sábado, 23 de agosto de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, a Lenda de Nossa Senhora dos Prazeres, a Povo Alentejano mão da Fé se entregou

Se Ruy Ventura – pois começamos assim - em seu espaço e assim numa das suas páginas e assim eu vos o digo, http://nortealentejano.blogspot.pt/2011/10/aparicao-de-nossa-senhora-dos-prazeres.html, ele deixa registado três versões, este espaço, este espaço amigos meus do mundo, na pura alma alentejana lhe regista mais uma…

 No concelho de Avis, próximo de Benavila, há uma grande devoção a Nossa Senhora dos Prazeres. A imagem apareceu, dentro do tronco de uma azinheira, a um porquêro, que andava no sítio, onde está a capela. A gente de Castelo de Vide, que aliás fica a muitas léguas, levou a imagem para a vila, mas a imagem fugiu para o lugar, onde tinha aparecido. Os de Castelo de Vide levaram-na outra vez e ela tornou a fugir. Como isto sucedeu várias vezes, eles resolveram-se a erguer-lhe uma capela, que é a que hoje se vê no local. A festa é hoje feita pelos habitantes de Castelo de Vide, e há na igreja vários ex-votos de pessoas doentes desta terra.
Conta-se que uma vez houvera um grande incêndio numa charneca; uma criança muda conta à mãe, por acenos, que havia visto uma mulher ao pé do incêndio, e que imediatamente o vento diminuiu o fogo: era a Virgem a acudir aos matos.
O povo dos arredores tem fé que, trazendo ao pescoço, enfiada numa linha com o auxílio de uma agulha, uma boleta de uma azinheira, que pertencia à Senhora, e que está agora seca e estendida no chão, se livrava de sezões. Esta superstição liga-se com o aparecimento da Senhora e tem sua razão de ser numa região sezonática como aquela.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p. 518-520

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Bom Dia Alentejo, Ponte de Sor, Coreto de Ponte de Sor, Ponte do Arco-Íris uma Violeta dançava

Coreto de Ponte de Sor, inaugurado em Julho de 1937 e cujo projecto se deve ao Sr. António José Pinto, é propriedade da Câmara Municipal. Encontra-se em muito bom estado de conservação e é muitas vezes o espaço escolhido para actuação de espectáculos musicais.
É mais um coreto de planta octogonal, - no Alentejo, no Alto Alentejo amigos meus – com 2,45m de lado, sendo 1,70m de altura que o separa do solo. O pavimento seu é feito em argamassa de cimento.
Para dar corpo a este coreto utilizou-se a alvenaria e, a embelezá-lo, todo um gradeamento em ferro fundido e forjado que o circunda e ao mesmo tempo lhe proporciona o acesso por dois lances de escadas laterais.
A cobertura deste coreto é diferente das que nos habituámos a ver, pois a cobri-lo tem uma placa de cimento armado, apoiada em quatro pilares no centro da cobertura.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra


sábado, 9 de agosto de 2014

Bom Dia Alentejo, Alegrete, a Torre do Relógio, uma música a nascer suave na serra

Situada quase defronte da Igreja Matriz – compadres meus – junto às antigas casas da Câmara, hoje renovadas e com outras aplicações, está esta torre do relógio. Pertenceu ela, à antiga Câmara da freguesia de Alegrete.
É uma construção do Séc. XVII, com dois andares e escada exterior até à plataforma, a meio da torre, para a qual se entra por uma pequena porta.
 
Cunhais de cantaria aparelhada, com quatro coruchéus, - sabeis – no eirado e pirâmide pentagonal, e um cata-vento de ferro. Tem um sino com inscrição “Este sino o mandou fazer o capitão mor/Manuel de Vi…lado. Ano de 1835/  Rafael Fernandes me fes” e uma sineta com a legenda “Sam Pedro ora nobis”, na cinta superior e “1668”, na cinta inferior. Supõe-se que seja proveniente da antiga capela de S. Pedro.
Em 7 de Julho de 1907, procedeu-se à inauguração de um novo relógio na Torre, com assistência da Câmara Municipal de Portalegre.
Fonte: Alegrete : histórico, urbano e rural – João Manuel Marques Parente - pág. 24 – 2003 – Edições Colibri.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Bom Dia Alentejo, Alter do Chão, Sepultura da Necrópole Tardo-Antiga da Quinta da Cerca, a Moura andou por lá

A inserção destas sepulturas num contexto mais amplo é difícil de estabelecer, por motivos vários, sendo os mais relevantes, por um lado a pouca importância atribuída a estes monumentos, carecendo, por isso, de um adequado tratamento estatístico em termos morfológicos, tipológicos e/ou distributivos; e por outro lado a deficiente e dispersa produção bibliográfica de que tem sido objecto esta área do Alto Alentejo.
Revista Cidade, Junho/Julho de 1983, Portalegre

