sexta-feira, 7 de março de 2014

Bom Dia Alentejo, Topónimo de Seda, A Lenda do Castelo de Arminho, aos amados de um amor desencontrado

 
Foi ao fim da tarde. Corria o ano de 1160 e era rei de Portugal D. Afonso Henriques. A conquista de Alcácer tinha-lhe valido grande repercussão nos reinos de Leão e Castela e até por terras de sarracenos. Assim, o jovem rei D. Fernando II de Leão pedira uma aliança com o rei português e para esse fim encontraram-se em Celanova. As coisas correram de boa feição e, satisfeito com os resultados, D. Afonso Henriques voltou ao seu castelo, ordenando que viesse à sua presença o jovem D. Nuno Mendes.
Solícito, o cavaleiro apressou-se a apresentar-se ante o seu rei.
— Senhor, disseram-me que precisais falar-me.
O rei sorriu, mostrando a sua satisfação.
— É certo. Preciso dizer-vos que nem tudo são lutas neste mundo.
O jovem cavaleiro olhou D. Afonso Henriques. Um íntimo pensamento atravessou-lhe o cérebro como um relâmpago, enchendo-o de luz, mas, como relâmpago também, essa luz desapareceu, deixando tudo mais negro à sua volta. Como o rei silenciasse, ele, espiando-lhe a expressão, arriscou:
— Gostaria de poder compreender-vos, Senhor!
O rei tornou então:
— Iremos ter alguns anos de paz com Leão! 
Aliviado com o rumo da conversa, o jovem voltou a perguntar:
— Achais que isso será um facto?
O rei sorriu numa expressão franca:
— Acompanhaste-me a Celanova, não é verdade?
— Essa honra me deste!
— Porque a merecíeis! E sabeis também que ali fui para avistar-me com esse jovem e ardoroso D. Fernando de Leão.
— Os tratos foram secretos, mas falou-se muito deles entre a cavalaria...
— E que vos pareceu a conclusão a que chegámos?
O jovem mostrou-se embaraçado.

— Senhor, só vós sabeis o acordo que fizestes. Nós apenas aventámos suposições...
— Pois ireis saber o que ficou estipulado.
— Grande honra me concedeis, Senhor.
— Ouvi, então: a D. Fernando II, filho mais novo de D. Afonso VII, coube por determinação paterna o governo de Leão, Estremadura e Galiza. Ora, a fama das nossas vitórias chegou a Leão e Fernando veio solicitar-me a aliança de Portugal.
— Aliança que aceitastes...
— Sim... com uma condição. Sabeis qual é?
— Não, meu senhor!
O rei olhou intencionalmente o jovem cavaleiro. Depois, com voz firme e pausada, essa voz que tornava as suas ordens indiscutíveis, elucidou:
— A condição é esta: o casamento de Fernando de Leão com a infanta Dona Urraca, filha legítima do rei de Portugal.

A palidez de D. Nuno tornou-se evidente. Os seus belos olhos abriram-se numa expressão de assombro. Murmurou quase, ao perguntar:
— D. Fernando e Dona Urraca irão casar-se?
D. Afonso Henriques tomou uma expressão enérgica.
— Que encontrais de estranho nesse facto? Não é ele rei, jovem e poderoso?
D. Nuno mordeu os lábios e arriscou:
— Mas... Dona Urraca...
O rei interrompeu solene:
— ... é minha filha, bela e prima direita de seu futuro esposo. Que encontrais de mal nessa união?

