quarta-feira, 4 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Almodôvar, a Escultura, o Sapateiro que está na rotunda

 
É difícil determinar a origem da vila de Almodôvar, a sua cultura e época. No entanto, compadres e minhas comadres, no entanto há registos de povos árabes, muçulmanos em mapas do século VII, em que a cidade era chamada de Al-Mudura que siginifica "coisa redonda ou cerca redonda".
Almodôvar, terra de sapateiros entre os anos 1940 e 1970. No sul do país, pois vos direi compadres, era a zona com mais indústria manual de calçado com cerca de 200 artesãos.
Os industriais e oficinas trabalhavam com o intuito de participar nas feiras. Por todo o Alentejo os sapatos e as botas tinham fama, pois em todas as feiras havia uma rua com todos os sapateiros, a qual davam o nome de rua de Almodôvar.
Numa rotunda da vila, foi erigida uma impressionante escultura com 6 m de altura em homenagem à arte dos sapateiros desse tempo. A obra em si, é do escultor Aureliano Aguiar. Feita ela, com pedaços de ferro recuperado de todos os tipos.
 

 
 
 
 
Esta é uma escultura que foi concebida em homenagem ao Sapateiro e que visou promover, divulgar e valorizar o ofício tradicional de sapateiro enquanto elemento identitário da Vila de Almodôvar e torná-lo fator de atratividade turística.
Esta impressionante escultura de Aureliano Aguiar, foi construída de forma a relembrar este ofício, que atravessou várias gerações, às vezes dentro das mesmas famílias, e foi considerado, em tempos não muito distantes, um dos principais meios de subsistência do concelho, tendo chegado a contar com cerca de 200 sapateiros no ativo.
Utilizando diversos materiais de ferro velho e com os seus 6 metros de altura, vale a pena parar por 5 minutos para contemplar este magnífico trabalho.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Fonte e Chafariz do Telheiro, Monsaraz, a um gosto a Reguengos de Monsaraz

 
Fonte e Chafariz do Telheiro, a um gótico. Chafariz que ficou concluído em 1422, construído em alvenaria grossa, rematada por merlões piramidais. Fonte setecentista, de construção regional, decorada por frontões com enrolamento. Em 1930 foram feitas diversas obras, pois assim mes compadres, para reformar esta construção…
 

domingo, 1 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Borba, Monumento ao Bombeiro, a um profissional de coração

  
 
De forma a demonstrar a gratidão e reconhecimento pelo trabalho prestado pelos bombeiros ao concelho, sempre ao lado dos mais desprotegidos e da segurança das populações, a autarquia inaugurou no dia 24 de Setembro de 2005 um Monumento de Homenagem aos Bombeiros Voluntários na Avenida dos Bombeiros Voluntários de Borba, a poucos metros do quartel da corporação de Bombeiros Voluntários de Borba.


Para a elaboração deste monumento, da autoria de Norberto Alpalhão, foi utilizado mármore do concelho, oferecido gentilmente pelas empresas A. Bento Vermelho, Lda, Criamármores, Lda e Plácido José Simões, S.A., e o trabalho de escultura foi efectuado pelo escultor borbense António Pereira Anselmo.

Foto e Fonte: http://www.cm-borba.pt/pt/site-visitar/cidade/monumentos%20de%20homenagem/Paginas/bombeiros-volunt%C3%A1rios.aspx

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Évora, Rotunda Manuel Francisco, a Manel que tinha uma gaita

Com outros cidadãos e alguns autarcas, pois se dirá a vossemecês mes compadres e minhas comadres, Manuel Francisco, compadre foi um dos principais promotores da Volta ao Alentejo em Bicicleta - prova mais importante do panorama ciclista da região e que teve em 2012 a sua 30ª edição.

Foto: Felix Stowe, http://www.panoramio.com/photo/99189415
“Manel da Gaita” foi um empresário do ramo das duas rodas que na sua juventude se notabilizou como ciclista, representando as cores do Juventude Sport Clube, tendo mais tarde sido treinador da equipa de ciclismo do mesmo clube.
A escultura, mes comadres e minhas comadres, a obra de arte mostrada nas fotos, a peça escultórica, ela representa três bicicletas "em movimento”, e pretende a sua linha e o traço o simbolizo e a paixão que o eborense Manuel Francisco, ou Manel da Gaita como por todos era conhecido, sempre dedicou ao ciclismo.
 
