Mostrando postagens com marcador Cultura Alentejana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura Alentejana. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, Aldeia da Mata, Povo de Aldeia da Mata, o traje Alentejano ficará sempre


Ao entrar no grupo seu dos amigos de Aldeia da Mata, esta foto do amigo José Tapadas, ela repõe a justiça na terra alentejana aqui no norte, nestas terras do distrito de Portalegre.
Para quem tem pesquisado e tanto e sobre o traje alentejano e só encontrado uns desenhos em alguns bilhetes postais e muito poucos, esta foto do amigo José Tapadas não arrumando os cantos a esta grande casa que é Portalegre, ela pelo menos compõe um pouco a indumentária deste povo e o seu traje…
E eu meus amigos do mundo e eu vos destaco, o colete e a corrente de prata, ela destacar e a esconder, um possível relógio de bolso e também ele em prata…


Bom Dia Alentejo!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Bom Dia Alentejo, a Tolosa, Foral de Tolosa, a uma terra que é dos forais

O seu 1.º foral lhe foi dado pelo grão-prior do Crato em 1262. (Gaveta 15.ª maco 9, n.º 18). Este foral, tinha todos os privilégios do de Évora.
Deram-lhe outro foral, os cavalleiros de Malta, em 1281.
No 1.º foral, deram os hospitalários (maltezes) aos povoadores de Tolosa, além d´outras, uma herdade, na ribeira do Sôr, com o foro de duas dizimas; porém no 2.º, dizem os senorios - "E dêdes a nós de todo o froyto, que Deus dér, a dizima apiritual, de hum alqueire de trigo, por fogaça, e hum capom, por Sam Miguel, cada huum d´aquelles, que y fordes herdades" (Doc. da Torre do Tombo).
Os babitantes de Tolosa, gozavam os grandes privilégios de caseiros de Malta.
O rei D. Manuel, lhe deu foral novo (confirmando, em tudo, o antigo) em Lisboa, a 20 de Outubro de 1517. (Livro de foraes novos do Alemtejo, folhas 107, col. 2.ª e folhas 110, col. 1.ª) ...
E assim assunto o Pinho Leal escrevia, seu “Portugal antigo e moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias…”, o amigo o lá dizia.


Bom Dia Alentejo!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Bom Dia Alentejo, Fortaleza de Aramenha, Cidade Romana de Ammaia, a luz do dia viva, que brilhante passado

 
São Salvador da Aramenha, amigos meus do mundo, é uma freguesia portuguesa do concelho de Marvão. É aqui neste Alto Alentejo. É aqui neste Alentejo do Norte. Um lugar a ser visitado, o coração ao alto, para quem gosta de encontrar Romanos nos tempos modernos e viajar até ao útero da mãe…
Nesta pequena postagem, vos levarei subjectivamente, a uma fortaleza, à Fortaleza de Aramenha, não sabendo se a dita, a ela se chama actualmente e no presente, Cidade romana da Ammaia.
A fonte, onde bebi pequeno texto, foi no Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, do general João de Almeida, ano de 1945.
Mas penso que sim, amigos meus, “ … trazida das ruínas da cidade romana que se encontra em São Salvador da Aramenha, perto de Marvão, a qual é hoje comummente aceite com sendo a Ammaia romana referida em várias fontes históricas”.
 

