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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Bom Dia Alentejo, Monte da Pedra, a Vila do Sourinho, a uma partida para o Monte da Pedra

 
Já tínhamos falado, assim compadres e minhas queridas comadres, assim do Monte da Pedra e de uma povoação com o nome de Sourinho (http://aletradeumalentejo.blogspot.pt/2014/06/bom-dia-alentejo-monte-da-pedra.html#.V_gdP1gVBdg).
Hoje voltamos – assim se dirá a vossemecês - e lhe damos um pouco mais de prosseguimento…
 

Fonte: André Carneiro, ''Lugares, tempos e pessoas: povoamento rural romano no Alto Alentejo'' - vol. II


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bom Dia Alentejo, a Ponte sobre o rio Sor, Estação da Cunheira a olá Vale da Feiteira

 
Durante longos anos, o povo da freguesia da Comenda sonhou com a construção de uma ponte sobre o rio Sôr que facilitasse o acesso à estação da Cunheira. A velha ponte mourisca ou do Sourinho, como era conhecida, com o seu acesso norte em passadeiras, encontrava-se em ruínas e não permitia atravessar o rio mesmo com águas médias.
Era realmente urgente construir uma ponte que permitisse passagem segura a peões e viaturas. Essa necessidade tornou-se mais notória a partir dos anos vinte, quando a indústria corticeira se expandiu em todo o país.
 
 
Nessa época era feitor da casa Henry Buckall & Sons (Polvorosas) o senhor João Lopes, que nesses anos fez parte da Edilidade Camarária como vereador. Sem dúvida alguma, a ele se deve o arranque desta obra que atrás referi. No entanto, não devemos esquecer que a casa que representava tinha grande interesse nessa construção.
A reunião da Câmara aprova a construção da ponte, mas era necessário encontrar alguém que se responsabilizasse pela sua construção ou a aceitasse de empreitada.

 
Na altura da inauguração em 1930, tinha eu sete anos de idade e ainda recordo algumas coisas. Para construir essa grande obra não foi necessário contactar empresas de fundações, não foi necessário engenheiro ou arquitecto para elaborar a planta e fazer cálculos. Tudo isso fez o nosso mestre José Alves, assim era conhecido.
A ponte mede aproximadamente 96 metros de comprimento, 5 de largura e 9,5 de altura, com dois arcos de 7 metros cada em pedras facetadas de granito perfeitamente ajustadas. Merece pois o nosso respeito e admiração.
 
 
Não consegui encontrar na Junta de Freguesia elementos que me permitissem saber o ano exacto do início da construção. Apenas se sabe que o peditório público se realizou em 1928 e em 1930 foi inaugurada.
Porém, profetas da desgraça, vaticinaram a sua derrocada para as próximas grandes cheias. Nos primeiros dias de 1931, sucedeu uma dessas. Toda a noite de Domingo para Segunda-feira choveu copiosamente, ninguém pôde sair para o trabalho porque a chuva não parava de cair. Alguns mais curiosos foram apreciar o panorama e depressa chegaram as notícias : «os arcos da ponte estão quase cobertos»; outros diziam que o barulho da água metia medo; outros ainda que a ponte tremia, etc.
 
 Mestre José Alves encontrava-se à porta da taberna do seu vizinho José Chamiço e deve ter sentido um calafrio, mas para se acalmar mandou encher uns copos de vinho e disse em voz firme : «a ponte está bem construída e não vai cair». E não caiu. José Alves Pires da Silva, seu nome completo, era na verdade um grande mestre.
A ponte não caiu, como afirmou o mestre, passados 58 anos carece de uma pequena reparação.

Fonte: António Martinho Margarido, in «Comenda», número 192, 4 de Dezembro de 1988

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Bom Dia Alentejo, Gáfete, capela de São Marcos, boi um dia não foi benzido

 
Conta o grande etnógrafo José Leite de Vasconcelos no vol. VIII da sua ETNOGRAFIA PORTUGUESA:
"Estive em Gáfete, em 25 de Abril de 1922, e assisti. De Gáfete, saiu uma procissão do adro da igreja para a tal capela, a um quilómetro. Vai a Irmandade de S. Marcos e ainda três padres, que vão cantar a missa na capela, e o sacristão, mas neste ano, não foram os irmãos. Ao pé da capela, num curral, estava o boi, que é, como disse, um bezerro.
Os irmãos foram, de opa branca, buscá-lo, e com uma varinha para o tocar, e puseram-no debaixo do alpendre ou galilé. Aí um padre benzeu-o e o boi entrou. Depois, ao pé do altar, era costume o padre dar na cabeça do animal com uma cruz de pau. Seguiu-se missa cantada e sermão. Logo que o boi sai da igreja, e lhe dão comida, leiloam-no e o produto, com as esmolas, é para a festa".
Mas em 1924, já alvorecia o 28 de Maio de 1926, o bispo de Portalegre, D. Domingos Maria Frutuoso, decidiu proibir tais práticas nas igrejas da sua diocese...
 
