quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, S. Sebastião de Giesteira, Apodo de S. Sebastião de Giesteira, no extremo do Arco-da-Velha lhe está o tesouro

 
A freguesia de S. Sebastião de Giesteira pertence ao concelho de Évora.
Apodo colectivo e dito tópico: P`lacos, São do arco-da-velha.
Os seus rivais, os vizinhos da Boa Fé, chamam aos giesteirenses P`lacos (por Polacos), dado os de S. Sebastião da Giesteira lhes chamarem Trucos (Trucos, por metátese de Turcos) – e lhe estarás assim entendendo, mes compadres e minhas comadres -. Trucos e P´lacos –seriam assim pois sabeis – como que habitantes de “terras do fim do mundo”…
Todavia, - compadres e minhas comadres – os habitantes do Escoural chamam aos habitantes da Giesteira Placos por uma razão diversa (seriam indivíduos que deslocaram a placa de sinalização), e isso teria a ver com a deslocação de uma placa indicadora do limite entre as duas freguesias, que pertencem a concelhos diferentes (S. Sebastião pertence a Évora e o Escoural pertence a Montemor-o-Novo – e o compreendereis assim mes compadres e que minhas comadres.
Foto: Almanaque Místico, http://almanaquemistico.blogspot.pt/2013/02/a-lenda-do-arco-iris.html
Quanto à zombaria São do arco-da-velha, M. P., um doente nosso, de 72 anos (25/05/1996) diz-nos que o arco-da-velha é ali utilizado para designar o arco-íris. Popularmente – pois o compadre o diz -, afirma-se que no extremo do arco-íris está guardado um tesouro. Assim, - que compadre lá termina pois sabeis – quando o arco-íris aparece, os de São Sebastião da Giesteira andam desnorteados, à procura do extremo do arco-da-velha…
Ai ai e que ai, é lindo não é, que mes compadres e minhas comadres? E eu, que pois para terminar no cante da vadia alentejana, eu que vos digo, é puro Alentejo de um ar muita puro.
Fonte: J. A. David de Morais, Ditos e Apodos Colectivos, Estudo de Antropologia Social no Distrito de Évora.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, terras de Alter do Chão, Fonte no Olímpio Barreto Murta, a igreja de Sant`Ana a dizer que o céu é o limite

 
Fonte no Largo Doutor Olímpio Barreto Murta em Alter do Chão.
Fonte neobarroca e revivalista. Tem pináculo gigante ao centro e quatro peixes, apresentando elementos decorativos de estilo barroco.
Via, Maria Lourdes Ribeiro.
E construída no século XIX- mês compadres e que minhas comadres -, uma fonte neo-barroca se vos dirá.
Ela que possui pois assim um tanque octogonal, e que ao centro - compadres e minhas comadres - do tanque, um pináculo gigante com quatro peixes, a encimar as bicas que malta minha.
E no mesmo largo se dirá a vossemecês, encontra-se a igreja de Sant’Ana. Séc. XVII, assim ela datando. Possui assim painéis de azulejos de muito boa qualidade, a representar cenas da vida da Virgem. De muito boa qualidade pois que se dirá a vossemecês, sofreu ela poucas alterações e mantém as características da sua época de construção.
Fonte e Foto: www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx?wp=GC17TVQ

sábado, 3 de janeiro de 2015

Bom Dia Alentejo, Indumentária Alentejana, Alentejo, a uma segunda pele da alma que gente

