domingo, 28 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, Apodo de Castelo de Vide, Sintra do Alentejo terra de cardadores

CARDADORES – O saudoso investigador e historiador Dr. Possidónio Mateus Laranjo Coelho, em Os Cardadores de Castelo de Vide, incluído na Terra Alta (Antologia de Castelo de Vide)prefácio – mes compadres e que minhas comadres – do ilustre académico Joaquim Leitão, organizada e editada por João António Gordo, Lisboa, 1935, págs. 61 e 62, escreve sobre o apodo CARDADORES o seguinte:
“E muito antiga em Portalegre, e em algumas terras situadas na área do seu distrito, a indústria de lanifícios e teares caseiros, como atestam e comprovam as referências que acerca desta indústria temos visto nos mais velhos diplomas e nas mais autênticas fontes de história da antiga região de Odiana: os forais, as inquisições e os livros dos tombos dos seus municípios.
Depois da capital do distrito, onde a indústria de fiação e tecelagem de lá adquiriu, porém, mais notável progresso e desenvolvimento foi, sem dúvida, na populosa e pitoresca vila de Castelo de Vide, cujos habitantes mereceram por isso epíteto de Cardadores.
Foto: Luis Pires Simäo. https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/10153056496825757/?comment_id=10153056527965757&notif_t=group_comment_reply
Este epíteto – assim mes compadres e minhas comadres que estou vos assim dizendo – que a tradição recolheu e vem trazendo dos mais remotos tempos da história da nacionalidade, teve origem na indústria de CARDAR a lá nos simples e primitivos CARDAS ou CARDUÇAS.
Já no Cancioneiro Regional – pois assim mes compadres e minhas comadres – tão abundante – pois vos estou dizendo – e onde nitidamente se reflecte a imaginação viva e facilidade de improvisar tão comum aos alentejanos e às populações do sul do País mais directamente influenciados pelos – compadres – árabes, nos aparece a designação de CARDADORES aplicada ao habitantes da formosa vila, aos castelovidenses. Assim, diz a trova:
Não quero Castelo de vide
Que é terra de CARDADORES
Quero a cidade de Elvas
Onde tenho os meus amores
Foto: Carlos Simão, https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/
O mesmo escritor, no seu curioso livrinho Marvão – Elucidário breve de uma visita a esta vila – Lisboa, 1946, págs. 10 e 11, escreve, - o compadre lá escreve -:
“A indústria de lanifícios e dos teares caseiros medrou, com maior ou menor incremento nas três povoações de Portalegre, Castelo de vide e Marvão. Como o atestam, entre outros vestígios, o nome de CARDADORES, dado aos habitantes de Castelo de Vide, em documento registado na Chancelaria real de D. João III.
ESPALMADOS - Vi já não sei onde que os castelovidenses também eram apodados de ESPALMADOS, mas até hoje não consegui saber a razão de tal apodo.
TERRA DO BONECO – Só burlescamente pode ser alcunhada a viçosa vila de Castelo de vide pela – TERRA DO BONECO.
Ouvi dizer que tal designação é por lá ter a estátua de D. Pedro V. A meu ver – compadre que termina -, é até uma honra possuir a estátua desse rei numa praça com o seu nome.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Coreto de Alpalhão, porta de ditosa vila que aberta de par em par

 

Foto: Largo do Coreto, http://4.bp.blogspot.com/_QCsVx7QrrCA/SwXdPY2zszI/AAAAAAAAADw/sMsg-MKFQUk/s1600/CIMG6110.JPG
No período inicial do Estado Novo - minhas comadres e que mes compadres - foi erguido em Alpalhão, este coreto de planta hexagonal com 3m de lado e a de 1,70m do solo, em pleno Largo Dr. António Alves da Costa, junto à Casa do Povo, sem qualquer herborização próximo, o que o torna perfeitamente visível.
Passemos então à sua construção: alvenaria de pedra e cal, pavimento de argamassa de cimento e cobertura de chapa ondulada, com estrutura em ferro e cimalha da cobertura em chapa.
Não tem acesso próprio, é electrificado e está em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.
 