No cimo de um pequeno outeiro, cota de 525 m., que se levanta no sopé da vertente leste do Monte das Malhadas, a cavaleiro da margem esquerda do rio Sever, junto da povoação de S. Salvador de Aramenha, a 3,5 Km. a su-sudoeste da fortaleza de Marvão, existem ainda os vestígios evocadores de uma importante cidade romana.
Dada a sua natureza e situação e os vestígios das épocas pré-históricas, os restos de explorações mineiras na região, especialmente de chumbo, e os achados arqueológicos da dominação romana, tais como pedaços de telhas, de pavimentos lajeados e de mosaicos, pedras votivas, colunas, capitéis, medalhas e moedas romanas, e um grande aqueduto do tempo de Vespasiano, Tito e Trajano, e, ainda, da persistência de certos caracteres antropológicos nos habitantes das vizinhanças, é de supor que a fortaleza primitiva tivesse consistido num castro lusitano, depois ocupado pelos sucessivos invasores.
Ali se acolheram os Túrdulos-os-Novos em meados do século Xi a. C. Mais tarde os Celtas e Celtiberos, baixando da Castelo Velha, ao longo do vale do Tejo, nos fins do século IX a. C., teriam conquistado e remodelado a fortaleza lusitana, transformando-a num florescente Oppidum e dando-lhe o nome de Aramenha, a designação lusitana de Marvão, e reservando para esta a de Medobriga.
Na Aramenha dos Celtas se teriam também estabelecido os Cartagineses, em princípio do século III a. C.
Os Romanos teriam conquistado o castro lusitano de Aramenha no ano 44 a. C. simultaneamente com Medobriga (Marvão), remodelando a fortaleza segundo a sua técnica castrense e transformando-a numa base militar de ocupação dependente de Medróbriga, reservando-lhe a missão de grande industrial, comercial e agrícola, pelo que também ficou sendo conhecida por Medobriga.
Destruída pelos Vândalos em 411, a fortaleza ficou completamente arrasada para nunca mais voltar a ser restaurada.
E o texto que foi assim que vos deixo…
 


 
Bom Dia Alentejo!

Bom Dia Alentejo!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Bom Dia Alentejo, Topónimo de Vaiamonte, Monforte, o Alentejo vai sempre ter ao monte

 
 O meu prezado amigo Dr. Joaquim António Calado Lopes, natural de Vaiamonte, professor efectivo do 9.º grupo do liceu de Oeiras, comunicou-me, em tempos, a respeito da sua terra o seguinte:
Sobre o nome posso dizer-te que ainda não há muito tempo se escrevia VAI-A- Monte e a terra era chamada SANTO ANTÓNIO DE VAI-A-MONTE.
A tradição oral da origem de VAIAMONTE merece-me poucos créditos.
Acredita-se que num outeiro próximo estivesse edificado uma povoação moura (sempre os mouros!) e que os seus habitantes diziam: vai ao monte, e este monte teria o significado do “monte alentejano” – casa do lavrador da herdade.
As falhas desta tradição metem-se pelos olhos.
Na verdade, existiu a tal povoação no outeiro próximo – mas é muito mais antiga que os mouros. Foi certamente ocupada pelos romanos; já tive em meu poder uma moeda romana de prata, encontrada lá e dizem-me que outras lá têm sido encontradas.
Uma estrada romana a poria em ligação com Monforte e Cabeço de Vide de que existem ainda vestígios, pelo menos duas pontes, uma à entrada de Monforte, outra próximo de Cabeço de Vide.
Esta região foi antigamente muito habitada.
É frequente aparecerem sepulturas que, segundo me disse um professor um professor do Liceu de Portalegre, serem antigas.
Quando meu pai plantou um olival, apareceram algumas; uma caixa rectangular formada de lajes e com um pequeno pote de barro, semelhante às panelas de barro dos nossos dias.
Há também nas proximidades um local onde ainda estão de pé algumas pedras de antas.
Segundo li num número do antigo “Jornal da Situação” de Portalegre, dedicado ao concelho de Monforte, ao tempo em que era Presidente da Câmara Municipal, o Sr. Cláudio de Moura, hoje falecido, VAIAMONTE vinha dos tempos de D. Sancho. Não sei onde conseguiram estes informes, é até possível que sejam gratuitos.
 
