bráfarna exclamou:
— São os cristãos!
— E vêm para nós! — disse um cavaleiro árabe, moço e destemido guerreiro para quem o fragor dos combates tinha encantos e perigos que o embriagava numa epopeia de heroísmos. Desembainhando, num movimento rápido, a lâmina curva e brilhante, exclamou:
— Vamos a eles!... Allah seja por nós e atirou o cavalo numa correria doida ao encontro da morte.
Bráfama reconheceu o perigo inevitável. Os cristãos estavam perto. Era um bando superior em número aos cavaleiros sarracenos; tinham além disso, sobre eles, a vantagem de vir aprestados e armados para o combate, enquanto Bráfama e os seus caminhavam para uma festa de núpcias. Era, portanto, a morte certa, fatal, irremediável. Mas um crente de Allah nunca foge, e encara a morte, sempre, frente a frente.
Fátima, confrangida do sofrimento injustificado de Salúquia, e para a distrair daqueles temores vagos, principiou uma narrativa de aventuras, uma das muitas fantasias infantis que a sua alma em criança recolhera como herança lendária da velha escrava Zara, que havia anos Allah chamara a si, talvez para ouvir os contos lindos da velha moura.
Dez léguas separavam Arucci-Vetus, a terra do noivo de Salúquia, da povoação onde esta governava como «alcaidessa», distância que se percorria no espaço duma noite, de mais a mais quando o acicate do desejo havia de esporear o cavalo de Bráfama, numa galopada alegre para a felicidade.
Ao cair da tarde, Bráfama e os seus deixaram Arucci-Vetus e puseram-se a caminho, numa caravana resplandecente de luxo e venturosa galhardia. Era uma cavalgada brilhante, em que os raios do sol, na agonia daquela tarde, punham fulgurações de luz sangrenta no reflexo rútilo das pedrarias dos turbantes dos cavaleiros e dos arreios riquíssimos dos corcéis.
Bráfama, à frente, o manto de puríssima alvura sobre o arcaboiço forte e esbelto, levava frequentes vezes a mão sobre os olhos, procurando ver através dos raios do sol que se escondia na direcção do mar a torre amada de Salúquia, quando alguma elevação de terreno mais favorável, lhe permitisse divisar a sombra minúscula do castelo, que a alma há muito entrevia antes que os olhos pudessem enxergar. Mas as sombras da noite vieram envolvê-los e, enquanto o globo rubro se escondia sob o dorso das serranias do Ocidente, a lua vinha saudá-los, trazendo-lhes na sua luz as preces e os desejos que Salúquia e as suas damas lhe confiavam, para os deixar cair, como amorosa mensageira, sobre Bráfama e os cavaleiros da comitiva nupcial.
A noite ia avançando, e a caravana, a quem a fadiga de um rápido trotar foi amortecendo lentamente o ardor festivo, caminhava silenciosamente, quebrando o eco solitário dos vales com o ruído estrepitoso de um tropel apressado, cortado de vez em quando pelo relinchar alegre dos cavalos, nos quais a espuma do cansaço punha manchas alvas sobre a cor negra do pêlo aveludado.
Das bandas do Levante elevava-se já uma aragem ligeira e fria: as estrelas iam esmaecendo no fulgor, e a porteira do Oriente surgia em toda a lucilante beleza, deixando atrás de si um rasto pálido que gradualmente ia enrubescendo e começando a tansformar em cristais doirados as pequenas gotas de orvalho que refrescavam a terra adormecida. Apenas uma légua separava Bráfama de Salúquia.
O cortejo mourisco caminhava agora num vale lindíssimo que despertava risonho e florido aos beijos do sol nascente. Umas colinas impediam ainda a visão querida do castelo da noiva.
Renascera o entusiasmo e a alegria, e a caravana galopava cheia de prazer, colhendo flores das árvores que orlavam o caminho, para as levar, como saudações frescas e coloridas, à corte Salúquia. De súbito, os cavalos deram sinais de inquietação e receio. Relinchavam fortemente e mostravam-se agitados. Bráfarna estacou e a comitiva fez alto. Entreolharam-se todos, surpresos e indecisos. Numa voz rouca de terror, um velho árabe, que seguia ao lado de Bráfama, gritou — além…, e apontava com a mão trémula, uma nuvem de poeira que avançava em turbilhão, deixando entrever armas, que reluziam ao sol, e pavilhões brancos com a cruz da Fé.
Bráfarna exclamou:
— São os cristãos!
