quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Monforte, Ponte na ribeira de Monforte, um Alentejo que bate ao Norte


No comum aceite, pois mes compadres e minhas comadres , apesar da designação que lhe dão, uma ponte romana, não está lá assim muito bem confirmado o nome que lhe dão, o de uma ponte romana.
Deixando lá a coisa, a galinha ou lá o ovo, é ela classificada como imóvel de Interesse Público, a classificação assim a ela a lhe deu, o Decreto n.º 29/90 de 17 de Julho.

Ponte assim esta feita mes compadres e minhas comadres, com uma composição de sete arcos. Uma curiosidade apresenta ela com uma altura e abertura desigual, indo os mesmos diminuindo do centro para as extremidades, que suportam o tabuleiro de perfil em cavalete e que é protegido por guardas.
Uma estrutura pois que se diga assim a vossemecês, seria ela assim constituída por 12 arcos, no entanto, hoje em dia apresenta sete com abertura e altura desigual, diminuindo do centro para as extremidades. Tabuleiro nela assim rampeado, em cavalete, protegido por guardas e calcetado.
Ponte pois que vos direi mes compadres e minhas comadres, ponte já  existia em 1321 e é assim construída, direi eu a vossemecês, entre os séculos II e IV d.C.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Reguengos de Monsaraz, Apodo de Reguengos de Monsaraz, a terra da vinha

À medida que a histórica vila de Monsaraz – bastião importante da linha defensiva da fonteira – perdia importância militar, deixando mesmo de ser sede de concelho, em 1836, as terras de Reguenguinho, Ramila e Mon Real assumiam notoriedade económica e administrativa, tendo sido criado, ipso facto o concelho de Vila Nova de Reguengos (hoje Reguengos de Monsaraz), em 1840, que secundarizou, definitivamente, a povoação de Monsararaz.
Ditos tópicos: Filhos d´ácêpa; As mulheres são borrachêras.
 
Foto: Paulo Moreira, http://retratosdeportugal.blogspot.pt/search/label/Reguengos%20de%20Monsaraz
- Bom Dia Alentejo!
Olá compadres e minhas comadres e lá assim malta, venham daí. Venham a elas.
Sabeis que assim pois compadres e minhas comadres, graciosa terra assim uma terra de - muitos bons vinhos, e uns afamados muitos bons néctares do deus Baco, possuidora ela, eu estou dizendo a vossemecês compadres, de grandes vinhas, com belas e vistosas cepas. Assim pois que o entendeis lá, os seus habitantes passam por ser amigos da pinga, isto é Filhos d`ácêpa.
E as mulheres – estas minhas e doces lindas desta minha terra, esta alentejana – por extensão pois que vos direi a vossemecês mes compadres, mas provavelmente sem grande proveito, passam a ser conhecidas por Borrachêras, como rezam os seguintes versos rifaneiros: As do Campino são bruxas;/ de S. Marcos, feiticeiras,;/ da Cumeada manhosas;/ de Reguengos, borrachêras.
Fonte: J. A. David de Morais, Ditos e Apodos Colectivos, Estudo de Antropologia Social no Distrito de Évora.

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, a Anta de Alpalhão, a uma porta da vida no tempo

 
Foto: Quico Photography, http://www.panoramio.com/photo/94106750
Esta anta de Alpalhão, mes compadres e minhas comadres, é uma das esculturas que se criaram na vila de Alpalhão, em uma das suas bienal. Vos direi eu, ela representa uma homenagem ao granito, a esta terra de Alpalhão e suas gentes que o trabalham.
Com este monumento se fez uma homenagem a todos aqueles que dedicaram e dedicam à pedra grande parte da sua vida. Mas também se homenageia a matéria, garante de sustento de tantas famílias da região.
A Anta de Alpalhão, representa por si só a força do homem, a sua fé, a necessidade de perdurar a sua história no tempo. Erigi-la foi reverendar todos aqueles que fizeram da pedra um marco para a eternidade. Desde a pré-história aos nossos tempos.
É uma obra do escultor António Redondo e situa-se ela, perto da Igreja do Calvário...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Fonte da Vila, a terra da Ponte de Sor, prata as pedras os arreais limpava


Mes compadres e minhas comadres, compadre Fonseca Henriques, ano da graça de 1726, o seu Arquilégio Medicinal já a localizava:
“Na vila de Ponte do Soro ha uma fonte que tem conhecida virtude para achaques de pedra e areais, como se tem experimentado muytas vezes.”

