domingo, 4 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Campo Maior, a Lenda de Chévora, Maria Clara donzela Julieta em português

  

 
Em frente da villa d’Ouguella se lhe junta o rio Abrilongo e mais abaixo 9 kilometros o Bótova. Suas margens são quasi todas cultivadas, bellas e ferteis. É em parte orlado de frondoso arvoredo.
Proximo a este rio, na Quinta de Crastos, houve uma torre muito alta, e a respeito d’ella ha a lenda seguinte:
Moráva na tal torre, um emir sarraceno, do qual se enamorou uma dama lusitana chamada Clara Moniz, que fugiu para a torre do seu amante; mas, receando a vingança dos christãos, encantaram-se, e assim estão invisiveis, no rio, até que um cavalleiro christão lhe quebre o encanto, em uma noute de S. João; e logo o mouro se fará christão, casará com a senhora D. Clara e serão muito felizes!

 Fonte: Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], p. tomo II, p. 293
 
Bom Dia Alentejo!


sábado, 3 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, São Salvador da Aramenha, a Lenda da Cova da Moura, Marvão, a uma terra a um encanto

 
 
Em tempos que já lá vão, em vésperas da manhã de S. João, chegou à porta duma mulher, que morava perto da Cova da Moura, um homem que lhe pediu pousada.
Como a mulher lha cedesse, depois de cear, pendurou o bornal que trazia numa estaca de madeira na parede interior da chaminé, foi deitar-se, e logo adormeceu.
O mesmo não sucedeu à dona da casa que, cheia de curiosidade, logo que a ocasião lho permitiu, levantou-se e foi abrir o bornal. Como nele estavam três bolos, quis prová-los, cortou um, tendo o cuidado de o pôr sob os outros. À madrugada o cavaleiro levantou-se, pegou no bornal, e dirigiu-se à Cova da Moura onde estavam três irmãs encantadas.
À primeira deu-lhe um bolo que se transformou num cavalo, que partiu a galope levando-a para a Mourama.
À segunda aconteceu o mesmo que à primeira, e à terceira, cheio de surpresa, deu-lhe o bolo partido que se transformou num cavalo coxo que a não pode levar com rapidez antes do sol nascer para junto das irmãs, e por isso ali ficou eternamente encantada, esperando em cada manhã de S. João o cavaleiro que nunca mais apareceu!...
 
Fonte: TRANSMONTANO, Maria Tavares Transmontano, Subsídios para a Monografia do Porto da Espada Viseu, Junta Distrital de Portalegre, 1979 , p. 25
 
Bom Dia Alentejo!


Bom Dia Alentejo, São Vicente E Ventosa, Elvas, o Pote do oiro o Pote do Veneno



Entre o povo de São Vicente e a Horta da Cortina, há um sítio que lhe chamam a Abóbeda. Aí há dois potes enterrados: um tem uma tampa ou prato de estanho, com oiro em cima, e oiro tem o pote; o outro tem também uma tampa ou prato de estanho e em cima uma sardinha de oiro; este tem veneno. O sonho diz que felicidade terá quem atinar com o pote do dinheiro; se atinar a descobrir o do veneno morrerá, em sete léguas em redondeza, tudo. Já alguns se têm oposto a isto, mas sem resultado, porque têm medo.

Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p. 770
Foto: http://www.boasnoticias.pt/img/pote.jpg

Bom Dia Alentejo!




sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, As Sortes, terras de Aldeia da Mata, o cachopo subia a homem

 

Era chamado sorteamento ao dia em que os rapazes iam à inspecção médica, para prestar serviço militar, e que se realizava no mês de Junho, no edifício dos Paços do Concelho do Crato.
Os rapazes tinham esse dia como de festa, tanto assim que, durante oito dias havia baile todas as noites, e sempre abrilhantado por um acordeonista, sendo o “Botas” de Alferrarede o mais contratado para essas festas.
Acontecia que os rapazes das sortes do ano seguinte, faziam com um adiantamento o contrato com o “Botas” para a sua festa. O tocador vinha na segunda-feira, e nesse dia já havia baile, assim os dias até domingo eram cheios, acabando sempre com um baile à noite.
 
Terça-feira iam ao Crato tirar a guia, regressando só depois do almoço. Quarta-feira iam para a ribeira, lavavam-se e faziam um petisco. Depois o regresso à terra, com muita alegria pelas ruas, tocando as pandeiretas a acompanhar o acordeonista, e a dar vivas ao “Botas” e à rapaziada das sortes desse ano.
Quarta-feira, dia da inspecção; todos os rapazes iam vestidos de “ponto em branco”, quero dizer, que o que levavam vestido e calçado, era tudo novo, verdadeiro dia de festa. Depois do tradicional almoço prolongado no José d`Adega, vinham fazer o resto da festa desse dia à terra.
Sexta-feira, era o grande petisco das sortes, o qual se fazia sempre na ribeira por terem a água à mão para lavar a louça. Matavam uma cabeça de gado, e ali banqueteavam passando o dia à sua maneira, e à tarde vinham de regresso, com muito barulho, mas nunca faltando o toque do acordeão. Nos últimos dois dias de festa das sortes, sábado e domingo, só havia baile à noite.