 
 

 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, a Chança, Alter do Chão, Ponte dos Mendes, divindade mitológica patronímico lá ficou

 
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão
Ponte dos Mendes mês compadres e minhas comadres, ergue-se ela sobre a Ribeira de Alfeijó, na Herdade da Ferraria, aldeia de Chança, terras de Alter do Chão. Embora – pois assim mês compadres - esteja localizada na região que, segundo uma lenda local, teria sido visitada pelo Imperador Adriano durante a sua estadia na Lusitânia (razão pela qual a via que conduz à vizinha ponte romana de Vila Formosa se designa Via Adriana), e sendo possível que as suas fundações datem do período romano, o aparelho arquitectónico visível parece indicar que esta pequena ponte data com mais probabilidade da época medieval.
Ponte dos Mendes trata-se de uma ponte integralmente construída em aparelho de xisto, de dois arcos redondos, com um talha-mar central encimado por um pequeno vão igualmente rematado em arco redondo.
O tabuleiro – pois assim compadres - é estreito. Possui ele, guardas baixas com frestas dispostas ao nível do solo.
A Ponte dos Mendes faz assim parte do projecto Via Hadriana, que agrega diversos núcleos integrados num circuito turístico entre a cidade romana de Abelterium (Alter do Chão) e a ponte romana de Vila Formosa, indo até à villa romana da Quinta do Pião.
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Portalegre, a Fonte da Boneca, a fotografia que o boneco não lhe ficou

 
As Imagens que estás vendo que mes compadres e minhas comadres, 16 de Julho de 2009 foram roubadas e depois recuperadas pela PJ em parceria com a Guardia Civil de Espanha, na região sul de Espanha, elas que lá regressaram a esta fonte, a doce seu lar, a 19 de Março de 2010. Assim que lá foi uma viagem vadia para estes dois Elfos que depois lá esgotados a casa sua regressaram.
Sua construção foi na cidade de Portalegre no ano de 1894. Sua história anais que reza, a do seu nascimento, foi ela que construída para receber soberano rei e senhor, o D. Carlos I. A verdade pois que vos diga, mes compadres e minhas comadres, na grande história longa deste Alentejo, a verdade sabeis, o soberano que nunca lá apareceu.
Foto: O Bicho, http://fotociclista.blogspot.pt/2010/07/fonte-542.html
Assim numa ligeira pois para terminar mês compadres e minhas comadres, Fonte da Boneca teve o risco e o talho da Firma Germano José Salles e Filhos, de Lisboa. Foi talhada em lioz pelos artistas e ela apresenta um estilo neoclássico.

Bom Dia Alentejo, Cruzeiro, O Cruzeiro de Tolosa

 
Tolosa que nos últimos anos tem progredido apreciàvelmente, não podia ficar indiferente ao brado vibrante do Sr. P.e Moreira das Neves, o laureado Jornalista-Poeta.
E assim, os organismos locais da Acção Católica (JOC e JACF) abriram a uma subscrição pública para a erecção do Cruzeiro da Independência no Largo. Junto da Matriz.
No plinto, lê-se, entre outras, esta inscrição: "Aos Heróis da Pátria Cristã, os Organismos de Acção Católica Tolosa 1940".
E vê-se o Escudo Nacional (actual).
 
Cerca das 15 horas do dia de Natal, eram recebidos à entrada da freguesia, com música e
foguetes, os Srs. P.e Sebastião Martins Alves, digno Arcipreste e dr. José Rasquilho de barros, ilustre presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, com representação do Sr. Administrador do concelho
Acompanhavam-nos os distintos tolosenses Srs. drs. João e Carlos Telo Gonçalves. Organizou-se em seguida o cortejo. descerrada a Cruz, que a Bandeira Nacional envolvida, pelo Sr. Dr. R. de Barros - o Rev.do Pároco, Sr. P.e Fernando Proença saraiva, benzeu solenemente o Cruzeiro.

Constituida a Mesa, iniciou-se a sessão solene a que presidiu o Sr. Dr. Barros, secretariado pelo Rev.do Sr. Arcipreste que discursavam, e pelo Srs. Prof. Álvaro da Luz Biscaia e José António Brás, pela Junta da Paróquia. Usaram também da palavra os Srs P.e Fernando Saraiva, e Prof. Baptista Camilo.
A Filarmónica de Tolosa associou-se à solenidade tendo tocado o Hino Nacional e o da restauração. Ouviram-se calorosas vivas ao Cristo-Rei, à Santa Igreja, à Pátria, a Carmona e Salazar, etc., enquanto os foguetes estralejavam.
Os organismos de A.C. e as crianças das escolas declamavam o côro Falado Cruzeiros de Portugal, que foi muito aplaudido, e a menina Maria Lurdes Enes de Oliveira uma poesia...
Fonte: Jornal "O Distrito de Portalegre", 8 de Março de 1941

 
 
 
 
 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Arez, Topónimo de Arez, terra alentejana de muita bons ares


" I - De Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal Vol. I - Pág. 238: "Querem alguns que o nome que lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui".

