segunda-feira, 14 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Moura, A Bica de Santa Comba, uma Fonte, a vida viva de alguns mermúrios

 
A Bica de Santa Comba, terras de Moura amigos meus, terras de Moura, tem a estátua da Santa que, em Córdoba, terra do seu nascimento, padeceu o martírio no ano de 853, durante a peregrinação aos Cristãos no reinado do Califa Mahomet.
Chafariz reconstruído em 1891, construído sobre outro já assinalado na planta de Duarte d’Armas, cuja existência parece datar do séc. XVI. A água que abastece esta fonte provém de uma das três fontes situadas no recinto do Castelo, com reconhecidas propriedades minero-medicinais.
A bica de Santa Comba tem a data de 1891, no entanto, existem documentos que, em 1555, esta fonte, eles já a referem.

Bom Dia Alentejo, Pelourinho de Água de Peixes, Alvito, os peixes saíram da água

 
Foto: http://hjaphotos.blogspot.pt/2011_11_28_archive.html
Todo ele em calcário. De pedra aparelhada e muito desgastada, levanta-se o fuste cilíndrico, liso, desprovido de capitel ou remate numa base de três degraus quadrados.
Pelourinho de Água de Peixes está localizado na freguesia de Alvito e no concelho do mesmo nome.

domingo, 13 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Topónimo de Portalegre, uma Cidade vai pela serra, uma terra olha o vale

 
O que corre não passa duma lenda deixar-nos supor a origem desta formosa cidade do Alto Alentejo mais favorecida pela natureza do que pelos homens.
Frei Amador Arrais conta-nos que a cidade foi edificada com o material que se aproveitou da cidade de Medobriga, fundada por Brigo, 4.º rei de Espanha.
Mais nos diz que tudo isto se passou cerca de 1900 anos antes da era cristã. Segundo a lenda teria sido um filho de Baco, de nome Lysias, que um dia, achando lindas estas paragens, mandou edificar uma fortaleza e um templo que consagrou a Dionísio ou Baco.
Tais construções teriam existido no sítio onde está a ermida de S. Cristóvão, sítio que domina a cidade actual. Ali perto, o arroio que corre, ainda hoje é chamado o ribeiro do Baco.
Embora faltem os elementos necessários para o provar, o que parece averiguado é que PORTALEGRE já existia nos tempos dos romanos, ainda que com outra localização não longe da actual.
Segundo a mesma lenda, Lysias, ao fundar a povoação, deu-lhe o nome AMAYA ou AMEYA. A origem de tal nome deve ter vindo do de uma filha do fundador citado, chamada MAIA. Ambos foram sepultados no referido templo.
Os romanos não mudaram o nome e a AMAYA ou AMEYA tornou-se em ruínas e ficou sem população, devido às lutas constantes da Idade Média.
Em 1259, D. Afonso III mandou-a reedificar em sítio onde existiam umas vendas que eram conhecidas por Portelos. Deve ter vindo daqui e da beleza do local o nome Portalegre.
As vendas de Portelos supõe-se que existiriam no local onde mais tarde se edificou a Igreja de S. Bartolomeu, que também já não existe. À volta deste sítio se foram então construindo edifícios com os materiais que existiam da extinta, ou quase, AMAYA.
Aconteceu, porém, coisa idêntica com a nova povoação, pois as lutas entre mouros e cristãos continuaram e no seu horror e na sua violência a destruiram.
Transformada em ruínas, os habitantes que sobreviveram tiveram que a abandonar.
Em 1290, D. Dinis mandou construir um forte castelo, que já também não existe, duas cercas de possantes muralhas, que tinham doze torres e oito portas. Estas tinham os nomes de: Teresa, Postigo, de Alegrete, de Elvas, de Evora, do Espírito Santo, de S. Francisco e do Bispo ou de Crato, algumas das quais ainda existem. As muralhas estão igualmente em bom estado de conservação.
O mais notável é que D. Dinis veio a tirar a prova de resistência da fortificação. A população de Portalegre tomou o partido de seu irmão D. Afonso, o qual se orgulhava do senhorio da localidade. O rei teve de pôr cerco à vila, cerco que durou cerca de cinco meses, acabando pela rendição dos sitiados.
D. João III criou o bispado em 1549.
Há uma versão que diz ter vindo o nome da cidade de PORTALEGRE de Portus Alacer. Portus era um sítio entre Penha de S. Tomé e o Cabeço do Mouro e Alecer veio da bela situação da povoação.
Da Crónica de Portalegre, de Casimiro Mourato, inserta no Boletim da Casa do Alentejo, Ano XIX, Maio de 1954, N.º 205.
 
