segunda-feira, 6 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, São Brás dos Matos ou Mina do Bugalho, Alandroal, a prata e o ouro que abalava


São Brás dos Matos ou Mina do Bugalho é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal.
Constituída por uma só Aldeia (Mina do Bugalho) e um lugar (são Brás dos Matos). A aldeia que foi formada aqui, ela nasce por causa das antigas minas. Esta terra chama-se Mina do Bugalho, o seu topónimo assim se pensa, havia aqui muitos minérios, por isso, amigos meus, se construíram minas.
Esta gente rude, esta gente que vivia debaixo da terra, estes mineiros, eles viviam, eles moravam na herdade do Bugalho. Que primeiro lá construíram casas e formaram uma aldeia, uma terra, com o nome Mina do Bugalho.
Os minérios explorados, amigos do mundo, era a pirite, o cobre, o enxofre, o volfrâmio, a prata e ouro, mas estes havia em poucas quantidades.

O minério explorado era assim para exportação e servia ele também, ele, para segurar as necessidades do país.
Estes minérios e estas pratas ou lá ouros, eles deixaram de ser explorados, entenderam que já não valia assim a pena, vai assim a fazer mais ou menos uns cem anos.
A parte antiga desta graciosa aldeia, ela situa-se num vale, de onde, a vista ou lá olho, pode ver um imponente Palacete, terras de um hotel, onde viviam nele, os donos e os engenheiros das minas também.
Esta parte antiga, formada ela por diversas ruas e largos, mas o largo Principal, o coração destas vidas, destas gentes, Largo de São Brás denominado, local onde se localiza o grandioso Arco, onde se pesava o minério.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bom Dia Alentejo, Gentílico de Crato, Crato, a Cratense


Registei cretinense, porque o fiz derivar de Cretina topónimo extinto, e que hoje se julga ser a actual vila do Crato.
Também se dia que Crato foi designado em tempos bastante recuados por Castraleuca e Castraleuca e, portanto, os seus habitantes seriam chamados Castralencenses e Castraleucenses.
Xavier Fernandes afirma que num documento do século XVIII aparece a grafia Crataleuca, que, se não é erro da escrita, deve ser forma arbitrária ou forçada, talvez para aproximar as sílabas da forma actual Crato. O ilustre filólogo regista ainda:
Castraleucense referido a Castelo Branco, por ter ouvido empregado algures, mas diz logo que é forma que não deve ser usada, visto tratar-se de um detestável hibridismo – o latim Castrum de mistura com o grego Leukós, branco e com um sufixo de origem latina”.
A meu ver, a forma que tende a dominar é Cratense, derivado imediato da actual vila do Crato.

Foto: http://www.meloteca.com/imagens/musicpavillions/crato-portalegre-dec-70.jpg
Respeitante a Cretina, arquivo o primeiro verso da Estª. 17, Canto VII do poema heróico Veriato Trágico, Lisboa, 1864, de Brás Garcia de Mascarenhas, que o inclui:
“Chega a Cretina dita agora Crato”.
O saudoso Prof. e comprovinciano amigo Manuel Subtil publicou em 1942, no semanário O Castelovidense, um artigo que intitulou: “O Gentílico “Cratense”, que merece apenas ficar arquivado neste trabalho: A prepósito de Crataleucense transcreve a opinião do filólogo Xavier Fernandes, o qual considera forma arbitrária ou forçada.
Concordamos inteiramente com a opinião autorizada do ilustre filólogo, a qual manifestamos há anos já numa conferência que realizamos no antigo Grémio Alentejano, de Lisboa, hoje, Casa do Alentejo, subordinada a título de “A Vila do Crato e o seu Concelho”.
Aí firmámos o seguinte: “O nome dessa desaparecida cidade era, segundo parece, Castraleuca, Castraleuco ou Catraleuco, como também li em um documento do século XVIII. Esta última designação parece-me um pouco forçada, talvez no intuito de a aproximar do actual nome da vila”.
O documento referido – possivelmente o mesmo que o Dr. Xavier Fernandes viu – existe no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e é assinado pelo Padre Diogo de Sousa Tavares, que em 1758 era vigário da vila do Crato.
Não repugna admitir que, por espírito bairrista, por amor à terra onde vivia e donde possivelmente seria natural, o bom padre suprimisse arbitrariamente o s da primeira sílaba de Castraleuca.
Não havendo, pois, a  certeza de que a antiga cidade, em cujas ruínas assenta a actual povoação do Crato, tenha tido o nome de Crataleuca, o gentílico Crataleucenso não pode nem deve, na verdade, ser aplicado ao natural do Crato, mas sim o derivado imediato do nome actual da vila, isto é, Cratense”.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental, Recolha e Compilações, Edição da Junta Distrital de Portalegre

sábado, 28 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Topónimo de Alter do Chão, a uma bandeja lhe vai

 
A respeito desta vila e sede de concelho do distrito de Portalegre, em Abril de 1935 apareceram anónimas as seguintes referências:
“E assim surgiu das ruínas da velha Abeltéria a vila de ALTER DO CHÃO, cujo nome dizem ser corrupção da antiga cidade romana. Porém, como desta surgiram duas vilas – ALTER DO CHÃO e Alter Pedroso – é mais provável que o nome ALTER venha do adjectivo alter, que significa um de dois ou uma de duas partes, pois que ALTER DO CHÃO é uma das duas partes da cidade Abeltéria, sendo a outra parte Alter Pedroso, hoje pequena povoação, anexa a ALTER DO CHÃO, donde dista três quilómetros.
DO CHÃO é a tradução portuguesa da palavra latina planus, porque desde remota data se chamou ALTER PLANUS a esta parte mais plana da velha cidade, em oposição à outra parte, que, por ser mais alta e pedregosa, se chamou Alter Petrosus, Alter Pedroso”.