Foto: josebotelheiro, http://7.fotos.web.sapo.io/i/N3601d580/6306614_JFtVU.jpeg
Sua construção, ao que parece mes compadres, a compadre el-rei D. João V direitos de autor a ele se lhe deve. Bela, mas maravilhosa fonte, de mão doce dada com a Vila, na caminhada com ela cresceu.
Ela fica junto à ponte velha.
Dizem as trovas do vento, mes compadres e minhas comadres, dizem as trovas do vento, um dos ex-libris da cidade de Ponte de Sor.
Feita no século XVIII, ficaria no mundo destas terras cidade…


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, Milagre o foi, Foi o Manto da Senhora da Alegria

 
Conta-se que uma certa noite, - mês compadres e minhas comadres - já a obra do Convento de Castelo de Vide ia muito adiantada, - sabeis - irrompe um incêndio, que devasta tudo o que já estava feito.
O povo acorre bem depressa. As labaredas levavam tudo à sua frente, e o armazém de pólvora ficava ali bem perto. A água estava longe e difícil de carregar, pois era preciso ir buscá-la à fonte da vila, à fonte do Rossio ou ainda à fontinha de Santa Ana.
Tudo parecia perdido. Então, toda a população se voltou para a Igreja da Senhora da Alegria e, numa explosão de fé, implorou à Senhora que lhe acudisse.
Como que por encanto, o incêndio extinguiu-se.
No outro dia, toda a gente se reuniu em frente da Igreja da Senhora da Alegria para rezar e agradecer tão magnânima protecção.
E todos quiseram beijar-lhe os pés, mal se atrevendo a olhar o seu rosto. De súbito, alguém que agarrava o manto de púrpura e ouro que cobre a imagem grita:
— Milagre, milagre!
Uma das pontas do manto estava queimada, porque a santa com ele havia apagado o fogo.
Fonte: Fernanda Frazão, Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano Lisboa, 2006, Apenas Livros, p.107-108

sábado, 24 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Alegrete, Banda de Alegrete, a uma Banda de força a tocar a terra em frente

 
Anteriormente, - mes compadres e minhas comadres -, Sociedade Recreativa e Musical Alegretense, foi ditosa Sociedade fundada, lá decorria o ano longínquo de 1867. Inicialmente, foi constituída por 20 pessoas que residiam na povoação de Alegrete.
A data da constituição da Banda – vos direi assim minhas comadres e mes compadres – dia 8 de Dezembro é considerado, como sendo ele, o da data da constituição da banda, que teve como sede uma pequena sala cedida por um dos executantes e fundador da Filarmónica.
Dando-lhe o seu devido seguimento, uma melhoria significativa veio com a utilização – pois vos direi a vossemecês – da antiga capela do Espírito Santo, onde se manteve até 1981.
Foi o seu primeiro regente e fundador – o compadre – José Augusto Servo, natural – compadre – de Alegrete.
- Como em tudo na vida pois a vossemecês direi -, a banda sofreu um pequeno interregno da sua actividade, por cerca de dois anos, mantendo, a partir da daí, a sua actividade ininterruptamente. Foi a ditosa reestruturada em 1919, pelo Capitão do exército, António Miranda Branco, tendo sobrevivido até – aos lindos dias - de hoje.
 
Por uma subscrição pública – assim mes compadres e minhas comadres mesmo – compram-se os primeiros instrumentos, alguns dos quais se encontram expostos no seu pequeno museu, onde, muito bem, estão também as fotografias dos músicos que actuaram na banda durante mais de 50 anos, e ainda o de algumas pessoas que deram significativo contributo para a conservação e melhoramentos em favor da Banda.
Em algumas situações, os próprios músicos tiveram que adquirir, à sua custa, os instrumentos com que actuavam, nunca tendo podido contar com muito mais de quarenta elementos.
Dispõe agora – a Banda - de uma sede própria, excelente, com projecto do Sr. Eng.º José Rodrigues Raimundo, que muito deve ao dinamismo e esforço de algumas pessoas, como o Dr. Dinis Parente, o Sr. Fernando Trindade e muitas outras que colaboraram de várias formas, nomeadamente através da “campanha do cimento”.
Na sua sala de ensaios poderiam agora sentar-se o dobro dos elementos e tem óptimas condições acústicas, também estas, com muito carinho e inovação: foi instalado um tecto falso para criar uma superfície anti-reflexos (sem ecos) utilizando os cartões prensados de caixas para ovos, Barato e eficiente!
Uma nota curiosa – pois assim vos direi a vossemecês – para a campanha do cimento foram mandadas cartas a quase toda a gente pedindo colaboração. Não tendo sido enviadas cartas a algumas pessoas de baixos recursos, houve uma que muito se escandalizou – pois também é gente – por lhe não “terem pedido” e foi falar com o responsável dizendo-lhe; então tu achas-me com coragem de negar um saquinho de cimento para ajudar a nossa Banda? E deu dinheiro para cinco sacos!.

 
Foto: Emílio Moitas, http://arronchesemnoticias.blogspot.pt/2012/12/alegrete-banda-de-musica-da-sociedade.html
Este exemplo, entre muitos outros (não esquecendo aqueles que trabalharam gratuitamente, dias sem conta para ajudar a erguer esta obra) atesta o carinho – assim mes compadres e minhas comadres – que o povo de Alegrete dispensa a – esta - sua Banda.
Como cartão de visita da Vila de Alegrete, projectando-a para bem mais longe do que os limites, quer através do país quer para o estrangeiro, participando em tantas actuações em se ouvir com bom nível e sempre com muito grado.
Para além disso, foi ponto de partida, através do ensino da música, com os meios de que dispunha (até que em 1996 arrancou com a Escola de Música dirigida por um professor do Ensino Oficial) para que muitos pudessem optar por outro modo de vida actuando nas diversas bandas militares, GNR, G. Fiscal, PSP, da Gulbenkian, da Carris, etc., ou exercendo a sua actividade como professores de música, instrumental ou coral, em várias Escolas, onde muitos mostraram valor e ganharam prestígio.
Fonte: Alegrete : histórico, urbano e rural – João Manuel Marques Parente – 2003 – Edições Colibri.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, necrópole de Santo Amarinho, para a pradaria terra alentejana fazia


Do Periodo Medieval Cristão – mes compadres e minhas comadres – um conjunto de 16 sepulturas escavadas no solo, de forma trapezoidal cobertas com lajes de granito, orientadas a Nascente-Poente, na sua maioria sem espólio.
Para além destas sepulturas, atribuíveis ao período medieval, este local teria sido utilizado (também como necrópole) em período anteriores, nomeadamente romano. A confirmá-lo, identificou-se uma inscrição funerária datável do século I.

Foto e Fonte: Emílio Moitas, http://www.panoramio.com/photo/1253297
- É mes compadres e minhas comadres - esta necrópole de Santo Amarinho (Alta Idade Média - séc. VI-VII), constituída por quinze sepulturas de adultos e uma criança, e encontra-se em razoável estado de conservação e é, até ao momento, um dos maiores cemitérios do género encontrados no concelho.
As sepulturas são de inumação individual, são rectangulares e trapezóides e foram constituídas obedecendo à orientação nascente-Poente (pés-cabeça).
Escavada em 1974 por Maria da Conceição M. Rodrigues, foram exumados diversos recipientes cerâmicos que, no momento do enterramento, eram habitualmente depositados à cabeceira da sepultura".