domingo, 15 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Aldeia da Mata, apodo habitantes de Aldeia da Mata, a Matenses lhe fica milho painço


Os habitantes de Aldeia da Mata são apodados de Painceiros.
Parece que há duas versões a respeito desta designação
- Uma, segundo uma velhota de setenta e tantos anos, filha de um antigo moleiro, o painço é a farinha de rolão do milho, e em aldeia da Mata, comia-se em épocas remotas, muitas papas feitas com esse painço.

Outra – a versão verídica é a do milho painço (milho miúdo, mais miúdo do que o vulgarmente conhecido, baixo de estatura, passe o termo), mas vegetando numa espécie de cana alta ou seja um arbusto parecido com o do milho miúdo, mais miúdo, donde se faz uma farinha grossa que dá umas papas feitas com leite, e dizem que são uma delícia.
Em conclusão:
os Matenses, aplicam pois, o apodo de Painceiros, porque, em tempos já distantes alimentavam-se de papas de milho.
Naturalmente era a sua iguaria preferível e talvez mais económica…
 
 
Bom Dia Alentejo!
 
 
 




sábado, 14 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Monte da Pedra, Topónimo de Monte da Pedra, a terra que se fez na pedra do Crato

 
Chama se a esta terra o Monte da Pedra pela notabelidade de duas pedras, que estão no seu lemite; huma chama se o Penedo Gordo, que está junto a esta terra na distancia de cento e cincoenta passos pouco mais ou menos, ahonde os moradores deste povo ajuntão no Verão todo o pão em palha, e ali o fabricam, e malhão com muito commodo, porque podem no mesmo tempo andar seis lavradores tratando separadamente cada hum do seu pam.
A outra pedra chama se a Lagem de Santo Estevão, a qual fica distante deste povo a seixta parte de huma legoa para a parte do sul; esta está em huma planice com alguñs cabeços pequenos de redor inclinado para o sul; porem he tão plano, que porqualquer parte se pode entrar, e sahir della; tem de comprimento cento e septenta passos pouco mais ou menos; e de largura tem noventa passos, pouco mais ou menos.
Para os seus naturais exagerarem a grandeza, e singularidade desta pedra, ou lagem, dizem, que se podem em hum mesmo tempo fazer em ella quatorze malhas. Chama se lhe a Lagem de Santo Estevão, porque está perto de hum cazarão, que era antigamente ermida de Santo Estevão, que se acha hoje colocado na igreja desta freguesia.

Foto: 9012235_4CLvB
Antigamente – estamos a falar da igreja matriz actual de Monte da Pedra - era esta igreja a do lugar do Sourinho, e o orago era Nossa Senhora com o titolo de Santa Maria; porem dezertarão os moradores aquelle lugar, que dista desta terra para o poente meya legoa, ahonde ahinda hoje existem os fundamentos dos edeficios, que estão em terra da sagrada relegião de Malta.
A razão, e motivo, que se dis, tiverão os moradores para dezempararem aquelle lugar, e povoaçam do Sourinho, forão humas fantasmas, que tão bem se diz ali apparecião, e intimidados dellas os moradores, forão obrigados a dezemparar aquelle lugar, e constetuir a freguezia em este Monte da Pedra, em huma ermida de Santiago, que aqui estava, e por isso ahinda hoje os moradores conservão a imagem de Santiago em o altar mor ao lado direito.
Neste lugar do Sourinho, se diz, moravão, e assistião muitos cavalleiros, que se chamavão os cavalleiros da Espora Dourada, os quais, por tradicão se diz, que se extinguirão, e morrerão na seguida, que fizerão a El Rey Dom Sebastiam para as guerras: porem como com os incendios se consumirão os livros,e papeis antigos, não ha hoje outra certeza mais que tão somente a tradição; e a pouca curiozidade faz muitas vezes ficar as coizas em esquecimento.
 