E é pois compadres e minhas comadres, o próprio Boletim da Diocese de Portalegre que reconhece que o bispo " foi obedecido em todas as freguesias exceptuando apenas a de GÁFETE, em que uma parte do povo se amotinou, vociferando na capela do santo injúrias contra o pároco por se opôr a que se levásse a efeito o que superiormente estava proibido. Disseram mesmo que o Bispo nada tinha com aqueles costumes e que O POVO É QUE MANDAVA.
E o bispo retaliou:
Em ofício ao padre de Gáfete, proíbe-o de" exercer qualquer acto de culto dentro dos limites da dita freguesia, a não ser a administração dos últimos sacramentos aos moribundos e a assistência aos funerais, devendo os fiéis, para tudo o mais, recorrer à freguesia de Tolosa.
Outrossim proibe que qualquer Sacerdote celebre missa dentro dos limites da freguesia de Gáfete, quer de semana quer aos domingos, sem licença Sua, concedida por escrito".
Mas passado pouco tempo, "uma representação de pessoas gradas da freguesia, dando as satisfações devidas" dirigiu-se às autoridades competentes " pelo que foi levantada a proibição e restabelecido o culto"
“ A Festa de S. Marcos e a religiosidade Popular" de Rui Arimateia,  revista IBN MARUÁN, nº 2-1992

terça-feira, 17 de maio de 2016

Bom Dia Alentejo, Monte da Pedra, Brasão, Brasão de Monte da Pedra

 

Situada junto ao rio Sor, a terra do Monte da Pedra, compadres e minhas comadres, ela dista 15 quilómetros da sede do Crato. Ocupa uma superfície com uma área de 60,08 quilómetros quadrados e 280 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 4,7 hab/km².
O brasão seu assim, a compadres, a Escudo de ouro, fonte termal de azul e dois ramos de oliveira de verde, frutados de negro, tudo disposto em roquete; em ponta, monte de verde firmado, carregado com uma ovelha de prata, realçada de negro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro : “ MONTE DA PEDRA “.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Bom Dia Alentejo, Catavento, os Cataventos no concelho do Crato

 Aldeia da Mata (Crato)


Crato
Crato
  Crato
Crato
Monte da Pedra (Crato)
  Monte da Pedra (Crato)
Vale do Peso (Crato)
  Vale do Peso (Crato)
Flor da Rosa (Crato)

Foto: mtfoliveira.blogspot.pt : eurekabooking.com

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Flor da Rosa, Coreto de Flor da Rosa, a que uma aldeia no concelho do Crato

 

Tivemos pena.
Compadres e minhas comadres, o compadre diz a vossemecês, ele teve mesmo muita pena. Não conseguiu um compadre, - que terrível lá fogo - ele arranjar informação sobre a história do mesmo.
Mas compadre pensa, ele diz a vossemecês, é de uma construção muita recente, a história lá deste coreto…
Foto: entretejodiana.blogs.sapo.pt/tag/coretos

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, a Aldeia da Mata, Casa Museu de Aldeia da Mata, o concelho do Crato

 








 


É compadres e minhas comadres, a terra de Aldeia da Mata. A vossemecês se dirá, uma Freguesia no Concelho do Crato. Casa que foi assim pertencente ao Reverendo Padre Belo.
Uma casa que pretende dar a conhecer, todo o espólio artístico pessoal que o mesmo foi adquirindo, não só como colecionador de Arte, mas como apreciador.
Acervo do museu compadres, recolhido durante anos pelo Padre Belo, conta também com pinturas, presépios e outras peças de cerâmica...
Fonte: João Mendes, o blogue, “O Melhor Alentejo do Mundo”

sábado, 10 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, Fonte da Bica, a Aldeia da Mata, a terra das mil fontes

 
As nascentes vêm de duas minas do terreno do Senhor António Marques, ou seja, do chão que fica em frente quando se sobe a azinhaga onde está a arca, a pouca distância desta.
Estas minas foram abertas pelo Senhor Joaquim Paté Caldeira (o Ti Torrado).