O jovem cavaleiro, cada vez mais pálido, não encontrou resposta. Mas o rei insistiu:
— Dizei, D. Nuno Mendes...
— Senhor... vossa filha Dona Urraca... é ainda tão jovem...
— Decerto! Mas se o inconveniente é só esse, posso afirmar-vos que Dona Urraca só casará daqui a cinco anos. Mas desde já ficarão prometidos. Assim o quero!
D. Nuno encontrou audácia para sorrir.
— E vós podereis querer, meu Senhor!
— Sim, posso! Dona Urraca faz-se mulher e é linda! Quando menos o esperar pode alguém apossar-se do seu coração.
— Mas vós sois rei!
— Ficaria desgostoso se tivesse de a ferir, impondo-lhe uma vontade que sei ser para ela sagrada!
Tristemente, o jovem murmurou: 
— D. Urraca é demasiadamente dócil para os tempos duros que atravessamos!
O rei português sorriu.
— Achais isso? Pois eu penso que uma mulher nunca será demasiadamente dócil.
— Que Deus proteja a Senhora Dona Urraca!
— Há-de proteger! Seu primo é um homem que sabe agradar às mulheres. E, dessa união, muito de proveitoso pode surgir para Portugal.
Decerto que esse casamento poderá assegurar a paz com Leão...
— E o entendimento necessário para nos ajudarmos mutuamente na dilatação dos nossos territórios, à custa dos sarracenos!
Quase acabrunhado, o cavaleiro D. Nuno anuiu:
— Assim é, meu senhor!
O rei sorriu numa franca expressão.
— Parece que esta união vos não alegra, D. Nuno! Porquê?
Um tanto embaraçado, o jovem respondeu:
— Senhor! O que fizerdes, fareis por bem! Portanto, se essa aliança vos agrada, para maior glória de Portugal, eu me congratulo convosco, Senhor!
A voz do rei tornou-se menos imperiosa.
— Ainda bem que compreendestes! Sabia que poderia continuar a contar com a vossa confiança.
— E porque não havíeis de contar?
O rei tornou-se quase irónico.
— D. Nuno Mendes, eu já tive vinte anos. Sei o que pensava e como pensava. E digo-vos — pela muita estima que vos tenho — que eu teria reagido com menos prudência... Mas conto convosco!
— Podeis sempre contar comigo, Senhor!
— Assim o espero. Ide vós mesmo dar esta nova a minha filha Dona Urraca.
Os belos olhos do jovem cavaleiro voltaram a abrir-se, mas desta vez numa súplica:
— Senhor!...
Enérgico, o rei cortou-lhe a palavra:
— Ide! Assim o quero! Só vós podereis dominar esses tenros treze anos...
E como o cavaleiro continuasse a olhá-lo, desta vez numa súplica muda, D. Afonso Henriques endureceu mais a voz:
— Ide! Porque esperais?
O jovem arriscou:
— Tanto me pede a vossa confiança?
— A pátria pede-vos a vida. Eu peço-vos a felicidade de Dona Urraca.
— Oh, Senhor... se assim fosse!...
— Só vós sabereis prepará-la para que se cumpra a minha promessa. E agora ide sem demora! As feridas devem curar-se enquanto quentes...

 
Quando a jovem infanta desceu ao jardim, por ordem expressa de seu pai, ficou perplexa por se encontrar na frente de D. Nuno Mendes. Perguntou, não escondendo a sua ansiedade:
— Vós? Mas porquê, a estas horas e com o consentimento de meu pai?
Beijando-lhe as pontas dos dedos com ternura, o jovem cavaleiro patenteou, na voz e na expressão do rosto, toda a tristeza que lhe ia na alma.
— Senhora! Morreram as nossas fugas pelo jardim em noites de luar... As nossas juras de amor trocadas em segredo não têm mais razão de existir... As nossas interrogações sobre o futuro serão desnecessárias, porque o futuro veio bater-nos à porta!...
A jovem infanta ficou ainda mais inquieta.
— Meu pai descobriu que nos amamos?
D. Nuno Mendes respondeu, tentando serenidade:
— Creio que sim… mas não sei como isso aconteceu...
— Então... ele consente?...
A expressão do jovem cavaleiro tornou-se esfíngica.
— O senhor D. Afonso Henriques, nosso rei e vosso pai, tem os seus planos, e pediu-me que fosse eu próprio a transmitir-vos o que houve por bem decidir.
A jovem infanta mostrou-se assustada.
— D. Nuno! Dizei-me depressa o que dedidiu meu pai!...
— Que em Celanova, donde regressámos, ficou assente com o rei de Leão, Galiza e Estremadura que vós, Senhora Dona Urraca, filha do rei de Portugal, sereis esposa de vosso primo!

A infanta empalideceu. No seu rosto de menina surgiu uma expressão de revolta.
— Não! Não quero!
D. Nuno tocou-lhe ao de leve numa das mãos:
— Suplico-vos! Acalmei-vos, minha bela infanta! O que está decidido não terá discussão, bem o sabeis! Este acordo — pede-me vosso pai para vos transmitir — será óptimo para o nosso reino e o de Leão!
A boca bem desenhada da infanta de Portugal teve um pequeno trejeito de choro. A sua voz soou lamentosa:
— E eu, D. Nuno? Eu... não conto?
Profunda e quente, a voz do jovem cavaleiro afirmou:
— Contais, sim! Vós sereis feliz!
— Como... se não amo quem me vão dar por esposo?
— Acabareis por amá-lo. Lembrais-vos ainda do vosso primo, o rei de Leão?
— Vi-o há tanto tempo... e eu era tão pequenina...
— Pois deveis vê-lo agora. Todas as damas casadoiras aspiram a um olhar seu. Sossegai, pois! Haveis de amá-lo… e ele vos amará!
— E vós?
— Encontrarei repouso nas lutas que irão seguir-se contra os infiéis.
Os olhos da bela infanta inundaram-se de lágrimas.
— Oh, D. Nuno Mendes, meu amigo! Como podeis dizer-me tais coisas?! Acreditais que irei esquecer-vos?
— Assim é preciso.
— Porquê?
— Para bem de Portugal e...
A infanta interrompeu o cavaleiro:
— ... e para meu bem?
— Assim o creio!
Ela meneou a cabeça.
— Vereis, D. Nuno, o que o futuro dirá ao mundo! Porém conheço meu pai e sei que, se é essa a sua vontade, só teremos que obedecer!
Beijando respeitosamente os finos dedos da infanta de Portugal, D. Nuno exclamou solene:
— Mil perdões, Senhora!
Ela admirou-se.
— De quê?
— Da forma pouco calorosa como vos expus tão alto assunto...