Foto: 9012238_bytMf
Fonte: ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 201, pp. 1507 a 116]

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Seda, Topónimo de Seda, as terras de Alter do Chão, uma vila se da

 
Hoje, numa biblioteca algures na zona e dando assim uma olhada na Memória Paroquial da freguesia de Seda, um texto e documento do Prior Frei Joze Martinz da Aprezentaçam, a 12 de Abril de 1758.
Foto: Blogue “cmicasdeseda.blogspot.com”
“Noticias que della se pedem, são as seguintes dadas pellos mesmos artigos da Comisão.
A primeiro – Chamase esta povoacão a Villa de Seda; o seu nome antiguo foi Arminho; e he tradicão antigua que estando o seu Castello tão bem chamado Arminho em poder dos Mouros; e combatendoo os nossos portuguezes com todo o valor, e defendendo-se os mouros com o mesmo, depois de grande porfia, o Capitão dos nossos lhe mandou dizer que se persistão na resistencia, e elle vencesse tudo passaria a espada; e tendo o que levou o recado negociado o fim pera que fora; subio ao muro, e disse em vox alta pera os de fora não he necessario combater, mais a fortaleza porque já se dâ; e desta palavra e pronunziando o a breve, e com brandura, he que teve origem o chamar se esta Villa Seda, e perder o antiguo nome de Arminho; e assim o testifica e refere o Doutor Antonio Gonsalves de Novaes na relacão que dadas couzas deste Bispado de Elvas o fim da constituicão delle…”.
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 34, nº 97, pp. 761 a 774]

Bom Dia Alentejo!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Benzas e Orações, Aldeia da Mata no Crato, memória que lhe é viva

 
Quebrante da Lua e de Gente e de Mal de Inveja – Primeiro acende-se uma candeia de azeite que deve estar pendurada, e tem-se na mão esquerda um prato de sopa meio de água. Depois faz-se o sinal da cruz em nós e outro sobre o prato. A seguir diz-se o nome da pessoa a benzer e esta frase: “eu te benzo do quebranto de Lua, de gente e de mal de inveja”. Depois faz-se o sinal da cruz sobre o prato e outro em nós e mete-se o dedo mínimo no azeite da candeia e deixa cair cinco pingos na água do prato afastados uns dos outros.
Tudo o que acabo de escrever faz-se três vezes seguidas sem que se tenha pousado o prato. Depois de fazermos o sinal da cruz em nós diz-se o nome da pessoa da pessoa a benzer e esta frase: “Como Jesus Cristo é iluminado, o quebranto do (diz-se o nome da pessoa a benzer) lhe seja tirado”. Cada uma das três benzas, é feita num prato com água. As pingas de azeite têm este pormenor: se a pinga ao cair na água ficar junta, o quebrante é pequeno, mas se a pinga alastrar ou desaparecer, é um grande quebranto. Neste caso, a benzedeira dizia que a pessoa com este quebranto estava atrevidíssima.

Benza para afastar o mal – Em louvor de Deus e do Santíssimo Sacramento do Altar eu (diz o seu nome) estou-me a preparar para chagas, invejas, bruxedos, encalhos, enguiços,  maus olhados de todas as pessoas que odeiam, eu as possa ir deitar, para nem galo nem galinha cantar, nem pai por Maria chamar, mas que Jesus em minha casa queira entrar para dar sorte, paz, saúde, trabalho e dinheiro me queira enviar, em louvor do Santíssimo Sacramento do altar.

Quebrante da Lua – Quando uma criança nasce e adoece, o povo diz que a Lua lhe deu quebranto, porque essa criança recebeu a luz da Lua. Para tirar esse quebranto, a mãe leva o menino ou a menina ao colo para a rua, numa noite de luar, implora três vezes olhando a Lua, o seguinte:
“Lua luar, aqui tens o meu menino (ou menina) acaba de o criar, eu sou mãe, tu és ama, tu o crias, e eu lhe dou a mama”. Esta benza faz-se três vezes seguida.

Benza do Corpo – Dói-te a cabeça, valha-te Santa Teresa / Dói-te o peito, valha-te São Pedro / Dói-te os braços, valha-te o Senhor dos Passos / Dói-te as mãos, valha-te São João / Como Jesus Cristo é alumiado / O mal do corpo te seja tirado. Em cada frase faz-se um sinal da cruz sobre o corpo doente.

Benza do Mau Olhado – Deus te fez, Deus te criou / Deus te tire o mal / De quem para ti olhou / Em Louvor de São Pedro e de São Paulo / Deus te tire esse mau olhado / Como Deus fez às ondas do mar sagrado / Te tire esse mau-olhado / Como deus nasceu em Belém / E foi crucificado em Jerusalém / Se vá o mal desta criatura / Se por acaso o tem.

