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domingo, 17 de janeiro de 2016

Bom Dia Alentejo, a Necrópole do Monte do Pardieiro, a São Martinho das Amoreiras, a Corte Malhão

 

A necrópole do Monte do Pardieiro é um monumento funerário construído durante a lª Idade do Ferro, entre os séculos VII e V a.C.
Os onze túmulos que o compõem são de planta rectangular e estrutura variada: existem construções maciças que cobrem completamente a fossa, aberta na rocha, onde se inumou o cadáver; sepulturas de câmara simples ou composta e túmulos cujo exterior é escalonado.
A importância dada aos indivíduos aqui sepultados era testemunhada pelas oferendas funerárias aqui deixadas (colares de contas de vidro, algumas armas de ferro e peças de cerâmica decorada), quer pelas três lápides com a ainda decifrada Escrita do Sudoeste.
Foto: ““ironageportugal”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Bom Dia Alentejo, Serpa, o Castelo de Serpa, a um pouco da história dele


Não é fácil, segundo os entendidos, concluir-se quando terá sido construído o primeiro Castelo de Serpa. A povoação, segundo se crê pelas descobertas arqueológicas que se tem vido a fazer, remonta a muitíssimos anos antes da conquista do Castelo pelos Portugueses.
De formato quadrilátero o Castelo Velho, situa-se do lado nordeste, junto à primeira cintura de muralhas. A Torre de Menagem é o seu ponto mais alto, logo seguido da Torre do Relógio, que em tempos foi parte do Castelo.
O dado histórico que conhecemos acerca da “Vila” de Serpa tem início na sua primeira conquista aos Mouros, por D. Afonso Henriques, em 1158 com a ajuda dos Cruzados.
Várias vezes perdida para os Mouros e outras tantas conquistadas, passa para a Coroa Portuguesa em 1232, no Reinado de D. Sancho II que concedeu o senhorio de Serpa a D. Fernando, seu irmão que nela viveu e que veio a ser conhecido pelo Infante de Serpa.
Após algumas atitudes contra a igreja D. Fernando foi excomungado pelo Papa Gregório IX.
Após o casamento de D. Fernando com Dª. Sancha Fernandez de Lara, filha de um Conde de Castela, ali ficou por aquelas terras, (Castela) nada se sabendo mais, acerca da sua vida.
Mais tarde com a suposta morte de D. Fernando passa a Vila de Serpa, para a posse da Coroa Portuguesa.
Até ao Séc. XIII, nas várias disputas havidas com Castela perdeu Portugal, as terras de aquém Guadiana, incluindo Serpa.
Em Maio de 1253, Afonso X de Castela inclui Serpa no dote de sua filha Beatriz , por ocasião do casamento desta, com Afonso III de Portugal, com a cláusula de que a posse definitiva só teria lugar quando o primeiro filho do casal completasse 7 anos.
 

Cláusula que não cumpriu. (!)
Foi já no reinado de D. Diniz, em 6 Setembro de 1295, que foi acordada a entrega definitiva da Vila e seu Termo ao Rei de Portugal.
Serpa, foi sempre um ponto de cobiça dos nossos vizinhos, Castelhanos, mais tarde Espanhóis,* tanto pela sua situação geográfica como por ser uma referência na Organização Militar do país. Não obstante as constantes razias que as terras deste Concelho sofreram ao longo da sua História, quer nas investidas da moirama, quer no período da Restauração, ou ainda, durante as invasões francesas, aquela que se tornou mais brutal, foi a perpetrada pelo Duque de Ossuna, durante a guerra de sucessão espanhola (1702/1712).
Durante o conflito, mais propriamente em 26 de Maio de 1707, o Duque de Ossuna assaltou e tomou pela força, após meses de resistência dos Portugueses, o castelo da Vila de Serpa.
Um ano depois em 1708, quis a sorte que as tropas espanholas fossem obrigadas a retirar-se desta vila, contudo, não o fizeram sem causarem nas suas muralhas enormes danos. Testemunhos?
Os grandes torreões rochosos, mesmo à entrada do Castelo que ainda subsistem, sendo um testemunho maior dos factos que então ocorreram.  Também uma das portas da muralha, a Porta de Sevilha foi destruída pelo Duque se Ossuna, na sua retirada da praça de Serpa, estas mantiveram-se até 1780, altura em que ruíram, parte dos torreões que a defendiam, até que, em 1871, caindo novo fragmento, foi deliberado apear o que restava da antiga muralha por se considerar um perigo para a saúde pública. Frente à Porta de Sevilha e na direcção da Rua da Fonte do Ortezim, a antigamente denominada de Rua Larga, tomou para si a designação de Rua das Portas de Sevilha, perpetuando assim a porta desaparecida.
 