 
A arca desta fonte foi feita depois de ter havido um desastre na primeira. Um caso estranho e que passo a contar.
A primeira arca da fonte estava construída no meio da azinhaga, um pouco mais acima da direcção da actual, mas soterrada para o trânsito ficar livre.
Um dia aconteceu que uma vaca do Senhor José Durão, o antigo dono do terreno onde estão as minas, meteu as patas por entre os cascões de pedra que tapavam a arca. Depois, só com a ajuda de vários homens conseguiram tirar de lá o animal.
A Fonte da Bica, é das fontes da terra, a mais procurada pelo nosso povo. Há uns anos, antes de haver água canalizada e a Aldeia com mais população, a água dessa fonte no Verão era todos os anos muito pouca, o que originava a tão maçadora espera.
Fonte: A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000

terça-feira, 16 de junho de 2015

Bom Dia Alentejo, Monte do Chamiço, a que uma aldeia do Monte da Pedra, a uma aldeia no Crato

Esta terra fica na provinçia do Alentejo pertençe ao Priorado do Cratto a comarca da ouvedoria pertençe a comarca do Cratto, e da provedoria a comarca de Portalegre.
Esta freguezia tem vinte, e sinco vezinhos, e pessoas oitenta, e huma.
Esta terra he do Gram Prior do Gram Priorado do Cratto, e de prezente he seu Gram Prior o Senhor Dom Pedro Infante de Portugal.
Esta terra esta situada em hum oiteiro para a parte do sul descobrese della pela o [sic] nasente a cidade de Portalegre que dista tres legoas e meia, e para o poente descobreçe o Monte da Pedra que dista meia legoa.
 
 
Esta freguezia não tem termo seu pois esta no termo da villa do Cratto porem tem lemite seu diversso das mais freguezias não compreende aldeia alguma.
A parochia desta freguezia esta fora do povo proxima as cazas, e não tem lugar ou aldeia alguma como esta dito.
O orago desta freguezia he o martir Sam Sebastiam tem quatro altares que sam o altar mor, e de Nossa Senhora do Rozario de Sam Marcos, e do Senhor, não tem mais que huma nave tem tres irmandades de Nossa Senhora do Rozario do Senhor e das Almas.
O parocho desta freguezia he cura he aprezentado pello Gram Prior do Gram Priorado do Cratto tem de renda dois moios de trigo, e vinte, e quatro almudes de vinho a bica, tres alqueires de azeite e dois mil reis em dinheiro que tudo vira a somar a quantia de quarenta e seis mil reis.
Não tem benefiçiado algum esta freguezia porque não tem senão o parocho.
Não tem convento de relegiozo ou relegiozas.
 

Não tem Hospital.
Não tem Caza de Mizericordia.
Não tem ermida alguma.
Não tem dia determinado para romagem.
Os frutos que os moradores desta freguezia recolhem em maior abundancia he santeio.
O juis desta terra he juis pedaneo, e governaçe pella justissa do Cratto.
Não he esta terra couto cabeça de conselho ou behetria.
Não ha memoria que desta terra sahisem ou nella floresesem homens insignes por vertudes letras ou armas.
Não tem esta terra feira alguma.
Não tem coreio e so se serve do estafeta do Cratto que vai buscar as cartas a cidade de Portalegre.
Esta terra dista da villa do Cratto huma legoa e da cidade de Lisboa trinta legoas e meia.
Monte Chamisso de Outubro seis de 1759.
O Cura Antonio Nunes
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 195, pp. 1419 a 1422]
 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, Crato, a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires


A igreja Paroquial tem por orago Nossa Senhora dos Mártires e foi edificada no século XVIII sobre uma mais antiga, a dez quilómetros de distância da vila do Crato.
Está situada no meio de montados e isolada da povoação.
Fazia parte do Priorado do Crato.
 
A fachada principal, com largo frontão de cantaria e duas pirâmides com coruchéus nos cantos. Pórtico de granito com a cruz de Malta esculpida e um óculo oval. Sobre a fachada, ergue-se a torre sineira pequena e graciosa com quatro olhais e cúpula periforme.
Nas fachadas laterais conservam-se gárgulas interessantes que devem ser os restos da igreja primitiva, hoje desaparecida.
O interior é de uma só nave abobadada com capela-mor e dois altares laterais.

