Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido. Pois nada está oculto, senão para ser divulgado; e nada está mantido em secreto, senão para ser trazido à luz…
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Bom Dia Alentejo, a uma Estrada, a Castelo de Vide a Marvão, provavelmente que a mais bonita do Alentejo
Quem percorre os caminhos de Portugal depara-se frequentemente com
cenário idílicos, como se fossem saídos de um conto de fadas ou de um reino
encantado. Além disso, a paisagem varia imenso num país tão pequeno como o
nosso.
Mas quem alguma vez teve a sorte de viajar pelo Alentejo, dificilmente
esquecerá o ramal N246-1, que liga a localidade de Portagem a
Marvão. Rodeada completamente por freixos (que aliás era uma
prática muito habitual até há umas décadas atrás) a estrada oferece
um misto de espanto e relaxamento.
A paisagem desta belíssima estrada varia consoante as estações do ano.
Se no Outono pode apreciar as cores vermelhas e amarelas das árvores, no
Inverno pode encantar-se com a melancolia dos ramos despidos de folhas. No
Verão… é a frescura do verde das folhas que encanta quem por ali passa.
Bem perto da estrada pode fazer uma paragem e visitar a ruínas de
Ammaia, uma das mais espectaculares e desconhecidas cidades romanas
de Portugal, recentemente descoberta. E se seguir até Marvão pode visitar
aquela que é, sem dúvida, uma das vilas mais bonitas do Alentejo.
Se tem prazer em conduzir e as paisagens do Alentejo lhe provocam
encanto e admiração, esta é uma das estradas que não pode perder para um
passeio, sozinho ou em família. Com toda a certeza voltará para casa um pouco
mais relaxado depois da viagem.
Fonte: http://www.ruralea.com/provavelmente-a-estrada-mais-bonita-do-alentejo/2/
Bom Dia Alentejo, Alcáçovas, Chaminé, as Chaminés na terra de Alcáçovas
Fonte: João Mendes, o blog, “O Melhor Alentejo do Mundo”
As chaminés Alentejanas supostamente de origem árabe, podem ser
cilindricas, quadradas ou rectangulares.
No alto da chaminés costumam estar cataventos que por vezes são verdadeiras obras de arte.
No alto da chaminés costumam estar cataventos que por vezes são verdadeiras obras de arte.
As suas dimensões variam e podem chegar até aos 3 metros de altura, com um
metro de diâmetro.
Diz-se que o seu tamanho representava o estatuto social de quem as mandava construir, podendo existir várias chaminés num mesmo telhado.
A chaminé era um local chave na casa pois era por debaixo da sua abóboda que a família se costumava reunir.
Nas terras alentejanas a cozinha reveste-se de especial importância, acumulando múltiplas funções: além da sua própria, a de refeitório, sala de trabalho e de acolhimento, pois grandes partes das casas abrem para ela a sua porta principal, tornando a cozinha sala de fora.
A chaminé é o coração do monte. O lume largo e patriarcal que arde sob o chão, sem grelhas nem cachorros, fica de uns dias para os outros. Basta soprar o borralho em cada manhã, chegar-lhe uma mão cheia de gravetos, e ei-lo que se renova e esplende, redivivo.
Diz-se que o seu tamanho representava o estatuto social de quem as mandava construir, podendo existir várias chaminés num mesmo telhado.
A chaminé era um local chave na casa pois era por debaixo da sua abóboda que a família se costumava reunir.
Nas terras alentejanas a cozinha reveste-se de especial importância, acumulando múltiplas funções: além da sua própria, a de refeitório, sala de trabalho e de acolhimento, pois grandes partes das casas abrem para ela a sua porta principal, tornando a cozinha sala de fora.
A chaminé é o coração do monte. O lume largo e patriarcal que arde sob o chão, sem grelhas nem cachorros, fica de uns dias para os outros. Basta soprar o borralho em cada manhã, chegar-lhe uma mão cheia de gravetos, e ei-lo que se renova e esplende, redivivo.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Bom Dia Alentejo, Sousel, o Museu dos Cristos em Sousel, ai sim terra alentejana O guardou
A Câmara Municipal de Sousel adquiriu a colecção de imagens de Cristo, por
65 mil contos, em Fevereiro de 1990, à família Lobo, herdeiros de Venceslau
Lobo, que foi comerciante de antiguidades e que criou o Museu de Cristo.