Foto e Fonte: http://www.geocaching.com/geocache/GC3RB2G_rotunda-manel-da-gaita?guid=8705d0dc-a8b4-4007-9c5b-89318a7e5c23
É uma peça concebida por Miguel Araújo e criada por Alberto Silva, que se encontra instalada desde 2009 na agora denominada ‘Rotunda Manuel Francisco’, na entrada sul da cidade de Évora, assim no lugar da Horta das Figueiras.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, a Rotunda ao Bombeiro, Évora, a terra a do homem da paz

 
O conjunto escultórico, da autoria de Armindo Alípio Pinto, é a expressão de uma homenagem da cidade de Évora aos seus bombeiros voluntários, que teve lugar em 1991.
Edificado pela Câmara Municipal na rotunda junto à Escola Secundária Gabriel Pereira (uma das primeiras rotundas a ser construída na cidade) pretende simbolizar o perfil de um capacete de protecção.
 
 
 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, a terra que é de Fé, a escultura em pedra a de um património religioso

 
Castelo de Vide:
São Gregório Magno
proveniente da igreja de Sant' Iago Maior
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
Sant' Iago Maior
proveniente da igreja de que era orago
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
São Paulo
(proveniente da ermida com o mesmo nome, hoje em ruínas?)
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
Santo André
proveniente da igreja do Salvador do Mundo
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
São Pedro apóstolo
proveniente da igreja homónima
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
São Lourenço
proveniente da igreja do Salvador do Mundo
(séc. XVI)
Castelo de Vide:
Santa Maria da Devesa
orago da igreja do mesmo nome 
(séc. XV, oficina de João Afonso)
Castelo de Vide:
Santíssima Trindade
na igreja matriz de Santa Maria da Devesa
(séc. XV)
Castelo de Vide:
santo sem atributos
no Museu de Arte Sacra
(séc. XV)
Castelo de Vide:
São Vicente
na igreja de Santa Maria da Devesa
(séc. XVI, escola de Coimbra)
Castelo de Vide:
Nossa Senhora do Ó
da igreja de Santa Maria da Devesa
(século XV)
CASTELO DE VIDE:
Nossa Senhora da Conceição
existente na fachada da igreja do convento franciscano 
e proveniente de uma quinta que aí se situava
(séc. XVI)

Fonte e Foto: Ruy Ventura,  http://nortealentejano.blogspot.pt/search/label/Escultura%20em%20pedra

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Tolosa, Topónimo de Tolosa, a porta da vida se dita do amor


De informação Particular, de 6 de Janeiro de 1977, oferecida por António Augusto Batalha Gouveia:
"Dos inúmeros topónimos portugueses cuja origem lexial remota a um passado linguístico pré-indo-europeu, TOLOSA é um deles como se irá ter ocasião de verificar.
Tem-se dito que esta graciosa vila do Alto Alentejo foi fundada por elementos do mesmo clã que no sudoeste francês e na vizinha Espanha fundaram outras "Tolosas".
Quer isto dizer que o estudo relativo à origem do topónimo Tolosa servirão simultâneamente aos três países.
Acerca da Tolosa francesa (Toulouse), o Grande Larouse refere que o nome da importante cidade do Alto-Garona teria origem no apelido do rei mítico Tolus, descendente de Jafeth, um dos filhos do Noé bíblico. Por esta lenda, que alguma verdade encerra, se pode aquilatar da extrema antiguidade do topónimo Tolosa.
O interesse da lenda reside na circunstância de os escribas bíblicos considerarem Jafeth como o ancestral dos povos não semíticos nem camíticos, o que o coloca como o Pai dos povos indo-europeus e asiânicos.

Estes asiânicos também conhecidos pelos nomes de turânicos ou simplesmente túrias, cujo "ubi", original havia sido o planalto do Turam, habitavam a Ásia Central e Setentrional, tendo-se dividido em três grupos a saber: os Sumérios, que ocupam o sul do Iraque: os Hurritas, que se estabeleceram entre a Síria e o Iraque, e finalmente, os Pro-Hititas que se espalharam pela Anatólia.
Entre os quatro e terceiros milénios da nossa era, operou-se uma migração maciça dos povos turânicos, os quais irradiaram para o Ocidente em várias direcções, tendo atingido a Itália, a Gália e a Ibéria.
Na Itália fundaram o reino da Atúria, nome que os romanos corromperam em Etrúria, designando o mar que lhes ficava fronteiro de Turano, fonetizando Tyrreno pelos habitantes do Lácio.
Os turanos ou túrias, tinham como tótem tribal o touro (da raiz Tur), o qual era associado aos astros que comandavam as forças vitais da natureza, principalmente aquelas relacionadas com as perturbações atmosféricas.
O nome português tirano tem origem no gentílico turano, envolvendo aquele o conhecido conceito de "soberano absoluto" ou "despótico".

