segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, Nisa, Menhir do Patalou, o compadre que lá se levantou


Um menir - compadres e minhas comadres - com quatro metros de comprimento e um peso a rondar as sete toneladas ele foi reerguido na zona de Nisa, no Alto Alentejo, por uma equipa de arqueólogos e poderá ser visitado a partir de domingo.

O Menhir do Patalou, que se encontrava tombado, foi objecto de estudo e reabilitação por parte de uma equipa de arqueologia da Universidade de Évora, no âmbito de um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Nisa, no distrito de Portalegre.

De acordo com os resultados dos trabalhos arqueológicos realizados em Julho deste ano, este menir foi erguido em meados do quinto milénio antes de Cristo, tendo sido talhado, transportado e erecto pelas primeiras comunidades neolíticas, no contexto de ancestrais cultos à fertilidade.

"Este é o segundo menir a ser tratado em toda a Europa ocidental e que vem provar que os menires são muito mais antigos do que o resto do megalitismo, sobretudo o funerário", explicou na quarta-feira Jorge Oliveira, professor de arqueologia, da Universidade de Évora. O Menhir do Patalou está situado junto a uma estrada que liga Nisa à albufeira de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no distrito de Portalegre.


De acordo com o mesmo arqueólogo, o menir, que se encontrava tombado e intacto quando iniciaram os trabalhos, "é um dos mais volumosos" menires explicitamente fálicos da Península Ibérica, sendo, por isso, considerada uma peça "interessante".
Por forma a preservar integralmente a sua fossa de implantação e o sobreiro que junto se encontra, o Menhir do Patalou foi reerguido seis metros para norte, ficando assinalado com um marco de granito o local original da sua implantação.

"Este trabalho foi um sucesso do ponto de vista científico e vai ser um sucesso do ponto de vista da paisagem e do turismo arqueológico, porque é uma peça notável", disse. Existem naquela região alentejana vários menires e Jorge Oliveira acredita que poderá ser criado, no futuro, "um roteiro de visita" a estes monumentos.
Os trabalhos arqueológicos que permitiram a reabilitação do Menhir do Patalou estão inseridos num projeto de investigação denominado "Meganisa", aprovado pela Direção-Geral do Património Cultural.
Ao longo de quatro anos, a Universidade de Évora tem ainda como missão desenvolver naquele concelho alentejano outras ações de valorização e divulgação de monumentos megalíticos.

Na agenda estão trabalhos de estudo e valorização no Menhir e Dólmenes dos Sarangonheiros e nos monumentos megalíticos de São Gens e Senhora da Redonda, sendo para os arqueólogos um conjunto de espaços que oferecem "um singular roteiro" megalítico para a região.

domingo, 18 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, a terra de Cuba, a Fonte do Biabo, a um dizer a partida


Havia no centro da praça d’esta villa – de Cuba - , um pôço quadrado, de 8 metros de profundidade, coberto com uma abobada de 4,50 m. de altura sobre columnas. Chamava-se Fonte do Diabo.
O tecto interior da abobada tinha pintado S. Miguel e o Diabo. Era antiquissima.
O povo cria que de noite faziam os diabos, duentes, bruxas, fantasmas, etc, suas sinagogas dentro d’este pôço d’alli sahiam a fazer toda a qualidade de diabruras.
Acreditavam que, quem por alli passasse depois da meia-noite, sem fazer o signal da cruz, era agarrado pelos diabos e affogado.
A camara mandou demolir a abobada e entupir o pôço, em Setembro de 1854, e nessa occasião appareceram alguns cadaveres no pôço.
Fonte: Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], p.tomo II, p. 454-455
Foto: http://historiaselendas.no.sapo.pt/pag-lenda/fonte_do_diabo.htm
 

sábado, 10 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, Fonte da Bica, a Aldeia da Mata, a terra das mil fontes

 
As nascentes vêm de duas minas do terreno do Senhor António Marques, ou seja, do chão que fica em frente quando se sobe a azinhaga onde está a arca, a pouca distância desta.
Estas minas foram abertas pelo Senhor Joaquim Paté Caldeira (o Ti Torrado).