Amaldiçoar – Primeiro faz-se e diz-se três vezes: Credo em cruz, valha-me o santo nome de Jesus. Eu me entrego a Jesus, e ao São Mateus, e aos anjinhos. Quem mal tiver para nos fazer, que se venha a arrepender, tenha pernas e não ande, tenha braços e não mande, tenha boca e não fale, tenha olhos e não veja e o senhor comigo esteja.
O pedido desta benza pode ser extensivo a mais pessoas, assim como se tem que fazer cruzes com a mão enquanto estiver a dizer a benza.

Quebrante de Gente – Uma to pôs, três te o hão-de tirar, são três pessoas da Santíssima Trindade. No fim faz-se o sinal da Cruz.

Benza para Fogás do Corpo – Santa Cecília tem três filhas, todas elas no fogo ardiam, Santa Cecília pediu a Nossa Senhora, como elas se apagariam: - Benze-as de hora a hora, três vezes ao dia com o esparto benzeis, com o azeite da candeia o apagarás. No fim reza-se ao Santíssimo Sacramento e à Virgem Maria.

Benza da Íngua – Eu te corte íngua, para que tu não me sigas, nem reverdeças. Há-de secar e mirrar, com que te leve o diabo. Esta benza diz-se três vezes com o pé em cima da cinza da lareira. Depois tira-se o pé e com as costas da faca corta-se a cinza em cruz no sítio do pé.
 

Benza para levantar Pragas – Nesta hora sagrada, peço a Deus que me levante todas as pragas, raivas, orgulhos e todos os males que me têm desejado, Deus me levante tudo sem haver qualquer obstáculo ou contratempo. No fim reza-se um Pai Nosso e uma Glória.

Benza da Blida ou do Terçolho ou do Farpão – Jesus Cristo nasceu, a Virgem concebeu Rainha da Verdade, eu te benzo olho da Blida, terçolho ou farpão. Toda esta inflamação há-de secar, há-de mirrar, ou há-de deixar a vista em paz em louvor de Santa Luzia. Esta benza faz-se três vezes seguidas. No fim rezam-se cinco Pai Nossos e cinco Avé Marias.

Para benzer o Côbro – Pega-se numa faca e num pau de figueira. Depois, com as costas da faca, fazem-se cruzes sobre o côbro enquanto se tem que dizer o que escrevo a seguir: Eu te corto côbro cabeça e rabo e corpo todo.

Depois faz-se três cortes com a faca no pau de figueira. A benza é o que acabo de escrever. Os cortes no pau de figueira fazem-se três vezes todos os dias. A seguir coloca-se o pau de canto na chaminé, depois conforme vai secando o pau vai secando o côbro. O côbro enquanto não estiver seco, tem-se que fazer a benza três vezes por dia, e todos os dias no fim das benzas reza-se três Pais Nossos e três Avé Marias.

Benza para afastar o Mau Olhado – Vai-te bruxa feiticeira que tão cruel e tão forte me temes a mim e aos meus, como Deus para a morte. Tu és ferro eu sou aço, tu és o Diabo e eu te enlaço. Quanto me desejares a mim, e aos meus, caia no teu regaço.

Limpeza Física – Ó sagrada erva para celsos, que por Deus foste adoptada, com o poder de dissolver todas as larvas que atraia, eu te peço que afastes de mim e da minha casa todas as más influências que possam ter sido produzidas por pragas, males de inveja, ódios, azares e traições de espíritos maus. Que o manto da luz divina cubra todos os meus inimigos, para que assim eles possam ver, quanto tem sido imposto para comigo, que todo o meu ser e bem assim a minha casa, seja transformada num verdadeiro templo, onde possam bem sentir os benéficos efeitos produzidos pela presença dos Anjos portadores da paz, luz e felicidade. Assim seja.
Fonte: Lia “A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000
 
 
Bom Dia Alentejo!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, a Ribeira do Sor, a ria da vida, a Terra Alentejana no norte


Junto desta freguesia - estamos a falar da terra do Monte da Pedra no Crato - corre huma ribeira, que devide com o seu curso o lemite desta do lemite da freguezia da Comenda termo da villa de Belver deste Grão Priorado do Cratto servindo de metta a ambas as freguezias; esta ribeira chama se Sor; tem seu principio em o lemite de hum povo, que se chama Alagoa, que he do termo, e bispado da cidade de Portalegre.
Não principia caudalozo, nem corre todo o anno; porque ate esta freguezia não corre de Verão, porem desta freguezia para baixo corre todo o anno.