— E vêm para nós! — disse um cavaleiro árabe, moço e destemido guerreiro para quem o fragor dos combates tinha encantos e perigos que o embriagava numa epopeia de heroísmos. Desembainhando, num movimento rápido, a lâmina curva e brilhante, exclamou:
— Vamos a eles!... Allah seja por nós e atirou o cavalo numa correria doida ao encontro da morte.
Bráfama reconheceu o perigo inevitável. Os cristãos estavam perto. Era um bando superior em número aos cavaleiros sarracenos; tinham além disso, sobre eles, a vantagem de vir aprestados e armados para o combate, enquanto Bráfama e os seus caminhavam para uma festa de núpcias. Era, portanto, a morte certa, fatal, irremediável. Mas um crente de Allah nunca foge, e encara a morte, sempre, frente a frente.
Pálido, um pouco trémulo, os olhos quase velados por uma neblina dolorosa
que do coração lhe subia, Bráfama encarou a sua gente e disse-lhe:
— Irmãos… é a morte! Allah assim o quis. E, tirando do peito uma rosa branca que colhera para oferecer à noiva, beijou-a demoradamente, e ao soltar os lábios daquele misterioso beijo, elevou os olhos turvos de lágrimas para o céu, agora fulgurante de oiro, parecendo-lhe ver no fundo azul um castelo em festa, onde uma figura linda de mulher, branca como a lua e formosa como a estrela da manhã que a sua vista ainda há pouco namorava, estendia para ele languidamente o braço, para receber a rosa em que os seus lábios haviam deposto, como num puro relicário, toda a alma dum imenso e infeliz amor.
Em seguida, voltando-se para a comitiva, disse num tom quase de súplica:
Se alguém se salvar, leve a Salúquia esta flor, e escondeu-a sob o manto, junto ao coração. Depois, num impulso rápido, renasceu o guerreiro e, sacando com energia o alfange, esporeou o cavalo a defrontar-se com o inimigo. Todos o seguiram com a mesma coragem e rapidez, e o cortejo de núpcias transformou-se numa cavalgada de morte.
Os soldados da cruz eram comandados por dois irmãos, Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, dois heróicos combatentes que vinham assolando o Alentejo, com o extermínio feroz das hostes sarracenas. Chegou o momento supremo. Os dois bandos acometeram-se com um furor de ódio e vingança. Confundiam-se as imprecações selvagens dos discípulos do crescente com os gritos de morte dos defensores da cruz.
Alfanges e adagas fulgiam em crispações de fogo e em manchas vermelhas de sangue a referver no ódio. Os cristãos, ao fim de poucos momentos, levavam os moiros de vencida. Tinham a vantagem do número e a preparação para a luta naquele momento. Os Árabes resistiam enquanto um sopro de vida lhes animou o braço rijo e destemido. Finalmente, sucumbiram todos.
— Irmãos… é a morte! Allah assim o quis. E, tirando do peito uma rosa branca que colhera para oferecer à noiva, beijou-a demoradamente, e ao soltar os lábios daquele misterioso beijo, elevou os olhos turvos de lágrimas para o céu, agora fulgurante de oiro, parecendo-lhe ver no fundo azul um castelo em festa, onde uma figura linda de mulher, branca como a lua e formosa como a estrela da manhã que a sua vista ainda há pouco namorava, estendia para ele languidamente o braço, para receber a rosa em que os seus lábios haviam deposto, como num puro relicário, toda a alma dum imenso e infeliz amor.
Em seguida, voltando-se para a comitiva, disse num tom quase de súplica:
Se alguém se salvar, leve a Salúquia esta flor, e escondeu-a sob o manto, junto ao coração. Depois, num impulso rápido, renasceu o guerreiro e, sacando com energia o alfange, esporeou o cavalo a defrontar-se com o inimigo. Todos o seguiram com a mesma coragem e rapidez, e o cortejo de núpcias transformou-se numa cavalgada de morte.
Os soldados da cruz eram comandados por dois irmãos, Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, dois heróicos combatentes que vinham assolando o Alentejo, com o extermínio feroz das hostes sarracenas. Chegou o momento supremo. Os dois bandos acometeram-se com um furor de ódio e vingança. Confundiam-se as imprecações selvagens dos discípulos do crescente com os gritos de morte dos defensores da cruz.