Por entre as lágrimas discretas, a jovem infanta sorriu:
— Só posso agradecer-vos a forma delicada e altruísta como vos desempenhastes de tão espinhosa missão. Na verdade, meu pai soube escolher o mensageiro. Só de vós aceitaria tão pesado fardo!
D. Nuno apressou-se a esclarecer:
— Neste momento sou apenas um dedicado súbdito de vosso pai e um silencioso admirador vosso!
A jovem mordeu os lábios, para conseguir manter a dignidade que o seu nome exigia e não chorar perdidamente com a fraqueza dos treze anos. Depois, estendendo de novo a mão pequenina ao jovem cavaleiro, murmurou:
— Adeus, D. Nuno! Que o Céu nos proteja... e nos una, já que tão cedo a Terra nos separa!...


O vento zunia com impiedade, arremessando ao rosto dos contendores a terra que em novelos se levantava do chão. O exército de Afonso Henriques caía em massa sobre o dos sarracenos. A luta em campo aberto levantava gritos e imprecações que o vento levava. Os estandartes batiam furiosamente, como pássaros na agonia, cortando os ares. E as vitórias do rei português prosseguiam por terras do Alentejo em direcção ao Algarve. E assim, em pouco tempo, chegaram perto da antiga cidade de Medóbriga.
Aí acamparam os de Portugal. O rei parecia contente. E conversando com um dos seus homens de confiança, pediu que mandassem à sua presença D. Nuno Mendes. O jovem cavaleiro não se fez esperar. Vendo-o perfilado na sua frente, o rei falou-lhe:
— D. Nuno Mendes, sabeis o apreço em que vos tenho. Sois um cavaleiro valente!
Com mais delicadeza que humildade, o jovem sublinhou:
— A vossa confiança dá-me forças para levar até ao fim as minhas missões...
— ... as quais acabais sempre com êxito!
— Mesmo que saia ferido do combate...
Havia um tanto de ironia na voz do cavaleiro D. Nuno. O rei português compreendeu-o, mas não se amofinou. Pelo contrário. Olhou-o atentamente, num ar admirativo, e acrescentou:
— O vosso mérito é indiscutível. Tenho-vos observado em campo aberto e verificado que procurais sempre o ponto mais aceso da luta, o local de mais extrema responsabilidade.
— Cumpro a minha obrigação de cavaleiro.
— Levais bem longe a vossa obrigação...
— Senhor! Talvez um dia possa filiar-me numa ordem fundada por vós. Ordem que me obrigue a viver no claustro, durante a paz, e na guerra a vosso lado, combatendo!
O rei sorriu:
— Bravo, D. Nuno Mendes! Folgo em ouvir-vos! Ficarei agora plenamente descansado sobre algo que me preocupava ainda. Mas estou a desviar-me do assunto que me levou a convocar-vos...
— Dizei, então, Senhor!
O rei respirou o ar da tarde que o envolvia, a plenos pulmões. Depois, o seu rosto tomou aquela expressão grave que assumia sempre que falava de guerra.
— Sabeis que estamos acampados perto do castelo de Arminho? 
— Assim me foi dito, Senhor!
— Noutros tempos viveram aqui homens de força que o defenderam até à última gota do seu sangue. Mas os árabes chegaram e dele fizeram sua morada.
— Sei que Arminho é uma praça forte dos Sarracenos...
— Mas breve será nossa! Amanhã, assim que o Sol dê indícios de começar a romper, cairemos sobre o castelo — esse famoso castelo de Arminho, que desejo para nós!
— A ideia apraz-me, Senhor!
— Ainda bem! E conto convosco para comandar a vanguarda!
— A vossa confiança em mim não cairá em vão. Arminho será nosso!
O rei sorriu. Fez com a cabeça um sinal de aprovação. O sangue fervia nas veias desse jovem que ficara a seu lado apesar de lhe ter feito conhecer o travo da amargura. E D. Afonso Henriques sentia uma simpatia especial por homens cujo ardor na luta fosse semelhante ao seu. Despediu-o com um gesto amigo. E ficou-se na sua tenda, largamente a pensar.
A tarde morria aos poucos na charneca de terra encarniçada. No firmamento, traços de fogo desenhavam-se, formando um quadro bastante estranho. E o vento, correndo agora mais sereno, parecia murmurar frases de estímulo ao exército acampado.
Bocejando em pequenos sopros de ar puro, a madrugada ergueu-se. Uma luz ténue mas prometedora veio já encontrar em ordem de marcha o exército português. O objectivo estava quase à vista — esse famoso castelo de Arminho que D. Afonso Henriques tanto desejava possuir. Chegada a hora, as hostes dispuseram-se para o assalto. O início da luta soou. Houve um momento de pânico dentro do castelo, mas os portugueses, que atacavam com fúria, sentiram que o inimigo começava a recompor-se. Deram-se as primeiras baixas. De um e outro lado, combatia-se com vigor. D. Afonso Henriques enervou-se. Não esperava tanta resistência. Chamou então de parte o comandante da vanguarda e gritou-lhe, no meio da vozearia geral:
— D. Nuno Mendes! Tereis de cumprir mais uma missão arriscada!
— Mandai, Senhor!
— Ide ao castelo e dizei ao alcaide que, se teimarem em continuar na luta e eu os vencer, passarei todos à espada! Todos! Compreendeis?
— Direi apenas isso?
— Será o bastante para pôr em perigo a vossa e as nossas vidas!
— Compreendo, Senhor. Irei sem demora.
E o cavaleiro, dando de esporas ao cavalo, correu em direcção ao castelo com o pedido de parlamentar. O combate suspendeu-se por momentos. Todos esperavam ansiosos novas de D. Nuno Mendes. Se este não voltasse dentro dum prazo estipulado, o combate continuaria com redobrado ímpeto. De súbito, porém, a figura esbelta do cavaleiro português desenhou-se sobre o muro do castelo e a sua voz, que já se habituara ao comando, soou sonora e firme:
— Não é necessário combater mais porque a fortaleza já se dá!
Houve um movimento de alegria. O porta-estandarte correu a içar a bandeira. E D. Afonso Henriques, erguendo a sua espada, gritou com entusiasmo:
— Que Deus seja louvado e vós, também, D. Nuno Mendes! A vitória é nossa! A vila que fundarei onde já foi outra vila, nossa será também. Mas não se chamará Arminho e sim Seda... já que «se dá!»
E assim, a vila do castelo de Arminho, de remotíssima idade, passou a chamar-se Seda desde essa famosa conquista numa bela manhã em que o vento deixou de soprar e um jovem de sangue ardente e coração destroçado dava tudo por tudo para, nas lutas em prol da dilatação do Portugal, esquecer um grande mas impossível amor.
Fonte: Gentil Marques, Lendas de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1997 [1962], p.Volume V, pp. 347-354

