sábado, 10 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, a Nossa Senhora da Alegria, o Manto apagou o fogo do inferno

 
 
















Conta-se que uma certa noite, já a obra do Convento de Castelo de Vide ia muito adiantada, irrompe um incêndio, que devasta tudo o que já estava feito.
O povo acorre bem depressa. As labaredas levavam tudo à sua frente, e o armazém de pólvora ficava ali bem perto. A água estava longe e difícil de carregar, pois era preciso ir buscá-la à fonte da vila, à fonte do Rossio ou ainda à fontinha de Santa Ana.
Tudo parecia perdido. Então, toda a população se voltou para a Igreja da Senhora da Alegria e, numa explosão de fé, implorou à Senhora que lhe acudisse. Como que por encanto, o incêndio extinguiu-se.
No outro dia, toda a gente se reuniu em frente da Igreja da Senhora da Alegria para rezar e agradecer tão magnânima protecção.
E todos quiseram beijar-lhe os pés, mal se atrevendo a olhar o seu rosto. De súbito, alguém que agarrava o manto de púrpura e ouro que cobre a imagem grita:
— Milagre, milagre!
Uma das pontas do manto estava queimada, porque a santa com ele havia apagado o fogo.
 Fonte: Fernanda Frazão, Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano, Apenas Livros, 2006 , p. 107-108
 Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, São Salvador da Aramenha, Lenda da Cova da Moura, Marvão, a eterna saudade do amado



Em tempos que já lá vão, em vésperas da manhã de S. João, chegou à porta duma mulher, que morava perto da Cova da Moura, um homem que lhe pediu pousada.
Como a mulher lha cedesse, depois de cear, pendurou o bornal que trazia numa estaca de madeira na parede interior da chaminé, foi deitar-se, e logo adormeceu.
O mesmo não sucedeu à dona da casa que, cheia de curiosidade, logo que a ocasião lho permitiu, levantou-se e foi abrir o bornal. Como nele estavam três bolos, quis prová-los, cortou um, tendo o cuidado de o pôr sob os outros. À madrugada o cavaleiro levantou-se, pegou no bornal, e dirigiu-se à Cova da Moura onde estavam três irmãs encantadas.
À primeira deu-lhe um bolo que se transformou num cavalo, que partiu a galope levando-a para a Mourama.
À segunda aconteceu o mesmo que à primeira, e à terceira, cheio de surpresa, deu-lhe o bolo partido que se transformou num cavalo coxo que a não pode levar com rapidez antes do sol nascer para junto das irmãs, e por isso ali ficou eternamente encantada, esperando em cada manhã de S. João o cavaleiro que nunca mais apareceu!...
Fonte: Maria Tavares Transmontano, Subsídios para a Monografia do Porto da Espada Viseu, Junta Distrital de Portalegre, 1979, p. 25Foto: http://wwwaguia.blogspot.pt/2007_09_01_archive.HTML
 
Bom Dia Alentejo!
 

 

 

Bom Dia Alentejo, aldeia de Cunheira, Topónimo de Cunheira, a cunha que lhe era aparecida

 
 
Julgo este blogue ter lido, alguns tempos atrás, Cunheira, "Quanto ao topónimo pensa-se que poderá estar relacionado com a existência de coníferas". E se a memória a este espaço a ele não lhe falha, ela até julga que foi no site da Câmara Municipal de Alter do Chão, que lá, ela lá lhe deu a olhada.
Mas pode não ser. Topónimo pode não ser bem assim. O da ditosa aldeia na terra desta maravilhosa Alter do Chão. Venham daí malta…

Dicionários de Língua Portuguesa atribuem ao termo “cunheira” o seguinte significado: “fenda aberta numa pedra que a há-de rachar”, que naturalmente, nada tem a ver com a raiz etimológica do topónimo.
No entanto revestem-se de certo interesse as informações que o Dr. Alberto António da Rosa, médico em Almeirim e natural da Cunheira, deu a propósito da sua terra ao Prof. Alexandre de Carvalho Costa e que este regista no seu livro Lendas e Historietas Populares, e que com a devida vénia se transcreve:
“Supõe-se que o nome Cunheira se deve ao seguinte: Toda aquela região foi outrora uma densa floresta e, não sei porquê, construíram ali uma casa para guardarem as ferramentas utilizadas no desbaste das árvores. Desses utensílios faziam parte os célebres cunhas que deram o nome à casa o nome de Cunheira.”
Fonte: Dicionário Enciclopédico das Freguesias de Portugal, pag.641
Foto: http://i.ytimg.com/vi/djyPN0d64Lg/0.jpg

Bom Dia Alentejo!