 

Na secção Português para todos – da autoria do conhecido filólogo Xavier Fernandes – inserta no “Jornal de Notícias” do Porto, de 29 de Novembro de 1949, lê-se o seguinte:
(…)
Sobre VAIAMONTE duas hipóteses já encontramos algures:
1.º O nome formou-se de vaia, troça, zombaria, e o conhecido subjectivo monte.
2.º O nome resultou da justaposição dos elementos da expressão vai a monte (vai, do verbo ir e, a, preposição).
Registamos aqui estas duas hipóteses a simples título de curiosidade, pois nenhuma delas oferece boas probabilidades de corresponder à verdadeira e, sobretudo, a primeira, que parece não valer um caracol, como costuma dizer o povo.




Bom Dia Alentejo!
 
 
 

domingo, 9 de março de 2014

Bom Dia Alentejo, Marvão, a Lenda do Castelo de Marvão, O céu, o puro lar, a Casa é mesmo no topo

 

Caía a tarde de mansinho.
O sol punha rabiscos de fogo no firmamento azul-cinzento.
No vale, onde algumas casas pequenas pareciam de brinquedo, vistas do alto do monte, uma jovem tocava harpa de um modo quase distraído. O seu rosto de belas feições gritava sem voz a aflição que a dominava. Perto, uma dama de meia-idade tecia. Também a sua expressão era triste, apreensiva...
De súbito, a jovem parou de tocar, deixando incompleta a ária de amor e queixume que até aí nunca deixara em meio. Gemeram as cordas da harpa, num soluçar dolente, ao abandono dos dedos da jovem. A dama de meia-idade ergueu a cabeça. Fitou a donzela e, numa voz bondosa, perguntou:
— Que tens, Maria? Porque não continuas?
A jovem suspirou. A sua voz soou baixa e fraca.
— Não posso! Perdoa-me, mas não posso!
Sorriu a dama, num sorriso que lembrava lágrimas.
— Sei o que te aflige: a demora de Marcelo. Mas pretenderás tu amá-lo mais do que eu, que sou sua mãe?
Novo suspiro de Maria, agora mais forte. Torceu as mãos, como a tentar dominar-se. Mas logo se levantou do cantinho onde estivera tocando e veio sentar-se aos pés da sua protectora. Deitou-lhe a cabeça no colo. Queria atordoar-se, esquecer que o tempo corria! A senhora acariciou-lhe os cabelos. Voltou a falar-lhe:
— Tem calma! Assim nada conseguirás. E torno a lembrar-te que não o amas mais do que eu...
Maria ergueu o olhar. Olhos rasos de lágrimas.
— Queres-lhe muito, bem sei. Tanto como eu. Mas eu e tu somos diferentes!
— Diferentes em quê?
— No sangue que corre em nossas veias! O meu não é igual ao teu. O meu não vem desse glorioso Viriato, símbolo deste povo não menos glorioso!
Voltou a senhora a acariciar os cabelos da jovem, sentada a seus pés.
— Criei-te de pequenina, minha filha, e ensinei-te a seres forte como todos os Lusitanos. Terás, pois, de ser como nós!
O nervosismo punha um estrangulamento na voz da jovem Maria.
— Sei lá qual será a minha origem! Grega?... Romana?...
— A tua origem, agora, pouco importa! Quando te encontrei abandonada no sopé desta montanha que se ergue à nossa frente, não quis saber quem eras, nem donde terias vindo. Eras uma criança que chorava com fome e tremia de frio!
Com arrebatamento, a jovem ajuntou:
— E hoje sou a futura esposa de Marcelo, o teu filho bem-amado!
— O meu único amparo moral, desde que os Romanos mataram o meu esposo! Tu ainda o viste. Mas eras pequenina quando o levaram daqui... Nunca mais soube dele, nunca mais! Nem sequer qual foi o seu fim, nem onde o enterraram!
A voz da senhora que falava endureceu um pouco e acrescentou:
— Por isso, minha filha, Marcelo tem uma dívida de sangue para com os Romanos!
A jovem ergueu-se.
— Eis o que me aflige ainda mais!
— Porquê? Não acreditas no destino? Que podes recear mais do que eu? O que está escrito terá de cumprir-se, queiras ou não queiras, soframos ou não!
— Não compreendo esse fatalismo.