 
A arca desta fonte foi feita depois de ter havido um desastre na primeira. Um caso estranho e que passo a contar.
A primeira arca da fonte estava construída no meio da azinhaga, um pouco mais acima da direcção da actual, mas soterrada para o trânsito ficar livre.
Um dia aconteceu que uma vaca do Senhor José Durão, o antigo dono do terreno onde estão as minas, meteu as patas por entre os cascões de pedra que tapavam a arca. Depois, só com a ajuda de vários homens conseguiram tirar de lá o animal.
A Fonte da Bica, é das fontes da terra, a mais procurada pelo nosso povo. Há uns anos, antes de haver água canalizada e a Aldeia com mais população, a água dessa fonte no Verão era todos os anos muito pouca, o que originava a tão maçadora espera.
Fonte: A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Bom Dia Alentejo, São Sebastião da Giesteira, a Lenda da Cruz do Preto, Évora,

 
Os lavradores noutro tempo tinham ali um preto e o preto ia para todo o lado, para a Boa Fé, para aqui e para ali e não tinha medo de nada; nem dos lobos.
O desgraçado para sair tinha um pau com uma moca de feno mas os lobos saíram-lhe, além onde se chama a Cruz do Preto, saíram-lhe ao encontro e eram tantos que deram conta dele, do homem. Ora... mataram-no e comeram-no; só ficaram os sapatos com os pés dentro. De resto comeram-no todo.
Por isso é que puseram lá aquela cruz, que é a Cruz do Preto, além ao pé do cromeleque dos Almendres, no caminho para a Boa Fé.
Fonte: Lendas e Tradições, S. Sebastião da Giesteira e Valverde, Évora, EBM`s de Guadalupe, 1999, p. 40
  

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Coreto, Coreto de Gáfete, a terra do Barão

 
Foto “entretejodiana.blogs.sapo.pt”
Este coreto foi projectado de um grande mestre ferreiro, José Agostinho de Bastos e foi construído em 1916.
Foi o seu primeiro proprietário o Barão de Gáfete, José Lúcio Gouveia, sendo actualmente, propriedade da Câmara Municipal.
Encontra-se em bom estado de conservação, com iluminação apropriada e escadaria própria.
É ainda hoje, utilizado por conjuntos de baile, pois a sua localização em "Largo pouco arborizado", junto à escola do 1.º ciclo, é propícia a este tipo de divertimento.
A sua forma é hexagonal, com 3m de lado e fica a 1,50m do solo.
Os materiais utilizados na sua construção foram alvenaria de pedra e cal, argamassa de cimento no pavimento e uma grade de ferro forjado.
A cobertura é de chapa de zinco ondulada com estrutura em ferro.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Moinho, Moinho de Vento, Monforte

 

A primeira referência conhecida encontra-se numa planta de a arruamentos de finais do séc. XIX. Em 1924 compadres e minhas comadres - surge referenciado numa escritura de compra e venda. O local onde se situa era conhecido por Couto de Monforte. De planta circular e cobertura em cúpula triangular com a existência de uma chaminé circular.
Fonte e foto: geocaching.com/geocache/GC3G5WW_moinho-de-vento

Bom Dia Alentejo, Moinho, Moinho da Nossa Senhora do Carmo, a Évora

 

O Moinho da Nª Sra do Carmo - mês compadres e minhas comadres - está situado a Sul de Évora, nas traseiras no bairro com o mesmo nome, podendo avistar-se na variante Sul da Cidade, construído numa pequena elevação com a Cota 254.
Este Moinho foi totalmente reconstruído pelo actual proprietário, as suas paredes são feitas de alvenaria, com a cobertura tradicional em chapa e o seu mastro constituído com 4 velas de pano. É o único moinho em Évora completamente reconstituído à sua antiga imagem, sem dúvida um belo exemplar.
Fonte e Foto: marcoseborenses.no.comunidades.net