 
O Castelo de Serpa foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 30 de Janeiro de 1954.(* abro aqui um parêntesis para recordar que o país nosso vizinho só passou a designar-se por Espanha, após a unificação dos vários reinos que a compõem a saber: Astúrias, Leão, Castela, Galiza, Navarra e Aragão é portanto como país bem mais recente que Portugal)
As Muralhas de Serpa sofreram ao longo dos tempos atentados de destruição como pode ser confirmado em documentos existentes no Tombo da Câmara, como nos diz João Cabral, no seu livro “Arquivos de Serpa” e que cito: «Por proposta do vereador José Ricardo Cortez de Lobão foi pedida, superiormente, em 7 de Fevereiro de 1863, a demolição das muralhas que em grande parte ameaçam ruína» mais adiante refere ainda: «Também o Dr. António Joaquim Bentes, em 23 de Janeiro de 1864, na qualidade de presidente do Município, propôs e foi aprovado que "se peça ao Governador de Sua Majestade e concessão do forte denominado Castelo Velho e bem assim para poder destruir as muralhas que circundam parte da vila por se considerarem contrárias à saúde pública”» e ainda «Precisamente um ano depois o presidente lê dois requerimentos pedindo as mesmas demolições, o que se repetiu em Julho de 1877».
Numa outra página do mesmo livro afirma ainda João Cabral: «Em 1 de Fevereiro de 1917 foi deliberado demolir a parte da muralha, que estava em ruínas, à Porta de Moura». Sabe-se ainda que em meados do séc. passado foram as muralhas levadas a hasta pública para arrematação e posterior demolição, o que felizmente não se concretizou por falta de licitadores. Já nas últimas décadas do séc. xx sofreram as muralhas (ou parte delas) os trabalhos de restauro que se impunha, devolvendo aos vindouros a possibilidade de apreciar a sua beleza e magnitude.
 
Fonte: serpenses.blogspot.pt/2013/08/nao-e-facil-segundo-os-entendidos.HTML

domingo, 6 de dezembro de 2015

Bom Dia Alentejo, Pista da Herdade da Zambujeira, o Aeródromo a 5km de Castro Verde

 
Em saibre, mes compadres e minhas comadres, em saibre, e com um comprimento de 450m e uma largura de 15m, a Pista Privada da Herdade da Zambujeira, ela está a 5km de Castro Verde.
A pois sabeis assim compadres, o declive é assim 0%...
Fonte: Roteiro APAU
 
 

domingo, 15 de novembro de 2015

Bom Dia Alentejo, Museu do Contrabando, a terra de Santana de Cambas, Concelho de Mértola


Santana de Cambas, assim vos direi compadres e minhas comadres, uma aldeia e freguesia no concelho de Mértola. A 10 de Junho de 2009, tempo que lá passado, na ditosa terra, o Museu do Contrabando foi inaugurado.
Uma memória assim vos direi que no espaço deste museu, preserva o tempo em que as pessoas, para sobreviverem, arriscavam a vida, transportando sacos de café e as implicações que isso teve no dia-a-dia das populações e nesta população essencialmente.
Museu assim compadres e minhas comadres, instalado num dos postos onde a Guarda Fiscal exerceu seu controle policial e punitivo.
Para terminar, assim uma espécie de história de luta que me apraz vos registar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, Beja, a inauguração da Estátua da Rainha Dona Leonor, a esta que também Mãe

 
Diz a história compadres meus e que minhas comadres,  Rainha Dona Leonor é natural de Beja, assim pela e na terra do Alentejo. Sua existência pela vida terrena, assim nos anos 1458-1525 e que naquele tempo.
A 8 de Dezembro de 1958, no Largo da Conceição, defronte do Museu Regional de Beja, assim minhas comadres e que mes compadres, vos direi que foi inaugurada a estátua de homenagem a esta doce e querida mui Rainha.
Pai do projecto da obra e que também do desenho, o escultor Álvaro de Brée…

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, a Sobral da Adiça, Topónimo de Sobral da Adiça, o ouro que estava na serra

O topónimo de Sobral da Adiça que mes compadres e minhas comadres, no concelho de Moura, ele deveu-se a uma grande mina de ouro que houve na Serra da Adiça, da qual ainda se podem observar evidentes provas das suas galerias subterrâneas.
É muito provável que os primeiros exploradores desta mina fossem os Fenícios, depois os Romanos e que por fim os Árabes. Não consta ter havido trabalhos de mineralização desde o tempo dos Godos.
Foto: http://aloprando.com
Através de diversos documentos relativos a esta terra, Sobral era chamada de S. Pedro da Adiça. Que depois de uma profanação, a profanação da igreja de S. Pedro que ficava fora da aldeia, dá-se a mobilidade da sede da igreja para uma zona possivelmente rodeada por grandes sobreiros e também a orientação de culto passou a ser dirigida a Nossa Senhora do Ó.
 
