domingo, 28 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, Apodo de Castelo de Vide, Sintra do Alentejo terra de cardadores

CARDADORES – O saudoso investigador e historiador Dr. Possidónio Mateus Laranjo Coelho, em Os Cardadores de Castelo de Vide, incluído na Terra Alta (Antologia de Castelo de Vide)prefácio – mes compadres e que minhas comadres – do ilustre académico Joaquim Leitão, organizada e editada por João António Gordo, Lisboa, 1935, págs. 61 e 62, escreve sobre o apodo CARDADORES o seguinte:
“E muito antiga em Portalegre, e em algumas terras situadas na área do seu distrito, a indústria de lanifícios e teares caseiros, como atestam e comprovam as referências que acerca desta indústria temos visto nos mais velhos diplomas e nas mais autênticas fontes de história da antiga região de Odiana: os forais, as inquisições e os livros dos tombos dos seus municípios.
Depois da capital do distrito, onde a indústria de fiação e tecelagem de lá adquiriu, porém, mais notável progresso e desenvolvimento foi, sem dúvida, na populosa e pitoresca vila de Castelo de Vide, cujos habitantes mereceram por isso epíteto de Cardadores.
Foto: Luis Pires Simäo. https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/10153056496825757/?comment_id=10153056527965757&notif_t=group_comment_reply
Este epíteto – assim mes compadres e minhas comadres que estou vos assim dizendo – que a tradição recolheu e vem trazendo dos mais remotos tempos da história da nacionalidade, teve origem na indústria de CARDAR a lá nos simples e primitivos CARDAS ou CARDUÇAS.
Já no Cancioneiro Regional – pois assim mes compadres e minhas comadres – tão abundante – pois vos estou dizendo – e onde nitidamente se reflecte a imaginação viva e facilidade de improvisar tão comum aos alentejanos e às populações do sul do País mais directamente influenciados pelos – compadres – árabes, nos aparece a designação de CARDADORES aplicada ao habitantes da formosa vila, aos castelovidenses. Assim, diz a trova:
Não quero Castelo de vide
Que é terra de CARDADORES
Quero a cidade de Elvas
Onde tenho os meus amores
Foto: Carlos Simão, https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/
O mesmo escritor, no seu curioso livrinho Marvão – Elucidário breve de uma visita a esta vila – Lisboa, 1946, págs. 10 e 11, escreve, - o compadre lá escreve -:
“A indústria de lanifícios e dos teares caseiros medrou, com maior ou menor incremento nas três povoações de Portalegre, Castelo de vide e Marvão. Como o atestam, entre outros vestígios, o nome de CARDADORES, dado aos habitantes de Castelo de Vide, em documento registado na Chancelaria real de D. João III.
ESPALMADOS - Vi já não sei onde que os castelovidenses também eram apodados de ESPALMADOS, mas até hoje não consegui saber a razão de tal apodo.
TERRA DO BONECO – Só burlescamente pode ser alcunhada a viçosa vila de Castelo de vide pela – TERRA DO BONECO.
Ouvi dizer que tal designação é por lá ter a estátua de D. Pedro V. A meu ver – compadre que termina -, é até uma honra possuir a estátua desse rei numa praça com o seu nome.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Coreto de Alpalhão, porta de ditosa vila que aberta de par em par

 

Foto: Largo do Coreto, http://4.bp.blogspot.com/_QCsVx7QrrCA/SwXdPY2zszI/AAAAAAAAADw/sMsg-MKFQUk/s1600/CIMG6110.JPG
No período inicial do Estado Novo - minhas comadres e que mes compadres - foi erguido em Alpalhão, este coreto de planta hexagonal com 3m de lado e a de 1,70m do solo, em pleno Largo Dr. António Alves da Costa, junto à Casa do Povo, sem qualquer herborização próximo, o que o torna perfeitamente visível.
Passemos então à sua construção: alvenaria de pedra e cal, pavimento de argamassa de cimento e cobertura de chapa ondulada, com estrutura em ferro e cimalha da cobertura em chapa.
Não tem acesso próprio, é electrificado e está em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.
 
