sábado, 10 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, Fonte da Bica, a Aldeia da Mata, a terra das mil fontes

 
As nascentes vêm de duas minas do terreno do Senhor António Marques, ou seja, do chão que fica em frente quando se sobe a azinhaga onde está a arca, a pouca distância desta.
Estas minas foram abertas pelo Senhor Joaquim Paté Caldeira (o Ti Torrado).

 
A arca desta fonte foi feita depois de ter havido um desastre na primeira. Um caso estranho e que passo a contar.
A primeira arca da fonte estava construída no meio da azinhaga, um pouco mais acima da direcção da actual, mas soterrada para o trânsito ficar livre.
Um dia aconteceu que uma vaca do Senhor José Durão, o antigo dono do terreno onde estão as minas, meteu as patas por entre os cascões de pedra que tapavam a arca. Depois, só com a ajuda de vários homens conseguiram tirar de lá o animal.
A Fonte da Bica, é das fontes da terra, a mais procurada pelo nosso povo. Há uns anos, antes de haver água canalizada e a Aldeia com mais população, a água dessa fonte no Verão era todos os anos muito pouca, o que originava a tão maçadora espera.
Fonte: A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Bom Dia Alentejo, São Sebastião da Giesteira, a Lenda da Cruz do Preto, Évora,

 
Os lavradores noutro tempo tinham ali um preto e o preto ia para todo o lado, para a Boa Fé, para aqui e para ali e não tinha medo de nada; nem dos lobos.
O desgraçado para sair tinha um pau com uma moca de feno mas os lobos saíram-lhe, além onde se chama a Cruz do Preto, saíram-lhe ao encontro e eram tantos que deram conta dele, do homem. Ora... mataram-no e comeram-no; só ficaram os sapatos com os pés dentro. De resto comeram-no todo.
Por isso é que puseram lá aquela cruz, que é a Cruz do Preto, além ao pé do cromeleque dos Almendres, no caminho para a Boa Fé.
Fonte: Lendas e Tradições, S. Sebastião da Giesteira e Valverde, Évora, EBM`s de Guadalupe, 1999, p. 40
  

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Coreto, Coreto de Gáfete, a terra do Barão

 
Foto “entretejodiana.blogs.sapo.pt”
Este coreto foi projectado de um grande mestre ferreiro, José Agostinho de Bastos e foi construído em 1916.
Foi o seu primeiro proprietário o Barão de Gáfete, José Lúcio Gouveia, sendo actualmente, propriedade da Câmara Municipal.
Encontra-se em bom estado de conservação, com iluminação apropriada e escadaria própria.
É ainda hoje, utilizado por conjuntos de baile, pois a sua localização em "Largo pouco arborizado", junto à escola do 1.º ciclo, é propícia a este tipo de divertimento.
A sua forma é hexagonal, com 3m de lado e fica a 1,50m do solo.
Os materiais utilizados na sua construção foram alvenaria de pedra e cal, argamassa de cimento no pavimento e uma grade de ferro forjado.
A cobertura é de chapa de zinco ondulada com estrutura em ferro.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Moinho, Moinho de Vento, Monforte

 

A primeira referência conhecida encontra-se numa planta de a arruamentos de finais do séc. XIX. Em 1924 compadres e minhas comadres - surge referenciado numa escritura de compra e venda. O local onde se situa era conhecido por Couto de Monforte. De planta circular e cobertura em cúpula triangular com a existência de uma chaminé circular.
Fonte e foto: geocaching.com/geocache/GC3G5WW_moinho-de-vento

Bom Dia Alentejo, Moinho, Moinho da Nossa Senhora do Carmo, a Évora

 

O Moinho da Nª Sra do Carmo - mês compadres e minhas comadres - está situado a Sul de Évora, nas traseiras no bairro com o mesmo nome, podendo avistar-se na variante Sul da Cidade, construído numa pequena elevação com a Cota 254.
Este Moinho foi totalmente reconstruído pelo actual proprietário, as suas paredes são feitas de alvenaria, com a cobertura tradicional em chapa e o seu mastro constituído com 4 velas de pano. É o único moinho em Évora completamente reconstituído à sua antiga imagem, sem dúvida um belo exemplar.
Fonte e Foto: marcoseborenses.no.comunidades.net

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Bom Dia Alentejo, Coreto, Coreto de Portalegre, a no Jardim do Tarro


Mandado construir em 1876, por João Real da Costa Cabral e inaugurado a 23 de Setembro do mesmo ano, é hoje propriedade da Câmara Municipal de Portalegre.
No Jardim do Tarro, entre árvores, que pouco o deixam a descoberto e escondendo-o demasiado, encontra-se mais um coreto de planta octogonal com 2,33 m de lado e 1,48 m do solo, altura a que está o pavimento de argamassa de cimento.
As paredes forradas a azulejo, a grade em ferro fundido e com escadaria própria, tem a cobertura em chapa lisa, com estrutura em ferro.
Está electrificado, encontrando-se em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.

Foto: Luís Paiva Boléo, http://www.panoramio.com/photo/50699205

sábado, 27 de junho de 2015

Bom Dia Alentejo, Tolosa, a Casinha das Bruxas, a mistério Alentejo

Junto ao caminho velho que antigamente fazia a ligação entre Tolosa e Nisa, havia uma gruta, conhecida entre a população por "Casinha das bruxas".
Segundo a tradição, era ali que esses entes estranhos, tão enraizados na crendice popular, preparavam as suas incursões nocturnas.
Já noite adiantada, apareciam a cantar e dançar nas encruzilhadas dos caminhos, revelando uma histeria demoníaca.
Todo o povo andava aterrorizado.
As crianças andavam amedrontadas e o seu sono era povoado de sonhos terríficos.
Para pôr termo a esta situação, juntaram-se quatro rapazes valentes e resolutos, que não acreditavam em bruxas.
 

Pela calada da noite, sem que elas sentissem a sua chegada, surgiram inesperadamente entre as participantes na dança demoníaca. Ainda quiseram fugir, mas as mãos fortes e calorosas dos mancebos seguraram-nas como tenazes. Ali mesmo foram desmascaradas.
Foram depois conduzidas à "Casinha das Bruxas", onde permaneceram o resto da noite, sob forte vigilância.
No dia seguinte, em pleno dia, foram expostas na praça pública, sujeitas aos olhares e apupos da população indignada.
Envergonhadas e humilhadas por todos, essas mulheres depressa  abandonaram a povoação para sempre. Certamente aproveitaram a lição, para nunca mais brincarem às bruxas.
A calma voltou ao povoado. Já ninguém acreditava em bruxas.
Ao sono das crianças a tranquilidade regressou.
Fonte: Pequena Monografia de Tolosa, Alzira Maria Filipe Leitão