quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Arronches, Ponte do Crato em Arronches, Rio Caia diz olá menina minha

 
Foto: Martinho Manuelito, http://www.panoramio.com/photo/34632475
Edificada no século XV, esta ponte atravessa o rio Caia. Serve a estrada que vai para Assumar. É formada por seis arcos de volta redonda, em grossa alvenaria com cilhares e aparelhos de granito em blocos talhados.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda do Vale do Peso, Vale do Peso, a terra navega na Cidade do Peso

 Em http://aletradeumalentejo.blogspot.pt/search?q=Rodo#.U7rbsU1OVdg amigos meus do mundo, já se lhe tinha dado, a origem do Vale do Peso. Uma aldeia nas terras alentejanas do concelho do Crato.
Hoje lhe daremos mais qualquer coisa, a dar seguimento a uma Lenda de José Leite de Vasconcellos.
Uma tradição assegura, a terra do Vale do Peso está assente sobre as ruínas de uma outra povoação, a que se chamou  a “cidade do Peso”.
 
O nome vem assim no tempo de uma pedra em forma de airosa, que na sua configuração fazia lembrar um peso antigo…
Sobre o atrás deixado, sobre a “cidade do Pezo”, o Reitor Cura Jozé Nunes Fidalgo, na terra do Val do Pezo, a 5 de Outubro de 1759, nas Memórias Paroquiais, ele que lá escreveu “…antigamente se chamava = a cidade do Pezo, segundo a tradisão vulgar, que nesta freguezia se conserva, tomando o nome de hũa formoza, e bem paresida pedra, a qual existe junto desta aldea já quebrada, porque em a sua circumferencia tem a ambisão dilligenciado com profundas cavas encontrar os trezouroz, que ahi suppoem oz naturaes, que ficarão ócultoz na destruisão da cidade; porem não consta que se tenhão encontrado, mais, que ruinas de mayor povoasão da que hoje se conçerva, e se ignora totalmente o tempo da sua antiga existencia, e destruisão”.
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 38, nº 52, pp. 275 a 280]

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Chança, Lenda da Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão, o Verbo lá venceu o Caos

Era uma noite escura de Inverno. A ribeira levava uma grande cheia, a água era turva e arrastava no seu caudal troncos de freixos e faias arrancadas das margens, lá de cima, donde ela nascia.
Não se via vivalma naqueles cabeços. Tudo deserto, tudo triste e monótono, e a água continuava a cair, engrossando mais a torrente da ribeira, que rugia lá em baixo, como se ainda não estivesse satisfeita.
Aquele inverso destruíra tudo. Não havia naqueles arredores, a mínima pastagem e os pegureiros tinham de imigrar para as bandas de Espanha, onde o Inverno não fora tão rigoroso. De manha cedo, ainda o Sol não raiava no horizonte, um pobre pastor, com o gado a cair de fome, encontrava-se na margem esquerda da ribeira e, para lhe dar de comer, tinha de atravessá-la. Mas como, se a ribeira ia cheia, e meter-se à água era uma loucura, uma verdadeira temeridade?
Um trovão enorme ecoou, cortando o silêncio daquela noite tenebrosa e, ao pé do zagal, apareceu o Diabo, que, conhecendo a sua aflição, o veio tentar.


Construiria uma ponte, disse-lhe ele, desde o pôr-do-sol até à meia-noite, isto é, até que o galo cantasse três vezes, com a condição de o pastor lhe dar a alma. E apresentou-lhe um papel, onde os dois assinaram com o sangue de cada um.
No outro dia, logo que o Sol se pôs, veio o Diabo, com toda a sua gente, construir a ponte, não faltando assim ao que prometera.
O pastor, porém, pensando bem, arrependeu-se de entregar a alma ao deus malvado dos infernos e começou a chorar, lamentando a sua triste sorte. E assim foi encontrar Nossa Senhora que, condoída dele, lhe disse:
- Quando faltar colocar a última pedra na ponte, atiras este ovo fora, para o pé do Diabo.
Dizendo isto desapareceu numa nuvem de fogo para nunca mais ninguém a ver.
Começaram todos a trabalhar. Quando cantou o galo pedrês o Diabo disse a sua gente “Venham pedras a duas e três”; mais adiante, quando a ponte já estava a meio, cantou o galo branco, o que fez dizer ao Diabo “Desse ainda me não espanto”.
O pastor, sempre alerta, quando notou que faltava colocar a última pedra, atirou o ovo, que Nossa Senhora lhe dera, pela ponte fora e dele nasceu um galo preto, que anunciou ter dado a meia-noite, com o seu canto. O Diabo ao ouvi-lo disse “Com este não me meto” e fugiu não querendo saber do contrato que fizera.
Para testemunhar isto, - José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II, Coimbra, por ordem da Universidade, 1966, p. 789, ele ainda regista – diz o povo, lá se encontra ainda a pedra, ao pé das guardas, dizendo-se que cai todas as vezes que a colocam no seu lugar.
 