Alfanges e adagas fulgiam em crispações de fogo e em manchas vermelhas de sangue a referver no ódio. Os cristãos, ao fim de poucos momentos, levavam os moiros de vencida. Tinham a vantagem do número e a preparação para a luta naquele momento. Os Árabes resistiam enquanto um sopro de vida lhes animou o braço rijo e destemido. Finalmente, sucumbiram todos.
Álvaro Rodrigues matara
Bráfama, que tombou do cavalo murmurando palavras que os cristãos não puderam
compreender.
Era preciso agora fazer o resto: tomar a vila de «Arucci-a-Nova». E Pedro Rodrigues lembrou um ardiloso expediente que havia de surtir efeito.
imediatamente os cadáveres foram despojados das vestimentas, que os soldados cristãos envergaram soltando gargalhadas e exclamações alegres.
Álvaro Rodrigues quis embrulhar-se no manto de Bráfama, o seu adversário morto; um soldado trouxe-lho; envolveu-se nele, meio enrolado, procurando ocultar as nódoas vermelhas do sangue do sarraceno, destacando-se como flores rubras sobre a alvura puríssima e brilhante. E, numa mascarada macabra e traiçoeira, o bando cristão encaminhou-se em galope rápido para a vila mourisca, atroando os ares com gritos de simulação festiva e exclamações árabes de saudação e alegria.
Ao divisar ao longe um turbilhão de poeira que avançava rápidamente, Salúquia e todas as escravas ergueram-se apressadamente num ímpeto de júbilo e curiosidade. Eram eles; em voz trémula, ordenou que fossem abertas as portas da vila e que gente da sua corte lhes fosse prestar as honras da recepção.
Correram os moiros da pequena terra a franquear as entradas, enquanto sobre o minarete Fátima, Zuleima e a deslumbrante corte feminina da «alcaidessa» preparavam um dilúvio de pétalas de rosas, para caírem como beijos alados sobre o cortejo desejado de Bráfama.
Os falsos mouros entraram, como uma rajada de sangue, nas muralhas em festa de Arucci-a-Nova. E no ar misuravam-se os ecos alegres das saudações dos Árabes aos gritos de extermínio da legião cristã.
Era preciso agora fazer o resto: tomar a vila de «Arucci-a-Nova». E Pedro Rodrigues lembrou um ardiloso expediente que havia de surtir efeito.
imediatamente os cadáveres foram despojados das vestimentas, que os soldados cristãos envergaram soltando gargalhadas e exclamações alegres.
Álvaro Rodrigues quis embrulhar-se no manto de Bráfama, o seu adversário morto; um soldado trouxe-lho; envolveu-se nele, meio enrolado, procurando ocultar as nódoas vermelhas do sangue do sarraceno, destacando-se como flores rubras sobre a alvura puríssima e brilhante. E, numa mascarada macabra e traiçoeira, o bando cristão encaminhou-se em galope rápido para a vila mourisca, atroando os ares com gritos de simulação festiva e exclamações árabes de saudação e alegria.
Ao divisar ao longe um turbilhão de poeira que avançava rápidamente, Salúquia e todas as escravas ergueram-se apressadamente num ímpeto de júbilo e curiosidade. Eram eles; em voz trémula, ordenou que fossem abertas as portas da vila e que gente da sua corte lhes fosse prestar as honras da recepção.
Correram os moiros da pequena terra a franquear as entradas, enquanto sobre o minarete Fátima, Zuleima e a deslumbrante corte feminina da «alcaidessa» preparavam um dilúvio de pétalas de rosas, para caírem como beijos alados sobre o cortejo desejado de Bráfama.
Os falsos mouros entraram, como uma rajada de sangue, nas muralhas em festa de Arucci-a-Nova. E no ar misuravam-se os ecos alegres das saudações dos Árabes aos gritos de extermínio da legião cristã.
Um grupo de agarenos fugiu em
direcção ao castelo a avisar Salúquia do traiçoeiro ardil. Era impossível a
resistência. A vila estava nas mãos dos cristãos que continuavam a espalhar a
morte numa sementeira de ódio religioso, fatal e sanguinolento.
Salúquia teve, num momento, a visão rápida da tragédia. Pareceu-lhe ver ainda o noivo enviando no sopro da agonia o beijo nupcial, que os inimigos transformaram numa lágrima rubra a gelar na morte.
A nuvem do fatalismo que parara, como presságio, sobre o seu coração em toda aquela noite, convertera-se na tremenda tempestade de luto, assoladora como um furacão de dor e de desgraça.