Há ainda a acrescentar que os rapazes das sortes não passavam nenhum dia sem dar a volta às ruas com o acordeonista e tocando as suas pandeiretas, sendo da prache entrarem nas tabernas para beberem uns copos.
No dia da inspecção os rapazes compravam no Crato fitas de seda para a lapela, para se saber quem tinha ficado apurado ou livre. A designação das cores das fitas era assim: para os apurados uma fita vermelha e uma verde, para os livres, uma branca e uma amarela.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=206782769335948&set=o.184521331583622&type=3&theater
Fonte: Lia “A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000”

Bom Dia Alentejo!


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda da Costureirinha, a Promessa que não lhe foi paga

 
 
Conta esta lenda, a Lenda da Costureirinha, a história de uma costureira que tinha uma filha em idade de casar e resolveu dar-lhe, como prenda de casamento, uma máquina de costura.
A costureira, não tinha posses para pagar a máquina no acto da compra. Ainda assim, conseguiu adquirir a máquina ficando de pagá-la mais tarde.
Pouco tempo decorrido, a costureira morreu, não podendo por isso pagar a dita divida.
Ainda hoje, em algumas casas da freguesia, se diz ouvir “o trabalhar da máquina da costureirinha”.
 Reza a tradição que, o espírito da costureira não terá descanso, devido ao facto de ter morrido sem ter pago a sua divida.
 
Fonte: António J. Gonçalves, Monografia da Vila de Almodôvar, Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense, s/d , p.123-124
 
Bom Dia Alentejo!
 
 



terça-feira, 29 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Nisa, a Lenda da Faiopa, a água a levou



Defrontavam-se nas duas margens do Tejo — reza a tradição —  dois castelos, ali postos para domínio e guarda de terras, cujos senhores militavam em campos adversos: um, defensor do Evangelho; o outro, sectário do Corão. Visigodos e mouros digladiavam-se então em pugnas ferocíssimas, alongando-se por contínuas algaras e fossados e deixando à guarda dos seus castelos inacessíveis a fragilidade das mulheres e a inocência das crianças.
Ora sucedeu que D. Urraca — esposa de certo fidalgo cristão — enquanto este acutilava agarenos, se esqueceu, no seu castelo das Portas de Ródão, do que devia à honra de quem tão denodadamente combatia. E, perdidamente, tresloucadamente, precipitou-se nos braços de um nobre da mais alta linhagem mourisca, que trocara os rigores da guerra pelas blandícias da infiel. E diz a lenda que o buraco da Faiopa era o extremo da passagem subterrânea utilizada pela dama cristã, quando saía do castelo para, de barco, ir em demanda do mouro que a perdera.
Viveram longo tempo em descuidosa e absorvente paixão. Mas, certo dia, o marido atraiçoado aparece inesperadamente e, em vez das dúlcidas alegrias do lar, a que lhe davam direito seus feitos de estrénuo batalhador, esperam-no a infâmia e a desonra. A adúltera sofreu então o justo castigo da infidelidade: Foi no mesmo pego — sobre cujas águas ela diariamente passava a caminho do castelo fronteiro —  que o marido ultrajado a precipitou, depois de lhe atar ao pescoço pesada pedra de moinho.
E nos torvelinhos do pego de D. Urraca — nome por que ainda hoje é conhecido — lá se afundou para sempre a desvairada.
A sua alma por ali anda penando, entre as fragas e ruídos do cachão, em lamentos de dor e gritos de desespero, que se perdem na solidão daquelas quebradas e penedias.


Fonte: José Francisco Figueiredo, Monografia de Nisa, Câmara Municipal de Nisa, 1989 , p. 287-288
Foto: http://3.bp.blogspot.com/-JP1IVPn2GoM/UfGCzPNRxWI/AAAAAAAAA-I/lDPbjLchuwc/s1600/dulce.jpg

Bom Dia Alentejo!

domingo, 27 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Estremoz, Convento de São Francisco, Milagre das tochas


É de tradição que no convento de S. Francisco de Estremoz, no princípio da religião seráfica, sucedeu um portentoso milagre de vinte e nove tochas acesas sobre o telhado do clero do dito convento.
Pedro Bom, natural da vila, ao tempo do acontecimento a entrar na adolescência, observou pela meia-noite que, sobre o telhado daquela casa conventual se acendiam variadíssimas luzinhas que, aos poucos, ganharam a forma de chamas e, por fim, de tochas. Num movimento constante sobre o telhado pareciam dobrar-se, tomavam formas humanas, pois o movimento mais parecia um ritual de solenes exéquias.
Pedro Bom ficou profundamente emocionado pelo portento do acontecimento e muito mais ainda quando, contando-as uma a uma, verificou serem ao todo vinte e nove religiosos que habitavam no referido convento de S. Francisco da vila.
 

 
Fonte: Lendas e Outras Histórias Estremoz, Escola Profissional da Região Alentejo / Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz, p.21-22
Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Igreja_e_Convento_de_Sao_Francisco_(1).JPG

Bom Dia Alentejo!