Bom Dia Alentejo!
Fotos: http://api.ning.com/files/zpBAGS3ej4N21d48PPUgS6w3JxSYpgPrX7lkfJt*QfCy9MhOYZCr4JePr-BgZBu88ukvW-s7i6b82TzMtqL5DCMvdGhaCOlq/castelo_de_sonhos.jpg , http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ee/19-v_2h_Vasnetsov.jpg
Mas lhe vai a pura doce história do amor desencontrado…
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, Marvão, a que Castelo de Marvão, a virilidade que lhe pariu a doçura


Está a antiquíssima vila de Marvão situada no plató que encima o mais alto cabeço da serra deste nome, cota de 862m., a serra de Hermênho lusitana, que os Romanos traduziram por Herminius Minor, a qual se levanta em escarpa viva, quase inacessível por todos os lados, com grande comandamento sobre a margem esquerda do rio Sever, a 0,8 Km a norte da ponte romana da Portagem, sobre esse rio, a 4 Km, a noroeste da Salada, 822, e a 12,5 Km a nor-nordeste da cidade de Portalegre, a 1º 45` 20`` de longitude leste e a 39º 24` 10`` da latitude norte.
Toda a população da vila de Marvão está dentro de uma vetusta medieval, composta de uma forte cidadela, com sua torre de menagem e uma cerca amuralhada, apoiada em várias torres, tudo em regular estado de conservação.
Dada a situação, a natureza e o grande valor militar da sua posição, quase inexpugnável, pelo alcantilado das encostas do monte, e os numerosos vestígios e achados das remotas épocas do neolítico e dos metais, é de presumir que na origem a fortaleza de Marvão tivesse consistido num castro de povoamento com o nome de Aramenha.
Fundada pelos Vetões, primeiros Hermínios Menores (maciços de S. Mamede, Serra Fria, da Salada, de Marvão e do Facho), coevos dos aborígenes dos Hermínios Maiores, constituía já uma grande e poderosa Citânia quando os Túrdulos-os-Novos, forçados a abandonar as terras da serra de Sintra, devido ao seu afundamento, vieram acolher-se, nos fins do século XI a. C., à protecção dos castros lusitanos. Eles deveriam ter contribuído muito para a prosperidade de Marvão.
Nos meados do século IX a. C., os Celtas e Celtiberos, descendo do planalto da Castela, ao longo do vale do Tejo, vieram estabelecer-se em Marvão, a que deram o nome de Medobriga, reservando o de Aramenha para a nova cidade que eles fundaram junto da margem esquerda do Sever, na orla sul da actual povoação de S. Salvador.
 