As mulheres árabes soltavam gritos e ajoelhavam, elevando as mãos ao céu numa súplica de desespero e de fé. Lá fora rugia, cada vez mais intensa, a onda de aniquilação saída das adagas dos soldados da cruz, galgando, numa galopada sinistra, o curto caminho que conduzia ao castelo da governadora.
Salúquia teve, num momento, a visão rápida da tragédia. Pareceu-lhe ver ainda o noivo enviando no sopro da agonia o beijo nupcial, que os inimigos transformaram numa lágrima rubra a gelar na morte.
A nuvem do fatalismo que parara, como presságio, sobre o seu coração em toda aquela noite, convertera-se na tremenda tempestade de luto, assoladora como um furacão de dor e de desgraça.
As mulheres árabes soltavam gritos e ajoelhavam, elevando as mãos ao céu numa súplica de desespero e de fé. Lá fora rugia, cada vez mais intensa, a onda de aniquilação saída das adagas dos soldados da cruz, galgando, numa galopada sinistra, o curto caminho que conduzia ao castelo da governadora.
Salúquia,
figura pálida e grandiosa neste drama horrível, parecia lançar um estranho desafio
à legião que a ameaçava, pela serenidade do porte que as lágrimas já não vinham
sentimentalizar.
Numa frase rápida, decisiva e firme, mandou que fossem cerrar as portas do seu castelo (último reduto ainda não conquistado). E, enquanto a ordem foi executada, passeava, serena e heróica, de um lado a outro lado do minarete, afogando o olhar no sangue que corria em toda a povoação, envolta na prece extrema que os lábios dolorosos das suas escravas enviavam a Allah, por suprema esperança de almas perdidas.
Numa frase rápida, decisiva e firme, mandou que fossem cerrar as portas do seu castelo (último reduto ainda não conquistado). E, enquanto a ordem foi executada, passeava, serena e heróica, de um lado a outro lado do minarete, afogando o olhar no sangue que corria em toda a povoação, envolta na prece extrema que os lábios dolorosos das suas escravas enviavam a Allah, por suprema esperança de almas perdidas.
Trouxeram-lhe as chaves momentos depois, quando ao
castelo chegava a vanguarda dos irmãos Rodrigues.
As portas estavam fechadas.
As portas estavam fechadas.
Era apenas um instante de demora, o tempo
preciso para as forçar violentamente. E o trabalho começou, reforçado daí a
pouco pelos que vinham depois, atroando os ares num ruído formidável que cobria
as vozes clamorosas dos sitiados na sua crescente litania de angústia.
Salúquia
subiu ao ponto mais elevado do minarete, apertando nervosamente numa das mãos
as chaves da fortaleza, e num impulso rápido, do valerosa resolução do
heroísmo, atirou-se ao espaço. Um espantoso grito de dor aflorou a todas as
bocas:
— Salúquia! — e correram a debruçar-se à muralha do minarete.
Na esplanada do castelo, pálida e linda, com um fio de sangue a manchar-lhe o rosto num sulco de morte, ela lá estava guardando heróicamente nas mãos fechadas, numa crispação de energia que a morte petreficava, as chaves do castelo árabe, de onde ia abater-se a bandeira rubra do Islam.
As portas ainda não estavam forçadas, e um dos cristãos ia arrancar brutalmente das mãos de Salúquia as chaves da fortaleza. Álvaro Rodrigues deteve-o. Fez-se na consciência um relâmpago de justiça, e sentiu esmagado o seu orgulho de conquistador perante aquele cadáver que era uma grande lição de heroicidade. Curvou-se sobre a morta e com uma dobra do manto de Bráfama, quis limpar-lhe a mancha de sangue que empanava um pouco a formosura do rosto de Salúquia; nesse momento o manto soltou-se e tombou de oculta prega uma rosa branca, em cujas pétalas havia nódoas estranhas de cor vermelha. E a rosa caiu num deslizar suave, sobre os lábios frios da princesa moura.
— Salúquia! — e correram a debruçar-se à muralha do minarete.
Na esplanada do castelo, pálida e linda, com um fio de sangue a manchar-lhe o rosto num sulco de morte, ela lá estava guardando heróicamente nas mãos fechadas, numa crispação de energia que a morte petreficava, as chaves do castelo árabe, de onde ia abater-se a bandeira rubra do Islam.