De acordo com compadre Manuel Lobo, filho de Venceslau, o acervo do Museu
de Cristo é constituído por peças de diferentes épocas, algumas raras, a
maioria adquiridas em Portugal e outras em Espanha, incluindo figuras
provenientes de diversos países do mundo.
Do espólio, fazem parte crucifixos das mais variadas tipologias,
matérias, proveniências e épocas, como Cristos crucificados, crucifixos de
pendurar, crucifixos de pousar, calvários e cruzes processionais.
A origem mes compadres e minhas comadres, a maior parte das peças é nacional, mas podem se encontrar exemplares indo-portugueses, africanos, provenientes da Terra Santa, de Espanha ou de Itália.
A origem mes compadres e minhas comadres, a maior parte das peças é nacional, mas podem se encontrar exemplares indo-portugueses, africanos, provenientes da Terra Santa, de Espanha ou de Itália.
A coleção é
constituída por 1486 peças.
Este museu, o museu dos Cristos, ele esteve quase a ser vendido a um
cidadão estrangeiro, e logo na altura que tem coisas de bem, a autarquia de
Sousel, presidida pelo social-democrata Torres Pereira, conseguiu adquirir o
património cultural, impedindo a sua saída de Portugal.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Bom Dia Alentejo, Serpa, o Castelo de Serpa, a um pouco da história dele
Não é fácil, segundo os entendidos, concluir-se quando terá sido construído
o primeiro Castelo de Serpa. A povoação, segundo se crê pelas descobertas
arqueológicas que se tem vido a fazer, remonta a muitíssimos anos antes da
conquista do Castelo pelos Portugueses.
De formato quadrilátero o Castelo Velho, situa-se do lado nordeste, junto à
primeira cintura de muralhas. A Torre de Menagem é o seu ponto mais alto, logo
seguido da Torre do Relógio, que em tempos foi parte do Castelo.
O dado histórico que conhecemos acerca da “Vila” de Serpa tem início na sua
primeira conquista aos Mouros, por D. Afonso Henriques, em 1158 com a ajuda dos
Cruzados.
Várias vezes perdida para os Mouros e outras tantas conquistadas, passa
para a Coroa Portuguesa em 1232, no Reinado de D. Sancho II que concedeu o
senhorio de Serpa a D. Fernando, seu irmão que nela viveu e que veio a ser
conhecido pelo Infante de Serpa.
Após algumas atitudes contra a igreja D. Fernando foi excomungado pelo Papa
Gregório IX.
Após o casamento de D. Fernando com Dª. Sancha Fernandez de Lara, filha de
um Conde de Castela, ali ficou por aquelas terras, (Castela) nada se sabendo
mais, acerca da sua vida.
Mais tarde com a suposta morte de D. Fernando passa a Vila de Serpa, para a
posse da Coroa Portuguesa.
Até ao Séc. XIII, nas várias disputas havidas com Castela perdeu Portugal,
as terras de aquém Guadiana, incluindo Serpa.
Em Maio de 1253, Afonso X de Castela inclui Serpa no dote de sua filha
Beatriz , por ocasião do casamento desta, com Afonso III de Portugal, com a
cláusula de que a posse definitiva só teria lugar quando o primeiro filho do
casal completasse 7 anos.
Cláusula que não cumpriu. (!)
Foi já no reinado de D. Diniz, em 6 Setembro de 1295, que foi acordada a
entrega definitiva da Vila e seu Termo ao Rei de Portugal.
Serpa, foi sempre um ponto de cobiça dos nossos vizinhos, Castelhanos, mais
tarde Espanhóis,* tanto pela sua situação geográfica como por ser uma
referência na Organização Militar do país. Não obstante as constantes razias
que as terras deste Concelho sofreram ao longo da sua História, quer nas
investidas da moirama, quer no período da Restauração, ou ainda, durante as
invasões francesas, aquela que se tornou mais brutal, foi a perpetrada pelo
Duque de Ossuna, durante a guerra de sucessão espanhola (1702/1712).
Durante o conflito, mais propriamente em 26 de Maio de 1707, o Duque de
Ossuna assaltou e tomou pela força, após meses de resistência dos Portugueses,
o castelo da Vila de Serpa.
Um ano depois em 1708, quis a sorte que as tropas
espanholas fossem obrigadas a retirar-se desta vila, contudo, não o fizeram sem
causarem nas suas muralhas enormes danos. Testemunhos?