Entre os etruscos, conhecidos pelos gregos sob o nome de Tyrrenos, pontificava uma deusa do mar chamada Turam, a qual tinha a beleza fascinante da Afrodite grega e da Vénus romana.
Na faixa ocidental ibéria, os historiadores antigos registam a presença de clãs turânicos, tal como se reconhece nos gentílicos Turdetanos, Turoldis, Turones, Túrdulos, etc., povos que habitavam principalmente a área compreendida entre o Rio Mondego e o Litoral Algarvio.
O topónimo pré-cristão de Portalegre era Turóbriga, a qual a Turóbriga foi tempos pré-romanos sede de uma área cultural dedicada a uma divindade Atalgina Turobrigensis Dea.
O fonetismo incipiente das falas pré-indo-europeias, deu lugar a que o timbre da vogal imediana nas bases triliterais sofresse variações, o que fez com que a voz Tur também revestisse a prosódia Tar, a qual, por sua vez desenvolveu os heterófones Thar, Dar, e Der.
Os antigos Persas e os Babilónios, além de decorarem os painéis de tijolos envernizados das portas das cidades, com frisos de touros alados, postavam ainda dos seus lados esculturas de touros antropocéfalos, com a missão religiosa de guardarem e protegerem os citadinos.
Esta circunstância provocou na esfera semântica a conotação dos conceitos "Touro" e "porta" e daí o antigo alto-alemão Turi (actual Tor), o germânico dur, o antigo inglês duru (hoje door) e o grego Thura, todos com o sentido de "porta". Por seu turno o antigo Persa dispunha da variante Thar (actual Dar) para dominar a "porta".

A voz asiânica supracitada Turu "Touro" ou "porta" além do referido termo helénico Thura "porta" desenvolveu ainda a variante dialectual grega puros, donde o topónimo homérico Pylos designativo de Porta. A histórica cidade real persa Astar, também grafada Assar, foi pelos gregos apelidada de "Cem Portas" - Hekatompylos.
A dicção Tur ou Turu, por variação do ponto de articulação da variante r, evolui para Tul, Tulu, Tol, Tolu, etc., fenómeno este comum ao acima citado Puros helénico (Pylos).
Aquando da restauração da Porta de Isthar (corrupção caldaica da voz Astar, literalmente "Deus da Porta" ou "Planeta de vénus") na cidade da Babilónia, ordenada po Nabukhodonosor, este mandou gravar em placas de barro cozido os seguintes dizeres "... revesti a porta com tijolos esmaltados de azul, sobre os quais estavam representados touros selvagens e dragões. Mandei colocar sobre a Porta vigas de cedro revestidas de cobre, com seus suportes de bronze. Altivos touros de bronze e dragões furiosos foram postados à entrada. Embelezei esta porta a fim de provocar a admiração de todos os povos". (Babylone, colecção "Que Sais-je?)
Esta "vaidade" de Nabukhodonosar haveria de se transmitir à posteriedade na expressão portuguesa Tolo (de Tolu "porta"), o que aliás é corroborado pelo alemão Tor (Tolo e porta). Desta forma se encontra investigado o primeiro termo constituido do topónimo Tolosa, isto é Tol ou Tolu; irei seguidamente examinar o segundo, ou seja osa.
Quando estudei o topónimo Nisa, aludi ao tema Usa ou Uza como sendo um dos nomes pelo qual era conhecido o planeta Vénus. O Assírio dispunha igualmente da palavra Usa para denominar aquele planeta, já então considerado como o símbolo astral do amor, tendo o mesmo nome passado ao árabe com igual significado.
Donde priviria o termo assírico Usa? Os asiânicos, designadamente os Sumérios chamavam ao Sol o deus Utu. A páreda deste, Uta foi o protótipo do latim Uita "vida". Uta desenvolveu ainda os alófonos Utha, Utsa e finalmente Uza: O nome que os babilónios davam ao seu Noé diluviano era o de Uta - Napyshtym o qual se pode traduzir por "Vida das águas do Senhor".
A propósito do latim Uita oiçamos o que a seu respeito diz o eminente latinista A. Meillet:
"Acerca do latim uita "vida", não tenho a certeza se ele deriva de uinus, "vivo" ou se, por outro lado, não repousará sobre um antigo "gwita" prototipo do grego biotos, encurtado na forma "bios" "vida".
Eis, pois, chegado ao fim deste estudo.
O toponómio Tolosa traduz, como se acaba de ver, o mesmo conceito religioso que os babilónios davam, à maravilhosa PORTA DE ISHTAR, isto é, PORTA DE VÈNUS, PORTA DO AMOR, ou PORTA DA VIDA.
Não admira, pois, que os Tolosanos ou Tolosenses hajam consagrado a sua vetusta terra a Nossa Senhora da Encarnação, a qual através do amor vai servindo os desígnios de Deus."
Fonte: Alexandre Carvalho da Costa, Nisa, Suas Freguesias Rurais