quinta-feira, 26 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Aldeia da Mata, a Topónimo de Aldeia da Mata

 

A origem do seu nome não é clara.
Os estudiosos do assunto afirmam que deriva talvez da situação do povoado no meio de matas, mas de uma mata específica - talvez propriedade da Ordem do Hospital ou do Grão-Priorado do Crato, conforme a época - ou da "aldeia" como propriedade agrícola, território povoado e cultivado entre matagais.
Fonte: "PDM do Crato" e a foto: "CMC"

segunda-feira, 23 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Almodôvar, a lenda de Santo António, amor do Pai eterno

 Quando Santo António, andava pelo mundo, passou por estas bandas, isto segundo a lenda. Havia uma moça que tinha casado com um homem muito mais velho do que ela. Ora aconteceu que essa moça teve um filho dele. O homem não aceitava a criança, dizendo que não era filho dele.
 
Foto: http://hypescience.com/wp-content/uploads/2012/06/amor-de-pai.jpg
A moça passava os dias a chorar, com o desgosto de não ver a criança aperfilhada.
Santo António passou pela casa da rapariga e, ouvindo o choro, entrou e foi ver o que se passava. A moça contou-lhe tudo e logo o santo quis ajudar a resolver o problema.
O santo disse-lhe que voltaria no dia seguinte e recomendou-lhe que deitasse o menino no berço, com o pai de um lado do mesmo berço e a mãe do outro. E que seria a própria criança a dizer quem era o pai.
Ela assim resolveu fazer, incrédula no entanto, pois o menino só tinha um mês e ela não acreditava que ele conseguisse falar.
No dia seguinte, Santo António voltou à casa e dirigiu-se ao bebé dizendo-lhe:
— Levanta-te, aponta com o dedo e diz quem é o teu pai!...
A criança, levantou-se e apontando na direcção do homem, chamou-lhe pai.
Só assim o homem acreditou que era na verdade, o pai da criança.
O santo recomendou ao homem que fosse fiel a sua mulher e a seu filho, pois a verdade morava naquela casa.
Fonte: António J. Gonçalves, Monografia da Vila de Almodôvar  Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, Monumento ao Canteiro, picola maceta e escopro diz a pedra

 
Inaugurado em 13 de Julho de 2002, este monumento constitui uma merecida e justa homenagem aos Canteiros de Gáfete, homens simples, mas sábios, que transformam pedras em objectos de rara e grande valor arquitectónico.
O conjunto consta de uma “bujarda” ou “picola”; de uma “maceta” e de um “escopro”,instrumentos utilizados por estes artesãos no seu paciente trabalho e muitas vezes transformam pedras em verdadeiras filigramas.
Fonte: João Ribeirinho Leal, Monografia de Gáfete, 2013, Edição da CMC.

terça-feira, 17 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Tolosa, Apodo de Tolosa, a sucesso despercebido

 
Foto: M.Mendes, http://viladetolosa.blogspot.pt/2013/01/tolosa-antigamente-na-vila.html
Cucos são de Tolosa, concelho de Nisa, distrito de Portalegre.
Entre Gáfete e Tolosa há uma certa rivalidade, sem justificação, é certo que vem de longe, e promete continuar. É assim mesmo.
O Cuco põe os ovos no ninho das outras aves. É preguiçoso, portanto. Não serve neste caso, porque os tolosenses são activos e empreendedores.
É o Cuco ave migratória. Também os naturais de Tolosa têm as suas migrações periódicas, para lutar pela vida e seu justo anseio de melhorar a sua situação económica. Ainda assim, – mes compadres e minhas comadres -, esta posição é relativamente recente e não deve aceitar-se como justificativa para o apodo Cuco.
Ora – pois sabeis lá compadres – se os de Tolosa não são preguiçosos, e emigram há poucos anos para cá, parece-nos que temos de chegar a esta conclusão:
O Cuco também é manhoso, não há dúvidas, e sabe colher proveito da falta de cuidado dos indolentes. Instala-se, impõe-se e o resto se verá.
Fonte: Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental, Edição da Junta Distrital de Portalegre 1973, Alexandre de Carvalho Costa

domingo, 15 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Borba, Monumento aos Dadores de Sangue, a uma terra amor e regeneração

 

Localizado assim mes compadres e minhas comadres, na rotunda que intersecta a Avenida dos Bombeiros Voluntários com a EN 255, foi inaugurado no dia 8 de Julho de 2006, integrado no programa do XXIII Convívio Nacional e XVII Convívio Internacional de Dadores Benévolos de Sangue, que juntou nesta terra linda de Borba, pois compadre dirá a vossemecês, assim cerca de 1.400 dadores de sangue de todo o país.

