Mostrando postagens com marcador Povo Alentejano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Povo Alentejano. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo , a Freguesia do Castelo, Lenda da Nossa Senhora do Cabo Espichel, a Água acalmou e ficou doce


Ano de 1215. Em Portugal reinava el-rei D. Afonso II. O Inverno tinha entrado duro. O vento zunia, impertinente e bravo. A chuva era grossa e caía sem pressa de chegar ao fim. O mar bramia, revoltado pelos assobios e açoites do vento. Enfurecido, arremessava-se de encontro às rochas que bordam a costa portuguesa. Joguete das ondas, surgiu mesmo em frente do cabo Espichel uma nau que pertencia a um mercador inglês, senhor de grande fortuna e génio aventureiro.
Com o cair da noite, a tempestade aumentava. A bordo viviam-se momentos trágicos. Apesar da coragem da tripulação, o navio parecia desfazer-se de momento a momento, batido como um simples brinquedo pela ventania brutal e pelo bailar diabólico das ondas revoltas. Então, no desespero causado pela tragédia, os homens recorreram ao padre Hildebrando, frade eremita dos agostinhos, que os acompanhava. O padre — dizia-se — trazia consigo uma pequena imagem milagrosa. Um dos marinheiros mais afoitos gritou:
— Padre, salvai-nos! Só vós podeis ajudar-nos!
Os outros fizeram coro:
— Salvai-nos, padre!
O padre, que parecia meditar, quase indiferente ao espectáculo que o rodeava, ergueu o olhar para os que pediam a sua ajuda. Falou-lhes:
— Tende calma, meus filhos! Tende coragem! Deus há-de valer-nos! Deus e Nossa Senhora, cuja imagem sempre me acompanha. Vou buscá-la para que a possais contemplar. E tende fé, muita fé! Ela há-de fazer mais este milagre!
O marinheiro que primeiro havia falado gritou, cortando o barulho da tempestade:
— Deus o oiça!
Os outros imploraram:
— Que Nossa Senhora nos salve!
O padre, conforme pôde, pois os balanços da nau eram fortes, foi buscar a imagem. Mas, quando regressava, uma onda mais alta cobriu os homens. Houve gritos, alarido, entre o escorrer da água do mar. Quando a onda passou, os homens estavam todos. Bem se olhavam, tentando localizar-se. Mas o padre juntava as mãos vazias num gesto desesperado.
Gritou:
— Meus filhos! A santa imagem desapareceu!
Logo os homens se lamentaram em altos brados:
— Estamos perdidos! Perdidos!
O padre pareceu recobrar a calma.
— Não devemos perder a fé! Oiçam-me! Vamos ajoelhar conforme pudermos. Aproximai-vos de mim! E faremos em conjunto uma oração, como se fôssemos um só. Dizei comigo: «Ave, Maria… cheia de Graça...».
A oração sobrepôs-se à tempestade. E quando chegou ao fim, os homens não podiam crer no que os seus olhos viam. Por estranho milagre tudo se transformara. As ondas tinham acalmado. O vento deixara de soprar. A chuva não caía mais. E uma luz intensa iluminava o Oceano. Luz tão bela e tão forte como a que, segundo contam os antigos, surgira naquela noite singular em que a Virgem Mãe dera à luz o Menino Deus!
A manhã raiava. O dia nascera claro. Alegres como crianças, os homens pisaram terra firme. Com eles ia o bom padre Hildebrando. E foi ele quem fez a maravilhosa descoberta. Cheio de alegria, gritou:
— Olhai, meus filhos, olhai!... Reparai para esta caverna do cabo! Depressa! Quero que verifiqueis com os vossos próprios olhos! É ela, não é verdade? É a imagem de Nossa Senhora que eu trazia!
Os homens haviam acorrido e olhavam surpreendidos tão precioso achado. Lá estava, de facto, numa das pequenas cavernas do cabo Espichel, como se tivesse sido posta ali por mãos divinas, a pequena imagem de Nossa Senhora, envolta numa autêntica auréola de luz. Padre Hildebrando exclamou com unção:
— Foi um milagre que agradeço ao Céu!
E voltando-se para os marítimos:
— Meus filhos! Agora já vos posso dizer toda a verdade! A imagem que observais foi talhada e feita pelos próprios anjos! É única no mundo! Ajoelhai, meus filhos!
Os homens ajoelharam, em muda contemplação. Só os seus pensamentos se elevaram numa prece nem sempre bem definida.

