terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, a terra de Vendas Novas, o Moinho de Vendas , o passageiro que a rodar

 

Moinho de vento típico da tipologia portuguesa da idade média. Único exemplar conhecido no concelho de Vendas Novas. Presume-se compadres e minhas comadres, que ele seja do séc. XIX.
É composto pois compadres, por um aparelho motor, o velame e um mastro com engrenagem que assegura a rotação das mós. A torre é em alvenaria com o capelo (telhado) rotativo e um sarilho no seu interior, dispositivo que funciona como um volante…

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Mourão, as Chaminés de Mourão, a tocar sinfonia que a olhar o céu

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma das grandes riquezas patrimoniais da vila de Mourão são as dezenas de chaminés mouriscas que lhe permitem apresentar uma arquitectura urbana bastante singular e distinta das povoações vizinhas.
No "Inventário Artístico do Distrito de Évora", Túlio Espanca chama-lhes "pitorescas chaminés de fuga cilíndrica", assinala a sua edificação nas construções civis de feição popular e sublinha o seu carácter "'absolutamente diferenciado das do Alto Alentejo" aproximando-se mais das tradicionais chaminés algarvias.
A origem árabe destas chaminés assenta na tradição popular não existindo qualquer fonte histórica que o permita confirmar.
Os desenhos panorâmicos de Mourão publicados no “Livro das Fortalezas” de Duarte de Armas, no início do século XVI, não nos mostram qualquer chaminé com estas características o que, em todo o caso, poderá apenas significar que estas construções não mereceram a atenção do autor. Independentemente da sua origem, a paisagem urbana de Mourão é hoje marcada por estas 'chaminés cilíndricas, as maiores das quais com três metros de altura e um diâmetro de um metro, outras um pouco menos imponentes.
“Pode afirmar-se que o seu tamanho era também uma representação do estatuto social de quem a mandava edificar. Ainda hoje se vêm em Mourão duas chaminés numa mesma casa, uma casa abastada para a época", aponta Regina Branco na âmbito de um trabalho efectuado no Departamento de História da Universidade de Évora.
Por regra, a chaminé, cuja abóbada era construída em ladrilhos de barro unidos com cal e gesso, ocupava um lugar de relevo no interior da habitação. Situada geralmente na entrada da casa, a sua grande dimensão permitia-lhe outras funções para além das habituais, sendo um espaço de convívio entre os moradores e um local adequado para receber os visitantes.
Fonte: jf-mourao.pt/a-freguesia/patrimonio


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, as Carvorias, a comer Feijão Preto, com toucinho e pouco mais

 
 
O meu pai, que na sua juventude também tirou cortiça e fez carvoarias por esse Alentejo além, como a maior parte das pessoas da sua geração, contava-me que as frugais refeições tomadas durante os longos períodos que os comendenses passavam fora de casa, para executar essas rudes tarefas e ganhar o pão de cada dia, eram, essencialmente, compostas por uma pratada de feijão frade cozido acompanhada por umas talhadas de toucinho frito. Ritual que se repetia, no dizer do meu progenitor, três vezes por dia, durante semanas a fios.
 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Sarapatel, Sopas de Sarapatel, ai vai vai

Mas falemos do sarapatel, compadres e minhas comadres, mas falemos do sarapatel, do genuíno prato da região alentejana, ai ele feito com o pão caseiro, com a carne, as vísceras e o sangue de borregos criados, ai criados nos nossos campos alentejanos. Ai mas eu vos o diga, que bom e belo que assim muita saboroso…
O primeiro cuidado a ter na pré-preparação do sarapatel, tem a ver, compadres e minhas comadres, obviamente, com a escolha do borreguinho (refira-se que há quem o prepare, sem desvantagem, com cabrito), ao qual vamos extrair os elementos cárnicos adequados à execução do pitéu; que, regra geral, se cozinha para largo número de comensais, já que o sarapatel é um prato convivial, um prato de festa.
Dizíamos, pois, que o anho (ou o cabrito) tem de ser um animal saudável e bem nutrido. Depois da matança, esquarteja-se o bicho, separando os nacos nobres (que se utilizarão noutros pratos) daqueles que vamos utilizar no sarapatel: as partes mais gordas da barriga, as costelas, a fressura, o fígado, o coração, além, naturalmente, do sangue.
 

