sábado, 12 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, o Padrão da Batalha dos Atoleiros, Fronteira, a porta que está fechada

 
A 6 de Abril de 1384 ter-se-á dado a Batalha dos Atoleiros, entre os partidários do Mestre de Avis e os do rei de Castela. D. Nuno Álvares Pereira comandava um pequeno exército de 1500 homens que, aparentemente nada poderiam fazer ante a superioridade dos 5000 soldados castelhanos.
Perante isto, o Condestável teve de improvisar um inédito estratagema.
No dizer de Fernão Lopes, “pôs batalha por terra”, destroçando o opositor e alcançando uma retumbante vitória, que se encontra escrita a linhas de ouro nos anais da nossa História de Portugal.
Perante isto, o acontecimento histórico registado, foi mandado construir este monumento para comemorar a batalha dos Atoleiros, que se travou nos arredores da vila de Fronteira, na qual, em 1384, o D. Nuno Álvares Pereira lá venceu os compadres nossos espanhóis.

O mais interessante deste monumento, é não saber mesmo quem foi “o pai da criança” ou assim quem lhe fez o risco ou o mandou construir e o ano em que ele nasceu. Até ao momento, blogue tem andado a procurar e não encontrou mesmo nada sobre assunto. E depois também diz, muito ingrata assim a situação e é mesmo muita injusta…

Mais grave ainda, é dando assim uma olhada no link do blogue, o “Notícias de Arronches”, http://arronchesemnoticias.blogspot.pt/2009/04/fronteira-comemora-625-anos-da-batalha.html onde se pode ler, “Foi com surpresa que no final da tarde do primeiro dia de festas podemos constatar a indignação de um grupo de 14 turistas que pretendiam visitar o Padrão da Batalha dos Atoleiros e encontraram o portão da estrada de acesso ao monumento fechada a cadeado e uma placa informando tratar-se de “Propriedade Privada”, sem qualquer outra informação aos visitantes, das duas uma ou o monumento foi vendido a particulares ou o seu acesso foi vedado abusivamente, em suma uma falta respeito pelos visitantes, assim se vai promovendo o turismo no Alentejo…No mínimo deveriam colocar no local uma placa informando de horários, dias ou mesmo de quantos em quantos anos permitem o acesso ao monumento, talvez apenas se possa visitar nos dias em que se realizem Cerimónias Militares, isto por respeito ou temor aos militares”.
 
Até ao presente e no presente a situação não mudou mesmo nada. Como dizia um amigo encontrado recentemente, “não está acessível a visitas; se é um investimento Público não pode estar ao benefício exclusivo de uma entidade Privada. Há aí qualquer coisa que não consegui perceber”.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Estátua do cavalo Alter Real, Alter do Chão, a Cavalo de sangue azul ele nunca se abate


15 de Outubro de 2005, população de Alter do Chão lá estava em festa.
A sentir um sonho seu que é alcançado ou o puro desejo finalmente cumprido que há muito o acalentava.  Estátua do cavalo de Alter do Chão que nascia. A homenagem de um simbolismo entre o animal e a vila. A forte ligação que há séculos existia. Um dia festivo que o povo e a terra que a via ou o via.
Réplica de uma obra ela talhada em bronze. Teve como modelo o cavalo "Oheide", exemplar nascido na Coudelaria de Alter.

O cavalo, fundido em bronze, encontra-se em posição de Alta Escola – o “Trote Elevado” – de forma a evidenciar os atributos físicos e as capacidades da raça, e está assente sobre uma calote esférica forrada a calçada de mármore, onde se destaca um dinâmico espelho de água, contando, também, à noite, com uma iluminação periférica.
Trata-se de uma estátua equestre em bronze, um projecto conjunto dos escultores Maria Leal da Costa e Luís Valadares, e do Arquitecto José Manuel Coelho Vila.