 
 

 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, a Chança, Alter do Chão, Ponte dos Mendes, divindade mitológica patronímico lá ficou

 
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão
Ponte dos Mendes mês compadres e minhas comadres, ergue-se ela sobre a Ribeira de Alfeijó, na Herdade da Ferraria, aldeia de Chança, terras de Alter do Chão. Embora – pois assim mês compadres - esteja localizada na região que, segundo uma lenda local, teria sido visitada pelo Imperador Adriano durante a sua estadia na Lusitânia (razão pela qual a via que conduz à vizinha ponte romana de Vila Formosa se designa Via Adriana), e sendo possível que as suas fundações datem do período romano, o aparelho arquitectónico visível parece indicar que esta pequena ponte data com mais probabilidade da época medieval.
Ponte dos Mendes trata-se de uma ponte integralmente construída em aparelho de xisto, de dois arcos redondos, com um talha-mar central encimado por um pequeno vão igualmente rematado em arco redondo.
O tabuleiro – pois assim compadres - é estreito. Possui ele, guardas baixas com frestas dispostas ao nível do solo.
A Ponte dos Mendes faz assim parte do projecto Via Hadriana, que agrega diversos núcleos integrados num circuito turístico entre a cidade romana de Abelterium (Alter do Chão) e a ponte romana de Vila Formosa, indo até à villa romana da Quinta do Pião.
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Portalegre, a Fonte da Boneca, a fotografia que o boneco não lhe ficou

 
As Imagens que estás vendo que mes compadres e minhas comadres, 16 de Julho de 2009 foram roubadas e depois recuperadas pela PJ em parceria com a Guardia Civil de Espanha, na região sul de Espanha, elas que lá regressaram a esta fonte, a doce seu lar, a 19 de Março de 2010. Assim que lá foi uma viagem vadia para estes dois Elfos que depois lá esgotados a casa sua regressaram.
Sua construção foi na cidade de Portalegre no ano de 1894. Sua história anais que reza, a do seu nascimento, foi ela que construída para receber soberano rei e senhor, o D. Carlos I. A verdade pois que vos diga, mes compadres e minhas comadres, na grande história longa deste Alentejo, a verdade sabeis, o soberano que nunca lá apareceu.
Foto: O Bicho, http://fotociclista.blogspot.pt/2010/07/fonte-542.html
Assim numa ligeira pois para terminar mês compadres e minhas comadres, Fonte da Boneca teve o risco e o talho da Firma Germano José Salles e Filhos, de Lisboa. Foi talhada em lioz pelos artistas e ela apresenta um estilo neoclássico.

Bom Dia Alentejo, Cruzeiro, O Cruzeiro de Tolosa

 
Tolosa que nos últimos anos tem progredido apreciàvelmente, não podia ficar indiferente ao brado vibrante do Sr. P.e Moreira das Neves, o laureado Jornalista-Poeta.
E assim, os organismos locais da Acção Católica (JOC e JACF) abriram a uma subscrição pública para a erecção do Cruzeiro da Independência no Largo. Junto da Matriz.
No plinto, lê-se, entre outras, esta inscrição: "Aos Heróis da Pátria Cristã, os Organismos de Acção Católica Tolosa 1940".
E vê-se o Escudo Nacional (actual).
 
Cerca das 15 horas do dia de Natal, eram recebidos à entrada da freguesia, com música e
foguetes, os Srs. P.e Sebastião Martins Alves, digno Arcipreste e dr. José Rasquilho de barros, ilustre presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, com representação do Sr. Administrador do concelho
Acompanhavam-nos os distintos tolosenses Srs. drs. João e Carlos Telo Gonçalves. Organizou-se em seguida o cortejo. descerrada a Cruz, que a Bandeira Nacional envolvida, pelo Sr. Dr. R. de Barros - o Rev.do Pároco, Sr. P.e Fernando Proença saraiva, benzeu solenemente o Cruzeiro.