As portas ainda não estavam forçadas, e um dos cristãos ia arrancar brutalmente das mãos de Salúquia as chaves da fortaleza. Álvaro Rodrigues deteve-o. Fez-se na consciência um relâmpago de justiça, e sentiu esmagado o seu orgulho de conquistador perante aquele cadáver que era uma grande lição de heroicidade. Curvou-se sobre a morta e com uma dobra do manto de Bráfama, quis limpar-lhe a mancha de sangue que empanava um pouco a formosura do rosto de Salúquia; nesse momento o manto soltou-se e tombou de oculta prega uma rosa branca, em cujas pétalas havia nódoas estranhas de cor vermelha. E a rosa caiu num deslizar suave, sobre os lábios frios da princesa moura.
Era a rosa de
Bráfama, que este escondera junto ao coração, e que o golpe mortal da adaga de
Álvaro Rodrigues aljofrara num orvalho de sangue. A flor cumpria a sagrada
súplica do noivo de Salúquia. O sangue de ambos misturou-se naquele ósculo
fatal e perfumado, através das pétalas de uma rosa de misterioso destino.
O capitão português descobriu-se num gesto de respeito e ordenou homenagens fúnebres, solenes, grandiosas; e como preito imortal ao acto de bizarro valor, proclamou que «Arueci-a-Nova» passaria a denominar-se a vila de Moura.
E assim, através dos tempos, das raças e das gerações, vai perpetuando a minha linda e adorável terra alentejana a lenda dolorosa de Salúquia, cuja imagem pálida e formosa eu sonho a debruçar-se no velho castelo em ruínas, pelas noites luminosas e odoríferas como aquela do seu noivado de morte, que o destino transformou na manhã vermelha de uma epopeia de supremo heroísmo.
O capitão português descobriu-se num gesto de respeito e ordenou homenagens fúnebres, solenes, grandiosas; e como preito imortal ao acto de bizarro valor, proclamou que «Arueci-a-Nova» passaria a denominar-se a vila de Moura.
E assim, através dos tempos, das raças e das gerações, vai perpetuando a minha linda e adorável terra alentejana a lenda dolorosa de Salúquia, cuja imagem pálida e formosa eu sonho a debruçar-se no velho castelo em ruínas, pelas noites luminosas e odoríferas como aquela do seu noivado de morte, que o destino transformou na manhã vermelha de uma epopeia de supremo heroísmo.
Fonte: Manuel Joaquim Delgado, A Etnografia e o Folclore no Baixo Alentejo,
Assembleia Distrital de Beja, págs. 244-250.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Bom Dia Alentejo, Moura, A Bica de Santa Comba, uma Fonte, a vida viva de alguns mermúrios
Foto:
Álvaro Nunes, http://static.panoramio.com/photos/large/42998379.jpg
A Bica de Santa
Comba, terras de Moura amigos meus, terras de Moura, tem a estátua da Santa
que, em Córdoba, terra do seu nascimento, padeceu o martírio no ano de 853,
durante a peregrinação aos Cristãos no reinado do Califa Mahomet.
Chafariz reconstruído
em 1891, construído sobre outro já assinalado na planta de Duarte d’Armas, cuja
existência parece datar do séc. XVI. A água que abastece esta fonte provém de
uma das três fontes situadas no recinto do Castelo, com reconhecidas
propriedades minero-medicinais.
A bica de Santa Comba
tem a data de 1891, no entanto, existem documentos que, em 1555, esta fonte,
eles já a referem.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Bom Dia Alentejo, a Lenda da Princesa Encantada, Moura, terra do Sobral da Adiça, o Poço o Tesouro, uma Beleza encantada que o guarda
Há muitos anos atrás, havia um rei que tinha uma
filha. Mas como teve de partir para junto dos seus soldados, despediu-se e
recomendou à princesa que se portasse bem. Um dia recebeu uma carta dizendo que a filha tinha arranjado um noivo na aldeia. Ficou furioso pois ele queria que a filha casasse com um rapaz de família e rico, que frequentasse a corte. Regressou ao castelo e disse à princesa que se não deixasse o rapaz, seria castigada. Porém, a rapariga não obedeceu ao pai. Então o rei chamou um dos seus guardas e mandou chamar um feiticeiro que ali morava na cidade, para que lançasse um feitiço à filha. A princesa, coitada, foi transformada numa serpente e o feiticeiro disse ao rei que a sua filha já encantada ficaria dentro de um poço a guardar um tesouro na Serra da Adiça.
E assim o encantamento só se quebrará se um homem for ao poço e der um beijo nos cabelos da cobra.
Bom Dia Alentejo!