A deserção de moradores destes montes para o local de Sobral da Adiça, minhas comadres e mes compadres, deveu-se certamente às inúmeras incursões dos castelhanos e a uma fertilidade das terras do actual aglomerado populacional.
E lá está ela. Dizem que está maravilhosa, esta menina…

domingo, 18 de outubro de 2015

Bom Dia Alentejo, a terra de Cuba, a Fonte do Biabo, a um dizer a partida


Havia no centro da praça d’esta villa – de Cuba - , um pôço quadrado, de 8 metros de profundidade, coberto com uma abobada de 4,50 m. de altura sobre columnas. Chamava-se Fonte do Diabo.
O tecto interior da abobada tinha pintado S. Miguel e o Diabo. Era antiquissima.
O povo cria que de noite faziam os diabos, duentes, bruxas, fantasmas, etc, suas sinagogas dentro d’este pôço d’alli sahiam a fazer toda a qualidade de diabruras.
Acreditavam que, quem por alli passasse depois da meia-noite, sem fazer o signal da cruz, era agarrado pelos diabos e affogado.
A camara mandou demolir a abobada e entupir o pôço, em Setembro de 1854, e nessa occasião appareceram alguns cadaveres no pôço.
Fonte: Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], p.tomo II, p. 454-455
Foto: http://historiaselendas.no.sapo.pt/pag-lenda/fonte_do_diabo.htm
 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Bom Dia Alentejo, Aljustrel, Moinho, Moinho de Malpique

 
Embora seja conhecida essencialmente, compares e minhas comadres, como sendo terra de mineiros, existem à volta desta vila alentejana, cerca de 15 moinhos de vento. A grande maioria, encontra-se ao abandono ou já não desempenha as funções para as quais foi edificado.
Uma das excepções, não se sabe se é a única, é o moinho a que que actualmente se dará o nome de Moinho do Malpique.
Ele situa-se, numa elevação a sul do centro da povoação e para lá chegar mes compadres e minhas comadres, é necessário percorrer algumas, poucas, centenas de metros em caminho de terra. Apesar disso, deveis ter força no coração de olhos vossos,  aconselha-se a subida a vossemecês, pois de lá é possível abarcar uma bela panorâmica de toda a vila, além de admirar este exemplar, se vos dirá em bom estado de conservação.

Relativamente ao Moinho, a este moinho de Aljustrel que é referido, não é essa a designação correcta, embora se tornasse usual designá-lo assim. Com efeito, em mapas do final do séc. XIX e princípios do séc. XX, este Moinho é referido como Moinho do Maralhas, provavelmente o nome do proprietário da altura.
Posteriormente, já assim nos anos 40/50, assim compadres e que minhas comadres, também era conhecido por moinho do Chico Molheirinho (proprietário desse tempo). Trabalhou até aos anos 70, assim já com outro moleiro…
Dizem as vadias compadres e minhas comadres, assim que para terminar, Câmara Municipal restaurou este moinho, assim nos finais dos anos 80.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Bom Dia Alentejo, Moura, A Lenda da Moura de Salúpia, a toponómio de Moura