Os Romanos, que por sua vez, tomaram Medobriga no ano 44 a. C., remodelaram a fortaleza segundo a sua técnica castrense e constituíram nela uma forte base militar de ocupação e centro político e administrativo. Para a Aramenha dos Celtas reservaram a parte económica e industrial, pelo que passou também a designar-se por Medobriga.
A Medobriga romana, mercê da robustez e valor militar da fortaleza, e da bravura indómita dos seus moradores, resistiu sempre aos ataques dos Vândalos, Alanos e Mouros, conservando sempre a independência, até que em 770 foi tomada por surpresa pelo mouro Maruan ou Marvan, senhor de Coimbra, que, depois do massacre dos seus habitantes, mandou repovoar a vila e remodelar a fortaleza, dando-lhe o seu nome.
D. Afonso Henriques a tomou aos Mouros, em 1166, e reconhecendo o seu enorme valor militar, como posição forte e situação estratégica, para a defesa contra os Mouros e Leoneses, mandou logo restaurar a fortaleza moura. Instituiu ali um couto para melhor assegurar a defesa e povoamento e fez Marvão vila e cabeça do concelho.
D. Sancho II mandou também reedificar e ampliar a fortaleza de Marvão, dando-lhe o primeiro foral em 1226.
D. Dinis mandou remodelar o castelo e torre de menagem e construir uma nova cerca de muralhas em 1299. D. Manuel mandou também restaurar a fortaleza medieval de D. Dinis, concedendo novo foral à vila, em 1 de Junho de 1512, em Lisboa.
Durante as guerras de Restauração foram restauradas as fortificações medievais de Marvão e fizeram-se algumas obras segundo o sistema abaluartado, designadamente os fortins das Portas da Vila e da Ponte do Ródão, ainda em regular estado de conservação, ficando a constituir uma das mais fortes praças para defesa da nossa fronteira com a Espanha.
Toda a fortaleza está em regular estado de conservação, tendo-se feito modernamente muitas obras de restauro no castelo, por conta da Liga dos Amigos do Castelo de Marvão; e dentro da vila existem ainda duas cisternas, uma das quais podia fornecer água para seis meses à guarnição da fortaleza e habitantes da vila, e outra, mais pequena, de água nativa.
Fonte: Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, General João de Almeida

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, Santa Cruz, Freguesia de Santa Cruz, terra de Almodôvar, a Lenda das Maias

Foto: http://lh3.ggpht.com/_V78tgti2DFM/Sfq_-TWPVJI/AAAAAAAAC1k/egik90_Oh0/maias%20giestas%2001_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800
Andavam os judeus à procura de Jesus para o matarem, quando certo dia, à noitinha, o viram recolher-se a uma casa de aparência humilde. Então, para poderem na manhã seguinte prender Jesus, penduraram um ramo de giestas no fecho da porta, a fim de não terem dificuldade em reconhecer a casa em que ele dormira.
Mas, na manhã seguinte, por milagre, todas as casas tinham ramos de giestas nas portas. Desse modo, os judeus desorientados, não puderam descobrir a casa onde Jesus estava. A partir desse dia e ainda hoje, se costuma, no primeiro dia do mês de Maio, enfeitar as portas das casas com giestas, a que se dá o nome de Maias, por florirem em Maio.
Fonte: António J. Gonçalves, Monografia da Vila de Almodôvar, Almodôvar, Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense, s/d , p.131

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, Vila Boim, Topónimo de Vila Boim, a terra do Senhor de Portel

 
Dizem que foi D. Sancho I, e ainda outros historiadores nos indicam que foi fundada por D. João Peres de Alboim ou Aboim, notabilíssimo fidalgo, muito rico, muito ilustrado e poeta, do qual existem ainda na Colecção Vaticana treze canções amorosas e duas sátiras, e que foi com D. Maria Afonso, de que houve um filho D. Pedro Anes de Portel; e era filho de D. Pedro Reys da Nóbrega e de D. Urraca Gil, neto de D. Ourigo, respeitável velho da Nóbrega, fidalgos nobilíssimos, senhores do Castelo e Vila de Nóbrega.
Havia neste concelho de Nóbrega quase cinco léguas distantes da cidade de Braga, próximo do rio Lima, uma freguesia dedicada a Nossa Senhora de Aboim, da qual os nobres fidalgos da Nóbrega, eram muito devotos; e, por devoção à mesma Senhora, deram a seu filho D. João o apelido de Aboim, nome que mais tarde deu aqui, à sua Vila de Boim, que com o decorrer dos anos ficou VILA BOIM. (…).
Construiu o Castelo de Portel, fundou aqui a sua Vila, no ano de 1262: - por mercê de D. Afonso III, ele mesmo lhe deu foral como vila sua, o que fez em Évora, com o seu filho D. Pedro Anes de Portel.
De Vila Boim – artigo inserto no semanário estremocense – Brados do Alentejo – de Outubro de 1932 – da autoria de Manuel Raul Valadas.

