Foto:
Vitor77, http://www.panoramio.com/photo/58540124
Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido. Pois nada está oculto, senão para ser divulgado; e nada está mantido em secreto, senão para ser trazido à luz…
sábado, 11 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Bom Dia Alentejo, Crato, a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires
A igreja Paroquial
tem por orago Nossa Senhora dos Mártires e foi edificada no século XVIII sobre
uma mais antiga, a dez quilómetros de distância da vila do Crato.
Está situada no meio
de montados e isolada da povoação.
Fazia parte do
Priorado do Crato.
A fachada principal,
com largo frontão de cantaria e duas pirâmides com coruchéus nos cantos.
Pórtico de granito com a cruz de Malta esculpida e um óculo oval. Sobre a
fachada, ergue-se a torre sineira pequena e graciosa com quatro olhais e cúpula
periforme.
Nas fachadas laterais
conservam-se gárgulas interessantes que devem ser os restos da igreja
primitiva, hoje desaparecida.
O interior é de uma só nave abobadada com capela-mor e
dois altares laterais.
Foto:
mbc, http://www.panoramio.com/photo/1765000
O baptistério está
colocado do lado do Evangelho e o coro, bastante interessante, é de três
tramos, assentos em arcos de volta redonda e fazendo os dois tramos laterais
ângulo central.
O retábulo do
altar-mor é uma pintura em tela representando a Virgem e dois Santos, lembrando a maneira de Vieira Lusitano.
Na sacristia, arcaz
do século XVII e lavabo de mármore com a cruz de malta.
Junto ao cemitério,
perto da igreja, existe um pequeno altar de alvenaria, com frontão, tendo dois
azulejos com alminhas e um altar de
azulejo verde e branco do século XVI e nele um painel mais moderno com a Senhora da Conceição.
Fonte:
Inventário Artístico de Portugal, Luís Keil, 1943
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Bom Dia Alentejo, a Chança, Forca da Chança, o Outeiro da Forca
Na antiga vila da
Chancelaria, actual Chança, existia uma forca no denominado Outeiro da Forca.
Situa-se este outeiro
– mes compadres e minhas comadres – a cerca de 500 metros para SW do centro da
povoação, sobranceiro ao velho caminho que ligava a Chancelaria ao sul.
No local onde se
levantaria a forca, que seria de madeira, ergue-se hoje uma torre de alta
tensão. No local denota-se uma irregular zona aplanada que serviria de
esplanada da forca.
- Assim pois se dirá
a vossemecês, mes compadres e minhas comadres – este outeiro é bem visível do
centro urbano.
O local, - para não
ficar a faltar nada a vossemecês – possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas
por GPS: X – 0602561; Y – 4344934.
Fonte:
Jorge de Oliveira, Ana Cristina Tomás, as forcas do Distrito de Portalegre, 140
anos após a abolição da pena de morte
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Bom Dia Alentejo, São Brás dos Matos ou Mina do Bugalho, Alandroal, a prata e o ouro que abalava
São Brás dos Matos ou Mina do Bugalho é uma freguesia portuguesa do
concelho do Alandroal.
Constituída por uma só Aldeia (Mina do Bugalho) e um lugar (são Brás dos
Matos). A aldeia que foi formada aqui, ela nasce por causa das antigas minas.
Esta terra chama-se Mina do Bugalho, o seu topónimo assim se pensa, havia aqui
muitos minérios, por isso, amigos meus, se construíram minas.
Esta gente rude, esta gente que vivia debaixo da terra, estes mineiros,
eles viviam, eles moravam na herdade do Bugalho. Que primeiro lá construíram
casas e formaram uma aldeia, uma terra, com o nome Mina do Bugalho.
Os minérios explorados, amigos do mundo, era a pirite, o cobre, o enxofre,
o volfrâmio, a prata e ouro, mas estes havia em poucas quantidades.
O minério explorado era assim para exportação e servia ele também, ele,
para segurar as necessidades do país.
Estes minérios e estas pratas ou lá ouros, eles deixaram de ser explorados,
entenderam que já não valia assim a pena, vai assim a fazer mais ou menos uns
cem anos.
A parte antiga desta graciosa aldeia, ela situa-se num vale, de onde, a
vista ou lá olho, pode ver um imponente Palacete, terras de um hotel, onde
viviam nele, os donos e os engenheiros das minas também.
Esta parte antiga, formada ela por diversas ruas e largos, mas o largo
Principal, o coração destas vidas, destas gentes, Largo de São Brás denominado,
local onde se localiza o grandioso Arco, onde se pesava o minério.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Bom Dia Alentejo, Gentílico de Crato, Crato, a Cratense
Registei cretinense, porque o fiz derivar de Cretina topónimo extinto, e que hoje se
julga ser a actual vila do Crato.
Também se dia que Crato foi designado em tempos bastante
recuados por Castraleuca e Castraleuca e, portanto, os seus
habitantes seriam chamados Castralencenses
e Castraleucenses.
Xavier Fernandes
afirma que num documento do século XVIII aparece a grafia Crataleuca, que, se não é erro da escrita, deve ser forma
arbitrária ou forçada, talvez para aproximar as sílabas da forma actual Crato. O
ilustre filólogo regista ainda:
“Castraleucense referido a Castelo
Branco, por ter ouvido empregado algures, mas diz logo que é forma que não
deve ser usada, visto tratar-se de um detestável hibridismo – o latim Castrum de mistura com o grego Leukós, branco e com um sufixo de origem
latina”.