 
A Lua elevava-se das bandas do Levante, pondo um orvalho de prata nas campinas frescas e perfumadas que circundavam a pequena povoação de Arucci-a-Nova.
Numa ponta da vila árabe emergia, com soberana altivez, a formosa torre circular, em cujo minarete flutuava o pavilhão sagrado de Islam.
Sobre as ruínas da antiga fortaleza mourisca que as hostes cristãs de Afonso Henriques haviam feito arrasar, após um combate heróico com os sarracenos, o chefe árabe Buaçou, companheiro de armas de Miramolim Abinussuf, — o agareno audaz e feliz, que aos cristãos tomara parte das suas conquistas em terras alentejanas, no reinado de D. Sancho I, — mandara construir e fortificar poderosamente o novo castelo e cedera-o como dote a sua filha Salúquia, que aí governava como «alcaidessa».
Salúquia era uma moura formosa, sonhadora e supersticiosa como uma boa crente do Alcorão.
Fátima e Zuleima, as dilectas companheiras, olhavam com fraternal ternura o perfil esbelto de Salúquia, a querida princesa — irmã, pródiga de sinceridade e de carinhos para com todos, que jamais sentiram a altivez sobranceira da senhora a recordar-lhes a humilhante condição de escravos.
Por isso Salúquia era adorada na sua pequena corte. Todas as tardes, mal o sol se escondia para as bandas do mar, a bela moura e a sua comitiva subiam ao minarete, e ali, então, estendendo a vista até ao círculo escuro do horizonte de serranias, passavam largo tempo desfiando lendas de guerra e de amor até à hora solene da oração a Allah, que os lábios murmuravam numa prece de fé vinda do íntimo, com tal elevação e misticismo, como se fora a própria alma a evolar-se da súplica religiosa.
Cortando o silêncio, Fátima, a moura dos olhos azuis, disse:
«Salúquia, quando o luar tiver beijado as ondas do mar e o sol abrir de novo as portas do Oriente, o teu noivo estará entre nós...
 — Que Allah o permita, Fátima!
 — E porque estás tão triste? — perguntou Zuleima.
 — Por muito o amar! — replicou Salúquia. E por muito temer! — acrescentou numa acentuação de vaga e sombria tristeza.
 — Allah protege-o, e os cristãos estão muito longe! — exclamou Fátima, numa afirmação cheia de confiança.
E Zuleima, a linda morena, filha de Granada, estendendo os braços na direcção do Oriente, procurou indicar um ponto vago e impreciso.
 — É por ali o caminho… conheço-o bem. Por ele me trouxe teu pai, como cativa.
 Salúquia elevou-se e, com ansiedade, fitou o olhar no sítio que Zuleima queria determinar, e dos seus olhos negros parecia sair uma cintilação de esperança, que a crença misteriosa de um estranho fatalismo não conseguiu amortecer nos primeiros instantes.
No entanto, Salúquia pensava por vezes que era infantil e injustificado aquele receio pela sorte do seu noivo, o príncipe mouro Bráfama, alcaide e senhor do castelo de Arucci-Vetus (hoje a vila espanhola de Aroche).
Bráfama enamorara-se perdidamente da filha de Buaçou e obtivera a permissão para os esponsais.
Salúquia correspondia-lhe com paixão cheia de fidelidade, e uma aurora de amor, que despertava nas duas almas, crescia em apoteose de intenso desejo e suprema dedicação. Era esta a sua última noite de virgem. A madrugada, que dentro de algumas horas iria despontar, traria envolta numa poeira de oiro, a finura adorada de Bráfama, o prometido esposo, o estremecido ídolo da sua imensa religião de mulher enamorada a florir na primavera dos vinte anos.
A brisa nocturna vinha rescendendo ao perfume suave das laranjeiras toucadas de branco e dos roseirais em flor, como num delicioso consórcio aromático, que tornava a atmosfera tépida e lânguida daquela noite de estio num devaneio sensual, que embalava o coração e embriagava os sentidos.
Salúquia, de olhos semi-cerrados, abandonava-se à lúbrica visão que o seu candente amor formava de estranhas e caprichosas alucinações. Parecia que a figura musculosa e varonil de Bráfama a estreitava docemente junto ao peito, encantando-a numa música de promessas venturosas, que a alma ingénua acolhia alvoroçada e receosa, Este prazer íntimo, que ela gozava em silêncio, era dum perturbador enervamento, calmo e absorvente.
Apenas, de espaço a espaço, rápidos clarões de sinistra superstição fulguravam, como centelhas dum rubro e sangrento colorido num céu tranquilo de serena esperança. Nesses momentos, o coração apertava-se-lhe numa contracção de dor, o rosto afogueava-se-lhe num rubro de ansiedade, e esta impressão torturante, duma amargura horrível, vinha a cristalizar-se nalgumas lágrimas, que tombaram dos olhos formosíssimos numa cintilação brilhante.
Fátima, confrangida do sofrimento injustificado de Salúquia, e para a distrair daqueles temores vagos, principiou uma narrativa de aventuras, uma das muitas fantasias infantis que a sua alma em criança recolhera como herança lendária da velha escrava Zara, que havia anos Allah chamara a si, talvez para ouvir os contos lindos da velha moura.
Dez léguas separavam Arucci-Vetus, a terra do noivo de Salúquia, da povoação onde esta governava como «alcaidessa», distância que se percorria no espaço duma noite, de mais a mais quando o acicate do desejo havia de esporear o cavalo de Bráfama, numa galopada alegre para a felicidade.
Ao cair da tarde, Bráfama e os seus deixaram Arucci-Vetus e puseram-se a caminho, numa caravana resplandecente de luxo e venturosa galhardia. Era uma cavalgada brilhante, em que os raios do sol, na agonia daquela tarde, punham fulgurações de luz sangrenta no reflexo rútilo das pedrarias dos turbantes dos cavaleiros e dos arreios riquíssimos dos corcéis.