No Alentejo fundado no século XIII por D. João de Aboim, descendente de uma família do Minho, onde havia o lugar de ABOIM, que se tornou apelido, como representante de Abolini.  Outro nome proveniente do genitivo e pertence ao Sul é Paderne, que, ou ascende a Idade Média ou data do tempo posterior à reconquista, originando de modo semelhante a ABOIM.
Vemos aqui um facto curioso: tornar-se um nome de pessoa (Abolini, no genitivo) nome de lugar (ABOIM), e tornar-se este nome de lugar nome de pessoa ou apelido (D. João de Aboim) por (VILA DE ABOIM). Isto acontece frequentemente. E até seria estranho que alguém natural de VILA BOIM pudesse chamar-se hoje Fulano de Aboim.
Dos Opúsculos – Vol. III – Onomatologia – (1931) – Pág. 151 – pelo Doutor J. Leite de Vasconcelos.
 
 Foto: http://aprenderbrincando.no.sapo.pt/images/povo.jpg
Numa herdade chamada Moçarava teve princípio VILA BOIM, fundada por D. João Peres de ABOIM, ou AVOIM.
Não sabemos se a palavra Moçarava (tal como a encontramos escrita), tenha alguma coisa com Mozárabe, isto é, tomada como árabe, ou que tomou aparências de árabe.
No Livro dos bens de D. João de Portel, cartulário do século XIII, publicado por Pedro A. de Azevedo e com uma “notícia histórica” por Anselmo Braamcamp Freire, consta que D. João Peres de ABOIM foi também conhecido por D. João de Portel, por ter sido senhor desta vila.
A mesma obra – amigos meus do mundo – informa, na “notícia histórica”, que foi Elvas um dos concelhos que deram cartas de vizinhança e herdamento, ou de simples herdade, a D. João de Aboim; que por carta de Fevereiro de 1256, o alcaide, juízes, sesmeiros e concelho da vila de Elvas fizeram nova doação de herdamento no termo, junto à outra herdade primitivamente doada; que por esses tempos também o concelho doara herdade no termo, entre Moçarava e Alcarapinha, ao convento de S. Vicente de Lisboa, o qual o trespassou em 1260 a D. João de Aboim; que pouco depois por carta de Janeiro de 1264, confirmaram as justiças de Elvas as precendentes doações da herdade antes chamada de Moçarava e já então designada por VILA BOIM, com a condição dos gados, tanto do concelho, como do fidalgo, pastarem e beberem livremente nas terras dum e doutro, sicut boni vicini, sendo esta carta de vizinhança e herdamento confirmada por D. Afonso III em Lisboa, a VIII das calendas de Março de 1302 (22 de Fevereiro de 1264).
Segundo A. Braamcamp Freire, baseado no cartulário, a doação da herdade de Moçarava só podia ter tido lugar depois de Janeiro de 1248, quando pela morte de D. Sancho II quando seu irmão em pacífica posse do reino, e provavelmente depois da conquista do Algarve em 1250, pois que deste ano em diante é que o valido D. João de Aboim pode começar a dar expansão ao seu génio cobiçoso.
O certo é, que, em 1256, o concelho de Elvas tornou a fazer nova doação da herdade junto da primeira, e por este instrumento sabemos que ela era já situada no termo da vila, no lugar chamado Moçarava, o qual já tinha o nome de VILA BOIM. Já estava a vila fundada e nela se via edificada, pelo menos dois anos antes, a igreja de S. João, sua matriz.
D. João Peres de Aboim foi mordomo-mor de D. Afonso III.
Restituídos os Braganças ao reino, em 1496, VILA BOIM passou a pertencer à Casa de Bragança. Aires Varela informa que estava em poder de Rui Lobo Cabeça de Pau, que a vendeu ao Sereníssimo duque D. Fernando.
Um documento de 8 de Março de 1370 nomeia Vasco Fernandes, comendador de Borba, para alcaide-mor de VILA BOIM, mas a categoria de concelho só lhe foi dada em 14 de Julho de 1374, em que se desligou do termo de Elvas. O concelho de VILA BOIM foi extinto e anexo ao concelho de Elvas por decreto de 6 de Novembro de 1836.
VILA BOIM teve foral, que lhe foi dado em Lisboa por D. Manuel I a 1 de Julho de 1518.
De VILA BOIM avistam-se Vila Viçosa e Borba. Teve castelo, onde esteve hospedado Filipe II, pagando a visita à duquesa de Bragança, e o mesmo castelo foi ocupado em 1658 pelos castelhanos, quando se preparavam para sitiar Elvas.
De ElvasEstudos de ToponímiaO nome da cidade, a origem dos nomes das freguesias do concelho. Outros pormenores – por Domingos Lavadinho – Elvas – (1950). – Pág. 34-36.
 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, Redondo, Topónimo do Redondo, o círculo esotérico aparecia