O sangue é cozido à parte (com um pouco de sal) e reserva-se. Depois (ou ao mesmo tempo) faz-se, num tacho grande, um refogado tradicional com azeite, sal, cebola, alho, louro, colorau, salsa, picante e um copinho de vinho branco. Os ingredientes aqui mencionados entram no preparado em proporções que até a mais inábil cozinheira conhece.
Quando compadres e minhas comadres, tudo isto começa a aloirar, adiciona-se a carne, mais as vísceras seleccionadas, além do sangue cozido esfarelafo. Rectifica-se de sal. Deixa-se cozer –em lume brando- o tempo necessário, juntando água (tépida, de preferência) em quantidade razoável e prova-se; até que, finalmente, o cheiro e sabor nos indique que o divinal caldo (mais a carne que lhe dá consistência) está pronto para regar as fatias de pão que, entretanto, havíamos cortado e colocado numa travessa de tamanho adequado. Enfeita-se com raminhos de hortelã.
O sarapatel, pois se pedindo a vossemecês compadres e minhas comadres, pois se pedindo, deverá ser sempre acompanhado, preferencialmente, com vinho tinto da região alentejana, que, como todos sabeis, é mesmo muita bom.
Fonte: Manuel Monteiro da Silva

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Montargil, Topónimo de Montargil, a terra dos três forais


Sobre a origem do nome Montargil existem várias versões todas elas credíveis:
 
a)      Montargis, pelo facto do Alentejo ter sido povoado pelos nossos primeiros reis, que para o efeito deram muitas terras aos cruzados que passavam pelo nosso país. Existindo em França uma cidade chamada Montargis, e sendo alguns desses Cruzados naturais desta região francesa é de presumir que um desses aventureiros fosse de Montargis e por ser senhor desta povoação ou simplesmente morador dela, impusesse o nome a esta vila. Esta versão é credível, uma vez que nas proximidades desta vila, em Montalvo do sor estabeleceu-se uma colónia de francos.
b)      Monte Argila , visto a constituição geológica do terreno em que assenta ser de barro.
c)      Monte Argel, significando Monte do Infeliz, porque Argel significava infeliz. (pouco provável)

Hipótese A
O nome de Montargil conduz a fundação da vila não ao tempo de D. Dinis, mas ao tempo de D. Sancho I I. Este rei faz a doação de Montalvo do Sor aos francos, anterior à fundação enquanto localidade ( 1223 -1245). Esta doação surge na sequência da preciosa ajuda que os cruzados de Montargis haviam dado na reconquista cristã. O objectivo da doação, a julgar pelas outras feitas seria não só recompensar os cruzados como manté-los nas terras doadas defendendo esta terra de possíveis ataques mouros, que nesta época eram uma constante.
 
Entrando no domínio da especulação, podemos mesmo admitir que a terra doada por D. Sancho II aos francos iria da zona de Montalvo do Sor até à região mais tarde denominada de Montargil. Sendo esta última a zona mais elevada, era sem dúvida o local indicado para erguer uma castela, local que já tinha sido utilizado por povos anteriores.
Hipótese B
Algo que nos possa intrigar é o facto de desde o século XV o Montargil aparece sempre referido não como Montarguis, mas monte arguil, o que nos leva a aceitar a versão de monte argila.
Montargil viu-lhe ser concedidos três forais: o primeiro em 1277 por D. Dinis, o segundo em 1372 por D. Fernando e o terceiro, já por um rei da segunda dinastia, D. Manuel I em 1518.
Montargil foi sede de concelho, daí terem-lhe sido outorgadas três forais. Esta posição de sede manteve-se até 1836. Nesta data, Montargil sofreu mudanças administrativas. Deixou de pertencer ao Ribatejo, onde pertencia desde a sua fundação. Desmembrada da província ribatejana foi integrada no concelho de Avis, a partir desta data perdeu o estatuto de concelho e passou a freguesia, o qual mantém até hoje. Só mais tarde em 1871 passou a fazer parte do concelho de Ponte de Sor.
Fonte: Pedro Cerîaco, "ebimontargil.drealentejo.pt"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, a Santiago Maior, o Contrabando, a uma freguesia de Alandroal