Fonte e Foto: http://www.cm-borba.pt/pt/visitar/cidade/monumentos-de-homenagem
Monumento em Homenagem aos Dadores de Sangue, sob a forma de um coração, foi esculpido pelo escultor espanhol José Manuel Montiel Pulido em mármore da região, com a inscrição de um poema da autoria do poeta popular borbense António Prates, “Sangue é vida que se doa, numa terna e grata prova, do amor de uma pessoa, que pratica a Boa Nova”, inscrito também em braille…

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Gáfete, uma no Crato, a uma menina que lhe batia


A Vila teve a designação de: Vila Nova de S. João Baptista de Gáfete.
O "termo" era pequeno, tinha apenas uma légua e meia de comprimento por uma légua de largura. Mas o lugar de Gáfete, mereceu passar a ser uma Vila!
Em 1758 já tinha 207 "vizinhos", nome que se dava às famílias que constituíam a Vila de Gáfete, e uma população de 569 almas (pessoas).
A Igreja Matriz, bom templo de uma só nave, fica no centro da Vila. Notável o Altar - mor, em talha dourada que foi feito no século XVII (setecentista). Além disso tinha-mos 5 ermidas: S. Pedro, Sto António, Espirito Santo, S. Marcos e a de Santa Catarina, esta já destruída.
No século XVIII, Gáfete tinha uma albergaria para pobres e peregrinos que iam de passagem.
A Misericórdia, cuja Igreja é pequena (capela do Espirito Santo), tinha nessa época 80$000 réis de renda.
Só uma última nota para vermos a importância que Gáfete tinha no século XVI. No recenseamento mandado fazer por D. João III em 1532 viu-se que Gáfete tinha na altura 105 moradores e Tolosa só tinha 42 moradores.
Fonte: (Notas recolhidas pelo professor Viriato Nunes Crespo, através do professor Manuel Subtil (Torre do Tombo 105 Gaveta 5 - Março 1, nº 47), Fotos: CMC e AACRATO
  

terça-feira, 10 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, o Cante Alentejano, alma assim anda pelo mundo


A origem do Cante Alentejano mora algures numa zona-sombra da História. 
Ninguém, verdadeiramente, lhe descobriu ainda a fonte primeira. Eco de cantar árabe, tangido lá na distância de velha alcáçova, ou reminiscência do canto gregoriano, sedimentando o Verbo.
O poeta José Gomes Ferreira disse "nunca vi um alentejano cantar sozinho". (...). 
O Alentejo canta em coro, como sempre o terá feito. Mas o grupo coral não é a voz de uma solidão colectiva: é a adição de solidões individuais.
Nem o próprio cantar é uniforme. 
Tem altos e baixos. 
As vozes não soam todas ao mesmo tempo.
Há um ponto, um alto, um baixo.
Sons que se destacam no entoar moda, que é a soma da letra com a musicalidade das vozes.
A moda evolui, como tudo. A moda nasceu nos despiques da taverna, em redor do copo de vinho, nos ranchos da ceifa e da monda. Nasceu ao anoitecer no regresso dos ceifeiros a casa. Rompeu com os primeiros raios do astro, a surpreender os ranchos vergados sobre o trigo quando o trabalho se fazia "de sol a sol". 

O cante retrata a solidão e a tristeza. O amor e o trabalho. A alegria. O sol e a terra. O suor. Canta o trigo e as cegonhas. A emigração e a barragem do Alqueva. Canta a morte e a vida. Angústias e sonhos. Canta o homem perdido em incansáveis longitudes. É terno e quente. Ingénuo e grave. Sóbrio e triste. Solene como uma catedral. É como ela, eleva-se da terra, atingindo alturas tais que se mistura com o lamentodos descampados, não se sabendo já se são criaturas ou os próprios plainos que assim gemem.
É ao fim da tarde que o cantar se ergue. Levanta-se nas "vendas", cresce em redor do copo de vinho. Vem com a lua e com ela atravessa os ares. Temeroso, talvez, de o sol não voltar a nascer. 
Tantos são os cantares como os Alentejanos. 
As fronteiras do cante não têm de coincidir com as que, administrivante separam o Baixo do Alto Alentejo, ou os dividem a região pelos distritos de Beja, Évora e Portalegre. Os de Barrancos "cantam à espanhola e também à alentejana".
Pelo Redondo e por Campo Maior, ao longo de uma linha que se estende para a Beira Baixa, cantam-se "as saias" - cantar alegre, sem dispensar adufes.
Nos campos rasos de Castro Verde e de Ourique há trinados de viola campaniça. E por Vila Nova de S. Bento, Serpa, Cuba, ecoam os cantares em coro. 
Estas vilas erguem-se como das mais expressivas "catedrais do cante" alentejano.
Nos últimos anos o cante tem sido invadido por grupos instrumentais. Juntam às velhas letras os sons de violas e de bandolins, de concertinas e de órgãos electrónicos. Espécies de açordas com papo-secos.

O cuidado com o traje tem descido de Nível. 
Muitos corais, mesmo entre os que ainda não substituíram a música das vozes pela cacafonia dos sintetizadores terão perdido por completo o sentido estético de vestir. É possível escutar "castelo de Beja/ subindo lá vais/ tu metes inveja/ às águias reais" por ranchos equipados com vulgares calças de ganga de pronto a vestir, camisas brancas de fabrico em série e sapatos de ténis. Em vez da variedade etnográfica de traje surge uma farda. (...).
No entanto, autarquias e associações culturais ou de defesa do património têm vindo a procurar contrariar o pechisbeque. Estimulam festivais, encontros e concursos de grupos de cantares tradicionais. Contribuindo para a recuperação da memória de um povo.
Fonte: Portugal passo a passo - Alentejo, João Couto Nogueira e Pedro Ferro, Edições Ediclube...