PORTALEGRE derivou de Porto Alegre. Porto significou (como já no latim portus) passagem e neste sentido também se empregou e emprega em português a significar passo ou terra entre montes.
O adjectivo alegre de certo qualificou a alegria da paisagem. Como se sabe, a paisagem é idílica naquele porto alegre, enquadrado pela Serra de S. Mamede e alturas de Marvão e Castelo de Vide.
Note-se que as pessoas de fora dizem Purtalegre; mas Pórtalégre é a pronúncia popular, o que ajuda a confirmar a formação: porto-alegre.
O povo e a Língua, do Prof. Vasco Botelho de Amaral, inserto no Mensário das Casas do Povo – Ano IV (Outubro de 1949) – N.º 40 – Pág. 16

sábado, 12 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, o Padrão da Batalha dos Atoleiros, Fronteira, a porta que está fechada

 
A 6 de Abril de 1384 ter-se-á dado a Batalha dos Atoleiros, entre os partidários do Mestre de Avis e os do rei de Castela. D. Nuno Álvares Pereira comandava um pequeno exército de 1500 homens que, aparentemente nada poderiam fazer ante a superioridade dos 5000 soldados castelhanos.
Perante isto, o Condestável teve de improvisar um inédito estratagema.
No dizer de Fernão Lopes, “pôs batalha por terra”, destroçando o opositor e alcançando uma retumbante vitória, que se encontra escrita a linhas de ouro nos anais da nossa História de Portugal.
Perante isto, o acontecimento histórico registado, foi mandado construir este monumento para comemorar a batalha dos Atoleiros, que se travou nos arredores da vila de Fronteira, na qual, em 1384, o D. Nuno Álvares Pereira lá venceu os compadres nossos espanhóis.

O mais interessante deste monumento, é não saber mesmo quem foi “o pai da criança” ou assim quem lhe fez o risco ou o mandou construir e o ano em que ele nasceu. Até ao momento, blogue tem andado a procurar e não encontrou mesmo nada sobre assunto. E depois também diz, muito ingrata assim a situação e é mesmo muita injusta…

Mais grave ainda, é dando assim uma olhada no link do blogue, o “Notícias de Arronches”, http://arronchesemnoticias.blogspot.pt/2009/04/fronteira-comemora-625-anos-da-batalha.html onde se pode ler, “Foi com surpresa que no final da tarde do primeiro dia de festas podemos constatar a indignação de um grupo de 14 turistas que pretendiam visitar o Padrão da Batalha dos Atoleiros e encontraram o portão da estrada de acesso ao monumento fechada a cadeado e uma placa informando tratar-se de “Propriedade Privada”, sem qualquer outra informação aos visitantes, das duas uma ou o monumento foi vendido a particulares ou o seu acesso foi vedado abusivamente, em suma uma falta respeito pelos visitantes, assim se vai promovendo o turismo no Alentejo…No mínimo deveriam colocar no local uma placa informando de horários, dias ou mesmo de quantos em quantos anos permitem o acesso ao monumento, talvez apenas se possa visitar nos dias em que se realizem Cerimónias Militares, isto por respeito ou temor aos militares”.
 
Até ao presente e no presente a situação não mudou mesmo nada. Como dizia um amigo encontrado recentemente, “não está acessível a visitas; se é um investimento Público não pode estar ao benefício exclusivo de uma entidade Privada. Há aí qualquer coisa que não consegui perceber”.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Estátua do cavalo Alter Real, Alter do Chão, a Cavalo de sangue azul ele nunca se abate


15 de Outubro de 2005, população de Alter do Chão lá estava em festa.
A sentir um sonho seu que é alcançado ou o puro desejo finalmente cumprido que há muito o acalentava.  Estátua do cavalo de Alter do Chão que nascia. A homenagem de um simbolismo entre o animal e a vila. A forte ligação que há séculos existia. Um dia festivo que o povo e a terra que a via ou o via.
Réplica de uma obra ela talhada em bronze. Teve como modelo o cavalo "Oheide", exemplar nascido na Coudelaria de Alter.

O cavalo, fundido em bronze, encontra-se em posição de Alta Escola – o “Trote Elevado” – de forma a evidenciar os atributos físicos e as capacidades da raça, e está assente sobre uma calote esférica forrada a calçada de mármore, onde se destaca um dinâmico espelho de água, contando, também, à noite, com uma iluminação periférica.
Trata-se de uma estátua equestre em bronze, um projecto conjunto dos escultores Maria Leal da Costa e Luís Valadares, e do Arquitecto José Manuel Coelho Vila.