II - De Domingo Ilustrado - Vol. III - 1898 - Pág. 523: "Provém-lhe o nome dos bons, puros e salutíferos ares que nela se desfrutam".

III - De Informação Particular de 1941, do Dr. Joaquim da Silveira: " No foral de Marvão de 1226, fala-se já "come de Ares" (- ês). Creio ser um topónimo estrangeiro importado por ocasião do repovoamento e colonização do Alentejo. Em Espanha há Arés nas províncias de Alicante e Lérida, Arés del Maestre na de Castellon de la Plana. Em Itália há Arese (Milão).
Outros topónimos italianos e espanhóis para cá foram transplantados.
A ortografia oficial manda grafar com Z e não S, o topónimo citado, mas pela explicação do erudito toponimista deveria ser escrito com S".

IV - Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Vol. XXXVIII - Apêndice - Pág. 514:

"O Topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia), e é de crer que se relacione com o nome comum Arentius, de acordo com os vestígios de romanização na região de Nisa, especialmente Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ".

V - De Esboço Monográfico de Arez - Povoação do Concelho de Nisa - Algumas notas para um bosqueio etnográfico de cariz económico - social em ordem ao estudo de um território denominado por antonomásia, região das areias no Alentejo Alto (Relatório de Estágio pelo médico-veterinário Dr. José Fazendas Louro Chambel, Lisboa - 1972 - Págs. 28/31).

Passo agora a transcrever as palavras do referido livro respeitantes à etimologia de AREZ.
"AREZ, (ou ARES) é uma povoação do concelho de Nisa, situada a 7,5 Kms desta vila para Oeste; dista 10 Kms da estação de Vale do Peso, no ramal de Cáceres; 40 kms de Portalegre, sede de distrito e 11 Kms do Tejo (Barca d´Amieira).
De prosaica aparência, pouco tem de notável a olhos turistas e desprevenidos. Como tantos outros aglomerados populacionais de porção norte do Alentejo, passará facilmente despercebida, sobretudo a quem cruzar velozmente, de motor nervoso e roncante em busca de melhor poiso para o ócio e outros afazeres.
A aldeia é cindida, a meio, por uma importante estrada, baldeando a toda a hora um substancial movimento rodoviário de Lisboa, Ribatejo e Alentejo para as Beiras e vice-versa, o que lhe confere uma falsa representação de progresso, aliás, um pouco à guisa de Tântalo: vendo-o, quase nada usufrue dele; servindo, jaz des-servida, apenas uma fugaz afora ruídos impertinentes e fumos fedorentos que mal presumo - serão em tudo nada toxígeneos.
Mas no arrepio do progresso, retrogrademos todavia ao longe do tempo e, não recusando o braço à fantasia, mergulhemos nas incomensuráveis e nublosas regiões da História e da Lenda, perscrutando "à vol d´oiseau" o que a nossa curiosidade pode encontrar...

Donde proveio o nome desta antiga povoação? Quais as suas origens? Que testemunhos do passado existem que comprovem a asserção da sua alta antiguidade?Comecemos por apresentar uma lista de nomes e apelidos, usados desde os nossos mais remotos avoengos, qu, de algum modo, nos parece interessante relacionar com o topónimo AREZ. No que concerne à legitimidade desta conexão, que os filologistas nos revelam o descaro.