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a terra de Nisa, a Lenda da Moira Parturiente de Nisa, a deusa Fortuna um dia disse e abalou

 
Havia uma mulher em Nisa que era parteira, e foi-lhe bater à porta, fora de horas, um homem. Ela levantou-se e veio à rua, onde estava o mesmo indivíduo à espera, o qual era desconhecido dela. Acompanhou o homem para fora da vila e ia muito assustada, porém não dizia nada. Chegaram a um sítio, onde estava um penedo com uma abertura à maneira de uma janela. Ele disse para a mulher:
 — Entre.
 A parteira entrou e viu uma mulher, que estava muito aflita, para ter uma criança. A parteira arranjou a mulher e arranjou a criança e depois perguntou se queriam que ela fizesse alguma coisa. Ela disse que não e pegou numa pá de carvão e encheu-lhe a abada. Foi acompanhá-la até à porta. A mulher, como não fez caso do carvão, foi deixando este pelo caminho a pouco e pouco, ficando-lhe no avental apenas, por acaso, uns três ou quatro bagos.
 Despediu-se do homem e foi-se deitar. Ao despir-se, aqueles bagos caíram no chão, sem ela dar por isso. De manhã, quando se levantou, viu que os carvões se tinham transformado em peças de ouro. Ficou muito desgostosa de não ter trazido tudo, e voltou fora a ver se achava mais peças. Porém, não achou nada.
 O homem era um moiro e a mulher que estava de parto era moira. 

Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p. 744-745
Foto: http://obviousmag.org/archives/uploads/2009/09120403_obvious.pt_rochedo.jpg

Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, a Igreja Matriz de Tolosa, Tolosa, umas terras de uns pais franceses

 
 
Na sacristia da Igreja Matriz encontra-se uma fonte de pedra com reduzidas dimensões. Compõe-se essencialmente de um reservatório superior, uma bica e um pequeno tanque. A água que a alimenta não é nativa, mas sim transportada manualmente para o reservatório. É interessante referir que a bica está fixada na boca de uma carantonha ou carranca.
Se pensarmos que este ornamento tem origem mitológica, não faz sentido lógico o seu aparecimento num templo cristão-católico.
Porém, para esbater o paganismo evidente, surge a Cruz de Cristo esculpida em granito, encimando todo o conjunto. Tudo isto nos faz lembrar uma espécie de simbiose entre a Mitologia da Antiguidade Clássica e a força religiosa do Cristianismo.

Na Igreja Matriz há ainda outros objectos históricos dignos de registo:
1.º - Uma custódia muito antiga.
2.º - Uma salva metálica de origem alemã, no fundo da qual estão figurados em relevo Adão e Eva, vivendo no Paraíso.
3.º - Encontram-se ainda três imagens muito apreciadas pela sua antiguidade: uma delas representa São Pedro, com as tradicionais chaves do Céu fechadas na mão direita, esculpido em granito; as outras representam Santa Ana E Santa Catarina.
4.º - São ainda merecedoras de apreço as Credenciais em talha dourada, que ladeiam a Capela-Mor.

Fonte: Pequena Monografia de Tolosa, Alzira Maria F. Leitão

Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, Vila Boim, Coreto de Vila Boim, ao Centro tudo lhe vai

 
 

Desconhece-se quem mandou erigir, em 23 de Setembro de1894, o coreto de Vila Boim que, hoje é propriedade da Junta de Freguesia da mesma vila.
É mais um coreto com planta octogonal de 2,45m de lado e 1,50m de altura do solo. Repete-se o material do pavimento, argamassa de cimento, mas de cor vermelha.
Apresenta este coreto, uma grande variedade de materiais, que consideramos elementos decorativos com interesse: cimalha e cunhais em mármore rosa, as paredes de mosaico, a cobertura em chapa zincada lisa, com rendilhado em chapa e estrutura em ferro, gradeamento e porta, mas sem ter acesso próprio.
Situado no centro do jardim com cercadura ajardinada, ficando totalmente a descoberto, é o espaço escolhido para as festas da vila.
Encontra-se em bom estado de conservação.
Este coreto teve, em tempos, assento na Praça da Republica em Elvas.
Foto: http://fotos.sapo.pt/odiana/fotos/?uid=i3Zi0wiAZPazqPqNopzN#grande
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra

Bom Dia Alentejo!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda da Princesa Encantada, Moura, terra do Sobral da Adiça, o Poço o Tesouro, uma Beleza encantada que o guarda

 
Há muitos anos atrás, havia um rei que tinha uma filha. Mas como teve de partir para junto dos seus soldados, despediu-se e recomendou à princesa que se portasse bem.
Um dia recebeu uma carta dizendo que a filha tinha arranjado um noivo na aldeia. Ficou furioso pois ele queria que a filha casasse com um rapaz de família e rico, que frequentasse a corte. Regressou ao castelo e disse à princesa que se não deixasse o rapaz, seria castigada. Porém, a rapariga não obedeceu ao pai. Então o rei chamou um dos seus guardas e mandou chamar um feiticeiro que ali morava na cidade, para que lançasse um feitiço à filha. A princesa, coitada, foi transformada numa serpente e o feiticeiro disse ao rei que a sua filha já encantada ficaria dentro de um poço a guardar um tesouro na Serra da Adiça.
E assim o encantamento só se quebrará se um homem for ao poço e der um beijo nos cabelos da cobra.
Bom Dia Alentejo!
Fonte: António Ferreira Lopes, Contos e Lendas Populares e de Transmissão Oral na Serra da Adiça, in: Arquivo de Beja, vol. XIV, serie III, 2000, p. 66
Foto: http://img.ibxk.com.br/2013/9/megacurioso/192856626006353958.jpg