E conta a lenda velhinha que, a expensas de toda a tripulação e com o consentimento superior, ali mesmo se construiu uma capelinha para guardar tão preciosa imagem. Como capelão, ficou o padre Hildebrando. E assim começou a história de Nossa Senhora do Cabo Espichel.
Os anos passaram. Dois séculos, talvez. E foi por volta do ano 1410 que um velho de Alcabideche teve, certa noite, uma visão de espantar. Estava ele no quintalório da sua casinha quando viu subitamente, lá ao longe, uma estrela muito luminosa, muito brilhante. Tentou o velho localizá-la e calculou que essa estrela devia estar sobre o cabo Espichel.
A pé, a distância de Alcabideche ao cabo era grande e difícil. Foi o velho deitar-se, sempre a pensar na estrela. De madrugada sonhou que a própria estrela lhe falara, dizendo:
— Admiras-te do meu brilho, que encandeia os teus olhos? Pois não te admires! Marco uma presença grandiosa: a de Nossa Senhora! Sim... Nossa Senhora está numa lapa do cabo Espichel. Vai lá vê-La e constrói uma nova capelinha, já que a outra foi destruída. Vai, não demores! Nossa Senhora do Cabo espera por ti!
Quando, no sonho, a estrela desapareceu, o velho acordou. Mas passou o resto da noite num sobressalto. Não conseguia conciliar o sono. Assim, mal a alva rompeu, o velho de Alcabideche pôs-se a caminho. Andou, andou, quase sem descansar. Atravessou o Tejo num batel. A noite chegou. Apressou o passo até à povoação mais próxima, e encontrou-se na Caparica, onde, exausto, resolveu pedir pousada. Discretamente, bateu a uma porta. De dentro, uma voz feminina perguntou:
— Quem bate a estas horas?
O velho esclareceu:
— Perdi-me no caminho… e já é noite...
A mulher abriu a porta da casa e ficou-se a olhar o homem. Depois explicou:
— Vivo só... mas pode entrar. Também já sou velha...
O de Alcabideche entrou, agradecendo:
— Que Deus a recompense! Sinto-me, na verdade, tão cansado!
Ela indagou:
— Vem de muito longe?
Sentando-se e suspirando de alívio, ele concordou:
— Sim, venho de muito longe. E ainda terei muito que andar!
Curiosa, ela fez mais uma pergunta:
— Está a cumprir alguma promessa?
Ele meneou a cabeça:
— Não. Correspondo apenas a um pedido.
— Um pedido?
— Sim… e feito por uma estrela!
Ela admirou-se mais:
— Por uma estrela?... Por uma estrela do céu?
— Isso mesmo.
— Como é que isso foi?
— Eu lhe conto.

E, excitado pela recordação do sonho, o velhote de Alcabideche contou a sua estranha história à velhota da Caparica. Não cabendo em si de surpresa, a velhota exclamou:
— Santa Mãe de Deus! O que me diz! Mas isso é espantoso!
O velhote sorriu. E apontou, olhando por uma fresta da janela:
— Vê, além, aquela luz? Lá está a estrela! É ali que está a imagem da Virgem!
Ficou pensativa, a boa velhota. Por fim, disse ao de Alcabideche:
— Vá deitar-se, que precisa descansar. Durma bem, e amanhã voltaremos a falar no assunto.
Mas a velha não se deitou. Ficou olhando pela janela a estrela brilhante. De súbito falou alto, mesmo estando só:
— Como eu gostava de ir ao cabo Espichel! Como eu gostava!
Ergueu o busto. Os seus olhos baços brilhavam a um repentino pensamento. Exclamou:
— É isso mesmo! Vou à frente do velho! A luz me guiará! Vou mesmo de noite.

Dentro de pouco tempo será manhã. Eu desejo tanto ir orar à Senhora que está no Cabo!
Disse e fez. Embuçou-se num xaile e saiu, deixando o velho de Alcabideche entregue ao seu profundo sono.
Quando o velho despertou e se viu sozinho, logo compreendeu o que se havia passado. A manhã já ia alta. Afligiu-se por isso, mas disse para si mesmo:
— As mulheres são sempre as mesmas! Para que lhe comuniquei eu o meu segredo? Agora vai chegar em primeiro lugar. Tenho de caminhar tão depressa quanto possa!
E o de Alcabideche partiu em direcção ao Cabo. Estugava o passo. O desejo de encurtar o tempo que o separava da Senhora dava-lhe novas forças. E, assim, apesar da idade e do cansaço que o ia dominando, conseguiu chegar ao cabo Espichel.
Porém, o seu primeiro sentimento foi de desânimo, quase de revolta. Ajoelhada aos pés da Virgem, diante da lapa, estava a velha da Caparica. Ele zangou-se:
— Traiçoeira! Se queria vir, ao menos viesse comigo! Fui eu que lhe contei tudo. E foi a mim que a estrela disse para vir aqui!
A velha mostrou-se pouco à vontade.
— Traiçoeira, não! A Virgem pertence a todos! E se vossemecê dormia, porque havia eu de esperar?
Sobrepondo-se à voz da velha, uma voz bonita soou:
— Não se zanguem! Porque não hão-de ser os dois a promover a construção de uma nova capelinha neste lugar?
Os velhos entreolharam-se, primeiro amedrontados. Depois caíram de joelhos, e ali mesmo prometeram pedir a quem pudesse, para se construir a capelinha dedicada à Nossa Senhora do Cabo Espichel. E um raio de sol, como língua de fogo, beijou a cabeça dos dois velhos, absortos na contemplação da imagem da Virgem!
A nova capela foi construída. E ainda hoje lá está uma pedra gravada onde se lê uma inscrição comemorativa do facto. 
O tempo continuou correndo. E a feliz aventura dos dois velhos correu paralela ao tempo, tornando-se popularíssima. E como o povo português, na sua alma de poeta, perpetua em verso os factos que sente mais seus, logo surgiu a quadra que ficará de geração para geração:
O velho de Alcabideche
E a velha da Caparica
Foram à Rocha do Cabo,
Acharam prenda tão rica!