O olhar da senhora iluminou-se.
— Escuta, Maria… Marcelo vem aí!
Levantou-se a jovem num sobressalto.
— Onde?
Baixo, quase num sussurro, olhos perdidos no espaço, a dama esclareceu:
— Algures. Mas vem aí. Pressinto-o mesmo à distância! Não descobres o mesmo? Não és mãe, Maria. Não podes sentir o que eu sinto!
Mas já a jovem, num impulso, a interrompia:
— Deixa-me ir ao seu encontro!
Num sinal negativo, a mãe de Marcelo abanou a cabeça.
— Não, Maria! Tu corres mais do que eu e chegarás a seu lado antes que eu o veja. E então... ambos se esquecerão desta pobre velha, que anseia, como tu, por ter notícias, embora saiba dominar-se! Não, Maria. Espera um pouco. Ele já vem perto. Não tardará!
Calou-se a dama. Mas o silêncio que as separou durou apenas alguns segundos. Já se distinguia o ruído de um cavalo correndo. Depois estacou. Marcelo desceu e entrou impetuosamente na sala onde as duas mulheres o esperavam. Correu para a mãe, beijou-a, mas logo a deixou para ir estreitar nos seus braços fortes a sua deliciosa, inquieta noiva. Com beça encostada ao peito largo do lusitano, Maria queixou-se:
— Como tardaste, Marcelo! Já estava em cuidado!
Ele tomando nas mãos a linda cabeça de fartos cabelos bem penteados, olhou-a, a fundo, nos olhos. A sua expressão era de amargura e a amargura soou também a sua voz:
— As notícias são péssimas! Cássio Longino tem vindo a destruir tudo por onde passa. É um homem rancoroso, mau, um monstro de ambição!
Serena, a mãe de Marcelo falou:
— Chegou talvez a nossa hora... Mas quem sabe se não terá chegado também a desse tal Cássio Longino?
Marcelo encheu o peito de ar, antes de responder:
— Tudo é possível agora, minha mãe. Mas uma coisa se torna urgente.
— O quê, meu filho?
— Pô-las a salvo antes que ele chegue!
A dama franziu as sobrancelhas. O seu rosto fechou-se numa expressão simultaneamente dura e dolorosa.
— Queres pôr-nos a salvo? Como?
Respirou de novo Marcelo, antes de responder.
— Mãe! Demorei-me, justamente, para encontrar o único meio de as livrar de Longino. Lembrei-me que o monte que nos deu a nossa Maria poderia talvez conservá-la agora longe de perigo.
Num grito, a jovem agarrou-se a Marcelo.
— Não quero separar-me de ti!
Mas a voz da velha senhora voltou a ouvir-se, serena.
— Talvez Marcelo tenha razão. Os homens não combatem com a mesma liberdade de espírito quando têm a seu lado a mulher que amam.
A jovem revoltou-se.
— E ele... ficará aqui, sozinho?
A mãe de Marcelo perguntou:
— Todo este povo, para ti, não representa nada?...
— Mas ele não é o chefe!
— O chefe é um velho e não tem filhos. Marcelo é o seu lugar-tenente. Não poderá agora abandoná-lo.
E acrescentou, voltando-se para o filho:
— Diz-nos onde se encontra o esconderijo que nos destinas, Marcelo, e eu própria conduzirei Maria até lá.
O jovem guerreiro levou uma das mãos à testa.
— Custa-me deixá-las partir sozinhas. Eles podem aparecer de um momento para o outro.
A mãe tornou:
— Por isso mesmo, deves ficar! Diz-me o caminho para chegar local que escolheste.
Marcelo fechou os punhos.
— Receio que não saibam encontrá-lo. É de difícil acesso e…
A velha senhora interrompeu-o, enérgica:
— Marcelo, diz-me o caminho antes que se faça tarde! É lá no cimo do monte?
— Sim. Mais ou menos no lugar onde encontrou Maria. Escute com cuidado…
E o jovem explicou em pormenor o difícil mas único caminho que levaria à salvação a mãe e a noiva.
Elas partiram por fim. Levavam poucos mantimentos e muitas apreensões.
Ainda não havia decorrido uma hora sobre a fuga de Maria e da mãe de Marcelo, quando o exército de Longino caiu sobre a pobre aldeia. A defesa estava entregue a um número inferior à centena.
 