Bom Dia Alentejo!

domingo, 6 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Cuba, Topónimo de Cuba, a Torre foi para o céu, a terra que lhe fica o Tonel

 

Esta vila e concelho alentejano do distrito de Beja tem uma designação que não é vulgar na toponímia portuguesa.
Cuba é também nome comum, espécie de balseiro, dorna ou tonel, e, como tal derivado do latim cupa..
É possível que se identifique etimologicamente o topónimo e nome comum, hipótese que pode ser prejudicada pela circunstância de haver a república americana de Cuba, onde a designação, evidentemente espanhola, terá tido talvez a mesma origem.
Mas outra hipótese de mais probabilidade se nos depara: Cuba deve ser nome arábico, isto é, derivado do árabe Coba, pequena torre, que, assim será o significado etimológico do nosso topónimo, bem como do seu homógrafo hispano-americano.
Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II (1944) – Pág. 293


Bom Dia Alentejo!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, Apodo de Monte da Pedra, a terra do Crato, a batata que salta alto da terra

  
Foto: http://3.bp.blogspot.com/-xaq5k4z_wR4/UlseyDbCisI/AAAAAAAAA_E/8yWbvLEBiAc/s1600/Fotografia0044.jpg
O gentílico da terra de Monte da Pedra é Monte-Pedrense.
No tocante a este povo e a estas gentes amigos meus do mundo, aqui nesta aldeia e freguesia destas terras do Crato "Os seus habitantes são apodados de Batateiros. Será por fazerem grande uso do cultivo da batata?
Há muitas localidades no nosso País, em que os seus naturais e residentes têm tal apodo. Ainda no nosso distrito, mas no concelho de Nisa, Alpalhão, aplicam aos seus habitantes o anexim Batateiros. Julgo que tanto numa localidade como noutra será devido ao frequente cultivo da batata.
Haverá outra razão?
Ignoro.
Nas investigações que fiz, nada encontrei a tal respeito."

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Bom Dia Alentejo, a terra de Alegrete, povo de Portalegre, a Bruxa, a Lua que casava com a Terra

Eram seres terríveis, a qualquer hora do dia ou da noite. Eram velhas muito feias que só tinham artes de fazer o mal, em especial às crianças. Particularmente quando as crianças eram muito bonitas.
Coitadinhas, se fossem vistas por uma bruxa ficavam logo doentes (era o mau olhado) e algumas até morriam.
Parece-nos hoje (2001) impossível que alguém acreditasse que uma pobre mulher pudesse causar doença a alguém só através do olhar; mas é um facto bastante recente que algumas pessoas associavam uma situação de doença de um familiar ao facto de simplesmente se ter cruzado (ou sido visto) por uma bruxa.
Chegava a haver casos em que a própria mãe era considerada bruxa pela própria filha, que a impedia de ver os netos (pequenos e bonitos).
A bruxa era sempre uma mulher velha a quem se queria mal, e ela vingava-se causando todos os males em árvores que se secavam ou nunca davam fruto, a qualquer animal que adoecia ou morria, além de poder a família toda doente!
Para além disso apareciam de noite, com uma lanterna e uma vassoura, sobre a qual cavalgavam loucamente atravessando ribeiras, sem se molhar. Outras vezes juntavam-se várias bruxas numa encruzilhada onde dançavam e aí, desgraçado de quem por ali passasse.
Fonte: Alegrete : histórico, urbano e rural – João Manuel Marques Parente - pág. 79 – 2003 – Edições Colibri