Foto: http://stelalecocq.blogspot.pt/p/oracoes.html
- ARIAS, hoje AIRES, bastante usado em documentos antigos (existe aqui, um tema germânico: ar -).
- Airam (séc. XII) hoje Airão, de Ariani.
- AREZ (nome judeu) in Gil Vicente (Diálogo de luus tres judeos e dous centurios sobre ressureyção.
- Araos.                          
- Araos.
- Araes
- Arones (de Áron).
- Aruncio.
- Aro (cercania da povoação) - do lat. aruum - campo de lavradio.
- Ares - Marte "...sacrificavam (os lusitanos) um bode a Ares e os prisioneiros e cavalo"Estrabão".
- Arebtius - deus Arencio.
- Ario - outras formas: Arius, Areus.
- Ariz -
- Arrezo (cidade da Toscana)
- Ares - topónimo (concelho de Ponte da Barca).
- AREZ- antiga cidade da Lusitânia (perto de Alcácer do Sal).
- Aires - lugar histórico romano ARENTIS (Torres d`Ares) - Algarve).
- Arez - árabe, existe um lugar em Gaza (Médio Oriente).
- Aires - apelido e nome de lugar; abunda no Alentejo
- Que bases haverá o Abade Augusto Ferreira para derivar AREZ de Aresius, ii -  Aresio (nome de um santo)? Ou, simplesmente, "...o nome lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui"?
Contudo "não deve haver dúvida de que o povoamento do território desta freguesia deve ascender, não apenas a antes do séc. XII, isto é, à denominação arábica efectiva, mas às referidas épocas (pré-romanas e da romanização). Talvez se relacione com elas o velho topónimo AREZ, talvez arabicamente influenciado... O topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia) e é de crer se relaciona com o nome romano Arentis, de acordo com os vestígios de Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ. Sem pretendermos aventurar-nos nas areias movediças da hipótese, não queremos deixar de referir alguma coisa do que se sabe (ou se julga saber) sobre Aritium ou Arício, misteriosa e importante cidade romana, de cuja a notícia os autores têm encontradas notícias, e "há a mencionar uma povoação que nos textos e numa inscrição romana é designada pelo nome de Aritium Vetus situada, segundo parece na margem esquerda do Tejo.
Em 1659 foi achada, em Alvega, uma placa de bronze, onde se gravou em latim, o juramento prestado ao imperador Calígua pelos habitantes de Aritium Vetus. A placa desapareceu e apenas ficaram cópias da inscrição. Apresentava quatro orifícios, um em cada ângulo, pelo que se presume, deveria estar aposta em edifício ou sítio público.
Dadas as suas diminutas dimensões (1X25 palmos) e o facto de ter sido encontrado "...em uma ribeira próxima", não prova suficiência, suposição de Jorge Cardoso, que a localizava em Alveza.
Todavia, parece que existiu outra cidade designada por Aritum Praeetorium.
Não são unânimes os historiadores e Aritum figura como tendo existido em vários locais: Abrantes, Benavente, Etc"
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Nisa e suas Freguesias Rurais
 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Marvão, Menir dos Pombais, a uma forma fálica de uma procura

 
Situa-se junto à estrada que liga Santo António das Areias à Beirã, passando pela Herdade dos Pombais. Depois de se passar o monte desta herdade, à direita da estrada, no topo de uma elevação descobre-se este menir. Este menir foi obtido a partir de um afloramento granítico natural. O afloramento terá sido trabalhado, na parte superior, por forma a que se obtivesse uma forma fálica. Este menir insere-se na área de um habitat pré-histórico atribuível ao Calcolítico. Apresenta uma altura superior a 3 metros.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Flor da Rosa, a Lenda de Flor da Rosa, Rosa que de amor ao amado morreu

 
Havia em tempos muitos antigos um pequeno lugarejo, onde vivia um cavaleiro de nome ilustre, muito estimado por fidalgos e povo. Ora este cavaleiro adoeceu gravemente e soube-se que poucos dias lhe restavam. Como era muito estimado, iam-lhe levar presentes. Entre as pessoas que o visitavam, uma chamada Rosa levou-lhe uma flor do seu nome. Foi para o cavaleiro a melhor visita e a mais bela prenda, pois ROSA era sua noiva. Todas as pessoas esperaram a morte do cavaleiro, mas o destino é por vezes traiçoeiro e foi ROSA que morreu, tendo-se ele salvo. Desde esse dia, o cavaleiro era muitas vezes encontrado a chorar junto da campa da sua noiva. Então os desgostos matam-no. Mas nos últimos momentos da vida faz dois pedidos: Queria que a flor que ROSA lhe oferecera o acompanhasse à sepultura e que fosse dado àquele lugar o nome de FLOR DA ROSA em homenagem à sua amada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fonte Valeriana, fotos e textos Vale de Peso

 

FONTE VALERIANA

Mandada fazer por Eusébio Valeriano de Mattos em 1876
CORRE ÁGUA POR UMA TELHA
FARTE-SE A CABRA, O BOI E A OVELHA...
E TAMBÉM TU Ó PASSAGEIRO
BEBE QUE ESTÁS PRIMEIRO

Esta fonte situa-se no antigo Caminho que levava os peregrinos, vindos de Cadiz, para Santiago de Compostela.