Constituida a Mesa, iniciou-se a sessão solene a que presidiu o Sr. Dr. Barros, secretariado pelo Rev.do Sr. Arcipreste que discursavam, e pelo Srs. Prof. Álvaro da Luz Biscaia e José António Brás, pela Junta da Paróquia. Usaram também da palavra os Srs P.e Fernando Saraiva, e Prof. Baptista Camilo.
A Filarmónica de Tolosa associou-se à solenidade tendo tocado o Hino Nacional e o da restauração. Ouviram-se calorosas vivas ao Cristo-Rei, à Santa Igreja, à Pátria, a Carmona e Salazar, etc., enquanto os foguetes estralejavam.
Os organismos de A.C. e as crianças das escolas declamavam o côro Falado Cruzeiros de Portugal, que foi muito aplaudido, e a menina Maria Lurdes Enes de Oliveira uma poesia...
Fonte: Jornal "O Distrito de Portalegre", 8 de Março de 1941

 
 
 
 
 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Arez, Topónimo de Arez, terra alentejana de muita bons ares


" I - De Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal Vol. I - Pág. 238: "Querem alguns que o nome que lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui".

II - De Domingo Ilustrado - Vol. III - 1898 - Pág. 523: "Provém-lhe o nome dos bons, puros e salutíferos ares que nela se desfrutam".

III - De Informação Particular de 1941, do Dr. Joaquim da Silveira: " No foral de Marvão de 1226, fala-se já "come de Ares" (- ês). Creio ser um topónimo estrangeiro importado por ocasião do repovoamento e colonização do Alentejo. Em Espanha há Arés nas províncias de Alicante e Lérida, Arés del Maestre na de Castellon de la Plana. Em Itália há Arese (Milão).
Outros topónimos italianos e espanhóis para cá foram transplantados.
A ortografia oficial manda grafar com Z e não S, o topónimo citado, mas pela explicação do erudito toponimista deveria ser escrito com S".

IV - Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Vol. XXXVIII - Apêndice - Pág. 514:

"O Topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia), e é de crer que se relacione com o nome comum Arentius, de acordo com os vestígios de romanização na região de Nisa, especialmente Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ".

V - De Esboço Monográfico de Arez - Povoação do Concelho de Nisa - Algumas notas para um bosqueio etnográfico de cariz económico - social em ordem ao estudo de um território denominado por antonomásia, região das areias no Alentejo Alto (Relatório de Estágio pelo médico-veterinário Dr. José Fazendas Louro Chambel, Lisboa - 1972 - Págs. 28/31).

Passo agora a transcrever as palavras do referido livro respeitantes à etimologia de AREZ.
"AREZ, (ou ARES) é uma povoação do concelho de Nisa, situada a 7,5 Kms desta vila para Oeste; dista 10 Kms da estação de Vale do Peso, no ramal de Cáceres; 40 kms de Portalegre, sede de distrito e 11 Kms do Tejo (Barca d´Amieira).
De prosaica aparência, pouco tem de notável a olhos turistas e desprevenidos. Como tantos outros aglomerados populacionais de porção norte do Alentejo, passará facilmente despercebida, sobretudo a quem cruzar velozmente, de motor nervoso e roncante em busca de melhor poiso para o ócio e outros afazeres.
A aldeia é cindida, a meio, por uma importante estrada, baldeando a toda a hora um substancial movimento rodoviário de Lisboa, Ribatejo e Alentejo para as Beiras e vice-versa, o que lhe confere uma falsa representação de progresso, aliás, um pouco à guisa de Tântalo: vendo-o, quase nada usufrue dele; servindo, jaz des-servida, apenas uma fugaz afora ruídos impertinentes e fumos fedorentos que mal presumo - serão em tudo nada toxígeneos.
Mas no arrepio do progresso, retrogrademos todavia ao longe do tempo e, não recusando o braço à fantasia, mergulhemos nas incomensuráveis e nublosas regiões da História e da Lenda, perscrutando "à vol d´oiseau" o que a nossa curiosidade pode encontrar...

Donde proveio o nome desta antiga povoação? Quais as suas origens? Que testemunhos do passado existem que comprovem a asserção da sua alta antiguidade?Comecemos por apresentar uma lista de nomes e apelidos, usados desde os nossos mais remotos avoengos, qu, de algum modo, nos parece interessante relacionar com o topónimo AREZ. No que concerne à legitimidade desta conexão, que os filologistas nos revelam o descaro.