A freguesia de Santiago Maior, o concelho e toda a região em geral, viveram sempre uma situação agreste, muito desprotegida a todos os níveis. Zona com bastante população onde predominava a fome, miséria e o desemprego. Vivia-se com dificuldades económicas, muitas vezes quem suportava toda esta crise era o pequeno comércio através do "fiado". Ou se era trabalhador rural ou em alternativa, dada a situação geográfica propícia, se praticava contrabando "não profissional", sujeitando-se ao martírio e calvário das cargas e principalmente do risco da própria vida.
Era uma tarefa ingrata, praticada normalmente de noite, por caminhos e atalhos, por meio de matos, arrífes e caminhos mais pedregosos, mais ocultos e possíveis de esconderijo, com travessia do Rio Guadiana, a nado ou de barca, afim de conseguirem ludibriar a tenebrosa Guarda Civil espanhola ou a nossa Guarda Fiscal.
É certo que qualquer autoridade ou a GNR poderiam intervir, apreendendo, prendendo ou autuando, mas o maior medo e de que mais se precaviam era da passagem da fronteira. Contrabandistas houve, que em locais mais recatados se esconderam para não serem detectados, estando vários dias sem comer nem beber, aguardando que as autoridades de cá e do lado de lá da fronteira se afastassem para outra zona, só então seguindo caminhada com o fardo de contrabando às costas. Por vezes, neste jogo de gato e rato, os guardas faziam "negaças"
A maior intensidade de contrabando aconteceu desde a década de trinta e estendeu-se até à década de sessenta. A Guerra Civil de Espanha, a 2º Guerra Mundial e a miséria em que o povo do Alentejo vivia, intensificaram esta ílícita actividade, em busca de meios de sobrevivência. O contrabando integrava homens de qualquer idade, bastava terem bom fisíco, serem possantes, não medrosos, nem tímidos e capazes de enfrentar as maiores adversidades ao longo dos percursos, para não largarem a carga de qualquer maneira, só fazendo após grande perseguição.


Esta actividade assegurava um esquema de comércio informal e de economia paralela, afectuando a permuta clandestina de produtos e géneros que escasseavam, ora num ora noutro lado da fronteira. Embora de natureza diferente, havia carências de ambos lados da raia.
Para Espanha, para além do tabaco, açúcar e café, no tempo da guerra com carência de tudo, levavam pão, farinha, enchidos, e tudo o que fosse comestível. O contrabando mais apetecido foi o café e tabaco dado a sua qualidade quando comparado com o espanhol. Para Portugal calçado, alpercatas de corda, roupas, lenços da cabeça, garridos, leques, perfumes, bebidas espirituosas, sedas, navalhas de barba, isqueiros e inclusivé medicamnetos, além de outros em maior escala como era a bombazina de excelente qualidade.
Era uma actividade cheia de riscos: o abandono das cargas com o receio de serem apanhados e que por vezes se tornava realidade; a prisão, cá ou lá, forçando-os a confessar tudo o que sabiam sobre o contrabando; os ferimentos ou mesmo a morte, quando baleados pelos guardas; o afogamento, nas travessias do Guadiana, efectuadas durante noites sem luar em que as condições do rio não eram devidamente avaliadas; a tortura em Espanha quando lá encarcerados.
Quando escondidos nos cerros, por vezes eram detectados e obrigados a fugir, normalmente já tinham a carga de tal modo escondida que, apesar das autoridades revolverem matagais,covis e esconderijos, nem sempre encontravam o material. Após afastamento dos guardas, os contrabandistas voltavam ao local, para se certificarem se a sua carga tinha sido descoberta. Foi assim uma difícil forma de sobrevivência.
  Fonte: Memórias do contrabando - Manuel Inácio Cotovio, 2006

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Bom Dia Alentejo, os moinhos da Barca, as terras de Moura, moinhos aparecem e depois vão embora

 
Foto: cm-moura.PT

A construção das barragens de Alqueva e do Pedrógão trouxeram benefícios, mas também a perda de alguns dos locais mais emblemáticos nesta grandiosa terra.
Os moinhos da Barca, e não só, eram sítio de preferência para muitos mourenses para passar uma boa tarde de verão, podendo dar uns mergulhos e refrescar na água do Guadiana.
Por altura do enchimento das barragens, estes, bem como outros moinhos da zona, ficaram totalmente submersos pela água. Mas eis que agora os moinhos da Barca ficaram novamente à superfície.
O motivo, segundo informação da EDIA, está relacionado com as obras na segunda central hidroeléctrica em Alqueva, que tornaram necessário baixar o caudal do rio. Para quem se lembra, esta é uma boa altura para aproveitar para recordar os moinhos da Barca, ou mostrá-los a quem não conhece, pelo menos durante este mês de Fevereiro, tempo previsto para o rio continuar tão em baixo.
Fonte: Rádio Planície