Pertence ainda à freguesia de Vale do Peso, perto da antiga povoação de "Pé-do-Rôdo", num monte que tradicionalmente tem sido agricultivado por alpalhoeiros, ganhando sucessivamente o nome do titular do momento: "Monte Valeriano", "Monte da Sra Olimpia" e agora "Monte do António Calhaço", mas permanecendo sempre o topónimo de "Monte do Rôdo".

Mais à frente, já na Freguesia de Alpalhão, receberia o outro Caminho vindo do sul, do litoral alentejano, formando um só, que subia para a Galiza.
Ver mais
 

Joé Caldeira Martins, texto e fotos https://www.facebook.com/jose.caldeiramartins?fref=ts

Bom Dia Alentejo, Avis, Apodo de Avis, terra do sapateiro e que do carpinteiro, o carpinteiro que foi juiz

 
FRACA JUSTIÇA DE AVIS – a propósito deste apodo, - mês compadres e que minhas comadres – contam – campónios em ditosa terra alentejana - a seguinte historieta: Há muito tempo, ouve em Avis dois operários, um carpinteiro e um sapateiro, amigos inseparáveis, muito bons homenzinhos.
O sapateiro – sabeis assim amigos meus do mundo – era quase analfabeto e o carpinteiro tinha umas luzes. – Assim, que eu estou a dizer a vossemecês – por ocasião de dificuldades em arranjar Presidente da Câmara, foi nomeado para tal cargo o amigo carpinteiro precisamente quando o juiz, que numa altura havia em Avis, estava de licença e era o Presidente da Câmara que por lei o devia substituir.
Entre os casos que o nosso amigo carpinteiro teve de julgar, sucedeu ser um do amigo sapateiro e teve de condená-lo em boa pena. Ao fazê-lo, tomou o pau inerente do cargo que desempenhava e perguntou sobranceiramente:
“O réu tem alguma coisa a alegar em sua defesa?” – Este respondeu-lhe – “Esteve V. Exa., senhor Doutor Juiz, tanto tempo “aplainar” a sua consciência para dizer tal sentença!”
Antigamente – compadres meus e minhas comadres – para aquém do Tejo, a região estava dividida em quatro circunscrições judiciais, sendo a de S. Bento de Avis, uma das maiores, que ia desde Coruche até Elvas. Por essa razão, muitas vezes os casos eram julgados muito à priori acarretando com isso muitos erros judiciários, razão por que empregam a frase Fraca JUSTIÇA DE… conforme a circunscrição a que pertenciam.
Esta informação – assim continua amigos meus do mundo, o compadre Alexandre de Carvalho Costa, aqui das terras de Alagoa no norte alentejano – foi-me amavelmente prestada pelo meu amigo António Fialho Sequeira Bugalho, residente na freguesia do Ervedal, concelho de Avis, aqui há uns bons trinta anos, deixando aqui publicamente, os meus sinceros agradecimentos.
- Assim e depois para terminar mes compadres e que minhas compadres, o referido -, também apodam-se os de Avis de CÃES e costumam proferir – AVIS É TERRA QUE DEUS NÃO QUIS – e eu como o ele o digo – isto apenas por causa da rima e não por outra coisa – estou certo disso.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Bom Dia Alentejo, a Portalegre, Fonte do Jardim do Tarro, a vitória com um v da Vida

 
Construída na década de 1960 – ai mes compadres e minhas comadres o sabeis lá – tem à sua frente um pequeno lago que se pode atravessar em passadeiras circulares – a parecer seda – ai amigos meus do mundo a quem pisa.
Foto: Casimiro Carrajola, http://www.panoramio.com/photo/18435811
De força que ela continua e que é de vida. Sempre a assapar a um todo o pano. Das entranhas dela que sai o azul branco do céu. A fresquidão a pureza, os lábios a boca do corpo de um homem e uma mulher, - ai meu Deus – a boca quando se aproxima, a natureza como a toca, a leveza circula e caminha na cidade de Portalegre.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Arronches, Apodo de Arronches, a um sabor fresquinho a Montado na planície

 
Terra dos Porcos – compadres meus e minhas comadres – é assim apodada – esta graciosa – esta - vila de Arronches.
Será por existir na região muito montados servindo para a engorda do gado suíno. É uma hipótese de aceitar… Ai foi assim meus compadres e minhas comadres, compadre diz assim a vossemecês, foi assim em Apodos Tópicos Alentejanos, na Revista Cidade e de Portalegre, o nosso compadre, Alexandre de Carvalho Costa, o compadre lá o disse...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Galveias, Coreto de Galveias, o galo a uma laranja pézinho de dança começava