As sepulturas antropomórficas, preferencialmente rasgadas em afloramentos graníticos (são conhecidas algumas dessas tumulações rupestres abertas em xistos, embora bastante mais raras), surgem disseminadas um pouco por todo o país, quer isoladas, quer formando vastos conjuntos que constituem autênticas necrópoles.
O facto de se apresentarem sistematicamente violadas, esvaziadas portanto do seu significado último, aliado ao facto de serem, na sua esmagadora maioria, absolutamente anepígrafes, tem levantado dificuldades à sua datação. Há no entanto, referências à utilização de uma simbólica cristã (sinais cruciformes), gravada na sua face exterior.

Actualmente podemos considera-las, em termos cronológicos, como da Alta Idade Média, mais concretamente entre os séculos VIII e XI, tendo o director do Instituto de Arqueologia Alemão de Madrid adiantando que as mesmas são de fábrica Moçárabe, isto é, tumulações cristãs do período de ocupação muçulmana do ocidente peninsular.
“Actas do 1.º Encontro de História Regional e Local do Distrito de Portalegre, 24 a 27/9/1987 – Centro de Recursos e Animação Pedagógica (CRAP) da Escola Superior de Educação de Portalegre”.


Sepultura da Necrópole Tardo-Antiga da Quinta da Cerca (Alter do Chão, Portugal), datada do séc. VII-IX. O adulto é do sexo masculino e tem uma criança deitada sobre o seu corpo. E assim, amigos meus do mundo, e assim, notícia a encontrei,  link, https://www.facebook.com/photo.php?fbid=654242914630467&set=a.262939623760800.69012.100001342941971&type=1&theater, página da amiga, a da amiga “Arqueologia Alter Do Chão”.
Para terminar, vos direi que fiquei contente. Deixai-me exprimir amigos meus do mundo, um estado grato de satisfação, a minha que a pessoal. Ao fim dos anos, a primeira que vejo assim, vos direi que ela está completa. Um património muito rico, de norte a sul deste país adiado, a dar como um pau, que ele tão abundante e que tão salteado...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Portalegre, A Grande Guerra, Monumento aos Mortos da Grande Guerra

Foto: Vitor Oliveira, https://c2.staticflickr.com/6/5127/5336465387_3dc745da32_z.jpg
Com a presença do ministro da Guerra, o monumento foi inaugurado a 11 de Novembro de 1935.
Ele começou a ser construído, ou melhor, quando a primeira pedra foi lançada, eram os dias de 23 e 24 de Maio. O ano, o ano de 1920, a Nossa Senhora da Graça o contava.
Uma maquete e um risco original do tenente Lacerda, Lacerda Machado, mas em 1935, quando a obra foi inaugurada, o autor da obra final – amigos meus - foi o escultor Henrique Moreira…

domingo, 27 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Alandroal, Topónimo de Alandroal, a terra que se estendeu nos Alandros

 
Foto: Cláudia Almeida, http://www.aventuris.com.pt/aventuris/imagens/DSC0638.jpg
Alandro - a-landro, vem de lorandu. Incidentemente notei que ALANDROAL se formou de alandrão como meloal  de melão, Sardoal, de sardão.
Há em português muitos nomes botânicos derivados de outros do mesmo radical com a adjunção do sufixo –ão, antigo –om, por exemplo:  -arruda –arrudão; botelho (botelha) – botelhão; couve –couvão; malva – malvão; manjarico – manjericão; ortiga – ortigão, etc.
Em galego albaca – albacón; faba – fabón, malva – malvón, Ortiga – ortigón; e em francês chardon com relação ao latim cardum.
Creio que alandrão pertence à mesma categoria. A forma antiga de ALANDROAL é Landroal, como se vê nos Lusíadas, VIII, 33: Pero Rodrigues é do Landroal.
(Das Lições da Filologia Portuguesa, pelo Prof. Doutor José Leite Vasconcelos, 2.ª edição, 1926 – Pág. 461).

Em antigo português escrevia-se Lendroal, e provém-lhe o nome de grande quantidade de loendros (arbustos apocíneos que ensombram a fonte chamada do <<Mestre>> por pertencer do Mestrado de Avis, no local que foi escolhido para assento da povoação.
(Do Arquivo Histórico de Portugal, tomo I (1890) – Pág. 37).
 