Bráfama, à frente, o manto de puríssima alvura sobre o arcaboiço forte e esbelto, levava frequentes vezes a mão sobre os olhos, procurando ver através dos raios do sol que se escondia na direcção do mar a torre amada de Salúquia, quando alguma elevação de terreno mais favorável, lhe permitisse divisar a sombra minúscula do castelo, que a alma há muito entrevia antes que os olhos pudessem enxergar. Mas as sombras da noite vieram envolvê-los e, enquanto o globo rubro se escondia sob o dorso das serranias do Ocidente, a lua vinha saudá-los, trazendo-lhes na sua luz as preces e os desejos que Salúquia e as suas damas lhe confiavam, para os deixar cair, como amorosa mensageira, sobre Bráfama e os cavaleiros da comitiva nupcial.
A noite ia avançando, e a caravana, a quem a fadiga de um rápido trotar foi amortecendo lentamente o ardor festivo, caminhava silenciosamente, quebrando o eco solitário dos vales com o ruído estrepitoso de um tropel apressado, cortado de vez em quando pelo relinchar alegre dos cavalos, nos quais a espuma do cansaço punha manchas alvas sobre a cor negra do pêlo aveludado.
Das bandas do Levante elevava-se já uma aragem ligeira e fria: as estrelas iam esmaecendo no fulgor, e a porteira do Oriente surgia em toda a lucilante beleza, deixando atrás de si um rasto pálido que gradualmente ia enrubescendo e começando a tansformar em cristais doirados as pequenas gotas de orvalho que refrescavam a terra adormecida. Apenas uma légua separava Bráfama de Salúquia.
O cortejo mourisco caminhava agora num vale lindíssimo que despertava risonho e florido aos beijos do sol nascente. Umas colinas impediam ainda a visão querida do castelo da noiva.
Renascera o entusiasmo e a alegria, e a caravana galopava cheia de prazer, colhendo flores das árvores que orlavam o caminho, para as levar, como saudações frescas e coloridas, à corte Salúquia. De súbito, os cavalos deram sinais de inquietação e receio. Relinchavam fortemente e mostravam-se agitados. Bráfarna estacou e a comitiva fez alto. Entreolharam-se todos, surpresos e indecisos. Numa voz rouca de terror, um velho árabe, que seguia ao lado de Bráfama, gritou — além…, e apontava com a mão trémula, uma nuvem de poeira que avançava em turbilhão, deixando entrever armas, que reluziam ao sol, e pavilhões brancos com a cruz da Fé. 
Bráfarna exclamou:
 — São os cristãos!
 — E vêm para nós! — disse um cavaleiro árabe, moço e destemido guerreiro para quem o fragor dos combates tinha encantos e perigos que o embriagava numa epopeia de heroísmos. Desembainhando, num movimento rápido, a lâmina curva e brilhante, exclamou:
 — Vamos a eles!... Allah seja por nós e atirou o cavalo numa correria doida ao encontro da morte.
 Bráfama reconheceu o perigo inevitável. Os cristãos estavam perto. Era um bando superior em número aos cavaleiros sarracenos; tinham além disso, sobre eles, a vantagem de vir aprestados e armados para o combate, enquanto Bráfama e os seus caminhavam para uma festa de núpcias. Era, portanto, a morte certa, fatal, irremediável. Mas um crente de Allah nunca foge, e encara a morte, sempre, frente a frente.
Pálido, um pouco trémulo, os olhos quase velados por uma neblina dolorosa que do coração lhe subia, Bráfama encarou a sua gente e disse-lhe:
 — Irmãos… é a morte! Allah assim o quis. E, tirando do peito uma rosa branca que colhera para oferecer à noiva, beijou-a demoradamente, e ao soltar os lábios daquele misterioso beijo, elevou os olhos turvos de lágrimas para o céu, agora fulgurante de oiro, parecendo-lhe ver no fundo azul um castelo em festa, onde uma figura linda de mulher, branca como a lua e formosa como a estrela da manhã que a sua vista ainda há pouco namorava, estendia para ele languidamente o braço, para receber a rosa em que os seus lábios haviam deposto, como num puro relicário, toda a alma dum imenso e infeliz amor.
Em seguida, voltando-se para a comitiva, disse num tom quase de súplica:
Se alguém se salvar, leve a Salúquia esta flor, e escondeu-a sob o manto, junto ao coração. Depois, num impulso rápido, renasceu o guerreiro e, sacando com energia o alfange, esporeou o cavalo a defrontar-se com o inimigo. Todos o seguiram com a mesma coragem e rapidez, e o cortejo de núpcias transformou-se numa cavalgada de morte.
Os soldados da cruz eram comandados por dois irmãos, Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, dois heróicos combatentes que vinham assolando o Alentejo, com o extermínio feroz das hostes sarracenas. Chegou o momento supremo. Os dois bandos acometeram-se com um furor de ódio e vingança. Confundiam-se as imprecações selvagens dos discípulos do crescente com os gritos de morte dos defensores da cruz.
Alfanges e adagas fulgiam em crispações de fogo e em manchas vermelhas de sangue a referver no ódio. Os cristãos, ao fim de poucos momentos, levavam os moiros de vencida. Tinham a vantagem do número e a preparação para a luta naquele momento. Os Árabes resistiam enquanto um sopro de vida lhes animou o braço rijo e destemido. Finalmente, sucumbiram todos.
Álvaro Rodrigues matara Bráfama, que tombou do cavalo murmurando palavras que os cristãos não puderam compreender.
Era preciso agora fazer o resto: tomar a vila de «Arucci-a-Nova». E Pedro Rodrigues lembrou um ardiloso expediente que havia de surtir efeito.
imediatamente os cadáveres foram despojados das vestimentas, que os soldados cristãos envergaram soltando gargalhadas e exclamações alegres.