 
Coreto muito semelhante ao de Ponte de Sor, este foi projectado pelo Sr. Ambrósio Lobato.
Mandado construir pela Junta de Freguesia de Galveias, sua actual proprietária, foi inaugurado a 20 de Agosto de 1978.
O seu espaço octogonal com 3m de lado é escolhido para as comemorações do 25 de Abril, para as festas de Julho e ainda para animação dos bailes populares.
Construído em alvenaria – assim minhas comadres e meus compadres – e marmorite branco. Seu pavimento apresenta-se à altura de 1,80m do solo, em marmorite vermelho.
A cobertura – pois assim então meus compadres -, à semelhança da do coreto de Ponte de Sor, é uma placa de cimento armado, apoiada em quatro pilares de cimento, com o mesmo tipo de acesso e gradeamento todo em redor.
Apresenta o referido coreto – pois eu vos diga compadres – electrificação central e em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra

domingo, 9 de novembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Arraiolos, Topónimo de Arraiolos, a grego uma raça de árabe

A “terra dos tapetes”, histórica e antiquíssima vila, sede de concelho do distrito de Évora, tem, segundo se afirma, um nome de origem antroponímica.
Um capitão grego de nome Rayeo teria sido o governador da povoação, a qual tomou esse nome alterado em Rayolos, que depois, com o tempo se transformou em Arrayolos  e ARRAIOLOS. Embora reproduzida por vários autores, não satisfaz a explicação, que é, pelo menos, muito deficiente.
A primeira parte do topónimo tem todo o aspecto da proveniência árabe; todavia, se a origem é grega, como se diz, deve talvez tratar-se de um nome helénico arabizado. Mas, com mais probabilidades de aceitação não será antes um nome propriamente árabe, cognato de arraia ou arraial com um sufixo pluralizado?
A hipótese harmoniza-se melhor com a história local, pois o primitivo povoado corresponde à actual ARRAIOLOS tinha uma designação que aparece grafada com várias formas e que não se relaciona morfologicamente com o nome actual, como deixamos registado no primeiro volume deste trabalho, na parte referente a topónimos extintos.
Calantia, Calantica, Calantria, Calancia e ainda Callancia, variantes com que aparece designada uma antiga povoação, situada na área do actual concelho de ARRAIOLOS.
Dos Topónimos e Gentílicos, Vol. II (1944) – Págs. 267-268, e Vol. I (1941) – Pág. 151, de Xavier Fernandes.
Evoquemos, como Cunha Rivara, o passado da nossa encantadora terra, pois nos foros da sua nobre antiguidade, pode muito bem ombrear com as mais poderosas povoações, não faltando autores que façam remontar a sua origem, ao tempo dos celtas, ou pelo menos, ao dos mouros.
Calantica – a menos de uma légua, para noroeste, onde hoje está a aldeia de Sant`ana, prova-se pela simples inspecção da igreja, formada nos restos de um templo romano. Que o nome da povoação fora a de Calantica, afirma-o André de Resende, com alguns autores; ainda que doutros variem algum tanto a sua ortografia: Calantica, Calantria, Calantia, Calancia e até Callancia.
O Dr. Manuel do Vale de Moura, declarando a sua naturalidade, no livro que publicou. De Incontationibus diz: Patria Calantica. Etimologia.
Outros autores, embora não neguem a existência de Calantica, embora admitam a hipótese de ela ter sido fundada por celtas ou romanos, declaram que nem em lugar nem tempo, ARRAIOLOS se deve confundir com Calantica.
Atribuem a sua origem ao tempo dos sabinos, que ocuparam a cidade de Évora antes de Sertório e deram o governo da vila ao capitão Rayeo, nome grego; deste nome Rayeo se iria denominando Rayolis, corrupto hoje em ARRAIOLOS.
O padre Fr. Henrique de Santo António, na Crónica dos Eremitas da Serra d`Ossa, muito sabedor de etimologias gregas, inclina-se a que do capitão Rayeo se chamasse à povoação de Rayeopolis e daí por linha recta ARRAIOLOS.
De Alguns Apontamentos Históricos sobre a vila de Arraiolos – por Bernardino Godinho – inserto no Álbum AlentejanoDistrito de Évora – Tomo II – 1933 – Pág. 245
Trazem alguns sua origem do tempo dos sabinos, tusculanos e albanos, senhores da cidade de Évora antes de Sertório e que deram o governo de Arraiolos a um capitão Rayeo, nome grego por cuja antiguidade tomou por empresa uma cabeça na forma de uma esfera, e deste nome Rayeo se fez denominando Rayollis, corrupto hoje em Arrayolos.Segundo Diogo Mendes de Vasconcelos foi esta vila fundação dos Galos Celtas quando senhorearam estas comarcas, as quais lhe deram o nome de Calantia ou Calantria.
Do Dicionário Geográfico, do padre Luís Cardoso, Vol. I – 1747 – Pág. 589.
A origem de ARRAIOLOS - amigos meus do mundo - que também se escreve Arrayolos, fundando-se na suposta fonte helénica do seu nome, está em volta em trevas e fábulas, concordando, porém, todos os autores, com quanto sob diversa forma, em que é muito antiga, provindo-lhe a designação de um guerreiro grego chamado “Rayeo”, que a capitaniava, chamando-lhe por esse motivo “Rayolis”, que – como deveis estar na viagem – com o andar dos tempos se corrompeu em ARRAIOLOS.
Do Arquivo Histórico de Portugal – Tomo I – 1899 – Pág. 117
Foto(s): http://clubevinhosportugueses.wordpress.com/2014/04/04/vila-de-arraiolos/