A meu ver, a forma
que tende a dominar é Cratense,
derivado imediato da actual vila do Crato.
Foto: http://www.meloteca.com/imagens/musicpavillions/crato-portalegre-dec-70.jpg
Respeitante a Cretina, arquivo o primeiro verso da Estª.
17, Canto VII do poema heróico Veriato
Trágico, Lisboa, 1864, de Brás Garcia de Mascarenhas, que o inclui:
“Chega a Cretina dita agora Crato”.
O saudoso Prof. e comprovinciano
amigo Manuel Subtil publicou em 1942, no semanário O Castelovidense, um artigo que intitulou: “O Gentílico “Cratense”, que merece apenas ficar arquivado neste
trabalho: A prepósito de Crataleucense
transcreve a opinião do filólogo Xavier Fernandes, o qual considera forma
arbitrária ou forçada.
Concordamos
inteiramente com a opinião autorizada do ilustre filólogo, a qual manifestamos
há anos já numa conferência que realizamos no antigo Grémio Alentejano, de Lisboa, hoje, Casa do Alentejo, subordinada a título de “A Vila do Crato e o seu Concelho”.
Aí firmámos o
seguinte: “O nome dessa desaparecida cidade era, segundo parece, Castraleuca, Castraleuco ou Catraleuco,
como também li em um documento do século XVIII. Esta última designação
parece-me um pouco forçada, talvez no intuito de a aproximar do actual nome da
vila”.
O documento referido – possivelmente o mesmo
que o Dr. Xavier Fernandes viu – existe no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e
é assinado pelo Padre Diogo de Sousa Tavares, que em 1758 era vigário da vila
do Crato.
Não repugna admitir
que, por espírito bairrista, por amor à terra onde vivia e donde possivelmente seria
natural, o bom padre suprimisse arbitrariamente o s da primeira sílaba de Castraleuca.
Não havendo, pois,
a certeza de que a antiga cidade, em
cujas ruínas assenta a actual povoação do Crato, tenha tido o nome de Crataleuca, o gentílico Crataleucenso não pode nem deve, na
verdade, ser aplicado ao natural do Crato,
mas sim o derivado imediato do nome actual da vila, isto é, Cratense”.
Fonte: Alexandre de
Carvalho Costa, Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental, Recolha e
Compilações, Edição da Junta Distrital de Portalegre
sábado, 28 de março de 2015
Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Topónimo de Alter do Chão, a uma bandeja lhe vai
A respeito desta vila e sede de concelho do distrito de Portalegre, em
Abril de 1935 apareceram anónimas as seguintes referências:
“E assim surgiu das ruínas da velha Abeltéria
a vila de ALTER DO CHÃO, cujo nome
dizem ser corrupção da antiga cidade romana. Porém, como desta surgiram duas
vilas – ALTER DO CHÃO e Alter Pedroso – é mais provável que o
nome ALTER venha do adjectivo alter, que significa um de dois ou uma de duas partes, pois que ALTER
DO CHÃO é uma das duas partes da cidade Abeltéria,
sendo a outra parte Alter Pedroso,
hoje pequena povoação, anexa a ALTER DO
CHÃO, donde dista três quilómetros.
DO CHÃO é a tradução portuguesa da
palavra latina planus, porque desde
remota data se chamou ALTER PLANUS a
esta parte mais plana da velha cidade, em oposição à outra parte, que, por ser
mais alta e pedregosa, se chamou Alter
Petrosus, Alter Pedroso”.
A segunda parte destas referências foi criteriosamente contestada pelo Dr. Artur Bivar, que se manifestou:
“Esta etimologia (a que faz filiar o topónimo Alter no adjectivo latino alter)
não tem probabilidade nenhuma. Históricamente, não, porque, se a cidade esteve
em ruínas desde a destruição no tempo do imperador Adriano até D. Afonso II a
mandar reedificar e povoar, ficando então as duas povoações, era latim de mais
aquele incorrupto Alter no século
XIII.
Nesse tempo, já o alter latino
nos tinha dado foneticamente o nosso outro,
como em francês autre e em italiano altro. E só ali é que teria ficado fixo,
tal qual era em latim, só com a deslocação do acento para a última sílaba?
Além disso, se no século XIII a primeira sílaba de alter ainda não estivesse alterada, estava-o seguramente a segunda,
na linguagem comum, porque outro saiu
de alter pelo acusativo alterum e, com a deslocação do acento
suposta, teria dado Altero e não Altér. E com quem concordaria, in mente aquele adjectivo alter? Com vila? Então deveria ser áltera ou altera. Com oppidum?
Então devia ser áltero ou altéro”.
Efectivamente e perante tão sensatos e fundamentados embargos, tal suposto
étimo tem de ser abandonado.
ALTER proveio, sim, do locativo Abelterii, cidade, através de formas
intermediárias e pré-históricas Avelterii
e Aelter, como mostrou Leite de
Vasconcelos.
Fonte: Dos
Topónimos e Gentílicos, de Xavier
Fernandes, Vol. II – 1944 – Págs. 253-254.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Bom Dia Alentejo, Aldeia da Mata, a Topónimo de Aldeia da Mata
A origem do seu nome não é clara.
Os estudiosos do assunto afirmam que deriva talvez da situação do povoado
no meio de matas, mas de uma mata específica - talvez propriedade da Ordem do
Hospital ou do Grão-Priorado do Crato, conforme a época - ou da
"aldeia" como propriedade agrícola, território povoado e cultivado
entre matagais.
Fonte: "PDM do
Crato" e a foto: "CMC"
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