Fonte Gentil Marques: Lendas de Portugal, Círculo de Leitores, 1997 [1962] , p.Volume IV, pp. 283-287

Bom Dia Alentejo!



 

Bom Dia Alentejo, Tolosa, Coreto de Tolosa, a fresquidão de umas terras do rio Sor

 


No princípio do séc. XX foi o Largo Dr. Tello Gonçalves contemplado com este coreto que, em 1982, foi objecto de uma pequena restauração.
A sua forma é hexagonal, com 2,90m de lado e o pavimento de argamassa de cimento encontra-se a 1,60m de altura do solo.
Foi mandado construir pela Junta de Freguesia de Tolosa e actualmente é propriedade da Câmara Municipal de Nisa.
De paredes em alvenaria e cobertura em chapa zincada ondulada, com estrutura em ferro e cimalha da cobertura em chapa, serve hoje de palco a pequenos grupos musicais em festividades da vila.
É electrificado e está em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra
 
Bom Dia Alentejo!

terça-feira, 13 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Portel, Topónimo de Portel, a passagem era estreita para o outro lado

 


Tem as serras de Portel a configuração como que de enorme ferradura cujo centro é composto de várias bacias de fértil solo, que foi conhecido e habitado de mouros, donde provável será lhe venha o nome que tem, se não significa diminutivo de Portelo, ou não é nome de Portel França, que por semelhança topográfica lhe daria o fundador e povoador cristão, que andou por aquele país………….
Diz-se que PORTEL significa propriamente << porto pequeno >> ou << entrada ou passagem estreita >>.
(Do estudo Concelho de PortelA sua história e a sua situação – por A. F. Barata – 1933 – Pág. 426).
 
Quanto à origem do nome, tem-se dito, e a hipótese é aceitável, que PORTEL significa propriamente << porto pequeno >> ou << entrada ou passagem estreita >>. Deve, pois, ser um vocábulo porto com um sufixo diminutivo, como cordel de corda, pastel de pasta, etc.
Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – 1944 – Pág. 352).

Bom Dia Alentejo!

 


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, terras de Alter do Chão, a Lenda dos Doze Notáveis, a lei ela que se queria cumprir

 
D. Afonso III (séc. XIII), após a reconquista cristã, concedeu um foral a esta povoação para animar os homens livres que fugiam das exigências e vexames das terras do Norte a fixarem-se ali, com estatuto de senhorio colectivo. O filho D. Dinis, concedeu novo foral, no qual dava aos moradores as garantias dos homens de Santarém. Entre outros direitos, os moradores de Alter tinham o de não ser vexados com a odiosa pousadoria. Só o rei e o seu séquito podiam, quando viajavam, instalar-se dentro da vila.
 

A história na sua simplicidade brutal é a seguinte: Um fidalgo de velha linhagem, Martim Esteves de Moles, ia de viagem e quis apousentar-se na vila. Os homens do concelho, que eram os lavradores mais respeitáveis (mais "honrados", dizia-se na época), entenderam que não tinha esse direito, e recusaram-lhe a guarida que ele pedia.
Martim Esteves sentiu-se afrontado na sua honra fidalga: quem julgavam aqueles campónios que eram para assim ousarem resistir a uma ordem sua? Apresentou a sua indignada queixa ao rei. O monarca era então D. Afonso IV, justo e bravio. Deve ter mandado ver nos livros de que lado estava o direito, e a resposta veio clara e definitiva: os de Alter tinham razão e limitaram-se a exercer o direito que o foral lhes concedia. O fidalgo não entendia subtilezas destas. O seu direito era outro. Reuniu os irmãos, cada um arrebanhou os homens de armas que pôde, voltou a Alter e "matou os doze melhores homens de armas que aí havia".
Os melhores significa os de mais alta condição. Eram os lavradores mais antigos, os responsáveis pela administração municipal, e que ele podia com razão presumir serem os mesmos que se tinham oposto à sua entrada na povoação.
 Bom Dia Alentejo!

sábado, 10 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Castelo de Vide, a Nossa Senhora da Alegria, o Manto apagou o fogo do inferno

 
 
















Conta-se que uma certa noite, já a obra do Convento de Castelo de Vide ia muito adiantada, irrompe um incêndio, que devasta tudo o que já estava feito.
O povo acorre bem depressa. As labaredas levavam tudo à sua frente, e o armazém de pólvora ficava ali bem perto. A água estava longe e difícil de carregar, pois era preciso ir buscá-la à fonte da vila, à fonte do Rossio ou ainda à fontinha de Santa Ana.
Tudo parecia perdido. Então, toda a população se voltou para a Igreja da Senhora da Alegria e, numa explosão de fé, implorou à Senhora que lhe acudisse. Como que por encanto, o incêndio extinguiu-se.
No outro dia, toda a gente se reuniu em frente da Igreja da Senhora da Alegria para rezar e agradecer tão magnânima protecção.
E todos quiseram beijar-lhe os pés, mal se atrevendo a olhar o seu rosto. De súbito, alguém que agarrava o manto de púrpura e ouro que cobre a imagem grita:
— Milagre, milagre!
Uma das pontas do manto estava queimada, porque a santa com ele havia apagado o fogo.
 Fonte: Fernanda Frazão, Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano, Apenas Livros, 2006 , p. 107-108
 Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, São Salvador da Aramenha, Lenda da Cova da Moura, Marvão, a eterna saudade do amado



Em tempos que já lá vão, em vésperas da manhã de S. João, chegou à porta duma mulher, que morava perto da Cova da Moura, um homem que lhe pediu pousada.
Como a mulher lha cedesse, depois de cear, pendurou o bornal que trazia numa estaca de madeira na parede interior da chaminé, foi deitar-se, e logo adormeceu.
O mesmo não sucedeu à dona da casa que, cheia de curiosidade, logo que a ocasião lho permitiu, levantou-se e foi abrir o bornal. Como nele estavam três bolos, quis prová-los, cortou um, tendo o cuidado de o pôr sob os outros. À madrugada o cavaleiro levantou-se, pegou no bornal, e dirigiu-se à Cova da Moura onde estavam três irmãs encantadas.
À primeira deu-lhe um bolo que se transformou num cavalo, que partiu a galope levando-a para a Mourama.
À segunda aconteceu o mesmo que à primeira, e à terceira, cheio de surpresa, deu-lhe o bolo partido que se transformou num cavalo coxo que a não pode levar com rapidez antes do sol nascer para junto das irmãs, e por isso ali ficou eternamente encantada, esperando em cada manhã de S. João o cavaleiro que nunca mais apareceu!...
Fonte: Maria Tavares Transmontano, Subsídios para a Monografia do Porto da Espada Viseu, Junta Distrital de Portalegre, 1979, p. 25Foto: http://wwwaguia.blogspot.pt/2007_09_01_archive.HTML
 
Bom Dia Alentejo!
 

 

 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a terra de Nisa, a Lenda da Moira Parturiente de Nisa, a deusa Fortuna um dia disse e abalou

 
Havia uma mulher em Nisa que era parteira, e foi-lhe bater à porta, fora de horas, um homem. Ela levantou-se e veio à rua, onde estava o mesmo indivíduo à espera, o qual era desconhecido dela. Acompanhou o homem para fora da vila e ia muito assustada, porém não dizia nada. Chegaram a um sítio, onde estava um penedo com uma abertura à maneira de uma janela. Ele disse para a mulher:
 — Entre.
 A parteira entrou e viu uma mulher, que estava muito aflita, para ter uma criança. A parteira arranjou a mulher e arranjou a criança e depois perguntou se queriam que ela fizesse alguma coisa. Ela disse que não e pegou numa pá de carvão e encheu-lhe a abada. Foi acompanhá-la até à porta. A mulher, como não fez caso do carvão, foi deixando este pelo caminho a pouco e pouco, ficando-lhe no avental apenas, por acaso, uns três ou quatro bagos.
 Despediu-se do homem e foi-se deitar. Ao despir-se, aqueles bagos caíram no chão, sem ela dar por isso. De manhã, quando se levantou, viu que os carvões se tinham transformado em peças de ouro. Ficou muito desgostosa de não ter trazido tudo, e voltou fora a ver se achava mais peças. Porém, não achou nada.
 O homem era um moiro e a mulher que estava de parto era moira. 

Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p. 744-745
Foto: http://obviousmag.org/archives/uploads/2009/09120403_obvious.pt_rochedo.jpg

Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, a Igreja Matriz de Tolosa, Tolosa, umas terras de uns pais franceses

 
 
Na sacristia da Igreja Matriz encontra-se uma fonte de pedra com reduzidas dimensões. Compõe-se essencialmente de um reservatório superior, uma bica e um pequeno tanque. A água que a alimenta não é nativa, mas sim transportada manualmente para o reservatório. É interessante referir que a bica está fixada na boca de uma carantonha ou carranca.
Se pensarmos que este ornamento tem origem mitológica, não faz sentido lógico o seu aparecimento num templo cristão-católico.
Porém, para esbater o paganismo evidente, surge a Cruz de Cristo esculpida em granito, encimando todo o conjunto. Tudo isto nos faz lembrar uma espécie de simbiose entre a Mitologia da Antiguidade Clássica e a força religiosa do Cristianismo.

Na Igreja Matriz há ainda outros objectos históricos dignos de registo:
1.º - Uma custódia muito antiga.
2.º - Uma salva metálica de origem alemã, no fundo da qual estão figurados em relevo Adão e Eva, vivendo no Paraíso.
3.º - Encontram-se ainda três imagens muito apreciadas pela sua antiguidade: uma delas representa São Pedro, com as tradicionais chaves do Céu fechadas na mão direita, esculpido em granito; as outras representam Santa Ana E Santa Catarina.
4.º - São ainda merecedoras de apreço as Credenciais em talha dourada, que ladeiam a Capela-Mor.

Fonte: Pequena Monografia de Tolosa, Alzira Maria F. Leitão

Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo, Vila Boim, Coreto de Vila Boim, ao Centro tudo lhe vai

 
 

Desconhece-se quem mandou erigir, em 23 de Setembro de1894, o coreto de Vila Boim que, hoje é propriedade da Junta de Freguesia da mesma vila.
É mais um coreto com planta octogonal de 2,45m de lado e 1,50m de altura do solo. Repete-se o material do pavimento, argamassa de cimento, mas de cor vermelha.
Apresenta este coreto, uma grande variedade de materiais, que consideramos elementos decorativos com interesse: cimalha e cunhais em mármore rosa, as paredes de mosaico, a cobertura em chapa zincada lisa, com rendilhado em chapa e estrutura em ferro, gradeamento e porta, mas sem ter acesso próprio.
Situado no centro do jardim com cercadura ajardinada, ficando totalmente a descoberto, é o espaço escolhido para as festas da vila.
Encontra-se em bom estado de conservação.
Este coreto teve, em tempos, assento na Praça da Republica em Elvas.
Foto: http://fotos.sapo.pt/odiana/fotos/?uid=i3Zi0wiAZPazqPqNopzN#grande
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra

Bom Dia Alentejo!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a Lenda da Princesa Encantada, Moura, terra do Sobral da Adiça, o Poço o Tesouro, uma Beleza encantada que o guarda

 
Há muitos anos atrás, havia um rei que tinha uma filha. Mas como teve de partir para junto dos seus soldados, despediu-se e recomendou à princesa que se portasse bem.
Um dia recebeu uma carta dizendo que a filha tinha arranjado um noivo na aldeia. Ficou furioso pois ele queria que a filha casasse com um rapaz de família e rico, que frequentasse a corte. Regressou ao castelo e disse à princesa que se não deixasse o rapaz, seria castigada. Porém, a rapariga não obedeceu ao pai. Então o rei chamou um dos seus guardas e mandou chamar um feiticeiro que ali morava na cidade, para que lançasse um feitiço à filha. A princesa, coitada, foi transformada numa serpente e o feiticeiro disse ao rei que a sua filha já encantada ficaria dentro de um poço a guardar um tesouro na Serra da Adiça.
E assim o encantamento só se quebrará se um homem for ao poço e der um beijo nos cabelos da cobra.
Bom Dia Alentejo!
Fonte: António Ferreira Lopes, Contos e Lendas Populares e de Transmissão Oral na Serra da Adiça, in: Arquivo de Beja, vol. XIV, serie III, 2000, p. 66
Foto: http://img.ibxk.com.br/2013/9/megacurioso/192856626006353958.jpg

 

Bom Dia Alentejo, Semana Santa, Aldeia da Mata, as Endovenças que sim, que Povo o Salvador que o festejava

 

A festa da Semana Santa era feita entre nós com muita religiosidade, e foi por isso que as Endoenças em Aldeia da Mata não eram só conhecidas nas redondezas, como também em terras distantes. Alguém afirmou que as Endoenças metiam mais gente do que as festas que se têm cá feito pelo Verão.
As cerimónias dividiam-se assim pelos dias de festa. As velas da igreja só se acendiam Sábado da Aleluia.
Quando apareciam as Aleluias, tocava-se a metrécula (matraca). Os sinos que se deixavam de ouvir em toda a Quaresma voltavam a tocar depois de aparecerem as Aleluias. À Festa das Endoenças não podia faltar uma comissão e um dos trabalhos que tinham era pedir todos os Domingos pela manhã às portas das pessoas.
As ofertas que recebiam eram fatias de pão e legumes. O dinheiro das esmolas destinava-se à festa do ano seguinte.
As opas que os festeiros levavam vestidas na procissão eram brancas com gola azul. Na Irmandade do Santíssimo iam vestidos com opas pretas, representando os doze Apóstolos.
Depois deste apontamento não posso deixar ficar sem contar o seguinte: na cerimónia da igreja quando se cantava as Trevas, fazia-se a seguinte brincadeira: quando os padres faziam barulho batendo no livro, os fiéis também faziam, só que era com pedras batendo no chão. Mas os homens e gaiatos, aproveitando esse barulho e o apagar da luz, pregavam as saias das mulheres ao chão, que nessa altura era de madeira. Como as saias eram compridas, a brincadeira resultava.