Está situado em um mediano e ordinário monte por cuja ladeira abaixo vistosamente se estende para as partes do sul e poente; foi este monte sempre celebrado pela circunstância do Penedo Redondo, que no mesmo monte se acha e de que esta vila tomou o nome. Deste modo se não vê hoje mais que uma parte por estar formada sobre ele uma pequena torre das sete que tem o castelo.
Das Memórias Paroquiais de 1758 – tomo XXXI – Fl. 188 – Apud. – Arqueólogo Português – Vol. VI – 1901 – Pág. 237.
 
Parece que a povoação do REDONDO já existia no tempo dos romanos (…).
D. Dinis cônscio da importância da situação da terra e preocupado com a obra de defesa do país, que o levou a fazer construir ou reparar, na fronteira, a linha de castelos Marvão, Portalegre, Alegrete, Monforte, Elvas, Vila Viçosa, Juromenha, Monsaraz, Mourão e Moura, e no interior tantos outros, não esqueceu o REDONDO e em 1319 (era de César de 1357) fez levantar o actual castelo num outeiro, onde diz a tradição existiu o penedo redondo que deu o nome à vila.
Novembro de 1928 – António de Sousa Maior.
Da Ilustração Alentejana, N.º 6 – Ano V – de Outubro de 1929

 

É atraente, bem que por vezes difícil, a investigação das origens dos nomes das povoações portuguesas, visto que a toponímia nacional é muito rica e variada em denominações derivadas de raízes tão diversas, por vezes obscuras, provenientes do romano peninsular, do fenício, do árabe, do grego, do cartaginês, do celta, do latim medieval, etc.
REDONDO, tem o étimo bem definido. Do adjectivo latino rotundus, a, um, pela lei geral do us nominativo ou do um acusativo se transformar sem esforço maior em o pela lei de transformação fonética também natural e por isso geral do abrandamento, quando não queda da consoante intervocálica, essa voz latina deu REDONDO.
A desassimilação do primeiro o deu a forma actual e oficial: REDONDO, forma que na boca do povo, por um processo regressivo e inverso ao da desassimilação anterior que o prova e o explica readquire muitas vezes a pronunciação redondo quer no adjectivo quer no nome próprio dessa laboriosa vila alentejana.
É simples e corrente, pois, a transformação que deu em nossos dias o nome REDONDO derivado do latim rotundus, palavra que aliás se conserva na língua portuguesa mais próxima, porém da origem latina, em rotundo como rotunda, substantivo comum, o lugar redondo, transformado em próprio na toponímia urbana, v.g. a Rotunda de Lisboa que termina ao norte a Avenida da Liberdade, e que o povo teima em designar por esse nome breve, eufónico e nobre em que pese aos editais de vereadores que teimam em ensinar ao povo a história pátria, quase banida do ensino escolar, por meios de letreiros pintados nos cunhais dos prédios urbanos!
Isto sabe-o muita gente, sabe-o talvez a totalidade dos naturais do REDONDO.
O que talvez não saibam, porém, é que no Baixo Alentejo há outra vila também importante e antiga, que tem o mesmo nome, mas derivado do árabe: - ALMODÔVAR.
ALMODÔVAR diz em árabe, exactamente, o que nós dizemos com o vocábulo latino rotundus, isto é, redondo!
ALMODÔVAR é palavra árabe, representando aqui o u um carácter que no alfabeto respectivo indica um som gutural para que o nosso alfabeto latino não tem letra, que nos é muito difícil de pronunciar e que os peninsulares falavam o árabe simplificavam na pronúncia e acomodaram na escrita por meio de v.
Note-se que esta palavra ALMODÔVAR (redondo), como o seu verbo doudra, endoura (arredondarei, arredondo), como o seu adjectivo Almodauer (o que arredonda) são do árabe puro, não do dialectal, ou do mestiço árabe peninsular.
Assim temos no Alentejo dois REDONDOS. O de nome romano mais ao norte, o de nome árabe mais ao sul.
Cremos que os naturais terão totalmente expungido do coração a gentilidade dos romanos e os da outra todas as expressões ignóbeis dos sectários de Mafamede e que uns e outros serão, ao contrário, muito bons cristãos, os do sul fabricando o seu azeite e os do norte as grandes talhas de barro para o armazenar.
Do artigo do Dr. Domingos Vaz Madeira, inserto na Ilustração Alentejana, N.º 6 – Ano V – de Outubro de 1929.