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Apodo de Alter do Chão, onde a terra é plana e de muita história

ALTER DO CHÃO – Como esta vila vai comemorar os 750 anos, do primeiro foral que lhe foi concedido, a revista “A Cidade” achou por bem associar-se às comemorações, consagrando-lhe este número. Aqui deixo também o meu modesto contributo, escrevendo umas palavras concernentes ao apodo aplicado aos alterenses, que talvez para alguns seja desconhecido. Eu aqui, apenas, limito-me a recordá-lo e nada mais.
- MULATOS – Aplicam este apodo aos alterenses, acrescentando de Alter.
- Da pequenina e interessante e interessante monografia – Alter do Chão (Uma das vilas mais interessantes do Alentejo) – conferência na Casa do Alentejo, em Lisboa, em 18 de Novembro de 1940, proferida pelo Dr. Rafael Salinas Calado, e publicada em 1944, transcrevo o seguinte, da pág. 18:
“Não consegui averiguar a origem pejorativa e sem razão de ser a designação de MULATOS DE ALTER, aos homens da minha terra.
Gama Lobo, aí também por 1860, publicou em A Voz do Alentejo um artigo que explicava a razão do apodo, mas a citação usada do jornal, na Biblioteca Transtagana, e a morte do seu compilador, o trabalhador incansável António José Torres de Carvalho, impediram-me de obter os esclarecimentos de que precisava a este respeito.
MULATOS é coisa que lá não existe, agora trigueiros e às vezes bem carregados, como eu, há-os por lá e muitos, sem que essa circunstância constitua, talvez, aleijão, como poderão ver, por esta quadra de dança das saias, que as raparigas do meu tempo cantavam lá então:
Andas morta por saber
Quem é o meu ramalhete
É um rapaz Trigueirinho
Vestido de azul ferrete.
Isto sempre é uma consolação para as pessoas a quem Deus Nosso Senhor deitou a este mundo um poucochinho mais carregado de cor.
Da pág. 17 da aludida conferência transcrevo o seguinte respeitante ao modo de dizer, muito usual em Alter do Chão:
À unha, Gente de Alter! – Um dos seus divertimentos é a tourada, onde se atira para a cabeça dos bois sem medo e com denodo. Quantas vezes, ouvi o grito: “À unha, gente de Alter!”.
Ao investigar diversos números de A Voz do Alentejo existentes na Biblioteca Municipal de Elvas, encontrei a razão do apodo “MULATOS” aplicado aos habitantes de Alter do Chão, no artigo intitulado – Motivo por que chamam aos alterenses, “Mulatos de Alter do Chão”, da autoria de Manuel de Gama Lobo, inserto nas págs. 3 e 4 do n.º 30, de 11 de Julho de 1860, que passo a transcrever, usando a ortografia de hoje:
“Decorrido o mês de Agosto da era cristã do ano de 1382, EL-REI D. Pedro, o Justiceiro, andava em correição pelas terras dos seus reinos; chegou à viçosa e encantadora vila de Alter do Chão. Alojaram-no numas casas, cujas janelas ficavam defronte de uma perene fonte. Deu um banquete aos fidalgos da sua comitiva, como tinha por costume, e depois despediu-os: Era noite. D. Pedro puxa um escabelo para junto de uma janela, assenta-se nele, firma um dos cotovelos no parapeito e encosta a face na mão e assim fica pensativo a meditar por muito tempo.

Foto: Paulo Moreira, http://retratosdeportugal.blogspot.pt/2011/04/alter-do-chao-largo-dr-joao-pestana-e.html
Tira-o deste letargo uma mui algazarra. Eram mulheres que se chamavam reciprocamente os nomes das festas.
O primeiro intento foi ir à fonte e tirar do cinto o açoute com que tinha açoutado o bispo do Porto, e ir açoutar por sua própria mão todo aquele mulherio infame, mas manteve-se; continuou a algazarra; e a coisa tomava incremento e já quase ia a passar a vias de facto quando uma diz para a outra – “Anda, velhaca: tu sempre hás-de ser Maria Rousada
Nesse tempo, o nome de rousada não era lá das melhores coisas por ser pouco honroso. D. Pedro, que isto ouviu, em continente, mandou chamar a mulher e pergunta-lhe por que lhe chamam tal nome. A mulher cora de vergonha, acanha-se, mas finalmente confessa que passando por umas vinhas, seu marido abusava da sua fraqueza e a forçara; mas que depois tinha casado com ela e viviam muito satisfeitos.
Não importa, diz o rei, cheio de cólera – foi um crime atroz! Seja já e já enforcado, pois desonrou uma donzela indefesa! A mulher pede, roga, suplica de mãos postas e acaba desmaiando. O marido foi imediatamente enforcado!...
- “Hei-de ensinar este povo desmoralizador e devasso! Eu o mandarei castigar” – dizia o rei, cheio de cólera, batendo com o punho no dofete.
Em seguida, mandou para Alter do Chão, imensidade de pretos, cada um com seu açoute, autorizados para zurzir todo aquele que escorregasse um pé. Os pretos familiarizaram-se com a gente da terra. Algumas mulheres da plebe, de boa boca e melhor aceitar casaram com eles, tiveram filhos, MULATOS.
Os habitantes das terras circunvizinhas, quando iam, por qualquer motivo a Alter do Chão, vendo alguns Mulatinhos, principiaram a chamar aos alterenses, MULATOS DE ALTER DO CHÃO, alcunha que hoje ainda têm os alterenses.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

sábado, 8 de novembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Aljustrel, Minas de Aljustrel, a uma a duas Tábua de Bronze do romano

 
Portugal Romano com Decebal Desimir Vleja
A notável tábua de bronze das minas de Aljustrel, descoberta nas antigas escombreiras romanas da mina, contendo legislação mineira vigente naquela exploração, estipulando as obrigações a que tanto pessoas individuais, como os estabelecimentos ali existentes, eram obrigadas.
Pode visitar na sala de Arqueologia do Museu Geológico em Lisboa.
 
Aqui foram encontrados, em vários pontos do concelho, vestígios da época romana, em especial ligados à exploração mineira. (…) A vila de Aljustrel é sobretudo conhecida pelas suas minas, exploradas já pelos romanos desde o séc. I. Estas minas possuem diversos filões de pirite complexa, sendo os mais antigos os de Algares e de São João do Deserto e os mais recentes os de Feitais e do Moinho.
A ocupação humana deste local data de há 5.000 anos, durante a Idade do Cobre, conforme está comprovado pelos materiais arqueológicos recolhidos no Castelo. Desde aí nunca mais este território ficou desabitado, contudo, é durante o período romano que a sua ocupação sofreu um grande incremento, com o aproveitamento em larga escala dos seus recursos mineiros, donde era estraído além do cobre, a prata eo ouro.
Em 1876 é descoberta a 1.ª Tábua de Bronze com a parte da legislação mineira romana. Este achado, que foi estudado pelos mais conceituosos investigadores nacionais e estrangeiros, referia a existência do couto mineiro Mettalum Vipascencis. Posteriormente, em 1906 foi encontrada uma 2.ª Tábua de Bronze que veio complementar alguma informação legeslativa, no entanto, a legislação continua incompleta uma vez que falta uma 3.ª Tábua. (…)
Fonte: Dicionário Enciclopédico das Freguesias
Mas calma meus amigos do mundo mas calma, citando ele o Dicionário que atrás o referido, compadre apenas quis mostrar que não é uma, mas sim lá duas. Ele está a dizer que assim o pensa. E assim ele o escrevia numa das páginas do Facebook, assim daquelas que fala e escreve Alentejo.