A segunda parte destas referências foi criteriosamente contestada pelo Dr. Artur Bivar, que se manifestou:
“Esta etimologia (a que faz filiar o topónimo Alter no adjectivo latino alter) não tem probabilidade nenhuma. Históricamente, não, porque, se a cidade esteve em ruínas desde a destruição no tempo do imperador Adriano até D. Afonso II a mandar reedificar e povoar, ficando então as duas povoações, era latim de mais aquele incorrupto Alter no século XIII.
Nesse tempo, já o alter latino nos tinha dado foneticamente o nosso outro, como em francês autre e em italiano altro. E só ali é que teria ficado fixo, tal qual era em latim, só com a deslocação do acento para a última sílaba?
Além disso, se no século XIII a primeira sílaba de alter ainda não estivesse alterada, estava-o seguramente a segunda, na linguagem comum, porque outro saiu de alter pelo acusativo alterum e, com a deslocação do acento suposta, teria dado Altero e não Altér. E com quem concordaria, in mente aquele adjectivo alter? Com vila? Então deveria ser áltera ou altera. Com oppidum? Então devia ser áltero ou altéro”.
Efectivamente e perante tão sensatos e fundamentados embargos, tal suposto étimo tem de ser abandonado.
ALTER proveio, sim, do locativo Abelterii, cidade, através de formas intermediárias e pré-históricas Avelterii e Aelter, como mostrou Leite de Vasconcelos.
          Fonte: Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – 1944 – Págs. 253-254.
 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Aldeia da Mata, a Topónimo de Aldeia da Mata

 

A origem do seu nome não é clara.
Os estudiosos do assunto afirmam que deriva talvez da situação do povoado no meio de matas, mas de uma mata específica - talvez propriedade da Ordem do Hospital ou do Grão-Priorado do Crato, conforme a época - ou da "aldeia" como propriedade agrícola, território povoado e cultivado entre matagais.
Fonte: "PDM do Crato" e a foto: "CMC"

segunda-feira, 23 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Almodôvar, a lenda de Santo António, amor do Pai eterno

 Quando Santo António, andava pelo mundo, passou por estas bandas, isto segundo a lenda. Havia uma moça que tinha casado com um homem muito mais velho do que ela. Ora aconteceu que essa moça teve um filho dele. O homem não aceitava a criança, dizendo que não era filho dele.
 
Foto: http://hypescience.com/wp-content/uploads/2012/06/amor-de-pai.jpg
A moça passava os dias a chorar, com o desgosto de não ver a criança aperfilhada.
Santo António passou pela casa da rapariga e, ouvindo o choro, entrou e foi ver o que se passava. A moça contou-lhe tudo e logo o santo quis ajudar a resolver o problema.
O santo disse-lhe que voltaria no dia seguinte e recomendou-lhe que deitasse o menino no berço, com o pai de um lado do mesmo berço e a mãe do outro. E que seria a própria criança a dizer quem era o pai.
Ela assim resolveu fazer, incrédula no entanto, pois o menino só tinha um mês e ela não acreditava que ele conseguisse falar.
No dia seguinte, Santo António voltou à casa e dirigiu-se ao bebé dizendo-lhe:
— Levanta-te, aponta com o dedo e diz quem é o teu pai!...
A criança, levantou-se e apontando na direcção do homem, chamou-lhe pai.
Só assim o homem acreditou que era na verdade, o pai da criança.
O santo recomendou ao homem que fosse fiel a sua mulher e a seu filho, pois a verdade morava naquela casa.
Fonte: António J. Gonçalves, Monografia da Vila de Almodôvar  Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, Monumento ao Canteiro, picola maceta e escopro diz a pedra

 
Inaugurado em 13 de Julho de 2002, este monumento constitui uma merecida e justa homenagem aos Canteiros de Gáfete, homens simples, mas sábios, que transformam pedras em objectos de rara e grande valor arquitectónico.
O conjunto consta de uma “bujarda” ou “picola”; de uma “maceta” e de um “escopro”,instrumentos utilizados por estes artesãos no seu paciente trabalho e muitas vezes transformam pedras em verdadeiras filigramas.
Fonte: João Ribeirinho Leal, Monografia de Gáfete, 2013, Edição da CMC.

terça-feira, 17 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Tolosa, Apodo de Tolosa, a sucesso despercebido

 
Foto: M.Mendes, http://viladetolosa.blogspot.pt/2013/01/tolosa-antigamente-na-vila.html
Cucos são de Tolosa, concelho de Nisa, distrito de Portalegre.
Entre Gáfete e Tolosa há uma certa rivalidade, sem justificação, é certo que vem de longe, e promete continuar. É assim mesmo.
O Cuco põe os ovos no ninho das outras aves. É preguiçoso, portanto. Não serve neste caso, porque os tolosenses são activos e empreendedores.
É o Cuco ave migratória. Também os naturais de Tolosa têm as suas migrações periódicas, para lutar pela vida e seu justo anseio de melhorar a sua situação económica. Ainda assim, – mes compadres e minhas comadres -, esta posição é relativamente recente e não deve aceitar-se como justificativa para o apodo Cuco.
Ora – pois sabeis lá compadres – se os de Tolosa não são preguiçosos, e emigram há poucos anos para cá, parece-nos que temos de chegar a esta conclusão:
O Cuco também é manhoso, não há dúvidas, e sabe colher proveito da falta de cuidado dos indolentes. Instala-se, impõe-se e o resto se verá.
Fonte: Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental, Edição da Junta Distrital de Portalegre 1973, Alexandre de Carvalho Costa