Quarta-feira de Trevas - Cantavam-se as Trevas e, em certa altura da cerimónia, as pessoas que iam munidas de uma pedra batiam com ela no chão acompanhando assim os padres que, que ao terminarem o ofício, faziam um ruído batendo no livro, ao mesmo tempo que se apagavam todas as luzes.
A festa nesse dia terminava com o sermão a propósito.

Quinta-feira - Nesse dia fazia-se a cerimónia da missa com o sermão de Lava-Pés.

Sexta-feira da Paixão - Faziam-se as cerimónias da Paixão e Morte do Senhor e, durante a procissão, cantava-se a padeirinha. De seguida, as três Marias juntavam-se perto do Senhor que está no esquife, e com Nossa Senhora das Dores ao pé e os anjinhos. Seguia-se o sermão alusivo ao enterro do Senhor.
Sábado da Aleluia - Apareciam as Aleluias às 10 horas da manhã, e tiravam-se os panos roxos que cobriam as imagens, e os sinos tocavam durante muito tempo. À noite havia uma procissão a que davam o nome de “procissão de toucinho assado”. E à noite, como de costume, havia sermão.

Domingo de Festa - Havia missa ao meio-dia, e à noite os grandes arraiais no Terreiro e no Santo António.

Segunda-feira de Páscoa - Neste dia fazia-se a festa na ermida de S. Miguel, mas com o nome de festa da Nossa Senhora dos Remédios para onde toda a gente pela manhã partia em romaria. A partir deste dia, poucos domingos passavam que não houvessem arraiais nos sítios habituais.

A esmola para o Santíssimo - As esmolas para o Santíssimo eram ofertas do povo para a ajuda da Festa das Endoenças. Para recolher essas esmolas era escolhido um homem entendido que tinha a missão  de dar a volta à nossa terra – Aldeia da Mata – nos domingos de manhã, recolhendo do povo, tigelas de feijão preto, raiado e milho.

Mas o que o povo dava mais eram as fatias de pão de trigo, de milho e centeio. À saída da missa de domingo eram leiloadas as ofertas desse dia, e o lugar do leilão era a curva da Igreja do Terreiro.
À saída do pessoal da igreja, o leiloeiro lá esperava no lugar do costume até estarem todos reunidos, para depois começar a gritar: -Quem dá mais pela esmola do Santíssimo? Assim, com este pregão repetido dezenas de vezes, e com um povo agarrado às grandes e lindas Festas das Endoenças, domingo nenhum ficaram por vender as esmolas para o Santíssimo.

Uma padeirinha de fama - Pelas festas da Semana Santa, a padeirinha que teve mais fama na nossa terra foi a Senhora Rosária Calado., mais conhecida por Rosária calada. Os antigos comentam que, quando a festa andava na rua, ouvia-se esta padeirinha cantar aos Chaparrinhos. Os antigos também comentam que às festas vinham muitos forasteiros, e quando a padeirinha cantava não se ouvia uma mosca, fazia-se um silêncio profundo.
  Fonte: A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000

 
 
 

 
 


 
 

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, Os Ratinhos, a Beira no Alentejo, o Desemprego e a Casa do Povo