 
O modo de vestir das populações rurais do Alentejo – deste meu Alentejo e vosso - foi uma das características mais curiosas, mais típicas do povo alentejano. O traje tornava inconfundível o homem do campo, em qualquer aglomerado de gente, por maior que fôsse-feira ou romaria.
Resistindo à influência da moda, cujo despotismo, sobretudo nos tempos correntes, todos nós conhecemos, o vestuário do camponês alentejano manteve-se inalterável, na sua essência pelo menos, durante largos anos, dando a impressão de que permaneceria sempre invulnerável à acção caprichosa da moda, e à influência dos usos e costumes de outros povos.
O vestuário do alentejano – era assim mes compadres e que minhas comadres, assim – uma espécie de cartão de identidade, uma certidão de proveniência, um documento que identificava o respectivo portador sob o ponto de vista provincial, em qualquer parte que aparecesse.
O cosmopolitismo da vida moderna, devido à facilidade e rapidez de comunicação, determinou o estreitamento e frequência de relações entre as populações mesmo afastadas, resultando deste facto a penetração de costumes alheios e a consequente alteração dos próprios.
Esta terá sido, a nosso ver, uma das razões por que o nosso Alentejo tem perdido um pouco o seu característico individualismo sob o ponto de vista da indumentária. (…)

Falemos primeiro do vestuário de trabalho.
Os rurais alentejanos, ainda no 3.º quartel do séc. XIX usavam calção de briche ou de tripe, polainas de saragoça, altas, chegando quási ao joelho, abotoadas do lado de fora com botões numerosos, de pouco valor. Vestiam camisa branca, feita de pano de fabrico caseiro, tendo o peitilho mais ou menos rendilhado, os ombros com sua bordadura e às preguinhas.
O colarinho era alto – assim minhas comadres e que mes compades –, com duas ou quatro casas, onde entravam os botões, ordinariamente de prata o que não é para admirar, visto que ainda então a indústria e venda de jóias de pechisbeque se não tinha desenvolvido. Os botões dos punhos eram igualmente de prata, com corrente.
Por cima da camisa usavam o colete de tecido escuro (surrebeca em geral) e a clássica jaqueta, chamada também véstia.
O chapéu – aquele enorme chapéu alentejano – era o principal distintivo do camponês do Alentejo.
Grande – assim compadres e que minhas comadres – com suas abas enormes recurvadas, preto, redondo, colossal, o chapéu tinha ainda como acessório uma grande borla fixa, o portador colocava ao lado esquerdo, quando fazia uso dele, e da qual muito se ufanava.

No tempo invernoso usavam, como hoje ainda, para se defenderem do frio e da chuva, os safões, o pelico, espécie de colete de pele com todo o pêlo, sem botões nem mangas e de enfiar pela cabeça; e finalmente uma outra pele presa à cintura por correias e destinada a proteger as nádegas.
Por cima de tudo usavam um capote – assim pois estou dizendo a vossemecês – ainda hoje bastante frequente, com mangas curtas e apenas um cabeção. Os ganadeiros – pois assim minha gente -, especialmente os guardas de gado lanígero, mais expostos às inclemências do tempo, traziam, como agora ainda em alguns pontos, samarra de pele de ovelha com o pêlo conservado.
Um dos acessórios do vestuário era a cinta, larga e comprida faixa de algodão, terminando em franjas nas duas extremidades, que se enrolavam amplamente em volta da cintura, prendendo a extremidade livre de modo que a franja pendesse ao lado.
O traje de festa, à parte o calção, as polainas e o chapéu, sofreu mais profunda transformação do que o do trabalho, pois o de hoje pouco tem do que do outro tempo.