Quanto aos romanos, chegavam aos cachos, passando do milhar. Travou-se a luta. Luta de desespero, da parte invadida. Luta de vida ou de morte. Talvez porque os lusitanos estavam decididos a vender cara a vida, não querendo entregar-se nem morrer sem causar danos, o combate prolongou-se mais do Cássio Longino esperava. O facto enervou o procônsul romano. Mandou redobrar de esforço e crueldade. Os lusitanos, porém, continuavam firmes, embora cada vez em menor número, dispostos a morrer matando o mais que pudessem. Todavia, já reduzidos a uma vintena, o chefe consentiu na entrega da aldeia e dos seus homens em troca de liberdade das mulheres. E a luta cessou, com grandes baixas também do lado do invasor.
A manhã já vinha quando o procônsul romano mandou enfileirar os dezasseis homens que restavam, para virem à sua presença. Um a um ele ia ouvindo e poupando a vida aos que possuíam bens que lhe dessem em troca. Depois de ouvi-los, Cássio Longino fazia a sua escolha. E um a um, iam passando esses lusitanos fortes de corpo e alma, mais amargurados ainda por estarem vivos mas vencidos, ante a figura odiada do chefe romano, escutando a sua sentença de vida ou de morte. Até que chegou a vez do jovem Marcelo.
Longino olhou pouco à vontade esse rosto pálido mas de olhar duro e firme que o causticava. Para disfarçar ou para se vingar dessa ousadia falou-lhe:
— Tu eras o subchefe. Para salvares a vida precisarias de grandes riquezas. E, segundo me informaram, pouco mais tens que a tua casa e uma dúzia de cabeças de gado.
Altivamente, Marcelo respondeu:
— A minha vida não está à venda, creio!
Longino sorriu felinamente:
— És pobre e orgulhoso?... Olha que o teu chefe pagou cara a ousadia de falar-me como grande senhor! Não só o mandei degolar, como fiquei com todos os seus haveres!
Marcelo retorquiu, rápido:
— O mesmo te acontecerá um dia!
Longino rangeu os dentes e sentiu desejo de ferir, de marcar cruelmente o seu inimigo. Sabia que a morte não o afligiria, porque era bravo. Mudou de táctica.
— Se não fosse o preço da tua vida, creio que não resistiria a fazer-te desaparecer, e já!
Marcelo surpreendeu-se.
— O preço? Que preço? Acabaste de afirmar — e é verdade — que pouco mais tenho que uma dúzia de cabeças de gado e a minha casa. Isto basta ao teu espírito ambicioso?
Cássio Longino riu com maldade. Depois sublinhou bem a frase que iria ferir Marcelo:
— Tu nem sabes dar valor ao tesouro que possuías!
O lusitano alarmou-se.
— Que tesouro?
— Amaia!
Marcelo, fora de si, gritou:
— Como sabes o seu nome?
Sorrindo sempre, Longino disse apenas:
— Foi ela.
— Ela?... Quando?
— Não grites, jovem louco!
— Quero saber quando te disse ela o seu nome!
— Ontem, quando chegámos... Ela ia a fugir...
Louco de dor e de fúria, Marcelo gritou mais:
— Onde a escondeste?
— Na minha tenda.
— Maldito! Não ouses tocar-lhe, porque te arrependerás!
Num requinte de cinismo, Longino vibrou o golpe maior.
— Amaia já não te pertence! A velha deu-ma em troca da tua vida; quando os meus homens as descobriram a caminho da montanha!
Quase possesso, Marcelo ia atirar-se ao procônsul, mas foi agarrado pelos soldados romanos. Alucinado, gritou-lhe:
— Mentes! Mentes, malvado! A minha mãe daria a vida por ela!
Sem alterar a voz, o romano tornou:
— E deu.
Os olhos de Marcelo abriram-se num ímpeto de loucura. Baixou a voz, tornando-a cava.
— Que dizes?
— O que ouviste. Depois de nos entregar a jovem Amaia, voltou a buscá-la, no mais aceso da nossa luta. Calcula que matou um dos guardas, essa velha de granito: libertou a jovem, e já iam de novo a fugir, quando foram descobertas. Os meus homens mataram a velha e teriam morto a outra se... se ela não me tivesse agradado tanto!...
Marcelo rugiu, agarrado pelos soldados:
