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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Moura, A Bica de Santa Comba, uma Fonte, a vida viva de alguns mermúrios

 
A Bica de Santa Comba, terras de Moura amigos meus, terras de Moura, tem a estátua da Santa que, em Córdoba, terra do seu nascimento, padeceu o martírio no ano de 853, durante a peregrinação aos Cristãos no reinado do Califa Mahomet.
Chafariz reconstruído em 1891, construído sobre outro já assinalado na planta de Duarte d’Armas, cuja existência parece datar do séc. XVI. A água que abastece esta fonte provém de uma das três fontes situadas no recinto do Castelo, com reconhecidas propriedades minero-medicinais.
A bica de Santa Comba tem a data de 1891, no entanto, existem documentos que, em 1555, esta fonte, eles já a referem.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda da Princesa Encantada, Moura, terra do Sobral da Adiça, o Poço o Tesouro, uma Beleza encantada que o guarda

 
Há muitos anos atrás, havia um rei que tinha uma filha. Mas como teve de partir para junto dos seus soldados, despediu-se e recomendou à princesa que se portasse bem.
Um dia recebeu uma carta dizendo que a filha tinha arranjado um noivo na aldeia. Ficou furioso pois ele queria que a filha casasse com um rapaz de família e rico, que frequentasse a corte. Regressou ao castelo e disse à princesa que se não deixasse o rapaz, seria castigada. Porém, a rapariga não obedeceu ao pai. Então o rei chamou um dos seus guardas e mandou chamar um feiticeiro que ali morava na cidade, para que lançasse um feitiço à filha. A princesa, coitada, foi transformada numa serpente e o feiticeiro disse ao rei que a sua filha já encantada ficaria dentro de um poço a guardar um tesouro na Serra da Adiça.
E assim o encantamento só se quebrará se um homem for ao poço e der um beijo nos cabelos da cobra.
Bom Dia Alentejo!
Fonte: António Ferreira Lopes, Contos e Lendas Populares e de Transmissão Oral na Serra da Adiça, in: Arquivo de Beja, vol. XIV, serie III, 2000, p. 66
Foto: http://img.ibxk.com.br/2013/9/megacurioso/192856626006353958.jpg

 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, a terra da Amareleja, a Gata descobriu uma marquesa de Távora

Os marqueses de Távora viveram no tempo em que ainda havia reis e no tempo do Marquês de Pombal que tinha qualquer coisa contra os marqueses de Távora.[...]. Nesse tempo os marqueses de Távora tinham na Amareleja uma herdade que é a herdade de Estepa, que é um monte muito bonito, tem uma Capela [...]. O marquês de pombal queria prender e matar os Marqueses de Távora, já tinha apanhado e matado o marido da marquesa. Ela, com medo, lembrou-se da herdade que tinha [...] no Alentejo e fugiu para lá com os criados e de noite apareceu lá no monte.
 
 
Os criados gostavam muito dela porque ela era muito boa para eles e ficaram muito contentes por ela ir lá mas ao mesmo tempo surpresos por aparecer aquelas horas da noite porque não era hábito. Então ela contou que ia fugida e que queria se esconder lá. A criada disse-lhe:
 - A senhora fica escondida aqui no seu quarto, eu preparo-lhe o seu quarto.
[...] Ela tinha um quarto próprio mas com medo não quis lá ficar, então foi ficar num sotão que tinha o monte. E ela trouxe com ela uma gatinha, que era inseparável, como gostava muito dela trouxe-a também. A marquesa foi lá para cima para o sobrado e a gatinha ficou cá em baixo [...].
 Os criados não disseram a ninguém que ela lá estava porque ela vinha fugida porque a queriam matar e era para ninguém dizer que ela estava lá, viesse quem viesse.
Ás tantas da noite, do outro dia, apareceram lá ao monte a Guarda Real, mandados por o Marquês de Pombal, porque ele sabia que ela tinha aquele monte. Os criados disseram sempre que não a tinham visto, que ninguém sabia da marquesa. Eles já se iam embora quando apareceu a gatinha que quando os viu começou a miar, os guardas começaram a desconfiar que ali havia qualquer coisa estranha. A gata miava, miava e indicava para as escadas do sobrado, então eles resolveram seguir a gata. Foram atrás da gatinha, subiram lá aos sobrados e a marquesa estava escondida lá numa parte velha, rente ao telhado, muito amagadinha para ver se ninguém a achava.
 A gata como sabia que ela estava lá foi levando-os lá ao sobrado onde ela estava escondida. Os guardas apanharam a e depois levaram-a para a matar. E conta-se que ainda lá está a cadeira de baloiço onde ela se costumava sentar no sobrado.
 
Fonte: (Recolhas Inéditas), Arquivo do CEAO, Faro, 2005

Foto: http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2007/alorna.jpg