 
  O trabalho era sobretudo sazonal, mas uma lavoura ocupava grande número de trabalhadores fixos, desde ao feitor ao abegão e sobretudo os mais variados ganadeiros, pois o gado, era uma parte importante da actividade e tinha de ser tratado durante todo o ano.
As mulheres realizavam também alguns trabalhos específicos, como as mondas (apanhar as ervas daninhas no meio das searas), a apanha da bolota e as caianças das casas.
Nos períodos de maior trabalho, como as ceifas em Junho e Julho, a apanha da azeitona em Novembro e Dezembro ou a limpeza das árvores para lenha em Janeiro, era frequente a contratação de ranchos de trabalhadores do norte, pois a mão-de-obra existente não era existente.
Picão dedica um capítulo inteiro, com a habitual descrição pitoresca, aos ratinhos, os “milhares de homens e rapazes que de propósito, vêm das Beiras (…) ceifar às terras alentejanas (…) como vantajoso que é para lavradores e serviçais. Ai das colheitas do Alentejo, se lhes faltassem os ceifeiros beirões…”
Picão – mas Picão continua – “Os ratinhos também eram contratados pelos seareiros e pelos rendeiros, não só pelos grandes proprietários…”.
O aumento demográfico que se verificou no início deste século (em Avis, a população aumentou 76,1% entre 1890 e 1940), não foi acompanhado pelo aumento do trabalho das lavouras: pelo contrário, a introdução de alguma modernização das alfaias agrícolas, como foi o caso duma debulhadora comprada nos anos 20 por Asdrúbal Braga, um lavrador de Avis, provocou a diminuição de mão-de-obra.
Esta máquina, no entanto, foi a única no concelho e era alugada aos restantes lavradores; só nos anos 60 se assistiu à introdução das ceifeiras-debulhadoras. Apesar destas alterações, os lavradores continuavam a contratar a mão-de-obra exterior, mais barata que a local. Assim, começa a assistir-se a crises de desemprego sazonais, um fenómeno que preocupou as autoridades do Estado Novo.
 
 

Cutileiro. Cutileiro, op. Cit., p. 89 “As necessidades de mão-de-obra decorrentes da exploração agrícola extensiva vieram aumentar a desigualdade resultante da distribuição da terra, dando origem a prolongados lapsos de tempo durante o ano agrícola durante os quais os trabalhadores rurais não eram necessários nas herdades. A partilha dos baldios em 1874 e o substancial aumento da população a partir dos fins do séc. XIX transformaram estas fases de desemprego periódico num grave problema social. A estes períodos deu-se o nome de crises de trabalho”.
No que diz respeito a Avis e ao distrito em que este concelho se integra, esta preocupação manifestou-se nos pedidos repetidos por obras públicas em períodos de crise. A grande preocupação das autoridades do Estado Novo com estas crises de desemprego sazonais, que ocorriam sobretudo no fim de verão, era a agitação social que a falta de trabalho podia provocar.
A solução de realizar obras públicas pelos vistos não tinha tanto a ver com o desejo de modernizar a religião, criando infra-estruturas. Isto vinha como acréscimo, mas o motivo principal era empregar os trabalhadores para evitar os “verdadeiros cadinhos de ódio de classes e luta social”, pois, como disse o Governador Civil de Évora, “a fome (era o) principal agente subversivo da classe rural”.
Quanto ao papel dos lavradores nesta questão, nota-se por parte do Governador Civil uma certa responsabilização por esta situação, uma vez que a contratação dos ranchos de trabalhadores fora do distrito agravava as crises de desemprego.
Uma das respostas do Estado Novo a este problema no sector agrícola foi estabelecer o novo Estatuto do Trabalho Nacional, instituído em 1933, o qual determina que as caixas ou instituições de previdência sejam organizadas por iniciativa dos organismos corporativos. As instituições criadas para esse fim foram as Casas do Povo, com a acção a nível das freguesias e auxiliadas na sua acção social pelos Grémios da Lavoura de cada concelho.

Fonte: Maria Antónia F. Pires de Almeida, Família e Poder no Alentejo, Elites de Avis – 1886 – 1941, 1997
Foto: http://www.prof2000.pt/users/avcultur/luisjordao/almanaque/Numero09/Imagens/MonteAlentejano01.jpg

Bom Dia Alentejo!
 
 

domingo, 4 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, a terra de Castelo de Vide, Lenda da Fonte dos Cães, o encanto lhe dobrou

 
 
Contava-se que uma noite vindo um rapaz de namorar, resolveu dessedentar-se. Quanto o fazia apareceu-lhe um homem que lhe disse:
“Então estás a beber as sobras da minha cozinha?”
Como o moço se mostrasse espantado logo o levou junto de uma placa de pedra por cuja argola puxou.
Apareceu uma escada de mármore por onde desceram e que dava acesso a um maravilhoso palácio.

Após a visita o estranho homem disse:
“Se quiseres ganhar todas estas riquezas só terás de vir amanhã à meia-noite. Há-de aparecer um touro e tu hás-de-lhe aparar três sortes.”
Ao outro dia o rapaz na mira de enriquecer de um momento para o outro ter-se-ia deslocado à fonte à hora combinada, onde viu o touro que investiu nele.
Aguentou a primeira e a segunda investidas, mas cheio de medo desistiu à terceira.
Então ouviu uma voz dizer:
“Ah! Ladrão! Que me dobraste o encanto!...”
 Fonte: Maria Guadalupe Alexandre, Etnografia, Linguagem e Folclore de Castelo de Vide Viseu, Junta Distrital de Portalegre, 1976
Bom Dia Alentejo!

