terça-feira, 29 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Nisa, a Lenda da Faiopa, a água a levou



Defrontavam-se nas duas margens do Tejo — reza a tradição —  dois castelos, ali postos para domínio e guarda de terras, cujos senhores militavam em campos adversos: um, defensor do Evangelho; o outro, sectário do Corão. Visigodos e mouros digladiavam-se então em pugnas ferocíssimas, alongando-se por contínuas algaras e fossados e deixando à guarda dos seus castelos inacessíveis a fragilidade das mulheres e a inocência das crianças.
Ora sucedeu que D. Urraca — esposa de certo fidalgo cristão — enquanto este acutilava agarenos, se esqueceu, no seu castelo das Portas de Ródão, do que devia à honra de quem tão denodadamente combatia. E, perdidamente, tresloucadamente, precipitou-se nos braços de um nobre da mais alta linhagem mourisca, que trocara os rigores da guerra pelas blandícias da infiel. E diz a lenda que o buraco da Faiopa era o extremo da passagem subterrânea utilizada pela dama cristã, quando saía do castelo para, de barco, ir em demanda do mouro que a perdera.
Viveram longo tempo em descuidosa e absorvente paixão. Mas, certo dia, o marido atraiçoado aparece inesperadamente e, em vez das dúlcidas alegrias do lar, a que lhe davam direito seus feitos de estrénuo batalhador, esperam-no a infâmia e a desonra. A adúltera sofreu então o justo castigo da infidelidade: Foi no mesmo pego — sobre cujas águas ela diariamente passava a caminho do castelo fronteiro —  que o marido ultrajado a precipitou, depois de lhe atar ao pescoço pesada pedra de moinho.
E nos torvelinhos do pego de D. Urraca — nome por que ainda hoje é conhecido — lá se afundou para sempre a desvairada.
A sua alma por ali anda penando, entre as fragas e ruídos do cachão, em lamentos de dor e gritos de desespero, que se perdem na solidão daquelas quebradas e penedias.


Fonte: José Francisco Figueiredo, Monografia de Nisa, Câmara Municipal de Nisa, 1989 , p. 287-288
Foto: http://3.bp.blogspot.com/-JP1IVPn2GoM/UfGCzPNRxWI/AAAAAAAAA-I/lDPbjLchuwc/s1600/dulce.jpg

Bom Dia Alentejo!

domingo, 27 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Estremoz, Convento de São Francisco, Milagre das tochas


É de tradição que no convento de S. Francisco de Estremoz, no princípio da religião seráfica, sucedeu um portentoso milagre de vinte e nove tochas acesas sobre o telhado do clero do dito convento.
Pedro Bom, natural da vila, ao tempo do acontecimento a entrar na adolescência, observou pela meia-noite que, sobre o telhado daquela casa conventual se acendiam variadíssimas luzinhas que, aos poucos, ganharam a forma de chamas e, por fim, de tochas. Num movimento constante sobre o telhado pareciam dobrar-se, tomavam formas humanas, pois o movimento mais parecia um ritual de solenes exéquias.
Pedro Bom ficou profundamente emocionado pelo portento do acontecimento e muito mais ainda quando, contando-as uma a uma, verificou serem ao todo vinte e nove religiosos que habitavam no referido convento de S. Francisco da vila.
 

 
Fonte: Lendas e Outras Histórias Estremoz, Escola Profissional da Região Alentejo / Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz, p.21-22
Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Igreja_e_Convento_de_Sao_Francisco_(1).JPG

Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, a Lenda de Santo António dos Arcos, no sebúrbio de Estremoz, a Arcos

 
Segundo informação recolhida no local, a igreja de Arcos, consagrada a Santo António, terá sido fundada no século XV ou início do século XVI.  Há notícias da sua existência no início do século XVI e alguns dos seus elementos são atribuídos a esta época, nomeadamente, o portal de mármore, debaixo do alpendre frontal e os azulejos que se encontram no interior.
 