O baptistério está colocado do lado do Evangelho e o coro, bastante interessante, é de três tramos, assentos em arcos de volta redonda e fazendo os dois tramos laterais ângulo central.
O retábulo do altar-mor é uma pintura em tela representando a Virgem e dois Santos, lembrando a maneira de Vieira Lusitano.
Na sacristia, arcaz do século XVII e lavabo de mármore com a cruz de malta.
Junto ao cemitério, perto da igreja, existe um pequeno altar de alvenaria, com frontão, tendo dois azulejos com alminhas e um altar de azulejo verde e branco do século XVI e nele um painel mais moderno com a Senhora da Conceição.
Fonte: Inventário Artístico de Portugal, Luís Keil, 1943

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, Gentílico de Crato, Crato, a Cratense


Registei cretinense, porque o fiz derivar de Cretina topónimo extinto, e que hoje se julga ser a actual vila do Crato.
Também se dia que Crato foi designado em tempos bastante recuados por Castraleuca e Castraleuca e, portanto, os seus habitantes seriam chamados Castralencenses e Castraleucenses.
Xavier Fernandes afirma que num documento do século XVIII aparece a grafia Crataleuca, que, se não é erro da escrita, deve ser forma arbitrária ou forçada, talvez para aproximar as sílabas da forma actual Crato. O ilustre filólogo regista ainda:
Castraleucense referido a Castelo Branco, por ter ouvido empregado algures, mas diz logo que é forma que não deve ser usada, visto tratar-se de um detestável hibridismo – o latim Castrum de mistura com o grego Leukós, branco e com um sufixo de origem latina”.
A meu ver, a forma que tende a dominar é Cratense, derivado imediato da actual vila do Crato.

Foto: http://www.meloteca.com/imagens/musicpavillions/crato-portalegre-dec-70.jpg
Respeitante a Cretina, arquivo o primeiro verso da Estª. 17, Canto VII do poema heróico Veriato Trágico, Lisboa, 1864, de Brás Garcia de Mascarenhas, que o inclui:
“Chega a Cretina dita agora Crato”.
O saudoso Prof. e comprovinciano amigo Manuel Subtil publicou em 1942, no semanário O Castelovidense, um artigo que intitulou: “O Gentílico “Cratense”, que merece apenas ficar arquivado neste trabalho: A prepósito de Crataleucense transcreve a opinião do filólogo Xavier Fernandes, o qual considera forma arbitrária ou forçada.
Concordamos inteiramente com a opinião autorizada do ilustre filólogo, a qual manifestamos há anos já numa conferência que realizamos no antigo Grémio Alentejano, de Lisboa, hoje, Casa do Alentejo, subordinada a título de “A Vila do Crato e o seu Concelho”.
Aí firmámos o seguinte: “O nome dessa desaparecida cidade era, segundo parece, Castraleuca, Castraleuco ou Catraleuco, como também li em um documento do século XVIII. Esta última designação parece-me um pouco forçada, talvez no intuito de a aproximar do actual nome da vila”.
O documento referido – possivelmente o mesmo que o Dr. Xavier Fernandes viu – existe no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e é assinado pelo Padre Diogo de Sousa Tavares, que em 1758 era vigário da vila do Crato.
Não repugna admitir que, por espírito bairrista, por amor à terra onde vivia e donde possivelmente seria natural, o bom padre suprimisse arbitrariamente o s da primeira sílaba de Castraleuca.
Não havendo, pois, a  certeza de que a antiga cidade, em cujas ruínas assenta a actual povoação do Crato, tenha tido o nome de Crataleuca, o gentílico Crataleucenso não pode nem deve, na verdade, ser aplicado ao natural do Crato, mas sim o derivado imediato do nome actual da vila, isto é, Cratense”.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental, Recolha e Compilações, Edição da Junta Distrital de Portalegre

quinta-feira, 26 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Aldeia da Mata, a Topónimo de Aldeia da Mata

 

A origem do seu nome não é clara.
Os estudiosos do assunto afirmam que deriva talvez da situação do povoado no meio de matas, mas de uma mata específica - talvez propriedade da Ordem do Hospital ou do Grão-Priorado do Crato, conforme a época - ou da "aldeia" como propriedade agrícola, território povoado e cultivado entre matagais.
Fonte: "PDM do Crato" e a foto: "CMC"

quarta-feira, 18 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, Monumento ao Canteiro, picola maceta e escopro diz a pedra

 
Inaugurado em 13 de Julho de 2002, este monumento constitui uma merecida e justa homenagem aos Canteiros de Gáfete, homens simples, mas sábios, que transformam pedras em objectos de rara e grande valor arquitectónico.
O conjunto consta de uma “bujarda” ou “picola”; de uma “maceta” e de um “escopro”,instrumentos utilizados por estes artesãos no seu paciente trabalho e muitas vezes transformam pedras em verdadeiras filigramas.
Fonte: João Ribeirinho Leal, Monografia de Gáfete, 2013, Edição da CMC.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, uma no Crato, a uma menina que lhe batia