Fonte: António Ferreira Lopes, Contos e Lendas Populares e de Transmissão Oral na Serra da Adiça, in:
Arquivo de Beja, vol. XIV, serie III, 2000, p. 66
Foto: http://img.ibxk.com.br/2013/9/megacurioso/192856626006353958.jpg
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Bom Dia Alentejo, a terra da Amareleja, a Gata descobriu uma marquesa de Távora
Os marqueses de Távora viveram no tempo em que ainda havia reis e no tempo
do Marquês de Pombal que tinha qualquer coisa contra os marqueses de
Távora.[...]. Nesse tempo os marqueses de Távora tinham na Amareleja uma
herdade que é a herdade de Estepa, que é um monte muito bonito, tem uma Capela
[...]. O marquês de pombal queria prender e matar os Marqueses de Távora, já
tinha apanhado e matado o marido da marquesa. Ela, com medo, lembrou-se da
herdade que tinha [...] no Alentejo e fugiu para lá com os criados e de noite
apareceu lá no monte.
Os criados gostavam muito dela porque ela era muito boa
para eles e ficaram muito contentes por ela ir lá mas ao mesmo tempo surpresos
por aparecer aquelas horas da noite porque não era hábito. Então ela contou que
ia fugida e que queria se esconder lá. A criada disse-lhe:
- A senhora fica escondida aqui no seu quarto, eu preparo-lhe o seu quarto.
[...] Ela tinha um quarto próprio mas com medo não quis lá ficar, então foi ficar num sotão que tinha o monte. E ela trouxe com ela uma gatinha, que era inseparável, como gostava muito dela trouxe-a também. A marquesa foi lá para cima para o sobrado e a gatinha ficou cá em baixo [...].
Os criados não disseram a ninguém que ela lá estava porque ela vinha fugida porque a queriam matar e era para ninguém dizer que ela estava lá, viesse quem viesse.
Ás tantas da noite, do outro dia, apareceram lá ao monte a Guarda Real, mandados por o Marquês de Pombal, porque ele sabia que ela tinha aquele monte. Os criados disseram sempre que não a tinham visto, que ninguém sabia da marquesa. Eles já se iam embora quando apareceu a gatinha que quando os viu começou a miar, os guardas começaram a desconfiar que ali havia qualquer coisa estranha. A gata miava, miava e indicava para as escadas do sobrado, então eles resolveram seguir a gata. Foram atrás da gatinha, subiram lá aos sobrados e a marquesa estava escondida lá numa parte velha, rente ao telhado, muito amagadinha para ver se ninguém a achava.
A gata como sabia que ela estava lá foi levando-os lá ao sobrado onde ela estava escondida. Os guardas apanharam a e depois levaram-a para a matar. E conta-se que ainda lá está a cadeira de baloiço onde ela se costumava sentar no sobrado.
- A senhora fica escondida aqui no seu quarto, eu preparo-lhe o seu quarto.
[...] Ela tinha um quarto próprio mas com medo não quis lá ficar, então foi ficar num sotão que tinha o monte. E ela trouxe com ela uma gatinha, que era inseparável, como gostava muito dela trouxe-a também. A marquesa foi lá para cima para o sobrado e a gatinha ficou cá em baixo [...].
Os criados não disseram a ninguém que ela lá estava porque ela vinha fugida porque a queriam matar e era para ninguém dizer que ela estava lá, viesse quem viesse.
Ás tantas da noite, do outro dia, apareceram lá ao monte a Guarda Real, mandados por o Marquês de Pombal, porque ele sabia que ela tinha aquele monte. Os criados disseram sempre que não a tinham visto, que ninguém sabia da marquesa. Eles já se iam embora quando apareceu a gatinha que quando os viu começou a miar, os guardas começaram a desconfiar que ali havia qualquer coisa estranha. A gata miava, miava e indicava para as escadas do sobrado, então eles resolveram seguir a gata. Foram atrás da gatinha, subiram lá aos sobrados e a marquesa estava escondida lá numa parte velha, rente ao telhado, muito amagadinha para ver se ninguém a achava.
A gata como sabia que ela estava lá foi levando-os lá ao sobrado onde ela estava escondida. Os guardas apanharam a e depois levaram-a para a matar. E conta-se que ainda lá está a cadeira de baloiço onde ela se costumava sentar no sobrado.
Fonte: (Recolhas Inéditas), Arquivo do CEAO, Faro, 2005
Foto: http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2007/alorna.jpg
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