Mas nos subúrbios amigos meus, da cidade de Estremoz, há uma freguesia chamada Arcos. Conta aquela gente ali residente a seguinte lenda:
Junto duma fonte ali existente estava uma mulher chorando, pois ia à fonte e chorava amargamente pelo seu filho estar em perigo de vida.
Diz-se que apareceu Santo António e lhe perguntou:
- Porque choras?
Ela respondeu-lhe.
- O meu filho está gravemente doente. Está às portas da morte.
Serenamente, Santo António respondeu-lhe:
- Vai sossegada para casa, que o teu filho está curado. A tua fé te salvou.
Nesse mesmo lugar foi mandada erguer uma igreja há aproximadamente três séculos, chamada a igreja de Santo António dos Arcos.
Lia “Lendas e Outras Histórias Estremoz, Escola Profissional da Região Alentejo / Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz,  p.73-74”
 

sábado, 26 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Fonte D`Alter, Aldeia da Malta, a terra do sorriso a unir

Esta fonte é muito simples, com as bicas e um enorme bebedouro, onde antigamente os animais bebiam quando por ali passavam... Uma das fontes de Aldeia da Mata, situada na estrada da Estação e que liga Aldeia a Alter do Chão...talvez daí o nome...
Via “Ana Carita”
Esta fonte, embora tivesse mudado de local, não mudou de nome. A sua origem foi de mergulho, e situava-se no antigo caminho do apeadeiro, junto à parede que divide as tapadas dos Senhores Narciso Jorge e Henrique Gomes Branco".
Lia “A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000”
 
Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, Topónimo de Ponte de Sor, a uma Lá passagem

Está edificada em solo plano e pouco mimoso, junto do rio Sor, que aqui tem uma ponte. O nome provém-lhe desse rio, e da respectiva ponte…
(Do Domingo Ilustrado, Vol. III (1899) – Pág. 635).
 
Foi um território importante desde a época romana, integrado que estava na terceira via militar romana que de Lisboa se dirigia a Mérida. Parece datar desta altura a fixação do nome da terra, devido à existência de uma Ponte, construída por aquele povo, sobre o Rio Sor.
Terá sido erguida no terceiro milénio depois de Cristo, no tempo do imperador Marco Aurélio Probo, constituindo-se então no maior monumento de toda a estrada romana até Mérida.
Tinha dez arcos de volta redonda, muito semelhantes aos da Ponte de Seda, ou Vila Formosa.
Apesar de forte, - amigos meus – já não existia em 1438, aquando do início da construção das muralhas da vila.
Foi um território importante desde a época romana, integrado que estava na terceira via militar romana que de Lisboa se dirigia a Mérida.
O seu nome parece também vir desse período: está relacionado com a existência de uma primitiva ponte sobre o Rio Sor, muito provavelmente no terceiro milénio da nossa Era.
A ponte desapareceu entretanto. Segundo alguns autores, aqui se situava a cidade romana de Matusaro.
Dicionário Enciclopédico das Freguesias.

O nome deriva-lhe do rio e de uma enorme ponte de pedra construída pelos romanos, de que não restam vestígios.
Perde-se na noite dos tempos a data da sua fundação, ignorando-se quem foram os primeiros fundadores.
Sabe-se por um marco miliário que existe no Museu Arqueológico dos Jerónimos e que foi encontrado na estrada em direcção a Alter do Chão, que a ponte já existia no tempo do Imperador Marco Aurélio Probo, que foi aclamado pelas suas tropas no ano 276 de J. C., e por elas morto em 282.
– Aqui existiu a povoação de Matusarum que alguns escritores dizem ter sido uma cidade, que era uma das estações do percurso da 3.º via militar romana de Lisboa a Mérida, e demora entre as estações de Aritium Pretorium (Benavente) e Abeltério (Alter do Chão).
(Das Notas Históricas e Descritivas do Concelho de Ponte de Sor – por Primo Pedro da Conceição – inserto na Pág. 898 do tomo II do Álbum Alentejano).

 Bom Dia Alentejo.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=460892933965467&set=a.262939623760800.69012.100001342941971&type=1&theater

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, a grande Crato, a terra do Vale do Peso nascia no Rodo


No sítio de Rodo (leia-se Ródo) foi o antigo Vale do Peso e ainda lá há alicerces. As crianças morreram todas com a quantidade de formigas que apareceram; as mães deixaram as crianças em casa e quando voltaram acharam-nas cheias de formigas. Por isso a povoação se mudou para o actual Vale do Peso, concelho do Crato.

Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p. 868
 
 Bom Dia Alentejo!
 
 
 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Sousel, Topónimo de Sousel. Eia vamos a ele

Foi fundada por o famoso condestavel, D. Nuno Alvares Pereira, em 1387. Consta que foi este mesmo D. Nuno que lhe poz o nome, porque, estando para dar aqui uma batalha aos castelhanos, lhe vieram dizer (quando elle estava orando) que o inimigo se aproximava – ao que elle, apromptando-se para a peleja, respondeu – «Ora, sus a el» fraze commum n’aquelle tempo, e como quem diz – Eia! vamos a elle.

Fonte: PINHO LEAL, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo IX, p. 453
 
Bom Dia Alentejo!