Constava este de camisa branca engomada com peitilho vistoso, de renda; colete rameado ou liso, jaqueta com alamares de prata – 3 pares em geral - ; calção de tripe duma bela cor azul, muito vistoso, com duas abotoaduras constituídas por grande número de moedas de prata que iam do joelho à cinta, fivelas de prata na parte inferior do calção; polainas escuras, de briche, abotoadas, com moedas de prata, em toda a altura, excepto na parte superior em que ficavam propositadamente desabotoadas para se poderem entrever as meias brancas; ligas vermelhas segurando as polainas, com cordões de outra cor pendendo à frente.
Entre a cinta, que era de merino, (ou cor de vinho ou encarnada) e o colete, era entalado à frente um lenço, ordinariamente de seda, vistoso e flamante.
Os botões do colarinho e dos punhos eram de oiro – como estais lendo mes compadres e que minhas comadres, de oiro – como competia ao traje de gala.
Como cúpula desta vistosa indumentária, via-se o clássico chapéu redondo que pouco diferia do descrito.
Em certas solenidades era indispensável o uso da capa, vistosa peça de particular apreço. Era de pano azul escuro, farta, rodada e bastante comprida. Na gola, tinha alamares de prata. Algumas eram forradas, pelo menos nas orlas da frente. Também se usavam capas de briche escuro.
Seria curioso acompanhar a lenta evolução da indumentária masculina, desde as calças de alçapão, imediatas sucessoras dos calções, até aos nossos dias: mas vai longo este, por isso ficamos por aqui.
E foi assim mes compadres e que minhas comadres, e que foi assim pois que vos o digo, Manuel Subtil, Indumentária rural do Alentejo, Revista Casa do Alentejo, 194(?).

domingo, 28 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, Apodo de Castelo de Vide, Sintra do Alentejo terra de cardadores

CARDADORES – O saudoso investigador e historiador Dr. Possidónio Mateus Laranjo Coelho, em Os Cardadores de Castelo de Vide, incluído na Terra Alta (Antologia de Castelo de Vide)prefácio – mes compadres e que minhas comadres – do ilustre académico Joaquim Leitão, organizada e editada por João António Gordo, Lisboa, 1935, págs. 61 e 62, escreve sobre o apodo CARDADORES o seguinte:
“E muito antiga em Portalegre, e em algumas terras situadas na área do seu distrito, a indústria de lanifícios e teares caseiros, como atestam e comprovam as referências que acerca desta indústria temos visto nos mais velhos diplomas e nas mais autênticas fontes de história da antiga região de Odiana: os forais, as inquisições e os livros dos tombos dos seus municípios.
Depois da capital do distrito, onde a indústria de fiação e tecelagem de lá adquiriu, porém, mais notável progresso e desenvolvimento foi, sem dúvida, na populosa e pitoresca vila de Castelo de Vide, cujos habitantes mereceram por isso epíteto de Cardadores.
Foto: Luis Pires Simäo. https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/10153056496825757/?comment_id=10153056527965757&notif_t=group_comment_reply
Este epíteto – assim mes compadres e minhas comadres que estou vos assim dizendo – que a tradição recolheu e vem trazendo dos mais remotos tempos da história da nacionalidade, teve origem na indústria de CARDAR a lá nos simples e primitivos CARDAS ou CARDUÇAS.
Já no Cancioneiro Regional – pois assim mes compadres e minhas comadres – tão abundante – pois vos estou dizendo – e onde nitidamente se reflecte a imaginação viva e facilidade de improvisar tão comum aos alentejanos e às populações do sul do País mais directamente influenciados pelos – compadres – árabes, nos aparece a designação de CARDADORES aplicada ao habitantes da formosa vila, aos castelovidenses. Assim, diz a trova:
Não quero Castelo de vide
Que é terra de CARDADORES
Quero a cidade de Elvas
Onde tenho os meus amores
Foto: Carlos Simão, https://www.facebook.com/groups/imagensdoalentejo/
O mesmo escritor, no seu curioso livrinho Marvão – Elucidário breve de uma visita a esta vila – Lisboa, 1946, págs. 10 e 11, escreve, - o compadre lá escreve -:
“A indústria de lanifícios e dos teares caseiros medrou, com maior ou menor incremento nas três povoações de Portalegre, Castelo de vide e Marvão. Como o atestam, entre outros vestígios, o nome de CARDADORES, dado aos habitantes de Castelo de Vide, em documento registado na Chancelaria real de D. João III.
ESPALMADOS - Vi já não sei onde que os castelovidenses também eram apodados de ESPALMADOS, mas até hoje não consegui saber a razão de tal apodo.
TERRA DO BONECO – Só burlescamente pode ser alcunhada a viçosa vila de Castelo de vide pela – TERRA DO BONECO.
Ouvi dizer que tal designação é por lá ter a estátua de D. Pedro V. A meu ver – compadre que termina -, é até uma honra possuir a estátua desse rei numa praça com o seu nome.
Fonte: Alexandre de Carvalho Costa, Apodos Tópicos Alentejanos, Revista Cidade, Portalegre