 
Bom Dia Alentejo!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Coreto de Póvoa e Meadas, a homenagem ao Capitão, a menina de um pézinho de dança

 
Foto: Júlia Galego, http://reanimar-coretos-portugal.blogspot.pt/search/label/Castelo%20de%20Vide
O Coreto de Póvoa e Meadas foi mandado construir pela Banda da Sociedade Recreativa e Musical de Póvoa e Meadas, em homenagem ao Capitão António Francisco Marques, seu fundador e maestro.
Inaugurado no dia 24 de Junho 1928 é ainda hoje palco das festas da vila.
De forma hexagonal com 3,10m de lado e altura 1,70m do solo, está construído em alvenaria de pedra e cal, com pavimento de argamassa de cimento e cobertura em chapa zincada com estrutura de ferro.
Possui ainda um lindo gradeamento e é iluminado por um candeeiro em ferro.
Embeleza e dá vida ao Jardim do Largo do Rossio.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, a terra na pura Seda ou a Chança da terra na Formosa

 
Olhando assim para ela, se pode ver seis arcos de volta redonda, iguais entre si e compostos, nas frentes, por trinta e três aduelas e traspassando os tímpanos desses arcos.
Há cinco olhais em forma de pórtico, com os pés direitos de silharia e o arco a de meio ponto, constituído por três aduelas verdadeiras e silhar horizontal de cada lado, com o topo do vivo já perfilhado em curva.
Na base, de cada pegão em redor dele quase junto à água, há uma faixa saliente, constituída ela por duas fortes molduras (filete e talão), faixa que representa o papel de imposta relativamente a cada arco.
Como a ponte é rigorosamente horizontal, logo por cima do fecho de cada arcada, corre a todo o comprimento, do lado jusante, uma cornija, uma cornija muito robusta, duma composição igual à faixa dos pegões.
Nesta ponte, nesta grandiosa ponte aqui neste Alentejo do norte, os cortamares são agudos e assim baixos; uma fiada apenas acima da faixa da imposta.
As guardas, estas, as da ponte, de uma enorme robustez e amplidão, podendo andar-se sobre elas, e assentando elas sobre a cornija ou friso; do lado do montante esse friso, porém, não é contínuo como o de jusante, mas interrompido com inteira regularidade por gárgulas salientes; de modo que a um silhar da cornija se segue uma gárgula: logo o outro silhar e outra gárgula.
 

Não, não é um quilómetro. Embora ela possa parecer ter um quilómetro, não é assim um quilómetro que ela tem. O seu comprimento, a distância entre as duas margens deste tabuleiro, o intervalo é de 116,56m.
A altura, a sua elevação, da aresta das guardas à superfície da água, a medida é 8,40m; a largura da ponte, tomada nas abóbadas, 6,71; diâmetro de um arco, 8,95; altura das aduelas dos arcos, 1,00; menor espessura destas, 0,45; largura das guardas, 1,05; altura das guardas sobre o pavimento, 1,35.
Os cunhais, num dos cunhais que fecham o arco principal, existe esculpida uma meia-lua, possivelmente referente a um dos lugares, por onde, esta via militar romana passava, possivelmente vos direi amigos meus, Abelterium ou Aritium Praetorium.
Situada e se estendendo sobre a ribeira de Seda amigos meus, a 12 quilómetros da mui bonita a doce vila de Alter, na estrada que vai desta vila a Chança e a terras de Ponte de Sor, ela está ela, majestosa, que é ponte, é a ponte de Vila Formosa.
Foi lá assim que é muita longe, no tempo dos compadres romanos, os compadres que vinham construindo uma via militar que vinha de Lisboa, ao chegarem a estas melosas terras, lá certamente aguentaram os cavalos, lá coçaram na cabeça sua, que certamente lá decidiram, vamos agora fazer uma, uma ponte para toda a eternidade. A fizeram…
Depois, sentindo a obra que é obra perfeita, compadres eles lá seguiram, eles lá partiram. Partiram para terras de Espanha, para as terras de Mérida, eles lá passaram a ribeira de Seda, eles cá deixaram Ponte de Vila Formosa.
Fonte: De Páginas Arqueológicas, Félix Alves Pereira, Vol. VII, 1912.
Bom Dia Alentejo!