— Maldito sejas enquanto viveres! Maldito sejas onde estiveres, seja na terra ou no mar!...
Enfadado já, Cássio Longino ordenou:
— Levem-no daqui!
Marcelo gritou de novo:
— Só depois de matar-te!
E, lutando, tentou libertar-se dos braços que o seguravam, na ânsia de desfazer o procônsul romano. Mas Longino gritou:
— Segurem-no bem! Parece um tigre!
De rastos, Marcelo foi levado da sala. Mas gritava ainda:
— Amaia nunca será tua! Sei que preferirá morrer! Sei! Compreendes?...
Como resposta, Longino ordenou em voz mal segura:
— Que se aproxime o que estava atrás desta fera que saiu. Vamos continuar! Tu? Não tens bens?
— Não.
— Pois serás degolado! O outro a seguir? Ah! Já sei... já me disseram… Tu és rico... Está bem... Ficarás preso até sairmos desta aldeia… O outro?
Um homem de meia-idade adiantou-se.
— O que tenho não te chega, decerto, porque não lhe sabes dar valor.
— Que possuis?
— Honra!
— Degolem-no! Agora o último. Já começo a estar cansado disto! Que tens para me dar em troca da tua vida?
Cerrando os dentes, o último homem da fileira dos prisioneiros declarava:
— Ódio! Só ódio para te dar! Mas esse é muito, muito!
Sem esperar mais, Longino ordenou:
— Degolem-no também!
E levantando-se da sua cadeira de espaldar, a cadeira do chefe aldeia, declarou:
— Vamos buscar Amaia e ver o que havemos de fazer dessa fera que foi subchefe do inimigo e deverá morrer! O ar aqui pesa-me... Sigamos para outras terras, quanto antes!
Quando Cássio Longino chegou à porta da tenda onde ficara Amaia vigiada por dois soldados, viu esta abandonada. Entrou nela e achou-a vazia. Alucinado, chamou os seus homens.
— Rebanho de imbecis! Onde está Amaia?
A medo, um dos soldados explicou:
— Quando trazíamos Marcelo, este conseguiu libertar-se e fugir para aqui. Então lutou contra nós quatro, ajudado pela rapariga. Dois dos meus camaradas morreram, outro está cego e eu... escapei porque viera buscar reforços...
Foi a vez de Longino rugir:
— Cambada de poltrões! Um homem desarmado vencer quatro soldados!... Para onde fugiram?... Vamos! Reúnam cinquenta homens e sigam-nos! Devem ter ido para a montanha!
Logo se formou o batalhão que iria buscar os fugitivos. A montanha silenciosa e austera era o objectivo. Mas a busca começou a tomar-se difícil. Longino gritou:
— Têm a certeza de que passaram por aqui?
Um dos soldados informou:
— Cássio Longino... Vi-os subir aquele escarpado à beira do precipício. Não vale a pena procurá-los. Não irão longe… porque por ali... mal vão!...
Gritou de novo, o procônsul:
— Mal vão, porquê?
— Porque encontrarão a morte entre os rochedos...
Mas a montanha silenciosa e austera deu abrigo aos fugitivos. Ali ficaram Marcelo e Amaia, lado a lado, corações batendo em uníssono, cheios de dor pela perda da que tudo sacrificara por eles. E os homens de Cássio Longino abandonaram a perseguição ao jovem casal e seguiram para outras terras, espalhando sempre terror e desolação. Mas a maldição caiu sobre Cássio Longino. Quando este, mais tarde, regressava ao seu país natal, encontrou a morte no mar, onde ficou sepultado com todas as riquezas que adquirira durante as lutas com os Lusitanos.
Entretanto, lá no alto da montanha silenciosa e austera, Marcelo e Amaia foram construindo, pedra a pedra, a sua casa. E os seus descendentes, dessa pequena casa fizeram um castelo — o castelo de Marvão — grito que ecoado pelas penedias e levado pelo vento chegou aos ouvidos dos que ficaram quando os soldados romanos diziam dos fugitivos:
— Mal vão! Mal vão!...
Esta é a lenda do castelo de Marvão, que chegou a ser pertença dos Mouros, mas que, finalmente, D. Sancho II conquistou, para o limpar da gente inimiga e dar de presente a Portugal.
De Lendas de Portugal, Gentil Marques, Lisboa, Círculo de Leitores, Lisboa, 1997 [1962], p.Volume II, pp. 159-166