Foto: http://stelalecocq.blogspot.pt/p/oracoes.html
- ARIAS, hoje AIRES, bastante usado em documentos antigos (existe aqui, um tema germânico: ar -).
- Airam (séc. XII) hoje Airão, de Ariani.
- AREZ (nome judeu) in Gil Vicente (Diálogo de luus tres judeos e dous centurios sobre ressureyção.
- Araos.                          
- Araos.
- Araes
- Arones (de Áron).
- Aruncio.
- Aro (cercania da povoação) - do lat. aruum - campo de lavradio.
- Ares - Marte "...sacrificavam (os lusitanos) um bode a Ares e os prisioneiros e cavalo"Estrabão".
- Arebtius - deus Arencio.
- Ario - outras formas: Arius, Areus.
- Ariz -
- Arrezo (cidade da Toscana)
- Ares - topónimo (concelho de Ponte da Barca).
- AREZ- antiga cidade da Lusitânia (perto de Alcácer do Sal).
- Aires - lugar histórico romano ARENTIS (Torres d`Ares) - Algarve).
- Arez - árabe, existe um lugar em Gaza (Médio Oriente).
- Aires - apelido e nome de lugar; abunda no Alentejo
- Que bases haverá o Abade Augusto Ferreira para derivar AREZ de Aresius, ii -  Aresio (nome de um santo)? Ou, simplesmente, "...o nome lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui"?
Contudo "não deve haver dúvida de que o povoamento do território desta freguesia deve ascender, não apenas a antes do séc. XII, isto é, à denominação arábica efectiva, mas às referidas épocas (pré-romanas e da romanização). Talvez se relacione com elas o velho topónimo AREZ, talvez arabicamente influenciado... O topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia) e é de crer se relaciona com o nome romano Arentis, de acordo com os vestígios de Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ. Sem pretendermos aventurar-nos nas areias movediças da hipótese, não queremos deixar de referir alguma coisa do que se sabe (ou se julga saber) sobre Aritium ou Arício, misteriosa e importante cidade romana, de cuja a notícia os autores têm encontradas notícias, e "há a mencionar uma povoação que nos textos e numa inscrição romana é designada pelo nome de Aritium Vetus situada, segundo parece na margem esquerda do Tejo.
Em 1659 foi achada, em Alvega, uma placa de bronze, onde se gravou em latim, o juramento prestado ao imperador Calígua pelos habitantes de Aritium Vetus. A placa desapareceu e apenas ficaram cópias da inscrição. Apresentava quatro orifícios, um em cada ângulo, pelo que se presume, deveria estar aposta em edifício ou sítio público.
Dadas as suas diminutas dimensões (1X25 palmos) e o facto de ter sido encontrado "...em uma ribeira próxima", não prova suficiência, suposição de Jorge Cardoso, que a localizava em Alveza.
Todavia, parece que existiu outra cidade designada por Aritum Praeetorium.
Não são unânimes os historiadores e Aritum figura como tendo existido em vários locais: Abrantes, Benavente, Etc"
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Nisa e suas Freguesias Rurais
 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Marvão, Menir dos Pombais, a uma forma fálica de uma procura

 
Situa-se junto à estrada que liga Santo António das Areias à Beirã, passando pela Herdade dos Pombais. Depois de se passar o monte desta herdade, à direita da estrada, no topo de uma elevação descobre-se este menir. Este menir foi obtido a partir de um afloramento granítico natural. O afloramento terá sido trabalhado, na parte superior, por forma a que se obtivesse uma forma fálica. Este menir insere-se na área de um habitat pré-histórico atribuível ao Calcolítico. Apresenta uma altura superior a 3 metros.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Flor da Rosa, a Lenda de Flor da Rosa, Rosa que de amor ao amado morreu

 
Havia em tempos muitos antigos um pequeno lugarejo, onde vivia um cavaleiro de nome ilustre, muito estimado por fidalgos e povo. Ora este cavaleiro adoeceu gravemente e soube-se que poucos dias lhe restavam. Como era muito estimado, iam-lhe levar presentes. Entre as pessoas que o visitavam, uma chamada Rosa levou-lhe uma flor do seu nome. Foi para o cavaleiro a melhor visita e a mais bela prenda, pois ROSA era sua noiva. Todas as pessoas esperaram a morte do cavaleiro, mas o destino é por vezes traiçoeiro e foi ROSA que morreu, tendo-se ele salvo. Desde esse dia, o cavaleiro era muitas vezes encontrado a chorar junto da campa da sua noiva. Então os desgostos matam-no. Mas nos últimos momentos da vida faz dois pedidos: Queria que a flor que ROSA lhe oferecera o acompanhasse à sepultura e que fosse dado àquele lugar o nome de FLOR DA ROSA em homenagem à sua amada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fonte Valeriana, fotos e textos Vale de Peso