Álvaro Rodrigues quis embrulhar-se no manto de Bráfama, o seu adversário morto; um soldado trouxe-lho; envolveu-se nele, meio enrolado, procurando ocultar as nódoas vermelhas do sangue do sarraceno, destacando-se como flores rubras sobre a alvura puríssima e brilhante. E, numa mascarada macabra e traiçoeira, o bando cristão encaminhou-se em galope rápido para a vila mourisca, atroando os ares com gritos de simulação festiva e exclamações árabes de saudação e alegria.
Ao divisar ao longe um turbilhão de poeira que avançava rápidamente, Salúquia e todas as escravas ergueram-se apressadamente num ímpeto de júbilo e curiosidade. Eram eles; em voz trémula, ordenou que fossem abertas as portas da vila e que gente da sua corte lhes fosse prestar as honras da recepção.
Correram os moiros da pequena terra a franquear as entradas, enquanto sobre o minarete Fátima, Zuleima e a deslumbrante corte feminina da «alcaidessa» preparavam um dilúvio de pétalas de rosas, para caírem como beijos alados sobre o cortejo desejado de Bráfama.
Os falsos mouros entraram, como uma rajada de sangue, nas muralhas em festa de Arucci-a-Nova. E no ar misuravam-se os ecos alegres das saudações dos Árabes aos gritos de extermínio da legião cristã.
Um grupo de agarenos fugiu em direcção ao castelo a avisar Salúquia do traiçoeiro ardil. Era impossível a resistência. A vila estava nas mãos dos cristãos que continuavam a espalhar a morte numa sementeira de ódio religioso, fatal e sanguinolento.
Salúquia teve, num momento, a visão rápida da tragédia. Pareceu-lhe ver ainda o noivo enviando no sopro da agonia o beijo nupcial, que os inimigos transformaram numa lágrima rubra a gelar na morte.
A nuvem do fatalismo que parara, como presságio, sobre o seu coração em toda aquela noite, convertera-se na tremenda tempestade de luto, assoladora como um furacão de dor e de desgraça.
As mulheres árabes soltavam gritos e ajoelhavam, elevando as mãos ao céu numa súplica de desespero e de fé. Lá fora rugia, cada vez mais intensa, a onda de aniquilação saída das adagas dos soldados da cruz, galgando, numa galopada sinistra, o curto caminho que conduzia ao castelo da governadora.
Salúquia, figura pálida e grandiosa neste drama horrível, parecia lançar um estranho desafio à legião que a ameaçava, pela serenidade do porte que as lágrimas já não vinham sentimentalizar.
Numa frase rápida, decisiva e firme, mandou que fossem cerrar as portas do seu castelo (último reduto ainda não conquistado). E, enquanto a ordem foi executada, passeava, serena e heróica, de um lado a outro lado do minarete, afogando o olhar no sangue que corria em toda a povoação, envolta na prece extrema que os lábios dolorosos das suas escravas enviavam a Allah, por suprema esperança de almas perdidas.
Trouxeram-lhe as chaves momentos depois, quando ao castelo chegava a vanguarda dos irmãos Rodrigues.
As portas estavam fechadas.
Era apenas um instante de demora, o tempo preciso para as forçar violentamente. E o trabalho começou, reforçado daí a pouco pelos que vinham depois, atroando os ares num ruído formidável que cobria as vozes clamorosas dos sitiados na sua crescente litania de angústia.
Salúquia subiu ao ponto mais elevado do minarete, apertando nervosamente numa das mãos as chaves da fortaleza, e num impulso rápido, do valerosa resolução do heroísmo, atirou-se ao espaço. Um espantoso grito de dor aflorou a todas as bocas:
 — Salúquia! — e correram a debruçar-se à muralha do minarete.
Na esplanada do castelo, pálida e linda, com um fio de sangue a manchar-lhe o rosto num sulco de morte, ela lá estava guardando heróicamente nas mãos fechadas, numa crispação de energia que a morte petreficava, as chaves do castelo árabe, de onde ia abater-se a bandeira rubra do Islam.
As portas ainda não estavam forçadas, e um dos cristãos ia arrancar brutalmente das mãos de Salúquia as chaves da fortaleza. Álvaro Rodrigues deteve-o. Fez-se na consciência um relâmpago de justiça, e sentiu esmagado o seu orgulho de conquistador perante aquele cadáver que era uma grande lição de heroicidade. Curvou-se sobre a morta e com uma dobra do manto de Bráfama, quis limpar-lhe a mancha de sangue que empanava um pouco a formosura do rosto de Salúquia; nesse momento o manto soltou-se e tombou de oculta prega uma rosa branca, em cujas pétalas havia nódoas estranhas de cor vermelha. E a rosa caiu num deslizar suave, sobre os lábios frios da princesa moura.
Era a rosa de Bráfama, que este escondera junto ao coração, e que o golpe mortal da adaga de Álvaro Rodrigues aljofrara num orvalho de sangue. A flor cumpria a sagrada súplica do noivo de Salúquia. O sangue de ambos misturou-se naquele ósculo fatal e perfumado, através das pétalas de uma rosa de misterioso destino.
O capitão português descobriu-se num gesto de respeito e ordenou homenagens fúnebres, solenes, grandiosas; e como preito imortal ao acto de bizarro valor, proclamou que «Arueci-a-Nova» passaria a denominar-se a vila de Moura.
E assim, através dos tempos, das raças e das gerações, vai perpetuando a minha linda e adorável terra alentejana a lenda dolorosa de Salúquia, cuja imagem pálida e formosa eu sonho a debruçar-se no velho castelo em ruínas, pelas noites luminosas e odoríferas como aquela do seu noivado de morte, que o destino transformou na manhã vermelha de uma epopeia de supremo heroísmo.
Fonte: Manuel Joaquim Delgado, A Etnografia e o Folclore no Baixo Alentejo, Assembleia Distrital de Beja, págs. 244-250.
 