Bom Dia Alentejo!
A alma que lhe escondida é tanta…
Foto: http://www.revista-b.com/edicao6/images/dossier-01/imagem1.jpg

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bom Dia Alentejo, Redondo, Topónimo do Redondo, o círculo esotérico aparecia


Está situado em um mediano e ordinário monte por cuja ladeira abaixo vistosamente se estende para as partes do sul e poente; foi este monte sempre celebrado pela circunstância do Penedo Redondo, que no mesmo monte se acha e de que esta vila tomou o nome. Deste modo se não vê hoje mais que uma parte por estar formada sobre ele uma pequena torre das sete que tem o castelo.
Das Memórias Paroquiais de 1758 – tomo XXXI – Fl. 188 – Apud. – Arqueólogo Português – Vol. VI – 1901 – Pág. 237.
 
Parece que a povoação do REDONDO já existia no tempo dos romanos (…).
D. Dinis cônscio da importância da situação da terra e preocupado com a obra de defesa do país, que o levou a fazer construir ou reparar, na fronteira, a linha de castelos Marvão, Portalegre, Alegrete, Monforte, Elvas, Vila Viçosa, Juromenha, Monsaraz, Mourão e Moura, e no interior tantos outros, não esqueceu o REDONDO e em 1319 (era de César de 1357) fez levantar o actual castelo num outeiro, onde diz a tradição existiu o penedo redondo que deu o nome à vila.
Novembro de 1928 – António de Sousa Maior.
Da Ilustração Alentejana, N.º 6 – Ano V – de Outubro de 1929

 