 

FONTE VALERIANA

Mandada fazer por Eusébio Valeriano de Mattos em 1876
CORRE ÁGUA POR UMA TELHA
FARTE-SE A CABRA, O BOI E A OVELHA...
E TAMBÉM TU Ó PASSAGEIRO
BEBE QUE ESTÁS PRIMEIRO

Esta fonte situa-se no antigo Caminho que levava os peregrinos, vindos de Cadiz, para Santiago de Compostela.

Pertence ainda à freguesia de Vale do Peso, perto da antiga povoação de "Pé-do-Rôdo", num monte que tradicionalmente tem sido agricultivado por alpalhoeiros, ganhando sucessivamente o nome do titular do momento: "Monte Valeriano", "Monte da Sra Olimpia" e agora "Monte do António Calhaço", mas permanecendo sempre o topónimo de "Monte do Rôdo".

Mais à frente, já na Freguesia de Alpalhão, receberia o outro Caminho vindo do sul, do litoral alentejano, formando um só, que subia para a Galiza.
Ver mais
 

Joé Caldeira Martins, texto e fotos https://www.facebook.com/jose.caldeiramartins?fref=ts

Bom Dia Alentejo, Avis, Apodo de Avis, terra do sapateiro e que do carpinteiro, o carpinteiro que foi juiz

 
FRACA JUSTIÇA DE AVIS – a propósito deste apodo, - mês compadres e que minhas comadres – contam – campónios em ditosa terra alentejana - a seguinte historieta: Há muito tempo, ouve em Avis dois operários, um carpinteiro e um sapateiro, amigos inseparáveis, muito bons homenzinhos.
O sapateiro – sabeis assim amigos meus do mundo – era quase analfabeto e o carpinteiro tinha umas luzes. – Assim, que eu estou a dizer a vossemecês – por ocasião de dificuldades em arranjar Presidente da Câmara, foi nomeado para tal cargo o amigo carpinteiro precisamente quando o juiz, que numa altura havia em Avis, estava de licença e era o Presidente da Câmara que por lei o devia substituir.
Entre os casos que o nosso amigo carpinteiro teve de julgar, sucedeu ser um do amigo sapateiro e teve de condená-lo em boa pena. Ao fazê-lo, tomou o pau inerente do cargo que desempenhava e perguntou sobranceiramente:
“O réu tem alguma coisa a alegar em sua defesa?” – Este respondeu-lhe – “Esteve V. Exa., senhor Doutor Juiz, tanto tempo “aplainar” a sua consciência para dizer tal sentença!”
Antigamente – compadres meus e minhas comadres – para aquém do Tejo, a região estava dividida em quatro circunscrições judiciais, sendo a de S. Bento de Avis, uma das maiores, que ia desde Coruche até Elvas. Por essa razão, muitas vezes os casos eram julgados muito à priori acarretando com isso muitos erros judiciários, razão por que empregam a frase Fraca JUSTIÇA DE… conforme a circunscrição a que pertenciam.
Esta informação – assim continua amigos meus do mundo, o compadre Alexandre de Carvalho Costa, aqui das terras de Alagoa no norte alentejano – foi-me amavelmente prestada pelo meu amigo António Fialho Sequeira Bugalho, residente na freguesia do Ervedal, concelho de Avis, aqui há uns bons trinta anos, deixando aqui publicamente, os meus sinceros agradecimentos.
- Assim e depois para terminar mes compadres e que minhas compadres, o referido -, também apodam-se os de Avis de CÃES e costumam proferir – AVIS É TERRA QUE DEUS NÃO QUIS – e eu como o ele o digo – isto apenas por causa da rima e não por outra coisa – estou certo disso.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre