segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Crato, Ponte do Chocanal, a uma capital em terra da medieval


Ponte do Chocanal – que mes compadres e minhas comadres - situa-se ela sobre a ribeira do mesmo nome, aqui, tão perto e junto, da graciosa vila a que um dia, uma grande Mãe a terra e as terras, a da ditosa vila do Crato. Venham daí malta. Venham a este Alentejo, a lo descobrir…

É – a ponte ditada mes compadres e que minhas comadres - constituída por três vãos e dois talha-mares e - pois vos direi a vossemecês - com arcos de volta inteira, que, embora parcialmente obstruídos pelo assoreamento do leito da ribeira, - eles - mantêm a dignidade e equilíbrio desta estrutura, perfeitamente ela tão enquadrada na paisagem envolvente.
Vulgarmente – pois o sabeis estas pontes - designada como “ponte Romana”, esta sólida construção em alvenaria de granito, ela data provavelmente do período medieval, embora as aduelas dos arcos, ligeiramente almofadadas, possam indiciar uma eventual origem romana ou – assim para terminar - uma reutilização de materiais anteriores.
Fonte: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/itinerarios/pontes-alentejo/

domingo, 18 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Castelo de vide, Fonte de S. Tiago, a terra do verde da água da vida


Desconhece-se a data de construção desta fonte, provavelmente seria aqui colocada aquando da edificação da igreja de S. Tiago (séc. XVI).
A fonte de S. Tiago fica situada ao fundo da Carreira de Santiago, incrustada na parede este da citada igreja.
 
Fonte e Foto: http://www.castvide.pt/photos/fontes_santiagomaior.html
Esta fonte é composta por uma estrutura de alvenaria de pedra, rebocada e caiada de branco e creme, ladeada por duas colunas do mesmo material.
Ao centro deste conjunto, contem uma moldura de pedra de granito, de onde saem duas bicas metálicas, jorrando água para um pequeno tanque de forma geométrica irregular também em granito, dentro do qual existem dois suportes em pedra que servem de base para a colocação de bilhas ou utensílios para encher do precioso líquido.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Mourão, Topónimo de Mourão, a terra da Cova da Moura

 
Foi esta povoação fundada pelos árabes no século XI, os quais lhe construíram as primeiras fortificações, e lhe deram o nome de Mogron, que significa – lapa, cova ou caverna – talvez por causa de alguma que ali encontrassem, do tempo dos celtas ou dos antigos lusitanos.
Parece que esteve abandonada e deserta, durante os reinados de D. Afonso Henriques, D. Sancho I e D. Afonso II, porque só temos notícias positivas de MOURÃO, corrupção de Mogron, no reinado de D. Sancho II, em que D. Gonçalo Egas, prior da Ordem Militar de S. João de Jerusalém, depois de Malta, a povoou em 1226, dando-lhe foral, que foi confirmado e muito ampliado por D. Dinis, por carta feita em Lisboa, a 17 de Janeiro de 1296.
(Do Arquivo Histórico de Portugal – Vol. II – 1890 – Pág. 194).
Da sua fundação nenhumas notícias históricas se possuem, devendo-se relegar para o campo da imaginação o pouco que a tal respeito se encontre num ou noutro escritor.
O que acerca da origem árabe do seu nome almogron, tremoceiro e morron, lapa ou caverna, se tem dito não passa de gramática parda pois a tal respeito consultei o meu erudito e destinto amigo e colega Dr. David Lopes, eminente professor de árabe.
O termo MOURÃO provém de Moura de cujo alfoz teria feito parte em remotos tempos.
(Do Concelho de Mourão – por Dr. Agostinho Fortes – inserto no Álbum Alentejano – Tomo II (Distrito de Évora) – 1935 – Pág. 422).

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Flor da Rosa, Igreja Paroquial de Flor da Rosa, uma graça que ficou na do Contestável

  
Foto: http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=52096&with_photo_id=37387700&order=date_desc&user=68287
A Igreja Paroquial, - mes compadres e minhas comadres, vos direi, - é um edifício moderno e construído no centro da povoação, desta minha linda Flor da Rosa.
Sem outro motivo de interesse que continuando mes compadres, além daquele de ali estar o túmulo de Frei Álvaro Gonçalves Pereira, fundador do Convento da Flor da Rosa e que se está vendo ao fundo pois vos direi, e que foi para esta igreja transferido em 1897, e de também guardar a célebre imagem de Nossa Senhora das Neves, hoje mais conhecida por Nossa Senhora da Flor, ou da Rosa, que pertenceu ao mesmo convento.
Esta imagem, de pedra policromada, tem todas as características de uma obra de origem ou de inspiração francesa da primeira metade do século XIV.

Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Igreja_matriz_de_Flor_de_Rosa_-_Crato.jpg
Segundo a tradição aceitável – assim mes compadres e minhas comadres - e à qual se referem Frei Agostinho de Santa Maria e outros muitos nossos cronistas antigos, a imagem data do tempo do sexto Prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira.
A Virgem, em posição levemente arqueada, ela está revestida de delicadas roupagens, segura e sustenta com o braço esquerdo o Menino, o qual, com a mão direita afaga a face esquerda da Virgem e tão assim muito maternal – que mês compadres e que minhas comadres.
O Menino, ele está assim meio nu e envolto em parte do manto da Senhora, que o cinge e cai no corpo em pregas graciosas.
A mão direita da imagem, ela parece sustentar uma parte do manto ou ter tido outrora diferente aplicação, como talvez a de sustentar uma flor.
O véu está preso por um pequeno diadema.
A policromia da imagem, que é ainda discreta, tem sido sem dúvida refeita por várias vezes. Mede 1m,20 de altura.
Fonte: Fonte: Inventário Artístico de Portugal, Luís Keil, 1943

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, S. Sebastião de Giesteira, Apodo de S. Sebastião de Giesteira, no extremo do Arco-da-Velha lhe está o tesouro

 
A freguesia de S. Sebastião de Giesteira pertence ao concelho de Évora.
Apodo colectivo e dito tópico: P`lacos, São do arco-da-velha.
Os seus rivais, os vizinhos da Boa Fé, chamam aos giesteirenses P`lacos (por Polacos), dado os de S. Sebastião da Giesteira lhes chamarem Trucos (Trucos, por metátese de Turcos) – e lhe estarás assim entendendo, mes compadres e minhas comadres -. Trucos e P´lacos –seriam assim pois sabeis – como que habitantes de “terras do fim do mundo”…
Todavia, - compadres e minhas comadres – os habitantes do Escoural chamam aos habitantes da Giesteira Placos por uma razão diversa (seriam indivíduos que deslocaram a placa de sinalização), e isso teria a ver com a deslocação de uma placa indicadora do limite entre as duas freguesias, que pertencem a concelhos diferentes (S. Sebastião pertence a Évora e o Escoural pertence a Montemor-o-Novo – e o compreendereis assim mes compadres e que minhas comadres.
Foto: Almanaque Místico, http://almanaquemistico.blogspot.pt/2013/02/a-lenda-do-arco-iris.html
Quanto à zombaria São do arco-da-velha, M. P., um doente nosso, de 72 anos (25/05/1996) diz-nos que o arco-da-velha é ali utilizado para designar o arco-íris. Popularmente – pois o compadre o diz -, afirma-se que no extremo do arco-íris está guardado um tesouro. Assim, - que compadre lá termina pois sabeis – quando o arco-íris aparece, os de São Sebastião da Giesteira andam desnorteados, à procura do extremo do arco-da-velha…
Ai ai e que ai, é lindo não é, que mes compadres e minhas comadres? E eu, que pois para terminar no cante da vadia alentejana, eu que vos digo, é puro Alentejo de um ar muita puro.
Fonte: J. A. David de Morais, Ditos e Apodos Colectivos, Estudo de Antropologia Social no Distrito de Évora.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, terras de Alter do Chão, Fonte no Olímpio Barreto Murta, a igreja de Sant`Ana a dizer que o céu é o limite

 
Fonte no Largo Doutor Olímpio Barreto Murta em Alter do Chão.
Fonte neobarroca e revivalista. Tem pináculo gigante ao centro e quatro peixes, apresentando elementos decorativos de estilo barroco.
Via, Maria Lourdes Ribeiro.
E construída no século XIX- mês compadres e que minhas comadres -, uma fonte neo-barroca se vos dirá.
Ela que possui pois assim um tanque octogonal, e que ao centro - compadres e minhas comadres - do tanque, um pináculo gigante com quatro peixes, a encimar as bicas que malta minha.
E no mesmo largo se dirá a vossemecês, encontra-se a igreja de Sant’Ana. Séc. XVII, assim ela datando. Possui assim painéis de azulejos de muito boa qualidade, a representar cenas da vida da Virgem. De muito boa qualidade pois que se dirá a vossemecês, sofreu ela poucas alterações e mantém as características da sua época de construção.
Fonte e Foto: www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx?wp=GC17TVQ

sábado, 3 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Indumentária Alentejana, Alentejo, a uma segunda pele da alma que gente

 
O modo de vestir das populações rurais do Alentejo – deste meu Alentejo e vosso - foi uma das características mais curiosas, mais típicas do povo alentejano. O traje tornava inconfundível o homem do campo, em qualquer aglomerado de gente, por maior que fôsse-feira ou romaria.
Resistindo à influência da moda, cujo despotismo, sobretudo nos tempos correntes, todos nós conhecemos, o vestuário do camponês alentejano manteve-se inalterável, na sua essência pelo menos, durante largos anos, dando a impressão de que permaneceria sempre invulnerável à acção caprichosa da moda, e à influência dos usos e costumes de outros povos.
O vestuário do alentejano – era assim mes compadres e que minhas comadres, assim – uma espécie de cartão de identidade, uma certidão de proveniência, um documento que identificava o respectivo portador sob o ponto de vista provincial, em qualquer parte que aparecesse.
O cosmopolitismo da vida moderna, devido à facilidade e rapidez de comunicação, determinou o estreitamento e frequência de relações entre as populações mesmo afastadas, resultando deste facto a penetração de costumes alheios e a consequente alteração dos próprios.
Esta terá sido, a nosso ver, uma das razões por que o nosso Alentejo tem perdido um pouco o seu característico individualismo sob o ponto de vista da indumentária. (…)

Falemos primeiro do vestuário de trabalho.
Os rurais alentejanos, ainda no 3.º quartel do séc. XIX usavam calção de briche ou de tripe, polainas de saragoça, altas, chegando quási ao joelho, abotoadas do lado de fora com botões numerosos, de pouco valor. Vestiam camisa branca, feita de pano de fabrico caseiro, tendo o peitilho mais ou menos rendilhado, os ombros com sua bordadura e às preguinhas.
O colarinho era alto – assim minhas comadres e que mes compades –, com duas ou quatro casas, onde entravam os botões, ordinariamente de prata o que não é para admirar, visto que ainda então a indústria e venda de jóias de pechisbeque se não tinha desenvolvido. Os botões dos punhos eram igualmente de prata, com corrente.
Por cima da camisa usavam o colete de tecido escuro (surrebeca em geral) e a clássica jaqueta, chamada também véstia.
O chapéu – aquele enorme chapéu alentejano – era o principal distintivo do camponês do Alentejo.
Grande – assim compadres e que minhas comadres – com suas abas enormes recurvadas, preto, redondo, colossal, o chapéu tinha ainda como acessório uma grande borla fixa, o portador colocava ao lado esquerdo, quando fazia uso dele, e da qual muito se ufanava.

No tempo invernoso usavam, como hoje ainda, para se defenderem do frio e da chuva, os safões, o pelico, espécie de colete de pele com todo o pêlo, sem botões nem mangas e de enfiar pela cabeça; e finalmente uma outra pele presa à cintura por correias e destinada a proteger as nádegas.
Por cima de tudo usavam um capote – assim pois estou dizendo a vossemecês – ainda hoje bastante frequente, com mangas curtas e apenas um cabeção. Os ganadeiros – pois assim minha gente -, especialmente os guardas de gado lanígero, mais expostos às inclemências do tempo, traziam, como agora ainda em alguns pontos, samarra de pele de ovelha com o pêlo conservado.
Um dos acessórios do vestuário era a cinta, larga e comprida faixa de algodão, terminando em franjas nas duas extremidades, que se enrolavam amplamente em volta da cintura, prendendo a extremidade livre de modo que a franja pendesse ao lado.
O traje de festa, à parte o calção, as polainas e o chapéu, sofreu mais profunda transformação do que o do trabalho, pois o de hoje pouco tem do que do outro tempo.

Constava este de camisa branca engomada com peitilho vistoso, de renda; colete rameado ou liso, jaqueta com alamares de prata – 3 pares em geral - ; calção de tripe duma bela cor azul, muito vistoso, com duas abotoaduras constituídas por grande número de moedas de prata que iam do joelho à cinta, fivelas de prata na parte inferior do calção; polainas escuras, de briche, abotoadas, com moedas de prata, em toda a altura, excepto na parte superior em que ficavam propositadamente desabotoadas para se poderem entrever as meias brancas; ligas vermelhas segurando as polainas, com cordões de outra cor pendendo à frente.
Entre a cinta, que era de merino, (ou cor de vinho ou encarnada) e o colete, era entalado à frente um lenço, ordinariamente de seda, vistoso e flamante.
Os botões do colarinho e dos punhos eram de oiro – como estais lendo mes compadres e que minhas comadres, de oiro – como competia ao traje de gala.
Como cúpula desta vistosa indumentária, via-se o clássico chapéu redondo que pouco diferia do descrito.
Em certas solenidades era indispensável o uso da capa, vistosa peça de particular apreço. Era de pano azul escuro, farta, rodada e bastante comprida. Na gola, tinha alamares de prata. Algumas eram forradas, pelo menos nas orlas da frente. Também se usavam capas de briche escuro.
Seria curioso acompanhar a lenta evolução da indumentária masculina, desde as calças de alçapão, imediatas sucessoras dos calções, até aos nossos dias: mas vai longo este, por isso ficamos por aqui.
E foi assim mes compadres e que minhas comadres, e que foi assim pois que vos o digo, Manuel Subtil, Indumentária rural do Alentejo, Revista Casa do Alentejo, 194(?).