Foto: http://fotos.sapo.pt/odiana/fotos/?uid=z1zOsVijPVuqwJLdcfqr#grande
Entrão em esta ribeira outras mais pequenas, que de Inverno lhe communicão muita agoa; dos quais a primeira, que entra na ditta ribeira de Sor, se chama a ribeira do Caldeireiro, e outros lhe chamão a ribeira da Granja, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado o Aguilhão, que he do termo da villa de Gaffete deste mesmo Priorado.
A segunda ribeira, que entra na ditta ribeira de Sor, he a que chamão a ribeyra do Monte da Pedra, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado a Bica, he lemite desta freguezia.
A terceira ribeira que entra na mesma ribeira de Sor he a que se chama a ribeira dos Valles, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Sourinho, que he lemite desta freguezia; a quarta ribeira, que entra na mesma ribeira de Sor he a que se chama a ribeira de Sam Payo, outros lhe chamão a ribeira de Sipilheira, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Forneco, que tãobem he lemite desta freguezia.
Esta ribeira de Sor não he navegavel pelas muitas pedras, e safras que tem em todo este lemite nem embarcação alguma pode andar nesta ribeira em todo este lemite, posto que em alguñs tempos pela muita agoa que leva não dá passagem a niguem.
He de curso muito arrebatado em todo o lemite desta freguezia.
Esta ribeira chamada Sor corre do nascente para o poente; e todas as ribeiras declaradas no interrogatorio terceiro, que sam as que se metem na ribeira de Sor, correm do sul para o norte.
Em esta ribeira de Sor não se fazem pescarias, so sim se se [sic] fazem por divertimento; porem não tem tempo certo, mas o mais comum he de Verão por cauza das agoas serem de Inverno muito frias, e arrebatadas.
 
Nesta ribeira de Sor em todo este lemite, pesca livremente quem quer.
No limite desta freguezia do Monte da Pedra poucas margeñs desta ribeira de Sor se cultivam; porque he tão fragozo, que em poucas partes se descobre terra para esse effeito, porem se em alguma se descobre terra, e he capaz, cultiva se; e tem esta ribeira de Sor bastante arvoredo que dá fruto, como he = azinho, carvalho, e soro; e silvestre tem pouco.
Esta ribeira de Sor desde honde principia ate Curuche chama se Sor, e de Curuche ate Benevente chama se a ribeira de Curuche, outros chamam lhe Sorraya, e outros lhe darão diversos nomes, mas ao prezente so destes me consta.
Esta ribeira de Sor morre em o rio Tejo em a villa de Benevente.
Sendo esta ribeira de Sor no seu curso tão arrebatada, e principalmente em o lemite desta freguezia; se encontra em ella muita cachoeyra; porem a mayor he a de que se faz mensão no interrogatorio quinto da noticia desta terra, pelo que he impossivel fazer se navegavel, ahinda em tempo de abundancia de agoa.
Não consta que esta ribeira de Sor tenha mais que duas pontes, huma em a villa de Tholoza, e he de cantaria, e a outra em o lemite desta freguezia no sitio chamado o Sourinho, a qual está demolida, e so agora existem os dois arcos principais della, e eles testeficão a grandeza, e eminencia da ponte, a qual tãobem era de cantaria, porque os dois arcos que ahinda hoje existem, conservão os seus fexos ahinda direitos, e ahinda hoje, quando a ribeira leva muita agoa, passa gente por ella a pe enxuto.
Esta ribeira de Sor não tem no lemite deste Monte da Pedra mais que tão somente hum moinho. Não ha noticia alguma que nas aréas desta ribeira de Sor se tira se em algum tempo ouro, nem ha memoria de tal coiza, e muito menos ha noticia, que no prezente tempo se tire ouro em suas aréas.
A ribeira de Sor desde honde principia, que na aldeya da Alagoa, como ja se dice no primeiro interrogatorio, ate honde acaba que he na villa de Benevente, como ja se dice no interrogatorio decimo terceiro, tem tem [sic] de distancia vinte legoas \segundo se diz\ e os povos por honde passa sam os seguintes = principia em Alagoa, e passa por entre os termos das villas de Alpalhão, e Gaffete, e dahi vem passar junto da villa de Tholoza, e vem passar junto desta freguezia, corre junto do Monte do Sume; como se dice no interrogatorio quinto, da noticia desta terra, corre junto da Torre das Vargeñs, que he coutada do Marques de Fronteira, e vai correr junto da villa da Ponte de Sor, e dahi vai correndo ate chegar a Montrangil juncto [sic] de quem corre, e vai correr tãobem junto de Curuche, e finalmente passa á villa de Benevente ahonde, se diz, morre no rio Tejo.
Monte da Pedra de Oitubro seis de 1759.
O reyttor cura Frey Manoel Dias Laberão de Almeyda.
Fonte: ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 201, pp. 1507 a 116]