terça-feira, 2 de junho de 2015

Bom Dia Alentejo, Mértola, a Ponte-Barca no Guadiana

 

Antes de ser construída a ponte em Mértola, no início dos anos sessenta, todo o tráfego era feito atravessando o Guadiana, de barco ou na chamada ponte-barca. No Inverno, durante as cheias, a margem esquerda ficava isolada.
Havia bilhetes para vários tipos de transporte: para camionetas, automóveis, carros de mulas ...
Era o trigo e outros cereais, o gado, mas também todo o movimento de pessoas e mercadorias de quem vinha do lado de Serpa ou da movimentada Mina de S. Domingos e dos muitos "montes" da Margem Esquerda.
Foi ao fundo com uma camioneta. Por lá ainda deve estar, que o rio é fundo neste local...
Fonte: João F.B. R. Simas, http://ruadealconxel.blogspot.pt

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, Vila Ruiva, a Igreja Matriz de Vila Ruiva, a no concelho de Cuba

 
 
 
 
A Igreja Matriz de Vila Ruiva, terá sido construída a partir de 1523, por Tomás Fernandes, natural da localidade, e mestre de obras de Afonso de Albuquerque, tendo trabalhado nas obras de fortalezas na Índia.
O conjunto arquitectónico, em estilo manuelino, possui o seu próprio interesse, mas merecem destaque particular os frescos que decoram o seu interior, pela importância e qualidade que possuem.
Na fachada, salienta-se um impressionante torreão cilíndrico, coberto por cúpula entre quatro pináculos cantonais. O portal é em singelo arco quebrado, de ressonâncias góticas.
O interior, de nave única, é coberto por abóbadas estreladas, com fechos e mísulas esculpidas com motivos heráldicos e mascarões manuelinos.
Nas paredes encontram-se diversas pinturas murais de camanhas diversas, dos séculos XVI, XVII, e XVIII. O retábulo do altar-mor é em estilo rococó.
Fonte: http://www.patrimoniocultural.pt

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, a terra de Barrancos, o Moinho da Fonte da Pipa

 
Foto: https: //c1.staticflickr.com/1/51/171250766_6aea60e561.jpg
Junto ao local da Fonte da Pipa, assim mes compadres e minhas comadres, e no caminho entre assim Barrancos e o castelo de Noudar, pode-se encontrar este belo exemplar do tipo de moinho de água do sul do país.
Com todas as características dos chamados moinhos de imersão, assim se diz a vossemecês compadres, ele situa-se na ribeira da Murtega e está equipado com um açude ainda em bom estado de conservação…
Fonte: http://moinhosdeportugal.no.sapo.pt

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, Odemira, a Paineira de Odemira, a que um tronco virtuoso

 
 