A Vila teve a designação de: Vila Nova de S. João Baptista de Gáfete.
O "termo" era pequeno, tinha apenas uma légua e meia de comprimento por uma légua de largura. Mas o lugar de Gáfete, mereceu passar a ser uma Vila!
Em 1758 já tinha 207 "vizinhos", nome que se dava às famílias que constituíam a Vila de Gáfete, e uma população de 569 almas (pessoas).
A Igreja Matriz, bom templo de uma só nave, fica no centro da Vila. Notável o Altar - mor, em talha dourada que foi feito no século XVII (setecentista). Além disso tinha-mos 5 ermidas: S. Pedro, Sto António, Espirito Santo, S. Marcos e a de Santa Catarina, esta já destruída.
No século XVIII, Gáfete tinha uma albergaria para pobres e peregrinos que iam de passagem.
A Misericórdia, cuja Igreja é pequena (capela do Espirito Santo), tinha nessa época 80$000 réis de renda.
Só uma última nota para vermos a importância que Gáfete tinha no século XVI. No recenseamento mandado fazer por D. João III em 1532 viu-se que Gáfete tinha na altura 105 moradores e Tolosa só tinha 42 moradores.
Fonte: (Notas recolhidas pelo professor Viriato Nunes Crespo, através do professor Manuel Subtil (Torre do Tombo 105 Gaveta 5 - Março 1, nº 47), Fotos: CMC e AACRATO
  

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Crato, Ponte do Chocanal, a uma capital em terra da medieval


Ponte do Chocanal – que mes compadres e minhas comadres - situa-se ela sobre a ribeira do mesmo nome, aqui, tão perto e junto, da graciosa vila a que um dia, uma grande Mãe a terra e as terras, a da ditosa vila do Crato. Venham daí malta. Venham a este Alentejo, a lo descobrir…

É – a ponte ditada mes compadres e que minhas comadres - constituída por três vãos e dois talha-mares e - pois vos direi a vossemecês - com arcos de volta inteira, que, embora parcialmente obstruídos pelo assoreamento do leito da ribeira, - eles - mantêm a dignidade e equilíbrio desta estrutura, perfeitamente ela tão enquadrada na paisagem envolvente.
Vulgarmente – pois o sabeis estas pontes - designada como “ponte Romana”, esta sólida construção em alvenaria de granito, ela data provavelmente do período medieval, embora as aduelas dos arcos, ligeiramente almofadadas, possam indiciar uma eventual origem romana ou – assim para terminar - uma reutilização de materiais anteriores.
Fonte: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/itinerarios/pontes-alentejo/

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Flor da Rosa, Igreja Paroquial de Flor da Rosa, uma graça que ficou na do Contestável

  
Foto: http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=52096&with_photo_id=37387700&order=date_desc&user=68287
A Igreja Paroquial, - mes compadres e minhas comadres, vos direi, - é um edifício moderno e construído no centro da povoação, desta minha linda Flor da Rosa.
Sem outro motivo de interesse que continuando mes compadres, além daquele de ali estar o túmulo de Frei Álvaro Gonçalves Pereira, fundador do Convento da Flor da Rosa e que se está vendo ao fundo pois vos direi, e que foi para esta igreja transferido em 1897, e de também guardar a célebre imagem de Nossa Senhora das Neves, hoje mais conhecida por Nossa Senhora da Flor, ou da Rosa, que pertenceu ao mesmo convento.
Esta imagem, de pedra policromada, tem todas as características de uma obra de origem ou de inspiração francesa da primeira metade do século XIV.

Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Igreja_matriz_de_Flor_de_Rosa_-_Crato.jpg
Segundo a tradição aceitável – assim mes compadres e minhas comadres - e à qual se referem Frei Agostinho de Santa Maria e outros muitos nossos cronistas antigos, a imagem data do tempo do sexto Prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira.
A Virgem, em posição levemente arqueada, ela está revestida de delicadas roupagens, segura e sustenta com o braço esquerdo o Menino, o qual, com a mão direita afaga a face esquerda da Virgem e tão assim muito maternal – que mês compadres e que minhas comadres.
O Menino, ele está assim meio nu e envolto em parte do manto da Senhora, que o cinge e cai no corpo em pregas graciosas.
A mão direita da imagem, ela parece sustentar uma parte do manto ou ter tido outrora diferente aplicação, como talvez a de sustentar uma flor.
O véu está preso por um pequeno diadema.
A policromia da imagem, que é ainda discreta, tem sido sem dúvida refeita por várias vezes. Mede 1m,20 de altura.
Fonte: Fonte: Inventário Artístico de Portugal, Luís Keil, 1943