Os grandes torreões
rochosos, mesmo à entrada do Castelo que ainda subsistem, sendo um testemunho
maior dos factos que então ocorreram. Também uma das portas da muralha, a
Porta de Sevilha foi destruída pelo Duque se Ossuna, na sua retirada da praça
de Serpa, estas mantiveram-se até 1780, altura em que ruíram, parte dos
torreões que a defendiam, até que, em 1871, caindo novo fragmento, foi
deliberado apear o que restava da antiga muralha por se considerar um perigo
para a saúde pública. Frente à Porta de Sevilha e na direcção da Rua da Fonte
do Ortezim, a antigamente denominada de Rua Larga, tomou para si a designação
de Rua das Portas de Sevilha, perpetuando assim a porta desaparecida.
O Castelo de Serpa foi classificado como Monumento Nacional por decreto de
30 de Janeiro de 1954.(* abro aqui um parêntesis para recordar que o país nosso
vizinho só passou a designar-se por Espanha, após a unificação dos vários
reinos que a compõem a saber: Astúrias, Leão, Castela, Galiza, Navarra e Aragão
é portanto como país bem mais recente que Portugal)
As Muralhas de Serpa sofreram ao longo dos tempos atentados de destruição
como pode ser confirmado em documentos existentes no Tombo da Câmara, como nos
diz João Cabral, no seu livro “Arquivos de Serpa” e que cito: «Por proposta do
vereador José Ricardo Cortez de Lobão foi pedida, superiormente, em 7 de Fevereiro
de 1863, a demolição das muralhas que em grande parte ameaçam ruína» mais
adiante refere ainda: «Também o Dr. António Joaquim Bentes, em 23 de Janeiro de
1864, na qualidade de presidente do Município, propôs e foi aprovado que
"se peça ao Governador de Sua Majestade e concessão do forte denominado
Castelo Velho e bem assim para poder destruir as muralhas que circundam parte
da vila por se considerarem contrárias à saúde pública”» e ainda «Precisamente
um ano depois o presidente lê dois requerimentos pedindo as mesmas demolições,
o que se repetiu em Julho de 1877».
Numa outra página do mesmo livro afirma ainda João Cabral: «Em 1 de
Fevereiro de 1917 foi deliberado demolir a parte da muralha, que estava em
ruínas, à Porta de Moura». Sabe-se ainda que em meados do séc. passado foram as
muralhas levadas a hasta pública para arrematação e posterior demolição, o que
felizmente não se concretizou por falta de licitadores. Já nas últimas décadas
do séc. xx sofreram as muralhas (ou parte delas) os trabalhos de restauro que
se impunha, devolvendo aos vindouros a possibilidade de apreciar a sua beleza e
magnitude.
Fonte:
serpenses.blogspot.pt/2013/08/nao-e-facil-segundo-os-entendidos.HTML
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Bom Dia Alentejo, Tolosa, o Casamento em Tolosa, o ano de 1925
José Leite de Vasconcellos foi um dos maiores
arqueólogos e etnólogos portugueses do século passado. Privilegiando o trabalho
de campo, dedicou especial atenção e carinho à nossa região, aonde vinha com
frequência, pernoitando nas casas de pessoas amigas, em Tolosa, Gáfete ou em
Nisa. Não admira, pois, que na sua principal obra, de dez volumes
"Etnografia Portuguesa", encontremos abundantes referências sobre
quase todas as terras do concelho de Nisa e do Crato. A descrição que segue foi
vivida pelo próprio autor de "Regiões da Lusitânia" (outra das suas
obras mais conhecidas), em Tolosa.
Casamento a que assisti, em 30 de
Dezembro de 1925
"Depois da cerimónia da igreja, em que nada houve
de especial senão a bênção dos anéis, que os noivos trocaram entre si,
passou-se às cerimónias profanas.
Os noivos saíram da igreja ao som do sino,
acompanhados dos padrinhos e convidados. A noiva e as duas madrinhas iam
vestidas de preto, com a cabeça coberta por mantilhas ou côcas ; o noivo como
os padrinhos e convidados, trajava ao modo corrente: jaqueta curta, cinta de
pontas à dependura, chapéu de pano...