Bom Dia Alentejo!

domingo, 8 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Évoramonte, Pelourinho de Évoramonte, um tronco a um longo sono eterno

 
"Pelourinho ou picota são colunas de pedra colocadas em lugar público da cidade ou vila onde eram torturados e expostos criminosos. Tinham também direito de pelourinho os grandes donatários, os bispos, os cabidos e os mosteiros, como prova e instrumento da jurisdição feudal."
Depois logo de seguida, “Os Pelourinhos eram símbolos da autonomia municipal, símbolo da liberdade dos seus habitantes expressa no seu Foro próprio. O Pelourinho actual de Vila Viçosa, dos séculos XV-XVI, não assistiu a quaisquer execuções (estavam reservadas para o vizinho "Outeiro da Forca"). Após o século XV os pelourinhos deixam de ser o local privilegiado para se cumprir a pena de morte”.
Deixando pois lá polémicas e seguindo lá em frente, Câmara Municipal de Estremoz informa Sito em frente dos antigos Paços do Concelho (Rua da Convenção).
Do  monumento subsiste unicamente o plinto paralelepípedo de mármore de cunhas simples. Observando a base onde a coluna assentava esta possui vestígios evidentes de quebra.
Estilisticamente apresenta sinais de ser peça do século XVI, data em que D. Manuel I [r. 1495-1521] concedeu os conhecidos Forais de Leitura Nova e em que profusamente por todo o país se levantaram Pelourinhos, como podemos ver em Estremoz, Vila Viçosa, Terena, entre outras.
Nesta zona existem vários Pelourinhos derrubados ou desaparecidos, veja-se o exemplo de Juromenha (derrubado) e Alandroal (subsiste apenas o plinto). […]
Desta peça poucos dados históricos se conseguiu obter.
Provavelmente terá sido quebrada no século XIX, após a instauração definitiva do Constitucionalismo neste Reino, actos que aliás ocorreram em todas as suas regiões, já que os Pelourinhos eram tidos por um símbolo da opressão do anterior regime que a custo foi derrubado pela força das armas. No entanto, este era simplesmente um marco que simbolizava a autonomia judicial dos concelhos.

 
Bom Dia Alentejo!  
 

 