 
 

 

sábado, 3 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, São Salvador da Aramenha, a Lenda da Cova da Moura, Marvão, a uma terra a um encanto

 
 
Em tempos que já lá vão, em vésperas da manhã de S. João, chegou à porta duma mulher, que morava perto da Cova da Moura, um homem que lhe pediu pousada.
Como a mulher lha cedesse, depois de cear, pendurou o bornal que trazia numa estaca de madeira na parede interior da chaminé, foi deitar-se, e logo adormeceu.
O mesmo não sucedeu à dona da casa que, cheia de curiosidade, logo que a ocasião lho permitiu, levantou-se e foi abrir o bornal. Como nele estavam três bolos, quis prová-los, cortou um, tendo o cuidado de o pôr sob os outros. À madrugada o cavaleiro levantou-se, pegou no bornal, e dirigiu-se à Cova da Moura onde estavam três irmãs encantadas.
À primeira deu-lhe um bolo que se transformou num cavalo, que partiu a galope levando-a para a Mourama.
À segunda aconteceu o mesmo que à primeira, e à terceira, cheio de surpresa, deu-lhe o bolo partido que se transformou num cavalo coxo que a não pode levar com rapidez antes do sol nascer para junto das irmãs, e por isso ali ficou eternamente encantada, esperando em cada manhã de S. João o cavaleiro que nunca mais apareceu!...
 
Fonte: TRANSMONTANO, Maria Tavares Transmontano, Subsídios para a Monografia do Porto da Espada Viseu, Junta Distrital de Portalegre, 1979 , p. 25
 
Bom Dia Alentejo!


Bom Dia Alentejo, São Vicente E Ventosa, Elvas, o Pote do oiro o Pote do Veneno



Entre o povo de São Vicente e a Horta da Cortina, há um sítio que lhe chamam a Abóbeda. Aí há dois potes enterrados: um tem uma tampa ou prato de estanho, com oiro em cima, e oiro tem o pote; o outro tem também uma tampa ou prato de estanho e em cima uma sardinha de oiro; este tem veneno. O sonho diz que felicidade terá quem atinar com o pote do dinheiro; se atinar a descobrir o do veneno morrerá, em sete léguas em redondeza, tudo. Já alguns se têm oposto a isto, mas sem resultado, porque têm medo.

Fonte: José Leite de Vasconcellos, Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p. 770
Foto: http://www.boasnoticias.pt/img/pote.jpg

Bom Dia Alentejo!




sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bom Dia Alentejo, As Sortes, terras de Aldeia da Mata, o cachopo subia a homem

 

Era chamado sorteamento ao dia em que os rapazes iam à inspecção médica, para prestar serviço militar, e que se realizava no mês de Junho, no edifício dos Paços do Concelho do Crato.
Os rapazes tinham esse dia como de festa, tanto assim que, durante oito dias havia baile todas as noites, e sempre abrilhantado por um acordeonista, sendo o “Botas” de Alferrarede o mais contratado para essas festas.
Acontecia que os rapazes das sortes do ano seguinte, faziam com um adiantamento o contrato com o “Botas” para a sua festa. O tocador vinha na segunda-feira, e nesse dia já havia baile, assim os dias até domingo eram cheios, acabando sempre com um baile à noite.
 
Terça-feira iam ao Crato tirar a guia, regressando só depois do almoço. Quarta-feira iam para a ribeira, lavavam-se e faziam um petisco. Depois o regresso à terra, com muita alegria pelas ruas, tocando as pandeiretas a acompanhar o acordeonista, e a dar vivas ao “Botas” e à rapaziada das sortes desse ano.
Quarta-feira, dia da inspecção; todos os rapazes iam vestidos de “ponto em branco”, quero dizer, que o que levavam vestido e calçado, era tudo novo, verdadeiro dia de festa. Depois do tradicional almoço prolongado no José d`Adega, vinham fazer o resto da festa desse dia à terra.
Sexta-feira, era o grande petisco das sortes, o qual se fazia sempre na ribeira por terem a água à mão para lavar a louça. Matavam uma cabeça de gado, e ali banqueteavam passando o dia à sua maneira, e à tarde vinham de regresso, com muito barulho, mas nunca faltando o toque do acordeão. Nos últimos dois dias de festa das sortes, sábado e domingo, só havia baile à noite.

Há ainda a acrescentar que os rapazes das sortes não passavam nenhum dia sem dar a volta às ruas com o acordeonista e tocando as suas pandeiretas, sendo da prache entrarem nas tabernas para beberem uns copos.
No dia da inspecção os rapazes compravam no Crato fitas de seda para a lapela, para se saber quem tinha ficado apurado ou livre. A designação das cores das fitas era assim: para os apurados uma fita vermelha e uma verde, para os livres, uma branca e uma amarela.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=206782769335948&set=o.184521331583622&type=3&theater
Fonte: Lia “A Nossa Terra, João Guerreiro da Purificação, Associação de Amizade e Terceira Idade, Aldeia da Mata, 2000”

Bom Dia Alentejo!