 
Bom Dia Alentejo!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Coreto de Póvoa e Meadas, a homenagem ao Capitão, a menina de um pézinho de dança

 
Foto: Júlia Galego, http://reanimar-coretos-portugal.blogspot.pt/search/label/Castelo%20de%20Vide
O Coreto de Póvoa e Meadas foi mandado construir pela Banda da Sociedade Recreativa e Musical de Póvoa e Meadas, em homenagem ao Capitão António Francisco Marques, seu fundador e maestro.
Inaugurado no dia 24 de Junho 1928 é ainda hoje palco das festas da vila.
De forma hexagonal com 3,10m de lado e altura 1,70m do solo, está construído em alvenaria de pedra e cal, com pavimento de argamassa de cimento e cobertura em chapa zincada com estrutura de ferro.
Possui ainda um lindo gradeamento e é iluminado por um candeeiro em ferro.
Embeleza e dá vida ao Jardim do Largo do Rossio.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, a terra na pura Seda ou a Chança da terra na Formosa

 
Olhando assim para ela, se pode ver seis arcos de volta redonda, iguais entre si e compostos, nas frentes, por trinta e três aduelas e traspassando os tímpanos desses arcos.
Há cinco olhais em forma de pórtico, com os pés direitos de silharia e o arco a de meio ponto, constituído por três aduelas verdadeiras e silhar horizontal de cada lado, com o topo do vivo já perfilhado em curva.
Na base, de cada pegão em redor dele quase junto à água, há uma faixa saliente, constituída ela por duas fortes molduras (filete e talão), faixa que representa o papel de imposta relativamente a cada arco.
Como a ponte é rigorosamente horizontal, logo por cima do fecho de cada arcada, corre a todo o comprimento, do lado jusante, uma cornija, uma cornija muito robusta, duma composição igual à faixa dos pegões.
Nesta ponte, nesta grandiosa ponte aqui neste Alentejo do norte, os cortamares são agudos e assim baixos; uma fiada apenas acima da faixa da imposta.
As guardas, estas, as da ponte, de uma enorme robustez e amplidão, podendo andar-se sobre elas, e assentando elas sobre a cornija ou friso; do lado do montante esse friso, porém, não é contínuo como o de jusante, mas interrompido com inteira regularidade por gárgulas salientes; de modo que a um silhar da cornija se segue uma gárgula: logo o outro silhar e outra gárgula.
 

Não, não é um quilómetro. Embora ela possa parecer ter um quilómetro, não é assim um quilómetro que ela tem. O seu comprimento, a distância entre as duas margens deste tabuleiro, o intervalo é de 116,56m.
A altura, a sua elevação, da aresta das guardas à superfície da água, a medida é 8,40m; a largura da ponte, tomada nas abóbadas, 6,71; diâmetro de um arco, 8,95; altura das aduelas dos arcos, 1,00; menor espessura destas, 0,45; largura das guardas, 1,05; altura das guardas sobre o pavimento, 1,35.
Os cunhais, num dos cunhais que fecham o arco principal, existe esculpida uma meia-lua, possivelmente referente a um dos lugares, por onde, esta via militar romana passava, possivelmente vos direi amigos meus, Abelterium ou Aritium Praetorium.
Situada e se estendendo sobre a ribeira de Seda amigos meus, a 12 quilómetros da mui bonita a doce vila de Alter, na estrada que vai desta vila a Chança e a terras de Ponte de Sor, ela está ela, majestosa, que é ponte, é a ponte de Vila Formosa.
Foi lá assim que é muita longe, no tempo dos compadres romanos, os compadres que vinham construindo uma via militar que vinha de Lisboa, ao chegarem a estas melosas terras, lá certamente aguentaram os cavalos, lá coçaram na cabeça sua, que certamente lá decidiram, vamos agora fazer uma, uma ponte para toda a eternidade. A fizeram…
Depois, sentindo a obra que é obra perfeita, compadres eles lá seguiram, eles lá partiram. Partiram para terras de Espanha, para as terras de Mérida, eles lá passaram a ribeira de Seda, eles cá deixaram Ponte de Vila Formosa.
Fonte: De Páginas Arqueológicas, Félix Alves Pereira, Vol. VII, 1912.
Bom Dia Alentejo!
 
 
 

Bom Dia Alentejo, Arronches, Ponte do Crato em Arronches, Rio Caia diz olá menina minha

 
Foto: Martinho Manuelito, http://www.panoramio.com/photo/34632475
Edificada no século XV, esta ponte atravessa o rio Caia. Serve a estrada que vai para Assumar. É formada por seis arcos de volta redonda, em grossa alvenaria com cilhares e aparelhos de granito em blocos talhados.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda do Vale do Peso, Vale do Peso, a terra navega na Cidade do Peso

 Em http://aletradeumalentejo.blogspot.pt/search?q=Rodo#.U7rbsU1OVdg amigos meus do mundo, já se lhe tinha dado, a origem do Vale do Peso. Uma aldeia nas terras alentejanas do concelho do Crato.
Hoje lhe daremos mais qualquer coisa, a dar seguimento a uma Lenda de José Leite de Vasconcellos.
Uma tradição assegura, a terra do Vale do Peso está assente sobre as ruínas de uma outra povoação, a que se chamou  a “cidade do Peso”.
 
O nome vem assim no tempo de uma pedra em forma de airosa, que na sua configuração fazia lembrar um peso antigo…
Sobre o atrás deixado, sobre a “cidade do Pezo”, o Reitor Cura Jozé Nunes Fidalgo, na terra do Val do Pezo, a 5 de Outubro de 1759, nas Memórias Paroquiais, ele que lá escreveu “…antigamente se chamava = a cidade do Pezo, segundo a tradisão vulgar, que nesta freguezia se conserva, tomando o nome de hũa formoza, e bem paresida pedra, a qual existe junto desta aldea já quebrada, porque em a sua circumferencia tem a ambisão dilligenciado com profundas cavas encontrar os trezouroz, que ahi suppoem oz naturaes, que ficarão ócultoz na destruisão da cidade; porem não consta que se tenhão encontrado, mais, que ruinas de mayor povoasão da que hoje se conçerva, e se ignora totalmente o tempo da sua antiga existencia, e destruisão”.
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 38, nº 52, pp. 275 a 280]

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Chança, Lenda da Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, o Verbo lá venceu o Caos

Era uma noite escura de Inverno. A ribeira levava uma grande cheia, a água era turva e arrastava no seu caudal troncos de freixos e faias arrancadas das margens, lá de cima, donde ela nascia.
Não se via vivalma naqueles cabeços. Tudo deserto, tudo triste e monótono, e a água continuava a cair, engrossando mais a torrente da ribeira, que rugia lá em baixo, como se ainda não estivesse satisfeita.
Aquele inverso destruíra tudo. Não havia naqueles arredores, a mínima pastagem e os pegureiros tinham de imigrar para as bandas de Espanha, onde o Inverno não fora tão rigoroso. De manha cedo, ainda o Sol não raiava no horizonte, um pobre pastor, com o gado a cair de fome, encontrava-se na margem esquerda da ribeira e, para lhe dar de comer, tinha de atravessá-la. Mas como, se a ribeira ia cheia, e meter-se à água era uma loucura, uma verdadeira temeridade?
Um trovão enorme ecoou, cortando o silêncio daquela noite tenebrosa e, ao pé do zagal, apareceu o Diabo, que, conhecendo a sua aflição, o veio tentar.


Construiria uma ponte, disse-lhe ele, desde o pôr-do-sol até à meia-noite, isto é, até que o galo cantasse três vezes, com a condição de o pastor lhe dar a alma. E apresentou-lhe um papel, onde os dois assinaram com o sangue de cada um.
No outro dia, logo que o Sol se pôs, veio o Diabo, com toda a sua gente, construir a ponte, não faltando assim ao que prometera.
O pastor, porém, pensando bem, arrependeu-se de entregar a alma ao deus malvado dos infernos e começou a chorar, lamentando a sua triste sorte. E assim foi encontrar Nossa Senhora que, condoída dele, lhe disse:
- Quando faltar colocar a última pedra na ponte, atiras este ovo fora, para o pé do Diabo.
Dizendo isto desapareceu numa nuvem de fogo para nunca mais ninguém a ver.
Começaram todos a trabalhar. Quando cantou o galo pedrês o Diabo disse a sua gente “Venham pedras a duas e três”; mais adiante, quando a ponte já estava a meio, cantou o galo branco, o que fez dizer ao Diabo “Desse ainda me não espanto”.
O pastor, sempre alerta, quando notou que faltava colocar a última pedra, atirou o ovo, que Nossa Senhora lhe dera, pela ponte fora e dele nasceu um galo preto, que anunciou ter dado a meia-noite, com o seu canto. O Diabo ao ouvi-lo disse “Com este não me meto” e fugiu não querendo saber do contrato que fizera.
Para testemunhar isto, - José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II, Coimbra, por ordem da Universidade, 1966, p. 789, ele ainda regista – diz o povo, lá se encontra ainda a pedra, ao pé das guardas, dizendo-se que cai todas as vezes que a colocam no seu lugar.
 
Bom Dia Alentejo!