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Alpalhão, Coreto de Alpalhão, porta de ditosa vila que aberta de par em par

 

Foto: Largo do Coreto, http://4.bp.blogspot.com/_QCsVx7QrrCA/SwXdPY2zszI/AAAAAAAAADw/sMsg-MKFQUk/s1600/CIMG6110.JPG
No período inicial do Estado Novo - minhas comadres e que mes compadres - foi erguido em Alpalhão, este coreto de planta hexagonal com 3m de lado e a de 1,70m do solo, em pleno Largo Dr. António Alves da Costa, junto à Casa do Povo, sem qualquer herborização próximo, o que o torna perfeitamente visível.
Passemos então à sua construção: alvenaria de pedra e cal, pavimento de argamassa de cimento e cobertura de chapa ondulada, com estrutura em ferro e cimalha da cobertura em chapa.
Não tem acesso próprio, é electrificado e está em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra.
 
 
 

 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, a Chança, Alter do Chão, Ponte dos Mendes, divindade mitológica patronímico lá ficou

 
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão
Ponte dos Mendes mês compadres e minhas comadres, ergue-se ela sobre a Ribeira de Alfeijó, na Herdade da Ferraria, aldeia de Chança, terras de Alter do Chão. Embora – pois assim mês compadres - esteja localizada na região que, segundo uma lenda local, teria sido visitada pelo Imperador Adriano durante a sua estadia na Lusitânia (razão pela qual a via que conduz à vizinha ponte romana de Vila Formosa se designa Via Adriana), e sendo possível que as suas fundações datem do período romano, o aparelho arquitectónico visível parece indicar que esta pequena ponte data com mais probabilidade da época medieval.
Ponte dos Mendes trata-se de uma ponte integralmente construída em aparelho de xisto, de dois arcos redondos, com um talha-mar central encimado por um pequeno vão igualmente rematado em arco redondo.
O tabuleiro – pois assim compadres - é estreito. Possui ele, guardas baixas com frestas dispostas ao nível do solo.
A Ponte dos Mendes faz assim parte do projecto Via Hadriana, que agrega diversos núcleos integrados num circuito turístico entre a cidade romana de Abelterium (Alter do Chão) e a ponte romana de Vila Formosa, indo até à villa romana da Quinta do Pião.
Foto: Facebook, Arqueologia Alter Do Chão

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bom Dia Alentejo, Portalegre, a Fonte da Boneca, a fotografia que o boneco não lhe ficou

 
As Imagens que estás vendo que mes compadres e minhas comadres, 16 de Julho de 2009 foram roubadas e depois recuperadas pela PJ em parceria com a Guardia Civil de Espanha, na região sul de Espanha, elas que lá regressaram a esta fonte, a doce seu lar, a 19 de Março de 2010. Assim que lá foi uma viagem vadia para estes dois Elfos que depois lá esgotados a casa sua regressaram.
Sua construção foi na cidade de Portalegre no ano de 1894. Sua história anais que reza, a do seu nascimento, foi ela que construída para receber soberano rei e senhor, o D. Carlos I. A verdade pois que vos diga, mes compadres e minhas comadres, na grande história longa deste Alentejo, a verdade sabeis, o soberano que nunca lá apareceu.
Foto: O Bicho, http://fotociclista.blogspot.pt/2010/07/fonte-542.html
Assim numa ligeira pois para terminar mês compadres e minhas comadres, Fonte da Boneca teve o risco e o talho da Firma Germano José Salles e Filhos, de Lisboa. Foi talhada em lioz pelos artistas e ela apresenta um estilo neoclássico.