Assim mes compadres e minhas comadres, assim os compadres ao passarem por Odemira, façam uma paragem por favor em Odemira e queiram ter o prazer e o gosto de admirar a paineira que se encontra no Largo Brito Pais.
Árvore citada mes compadres e minhas comadres, ela produz o próprio alimento mesmo quando está sem folhas, o que ocorre durante a floração, entre Setembro e Novembro, altura em que a copa da paineira transforma-se num imenso novelo cor-de-rosa e que abrilhanta ainda mais esta vila alentejana.
A paineira é uma espécie exótica, originária das florestas do Brasil e Bolívia, mas no entanto compadres e minhas comadres, este exemplar veio da África do Sul, trazido pelo então presidente da Câmara de Odemira, Justino Abreu dos Santos, que o plantou ou a plantou assim a fazer 31 anos.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Bom Dia Alentejo, Ponte da Ribeira de Múrtega, Noudar, a um lugar da Pipa

 
Chegados á entrada de Barrancos, assim mes compadres e que minhas comadres, há que depois seguir assim pelo itinerário que nos conduz à antiga “Vila de Noudar”. A malta se dirá a vossemecês passa assim pelas propriedades de Russianas, da Coitadinha, Arrancadas, Vale do Corcho, depois de se atravessar a ribeira de Múrtega pela ponte que liga as suas margens no pitoresco lugar designado da Pipa…

segunda-feira, 23 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Almodôvar, a lenda de Santo António, amor do Pai eterno

 Quando Santo António, andava pelo mundo, passou por estas bandas, isto segundo a lenda. Havia uma moça que tinha casado com um homem muito mais velho do que ela. Ora aconteceu que essa moça teve um filho dele. O homem não aceitava a criança, dizendo que não era filho dele.
 
Foto: http://hypescience.com/wp-content/uploads/2012/06/amor-de-pai.jpg
A moça passava os dias a chorar, com o desgosto de não ver a criança aperfilhada.
Santo António passou pela casa da rapariga e, ouvindo o choro, entrou e foi ver o que se passava. A moça contou-lhe tudo e logo o santo quis ajudar a resolver o problema.
O santo disse-lhe que voltaria no dia seguinte e recomendou-lhe que deitasse o menino no berço, com o pai de um lado do mesmo berço e a mãe do outro. E que seria a própria criança a dizer quem era o pai.
Ela assim resolveu fazer, incrédula no entanto, pois o menino só tinha um mês e ela não acreditava que ele conseguisse falar.
No dia seguinte, Santo António voltou à casa e dirigiu-se ao bebé dizendo-lhe:
— Levanta-te, aponta com o dedo e diz quem é o teu pai!...
A criança, levantou-se e apontando na direcção do homem, chamou-lhe pai.
Só assim o homem acreditou que era na verdade, o pai da criança.
O santo recomendou ao homem que fosse fiel a sua mulher e a seu filho, pois a verdade morava naquela casa.
Fonte: António J. Gonçalves, Monografia da Vila de Almodôvar  Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Bom Dia Alentejo, Almodôvar, a Escultura, o Sapateiro que está na rotunda

 
É difícil determinar a origem da vila de Almodôvar, a sua cultura e época. No entanto, compadres e minhas comadres, no entanto há registos de povos árabes, muçulmanos em mapas do século VII, em que a cidade era chamada de Al-Mudura que siginifica "coisa redonda ou cerca redonda".
Almodôvar, terra de sapateiros entre os anos 1940 e 1970. No sul do país, pois vos direi compadres, era a zona com mais indústria manual de calçado com cerca de 200 artesãos.
Os industriais e oficinas trabalhavam com o intuito de participar nas feiras. Por todo o Alentejo os sapatos e as botas tinham fama, pois em todas as feiras havia uma rua com todos os sapateiros, a qual davam o nome de rua de Almodôvar.
Numa rotunda da vila, foi erigida uma impressionante escultura com 6 m de altura em homenagem à arte dos sapateiros desse tempo. A obra em si, é do escultor Aureliano Aguiar. Feita ela, com pedaços de ferro recuperado de todos os tipos.
 

 
 
 
 
Esta é uma escultura que foi concebida em homenagem ao Sapateiro e que visou promover, divulgar e valorizar o ofício tradicional de sapateiro enquanto elemento identitário da Vila de Almodôvar e torná-lo fator de atratividade turística.
Esta impressionante escultura de Aureliano Aguiar, foi construída de forma a relembrar este ofício, que atravessou várias gerações, às vezes dentro das mesmas famílias, e foi considerado, em tempos não muito distantes, um dos principais meios de subsistência do concelho, tendo chegado a contar com cerca de 200 sapateiros no ativo.
Utilizando diversos materiais de ferro velho e com os seus 6 metros de altura, vale a pena parar por 5 minutos para contemplar este magnífico trabalho.