 
Tem-se dito que a denominação actual provém de um enorme rochedo arredondado, que havia no local onde depois se construiu a Igreja da Misericórdia, e que seria alguma anta ou outro monumento pré-histórico. De qualquer modo, o nome desta actual vila alentejana filia-se no nome comum redondo, do latim rotundu-, através do português arcaico rodondo e com a posterior dissimulação do primeiro “o” em “e”.
Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – 1944 – Pág. 358.
 
Bom Dia Alentejo.
Fotos:
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http://2.bp.blogspot.com/-oo0MPa_RLkk/TjkhlA_yFbI/AAAAAAAAD0I/LbTtSNnD9N8/s1600/Redondo%2B2.JPG
http://portugalfotografiaaerea.blogspot.pt/2011/08/redondo.html


E depois, Dicionário Enciclopédico das Freguesias, 4.º Volume, 1998, a pág. 301, a murmurar ao ouvido, do compadre, um aqui no Alentejo no norte, “Povoado desde épocas imemoriais, o Redondo, deve o seu nome a um penedo que aqui se encontrava e que tinha essa mesma forma. Serviria – assim o diz – certamente para abrigo dos primitivos povos que para aqui se deslocaram, em busca de locais elevados, que como se sabe rareiam no Alentejo.”
   
 






 

 

 
 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Bom Bia Alentejo, Nisa, Topónimo de Nisa, Mulher, a menina continua bonita


O nome desta conhecida vila alentejana aparece muitas vezes escrito erradamente, isto é, com um “z” em vez de “s”. Tal grafia não deve ser adoptada, pois na origem do vocábulo não há nada que o justifique.
NISA veio de Nissa e, quer seja o nome da referida vila do distrito de Portalegre, quer designe várias antigas cidades gregas, quer seja mitónimo, quer seja antropónimo feminino, que também pode ser, deve sempre ser escrito com “s”, única forma aceitável à luz da etimologia e por isso mesmo recomendada pela nossa ortografia oficial.
Vem a propósito dizer que também existe a forma niza, com “z”, mas esta é um nome comum, que se designa determinada peça de vestuário. Tem origem turca e não se relaciona com NISA, nome próprio. (…).
Ocorre-nos referir aqui a uma nota encontrada posteriormente e na qual se afirma que o topónimo NISA proveio da forma feminina Nisus, que por sua vez é a latinização do grego Nésos, nome de um rei de Mégara. 
Página 64 do “Cadastro da População do Reino”, de 1527, lê-se Vjla de Nisa, o que constitui mais um indício de que é errada a grafia do vocábulo com “z”.
(Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II (1944) – Págs. 176-177 e 343).

Este nome, na origem, é como tantos outros, nome de pessoa; no nosso caso, nome de mulher, feminino de Nisus, que se lê numa inscrição de Faro, publicada no Corpus, II, 5144. Nisus é latinização do grego Nisos, que foi por acaso o nome de um rei de Mégara.
A-par-de NISA que é pressuposta forma latinizada, temos Nise numa inscrição de Beja, publicada na mesma colecção, II, 5186(=59). Não se admire o leitor alto-alentejano de lhe dar como estirpe de NISA uma grega.
Com a conquista da romana da Lusitânia vieram para cá muitos gregos, uns como profissionais, por exemplo do sacerdócio pagão, e da Medicina.
Possuo coleccionados dezenas de nomes gregos. Até se dá a notável coincidência de serem do sul, de Portugal as lápides em que figuram Nisus e Nise (=NISA), e de ser também meridional a vila de NISA.
Pois que há vários testemunhos de influência romana no concelho de NISA (lápides com inscrições, etc.), pode entender-se que houve em uma nesga do território, nisorto, ou na época romana uma villa rústica (“quinta”), ou lá na época portuguesa, ou pouco antes, um monte (em sentido alentejano), pertença, em qualquer dos casos, de uma mulher chamada NISA.
Este monte ou esta villa rústica prosperou e tornou-se a NISA moderna, ou se não foi bem assim, propagou-se o nome, por qualquer circunstância, ao referido território.
(Da Revista Lusitana, Vol. XXXV – Pág. 312, do estudo Matéria Filológica – Etimologia de NISA – por José Leite de Vasconcelos. Este artigo foi primeiramente publicado no semanário estremocense Brados do Alentejo, N.º 333 de Janeiro de 1937).