É atraente, bem que por vezes difícil, a investigação das origens dos nomes das povoações portuguesas, visto que a toponímia nacional é muito rica e variada em denominações derivadas de raízes tão diversas, por vezes obscuras, provenientes do romano peninsular, do fenício, do árabe, do grego, do cartaginês, do celta, do latim medieval, etc.
REDONDO, tem o étimo bem definido. Do adjectivo latino rotundus, a, um, pela lei geral do us nominativo ou do um acusativo se transformar sem esforço maior em o pela lei de transformação fonética também natural e por isso geral do abrandamento, quando não queda da consoante intervocálica, essa voz latina deu REDONDO.
A desassimilação do primeiro o deu a forma actual e oficial: REDONDO, forma que na boca do povo, por um processo regressivo e inverso ao da desassimilação anterior que o prova e o explica readquire muitas vezes a pronunciação redondo quer no adjectivo quer no nome próprio dessa laboriosa vila alentejana.
É simples e corrente, pois, a transformação que deu em nossos dias o nome REDONDO derivado do latim rotundus, palavra que aliás se conserva na língua portuguesa mais próxima, porém da origem latina, em rotundo como rotunda, substantivo comum, o lugar redondo, transformado em próprio na toponímia urbana, v.g. a Rotunda de Lisboa que termina ao norte a Avenida da Liberdade, e que o povo teima em designar por esse nome breve, eufónico e nobre em que pese aos editais de vereadores que teimam em ensinar ao povo a história pátria, quase banida do ensino escolar, por meios de letreiros pintados nos cunhais dos prédios urbanos!
Isto sabe-o muita gente, sabe-o talvez a totalidade dos naturais do REDONDO.
O que talvez não saibam, porém, é que no Baixo Alentejo há outra vila também importante e antiga, que tem o mesmo nome, mas derivado do árabe: - ALMODÔVAR.
ALMODÔVAR diz em árabe, exactamente, o que nós dizemos com o vocábulo latino rotundus, isto é, redondo!
ALMODÔVAR é palavra árabe, representando aqui o u um carácter que no alfabeto respectivo indica um som gutural para que o nosso alfabeto latino não tem letra, que nos é muito difícil de pronunciar e que os peninsulares falavam o árabe simplificavam na pronúncia e acomodaram na escrita por meio de v.
Note-se que esta palavra ALMODÔVAR (redondo), como o seu verbo doudra, endoura (arredondarei, arredondo), como o seu adjectivo Almodauer (o que arredonda) são do árabe puro, não do dialectal, ou do mestiço árabe peninsular.
Assim temos no Alentejo dois REDONDOS. O de nome romano mais ao norte, o de nome árabe mais ao sul.
Cremos que os naturais terão totalmente expungido do coração a gentilidade dos romanos e os da outra todas as expressões ignóbeis dos sectários de Mafamede e que uns e outros serão, ao contrário, muito bons cristãos, os do sul fabricando o seu azeite e os do norte as grandes talhas de barro para o armazenar.
Do artigo do Dr. Domingos Vaz Madeira, inserto na Ilustração Alentejana, N.º 6 – Ano V – de Outubro de 1929.

 
Tem-se dito que a denominação actual provém de um enorme rochedo arredondado, que havia no local onde depois se construiu a Igreja da Misericórdia, e que seria alguma anta ou outro monumento pré-histórico. De qualquer modo, o nome desta actual vila alentejana filia-se no nome comum redondo, do latim rotundu-, através do português arcaico rodondo e com a posterior dissimulação do primeiro “o” em “e”.
Dos Topónimos e Gentílicos, de Xavier Fernandes, Vol. II – 1944 – Pág. 358.
 
Bom Dia Alentejo.
Fotos:
http://img651.imageshack.us/img651/9368/img1549v.jpg ;http://ipt.olhares.com/data/big/176/1768401.jpg :
http://2.bp.blogspot.com/-oo0MPa_RLkk/TjkhlA_yFbI/AAAAAAAAD0I/LbTtSNnD9N8/s1600/Redondo%2B2.JPG
http://portugalfotografiaaerea.blogspot.pt/2011/08/redondo.html


E depois, Dicionário Enciclopédico das Freguesias, 4.º Volume, 1998, a pág. 301, a murmurar ao ouvido, do compadre, um aqui no Alentejo no norte, “Povoado desde épocas imemoriais, o Redondo, deve o seu nome a um penedo que aqui se encontrava e que tinha essa mesma forma. Serviria – assim o diz – certamente para abrigo dos primitivos povos que para aqui se deslocaram, em busca de locais elevados, que como se sabe rareiam no Alentejo.”