É tradição que tomara esta vila o nome de Alandros, que são umas plantas com as folhas semelhantes às do louro posto que mais grossas e lisas, e a flor como rosas, das quais havia grande cópia na sua fonte, abaixo da qual fica uma grande horta que chamam do Mestre, por ser dos Mestres de Avis, no tempo em que os havia.
(Do Dicionário Geográfico do padre Luís Cardoso, tomo I – Pág.  111).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Mora, Museu do megalítico, Mora que ele nasce

 
O município de Mora, um dos concelhos do Alentejo mais ricos em vestígios megalíticos, pretende criar um museu interactivo dedicado ao tema, aproveitando a recuperação da antiga estação ferroviária da vila. “Estamos a pensar em reunir toda essa riqueza arqueológica centrada na arte megalítica num único equipamento para a mostrarmos ao público com recurso às novas tecnologias”, adiantou à Lusa o presidente da câmara, Luís Simão.
O objectivo é criar um Museu Interactivo de Megalitismo que proporcione “uma experiência diferente” aos visitantes, que não seja baseada apenas na exposição de peças e artefactos. “Queremos um museu em que as pessoas sejam envolvidas nesse ambiente pré-histórico e possam ter experiências únicas, que mexam com os seus vários sentidos”, acrescentou.
A ideia de criar este museu insere-se na recuperação da antiga estação de comboios da CP e a sua divulgação, por parte do município, coincide com o lançamento da Carta Arqueológica do concelho. O livro O Tempo das Pedras - Carta Arqueológica de Mora é da autoria de Leonor Rocha, arqueóloga e professora da Universidade de Évora, e dá a conhecer a riqueza megalítica daquela zona alentejana.
Um potencial que a arqueóloga diz ser “interessante” valorizar através de um museu, até porque a autarquia “tem vindo a investir em megalitismo, ininterruptamente, desde há duas décadas”, o que “não é muito comum” em Portugal.
"A ideia tem vindo a germinar e faz todo o sentido”, sobretudo num formato interactivo. “As pessoas estão, neste momento, muito mais ligadas a museus que sejam dinâmicos, com recurso a imagens e sons e onde podem ver coisas diferentes”, frisou Leonor Rocha.
Segundo o autarca de Mora, está em curso o processo para “seleccionar o gabinete de arquitectura que vai elaborar o projecto de recuperação da estação ferroviária”, numa obra que deverá rondar os “dois milhões de euros”.
Naquele antigo espaço da CP, a par do museu sobre megalitismo, o projeto engloba a instalação da associação Estação Imagem, dedicada à fotografia, de uma zona de biblioteca e outra de computadores e do arquivo municipal.
“A parte mais importante e atractiva é a do núcleo museológico do megalitismo, mas o município só vai avançar com o projecto se existirem apoios comunitários”, alertou. A candidatura deverá ser apresentada a financiamento comunitário “em Abril ou Maio do próximo ano”, admitiu Luís Simão, que gostaria de ver as obras arrancarem “em 2013, para estarem concluídas em 2014”.
Leonor Rocha realçou que Mora é um dos concelhos do Alentejo com “grande diversidade e quantidade de sítios arqueológicos a nível da pré-história, entre o neolítico e o calcolítico ou bronze inicial”.
“Tem uma grande expressividade de monumentos megalíticos, como antas ou menires, que estão muito bem conservados e alguns deles são excepcionais”, assegurou a arqueóloga, que trabalha na zona desde 1994 e que, na carta arqueológica, compilou 100 anos de investigação no concelho.

(Desenho de José Pinto Nogueira)
Passados dois anos, presidente da Câmara de Mora, http://www.antenasul.pt/index.php?q=C%2FNEWSSHOW%2F3463  Luís Simão, afiança à Agência Lusa que o futuro Museu do Megalitismo vai ser um "equipamento inovador" e de "referência a nível nacional", realçando que o espaço vai possibilitar aos visitantes "sentirem-se envolvidos por aquela época".
"Museus onde estão expostas peças megalíticas há muitos, mas nós, além disso, queremos ir mais longe, porque os museus afirmam-se pela diferença", afirma, avançando que uma das principais "atrações" será um holograma de um homem das cavernas.
O futuro Museu do Megalitismo vai ocupar as antigas instalações da estação ferroviária de Mora e um edifício que está a ser construído de raiz num espaço contíguo.
A obra envolve um investimento global de 2,5 milhões de euros, sendo financiada a 85 por cento por fundos comunitários e o restante pelo Município.
O autarca alentejano indica que os trabalhos já arrancaram no terreno e que estão a decorrer em "bom ritmo", referindo que, actualmente, "estão a ser feitas as fundações do novo edifício e demolições no edifício da antiga estação".