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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Bom Dia Alentejo, Gáfete, capela de São Marcos, boi um dia não foi benzido

 
Conta o grande etnógrafo José Leite de Vasconcelos no vol. VIII da sua ETNOGRAFIA PORTUGUESA:
"Estive em Gáfete, em 25 de Abril de 1922, e assisti. De Gáfete, saiu uma procissão do adro da igreja para a tal capela, a um quilómetro. Vai a Irmandade de S. Marcos e ainda três padres, que vão cantar a missa na capela, e o sacristão, mas neste ano, não foram os irmãos. Ao pé da capela, num curral, estava o boi, que é, como disse, um bezerro.
Os irmãos foram, de opa branca, buscá-lo, e com uma varinha para o tocar, e puseram-no debaixo do alpendre ou galilé. Aí um padre benzeu-o e o boi entrou. Depois, ao pé do altar, era costume o padre dar na cabeça do animal com uma cruz de pau. Seguiu-se missa cantada e sermão. Logo que o boi sai da igreja, e lhe dão comida, leiloam-no e o produto, com as esmolas, é para a festa".
Mas em 1924, já alvorecia o 28 de Maio de 1926, o bispo de Portalegre, D. Domingos Maria Frutuoso, decidiu proibir tais práticas nas igrejas da sua diocese...
 
E é pois compadres e minhas comadres, o próprio Boletim da Diocese de Portalegre que reconhece que o bispo " foi obedecido em todas as freguesias exceptuando apenas a de GÁFETE, em que uma parte do povo se amotinou, vociferando na capela do santo injúrias contra o pároco por se opôr a que se levásse a efeito o que superiormente estava proibido. Disseram mesmo que o Bispo nada tinha com aqueles costumes e que O POVO É QUE MANDAVA.
E o bispo retaliou:
Em ofício ao padre de Gáfete, proíbe-o de" exercer qualquer acto de culto dentro dos limites da dita freguesia, a não ser a administração dos últimos sacramentos aos moribundos e a assistência aos funerais, devendo os fiéis, para tudo o mais, recorrer à freguesia de Tolosa.
Outrossim proibe que qualquer Sacerdote celebre missa dentro dos limites da freguesia de Gáfete, quer de semana quer aos domingos, sem licença Sua, concedida por escrito".
Mas passado pouco tempo, "uma representação de pessoas gradas da freguesia, dando as satisfações devidas" dirigiu-se às autoridades competentes " pelo que foi levantada a proibição e restabelecido o culto"
“ A Festa de S. Marcos e a religiosidade Popular" de Rui Arimateia,  revista IBN MARUÁN, nº 2-1992

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Coreto, Coreto de Gáfete, a terra do Barão

 
Foto “entretejodiana.blogs.sapo.pt”
Este coreto foi projectado de um grande mestre ferreiro, José Agostinho de Bastos e foi construído em 1916.
Foi o seu primeiro proprietário o Barão de Gáfete, José Lúcio Gouveia, sendo actualmente, propriedade da Câmara Municipal.
Encontra-se em bom estado de conservação, com iluminação apropriada e escadaria própria.
É ainda hoje, utilizado por conjuntos de baile, pois a sua localização em "Largo pouco arborizado", junto à escola do 1.º ciclo, é propícia a este tipo de divertimento.
A sua forma é hexagonal, com 3m de lado e fica a 1,50m do solo.
Os materiais utilizados na sua construção foram alvenaria de pedra e cal, argamassa de cimento no pavimento e uma grade de ferro forjado.
A cobertura é de chapa de zinco ondulada com estrutura em ferro.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, Monumento ao Canteiro, picola maceta e escopro diz a pedra

 
Inaugurado em 13 de Julho de 2002, este monumento constitui uma merecida e justa homenagem aos Canteiros de Gáfete, homens simples, mas sábios, que transformam pedras em objectos de rara e grande valor arquitectónico.
O conjunto consta de uma “bujarda” ou “picola”; de uma “maceta” e de um “escopro”,instrumentos utilizados por estes artesãos no seu paciente trabalho e muitas vezes transformam pedras em verdadeiras filigramas.
Fonte: João Ribeirinho Leal, Monografia de Gáfete, 2013, Edição da CMC.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, uma no Crato, a uma menina que lhe batia


A Vila teve a designação de: Vila Nova de S. João Baptista de Gáfete.
O "termo" era pequeno, tinha apenas uma légua e meia de comprimento por uma légua de largura. Mas o lugar de Gáfete, mereceu passar a ser uma Vila!
Em 1758 já tinha 207 "vizinhos", nome que se dava às famílias que constituíam a Vila de Gáfete, e uma população de 569 almas (pessoas).
A Igreja Matriz, bom templo de uma só nave, fica no centro da Vila. Notável o Altar - mor, em talha dourada que foi feito no século XVII (setecentista). Além disso tinha-mos 5 ermidas: S. Pedro, Sto António, Espirito Santo, S. Marcos e a de Santa Catarina, esta já destruída.
No século XVIII, Gáfete tinha uma albergaria para pobres e peregrinos que iam de passagem.
A Misericórdia, cuja Igreja é pequena (capela do Espirito Santo), tinha nessa época 80$000 réis de renda.
Só uma última nota para vermos a importância que Gáfete tinha no século XVI. No recenseamento mandado fazer por D. João III em 1532 viu-se que Gáfete tinha na altura 105 moradores e Tolosa só tinha 42 moradores.
Fonte: (Notas recolhidas pelo professor Viriato Nunes Crespo, através do professor Manuel Subtil (Torre do Tombo 105 Gaveta 5 - Março 1, nº 47), Fotos: CMC e AACRATO
  

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Gáfete, Apodo de Gáfete, Bom dia terras do Mundo


Eis os apodos aplicados aos gafetenses:
A) Potros
B) Gafanhotos
C) Centeeirinhos

A) Potros
Sobre o apodo Potros conta-se o seguinte:
As crónicas populares informam que, noutros tempos, quando as Juntas de Paróquia dispunham de vários terrenos sob a sua jurisdição uma houve em Gáfete (notável vila de São João Baptista de Gáfete), que resolveu para aproveitar as muitas pastagens de que dispunha, explorar a criação de gado cavalar.
Havia também a preocupação de problemas económicos a resolver e a visão dos problemas pecuários que hoje ocupam lugar evidente e de interesse acentuado.
Depois, ou porque houvesse concorrência grande, ou ainda, porque a saturação do mercado fosse manifesta, a exploração pecuária entrou em crise, e daí resultou que se começasse a dizer:
«Potros de Gáfete, que em cada feira valem menos».
Em defesa do que se acaba de dizer, acrescenta-se que há até um local na vizinhança de Gáfete ainda hoje conhecido por Vale das Éguas.~
 
 

B) Gafanhotos
A designação deste, deduz-se que seja uma derivação forçada da palavra Gáfete, e que nunca se verificou que os gafetenses fossem dados a saltões.
Acho que os designam assim, simplesmente por brincadeira, galhofa.

C) Centeeirinhos
Sabemos que o cultivo de centeio é importante na região.
Recorda-se ainda de se comer pão de centeio, que se consumia em grande escala.
Do trigo se fazia pão de luxo, que hoje é pão de todos...
 
Fonte: Alexandre Carvalho Costa, Crato, Gentílicos e Apodos
 
Bom Dia Alentejo!