sábado, 7 de junho de 2014

Bom Dia Alentejo, Chancelaria, a Chança, a Memória Paroquial

Vossa Magestade me manda fazer hũ extracto de tudo o que se conthem nesta Villa da Chancelaria.
Primeiramente está edificada esta Villa com a Provincia do Alemtejo, pertence ao Bispado de Portalegre Comarca de Villa Viçoza, he da Serenissima Caza de Bargança, tem cento e dezanove vezinhos, e trezentas e vinte e oito pessoas adultas, e quarenta e nove menores.
Está a ditta Villa situada em hũ piqueno monte, e della se descobrem as povoaçoens seguintes: a cidade de Portalegre, que dista da dita Villa sinco legoas, a Villa do Cratto distante da mesma Villa duas legoas; Aldeia da Matta em o termo da Villa do Cratto, distante desta Villa hũa legoa; a Villa de Alter do Chão em distancia de duas legoas; a Villa de Alter Pedrozo em distancia de duas legoas e meya; a Villa de Cabeço de Vide em distancia de tres legoas.
Tem esta Villa termo proprio, e dentro delle está hũa Aldea a que chamam Cunheira esta tem trinta sette vezinhos, e noventa e oito pessoas de ambos os sacramentos, e trinta e sette de hũ só sacramento. A Matrix desta Villa fica em hũa ponta da mesma Villa, e tem a si anexas a a Aldea de Cunheira asima declarada, e a Igreja do julgado de Margem, distante desta Villa três legoas.
O Orago desta Matrix he Sancto Estevão, tem quatro altares: a saber o altar major aonde está o Sanctissimo Sacramento; o altar de Nossa Senhora do Rozario, o altar de Sancta Martha, e o altar da[s] Almas; A ditta Matrix he de abobeda, e tem só hũa nave, e tem tres Irmandades a saber a primeira do Sanctissimo Sacramento, a segunda de Nossa Senhora do Rozario; e terçeira das Almas do Purgatorio.
O Parocho desta Igreja he Prior e da Aprezentação de Vossa Magestade como admenistrador da pessoa e bens da Serenissima Princeza a Senhora Dona Maria Duqueza de Bargança, tem de renda este Priorado depois de pagar as pensoens settenta e dous mil reis.
Tem hum Cura em a mesma Matrix e outro em a Igreja de Margem que ambos são de aprezentação do Prior e cada hum dos// Dos dittos curas tem dous moyos de trigo, pagos pelo Prior e pelas Religiozas do Convento das Chagas de Villa Viçoza interessados nos dizimos desta Villa.
 

Tem Irmandade de Mizericordia, mas não tem Igreja propria nem renda alguma; Tem hũa Ermida a que chamam do Martir São Sebastião que he filial da Igreja Matrix desta Villa aonde está por favor a Caza ou Irmandade da Mizericordia, e a ditta Ermida fica em hũa ponta da Villa; Tem mais outra Ermida em o termo, distante meja legoa da invocação de Sancta Luzia, cuja Igreja está aruinada, âqual Ermida vaj alguma gente de romagem em dia de Sancta Luzia a treze de Dezembro; em cujo dia se fas também feira em o mesmo sitio junto â mesma Ermida aqual feira he de hum só dia, e captiva.
Os fructos que recolhem os moradores desta Villa em mais abundancia he senteyo, que apenas chegua para o comum sustento do povo; sendo a cauza de não colher mais fruttos o ser a mayor parte do termo desta Villa, terra de charrua e infrutifera; Tem esta Villa dous Juizes Ordinarios, e Camara pautada por Vossa Magestade sem sujeição a outra terra; Não consta que della tenhão sahido homens alguns insignes em letras, vertudes ou armas; Não tem correyo proprio, e se serve do correyo de Alter do Chão distante desta Villa duas legoas; Dista esta Villa da cidade Capital do Bispado que he Portalegre sinco legoas, e da cidade de Lisboa, Capital do Reino vinte e seis legoas.
O julgado de Margem comprehende trinta vezinhos, e noventa e seis pessoas adultas, e vinte menores; tem hũa so Igreja como ja disse sogeita a esta Matrix desta Villa o seu orago he Sam Bartholomeu; Tem o dito Julgado duas ribeiras que nascem ao Norte e finalizão ao Sul com a ribeira do Sor. E as ditas ribeiras se chamão Ribeiras de Margem, tem agoa corrente todo o anno com sinco moinhos e dous lagares de azeite; as margens das dittas ribeiras se semeão todos os annos de milho e feijoens.
Vendo estes os fruttos que recolhem os moradores do ditto//Ditto Julgado, e uzão livremente os dittos moradores das agoas das dittas ribeiras.
He o que posso dizer a Vossa Magestade desta Villa da Chancellaria, e da sua Parochial e anexas, sobre os items que comprehende a ordem de Vossa Magestade que Deos Guarde, Chancellaria em os 3 de Abril de 1758.
O Prior da Villa de Chancellaria Rodrigo Roberto Aranha
Fonte: [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 10, nº 291, pp. 2007 a 2010]

Bom Dia Alentejo!