O acompanhamento seguiu para casa da noiva, onde a
família desta havia preparado um copo-de-água, isto é, vinho de pasto, bolos e
tremoços. A noiva ficou em casa da família e o resto das pessoas seguiu com o
noivo para casa da família deste, onde o deixou: todos aí beberam, igualmente,
vinho e comeram bolos.
Durante o percurso, vinha gente
às portas e às janelas, e os padrinhos deitavam-lhe confeitos e amêndoas doces
tal como ao rapazio que logo na igreja se juntara e seguira à frente de tudo
com grande algazarra.
Seguiram os convidados da noiva para casa da família
dela e aí tiveram uma boda ou jantar; os do noivo ficaram com este e tiveram
também a sua boda. Depois disto é que os noivos se juntaram e foram habitar em
casa própria. Constava esta de dois compartimentos: cozinha e quarto de dormir,
muito limpinhos.
Na cozinha, que é a par da sala
de entrada, sobressaía, diante da porta, segundo o costume, a cantareira, com a
sua estante nova, pratos novos e asados, postos no poial, empedrados e frescos,
com seus testos e panelinhas na boca.
A outro lado da cozinha, estava uma mesa, coberta de
toalha branca e rendada e, em cima, bonecos de barro e bugigangas análogas. No
quarto, uma particularidade própria do dia: sobre a cama, uma rima de
cobertores e cobertas, de variadas cores, e, na beira, pregados, uma porção de
roda-pés, uns sobre os outros.
Todo
o arranjo da casa é feito à custa da noiva; o noivo leva, apenas, o seu
vestuário e as ferramentas com que trabalha.
Por cada casamento o
pároco recebe, além de dinheiro, meio alqueire de trigo, dois litros de vinho,
uma quarta de carne e uma galinha. Outras notas sobre o assunto tomou o autor,
em ocasiões várias, igualmente em Tolosa.
Na
antevéspera do casamento, vão as raparigas solteiras e amigas da noiva
compor-lhe a casa, sobretudo a sala e a cama. Roupa de uma cama de noivos: 10
roda-pés de pano corado, paninhos, etc., com bordados; um colchão, 5
cobertores, 5 lençóis de cabeceira, com dobra bordada, 2 travesseiros, 4
travesseiras.
Na véspera do dia,
jantam padrinhos e convidados em casa dos pais do noivo e da noiva, depois do
que há bailho até de manhã, ao som do harmónio e da concertina.
No dia do casamento, de manhã, vão à fonte as amigas da noiva à água para o consumo do dia. A madrinha vai buscar a noiva e o padrinho o noivo. Saem para a rua, vêm atrás os convidados, alguns com pratos de flores e papelinhos que hão-de deitar sobre os noivos, depois da cerimónia eclesiástica. Segue-se o registo civil, e vão depois para a igreja.
As pessoas amigas atiram das janelas e da rua sobre o cortejo, que vem da igreja, flores, arroz e papelinhos, enquanto os padrinhos depõem amêndoas nas bandejas e as atiram ao rapazio da rua. Baila-se na noite do casamento até de madrugada, e não em local certo mas em casa a isso adequada.
Os noivos retiram-se para a sua pela meia-noite. Aparece-lhes, depois, um descante à porta - entoam os rapazes cantigas ao som da guitarra ou do harmónio - e os noivos levantam-se para distribuir vinho e bolos.
Versos do descante:
Viva o noivo mais a
noiva,
Viva o pai que os
criou
E o padrinho e a
madrinha
Que à igreja os
acompanhou!
Viva o noivo mais a
noiva,
Que se foram já
casar!
Deus le dê muita
saúde
E bons anos prá
gozar!
Viva o noivo mais a
noiva
Raminho de erva
cidreira,
Já fôstades à igreja
Pôr o nome de casada
E perder o de
solteira.
Já fôstades à igreja,
Linda rosa encarnada,
Perder o nome de
solteira
E buscar o de casada.
Num 4º dia, logo de manhã, as madrinhas levam aos
noivos café e fatias (fatias de pão de trigo, fritas com ovos e açúcar) e no
mesmo dia dá-se almoço e jantar outra vez aos noivos e comitiva em casa dos
pais de cada um deles, seguindo-se novo bailho. Só, então, acaba a boda.
Os noivos só depois do casamento comem juntos; um dia
em casa dos pais de um, outro dia em casa dos pais do outro.
Fonte: Tolosablog. blogspot.pt
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